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Genéricos na Imprensa
Notícias
Países
africanos pedem ajuda ao Brasil
Fonte:
O Estado de S.Paulo - 23/06/2001
Às vésperas da reunião da ONU, eles querem
remédios para enfrentar a aids
TONICA
CHAGAS
Especial para o Estado
NOVA
YORK - A estratégia brasileira de combate à aids foi
o principal tema de um seminário promovido ontem, em Nova
York, para discussão de perspectivas globais de tratamento
e prevenção da doença, que atinge 36 milhões
de pessoas no mundo. Ao fim da apresentação, representantes
de países africanos fizeram repetidos apelos para receber
ajuda brasileira. O maior entrave para todos é o alto custo
dos medicamentos e as leis internacionais de patentes.
"A lei de patentes é cruel porque dá ao setor
privado um poder de vida e morte sem usar armas", criticou
Eloan dos Santos Pinheiro, diretora da Far-Manguinhos, uma das mais
aplaudidas participantes do seminário. Eloan mostrou como
a produção de genéricos reduziu os custos dos
medicamentos antiaids no Brasil.
Paulo Roberto Teixeira, coordenador do Programa de DST/Aids do Ministério
da Saúde, disse que o Brasil poderia fornecer quantidades
limitadas de medicamentos para iniciar o atendimento em outros países
de Terceiro Mundo.
Organizado pelo grupo brasileiro Pela Vidda e pela entidade americana
Gay Men's Health Crisis (GMHC), o encontro reuniu 200 representantes
de governos e organizações internacionais, que também
vão participar, na próxima semana da primeira sessão
especial da Assembléia Geral da ONU sobre aids.
"Esperamos que todos os países, sem exceção,
cheguem a um acordo para lutar, unidos, contra essa crise",
disse o coordenador da agência da ONU para aids, Unaids, Bandara
Samb.
Ele citou o Zimbábue como exemplo da impossibilidade financeira
de os países africanos tratarem da população
com aids. "Hoje o custo seria de US$ 12 mil dólares
per capita, o equivalente a 265% do seu produto interno bruto para
isso, o que é impossível", disse. "Não
podemos limitar a questão a dinheiro", acrescentou Bernard
Pecoul, diretor executivo dos Médicos Sem Fronteira. Pecoul
enfatizou que o maior problema é a questão de patentes.
"Se abrirmos a produção de genéricos,
esse custo pode cair para US$ 200 dólares por pessoa ao ano",
disse Pecoul. Sem acesso a remédios, a previsão é
que, dentro de dez anos, morram 95% das 36 milhões de pessoas
hoje infectadas.
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