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22/10
Genéricos já ameaçam o Cipro, da Bayer

Genéricos já ameaçam Cipro, da Bayer
Fonte:
Gazeta Mercantil - 22/10/2001

Eliane Sobral e Silva

São Paulo A Bayer do Brasil trabalha com a possibilidade de perder entre 30% e 40% de participação no mercado com a entrada no mercado de produtos genéricos que substituem o Cipro - um dos principais antibióticos utilizado no combate ao antraz.

Segundo o gerente de comunicação da empresa, Eckart Pohl, essa tem sido a proporção de perda de mercado quando da entrada de genéricos e, com o Cipro, prevê ele, a média será mantida.

O grande apelo dos genéricos está no preço e, no caso do Cipro, não é diferente. A versão 500 miligramas do produto licenciado custa, em média, R$ 108, enquanto a mesma versão do genérico chega ao consumidor final ao preço aproximado de R$ 72 a caixa com 14 comprimidos.

Pelo menos duas empresas já estão comercializando o genérico do Cipro no Brasil. Uma é a EMS Sigma Pharma - que lançou seu genérico em dezembro passado. Outra, a Ranbaxy Farmacêutica, que importa o produto de sua unidade indiana, desde julho, e tem planos de fabricar o produto no Brasil dentro de dois anos.

Segundo a gerente-geral de medicamentos genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, Vera Valente, uma terceira empresa já entrou com processo de comercialização do genérico do Cipro e pretende importá-lo de Portugal.

O diretor comercial da Ranbaxy Farmacêutica, Ailton Wilioczinski, informa que o laboratório trabalha atualmente com uma gama de 36 substâncias registradas, com 90 apresentações, sendo que o genérico do Cipro responde por 5% da produção global da empresa.
Wiliczinski não crê em aumento expressivo de demanda pelo genérico em função dos casos de contaminação por antraz registrados nos Estados Unidos mas, afirma que a empresa tem condições de aumentar as importações - hoje em 300 mil unidades por mês - rapidamente, caso haja necessidade

Na Bayer do Brasil, a produção atual do medicamento é de 500 mil comprimidos por mês, sendo que metade desse volume é dirigido ao mercado externo - em especial Chile e Mercosul. Segundo Eckart Pohl, as vendas mensais oscilam entre 10 mil e 30 mil caixas do medicamento mas, entre quinta e sexta-feira da semana passada, a empresa registrou aumento de 20% da demanda.

O gerente da Bayer afirma que, por conta disso, e até preventivamente, a empresa decidiu antecipar para este mês a produção dos lotes previstos para fabricação em novembro e dezembro. 'Antecipamos também as encomendas da matéria-prima, vinda da Alemanha, para criarmos um estoque estratégico do produto', diz ele.

A título de curiosidade, Pohl informa que o medicamento já foi prescrito 280 milhões de vezes e é um dos mais fortes em vendas da multinacional - os Estados Unidos são o principal mercado.

A EMS Sigma Pharma lançou em dezembro seu genérico do Cipro e, segundo o presidente da empresa, Carlos Eduardo Sanches, produz cerca de 100 mil unidades por mês.
Sanches, que é também presidente do Grupo Pró Genéricos - entidade que reúne indústrias de medicamentos genéricos no Brasil - esteve na semana passada com a gerente-geral de genéricos da Anvisa, Vera Valente, para informar ao governo que, caso haja necessidade, as empresas do grupo poderão aumentar sua produção para atender eventuais aumento de demanda. 'Ainda não vemos essa necessidade, mas é importante saber que temos aqui capacidade de responder prontamente a eventuais elevação de demanda', explica Vera.

Carlos Sanches adianta que, se houver pedidos de outros países, as duas indústrias que trabalham com o genérico do Cipro no Brasil estão dispostas a analisar a possibilidade de reorganizar sua produção para poder atender aos pedidos. De acordo com agências internacionais, o governo canadense prepara-se para estocar antibióticos genéricos contra doenças relacionadas ao bioterrorismo, mesmo que para isso tenha de quebrar os direitos internacionais de patente. O ministro da saúde do país, Allan Rock, disse que o plano tem orçamento de US$ 7,4 milhões de dólares.

A unidade da Bayer nos Estados Unidos já anunciou que vai aumentar a produção do produto para aquele mercado e, segundo o gerente de comunicação da Bayer do Brasil, Eckart Pohl, caso haja necessidade, a empresa poderá trabalhar com outros laboratórios para garantir o suprimento da medicação.

Vera Valente, da Anvisa, informa que o governo brasileiro pretende doar uma pequena quantidade de genérico do Cipro para embaixadas brasileiras no exterior. 'O fato de o Cipro não ter proteção de patente no Brasil é uma grande vantagem.'

 
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