Ministério da Saúde
Acesse o Portal do Governo Brasileiro
 



 


Genéricos na Imprensa
Notícias

 

23/08
Saúde política
23/08
Serra vai quebrar patente anti-Aids
23/08
Serra quebra patente de remédio contra Aids




Saúde política
Fonte: Correio Braziliense - 23/08/2001

Eleição faz muito bem à saúde do brasileiro e do Brasil. O ministro José Serra tem pela frente o mais formidável desafio dentre o seleto grupo de assessores do primeiro escalão do presidente da República. Saúde, em país subdesenvolvido, é abacaxi de bom tamanho. Os jornais podem fazer, sem muito esforço, reportagens espetaculares sobre as mazelas do sistema. São diversas e todas elas visíveis.
Mas quem está com os olhos voltados para o horizonte eleitoral de 2002 tem outras perspectivas. O combate à Aids rende dividendos políticos em diversos quadrantes da sociedade brasileira. E, sem qualquer dúvida, é ação humanitária de primeira grandeza. A decisão de enfrentar os grandes laboratórios norte-americanos revelou-se politicamente correta e funcional do ponto de vista médico.
Não respeitar patentes significa para o Brasil economia de quase R$ 500 milhões como resultado da renegociação de contratos e utilização dos genéricos. A vitória foi maior. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, informou que seu governo desistiu de proibir o Brasil de fabricar genéricos para tratamento da Aids. A notícia é especialmente importante para a África, onde estão 25 milhões dos atuais 36,1 milhões de infectados no planeta.
Candidatos do PSDB à sucessão de Fernando Henrique são discretos pela natureza da disputa interna. Ninguém deve se expor muito. Malan fala sobre política, mas nega candidatura. Paulo Renato, ao contrário, assume a possibilidade. Aécio Neves, o mais novo integrante do grupo, a exemplo de seu avô, não fala na hipótese. Nem o ministro Pimenta da Veiga. Serra está produzindo fatos. A vitória contra os laboratórios norte-americanos é histórica. Terá repercussões internas e externas.
Enquanto não surgir o candidato definitivo do governo, a oposição deslancha nas pesquisas de opinião sem objetivos nítidos. Não há adversário a ser combatido. O governo vai retardar a decisão até o limite do impossível. Neste momento, eleição não rima com apagão. É o prazo adequado para que cada um dos listados no parágrafo anterior apresente resultados concretos e consiga chamar atenção do eleitor. Combate à Aids gera resultados eleitorais.

 



Serra vai quebrar patente anti-Aids
Fonte: Jornal do Brasil - 23/08/2001

Medicamento que integra coquetel e é importado pela Roche terá genérico fabricado no Brasil pela Far-Manguinhos

HELAYNE BOAVENTURA

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde vai quebrar a patente do laboratório Roche sobre o Nelfinavir, medicamento importado que integra o coquetel anti-Aids, distribuído pela rede pública de saúde. Com o fim da exclusividade, o genérico passará a ser produzido pelo laboratório Far-Manguinhos, ligado à Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, e por laboratórios que se interessarem, desde que seja feito o pagamento dos royalties.
O medicamento é utilizado por cerca de 25% dos 100 mil pacientes que tomam o coquetel de 12 medicamentos. O anti-retroviral é um dos mais caros: sozinho representa 28% do preço do coquetel. Por ano, o governo gasta R$ 220 milhões somente com a aquisição do medicamento do laboratório suíço. ''Isso é mais do que gastamos com muitos programas do ministério. É um preço abusivo'', disse Serra.
Cada paciente com Aids custa por ano R$ 11,7 mil somente com remédios. O coquetel é distribuído gratuitamente, bancado pelo Ministério da Saúde. A quebra da patente, chamada oficialmente de ''licenciamento compulsório'', vai influenciar no gasto do ministério e poderá aumentar o número de pacientes atendidos.
Preparado para a reação do fabricante, o ministro conseguiu o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem esteve ontem no Palácio do Planalto. O presidente disse ao ministro que o governo vai adotar todas as medidas para vencer a batalha contra o laboratório.
Nota - No início da noite, o laboratório Roche divulgou nota em São Paulo, através de sua assessoria de comunicação, afirmando estar surpreso com a notícia ''porque as negociações entre a empresa e o Ministério da Saúde têm sido amistosas'' e diz que aguarda uma audiência pedida ao ministro da Saúde.
''O motivo de nossa surpresa'', diz a nota, ''deve-se ao fato de sabermos que uma tal decisão deveria ter sido comunicada às autoridades americanas, conforme acordado entre o governo brasileiro e o dos Estados Unidos em julho último, uma vez que a patente é americana.''
A Roche ainda pode recorrer contra a licença compulsória à Organização Mundial do Comércio (OMC). A preocupação do laboratório suíço é que outros países sigam o exemplo brasileiro e também quebrem a patente do produto, o que poderia aumentar o prejuízo da empresa. ''Temos a verdade do nosso lado e o apoio da opinião pública, não creio que ocorra um recurso à OMC'', avalia Serra.
Preços - Dos 12 medicamentos do coquetel, três estrangeiros têm preços razoáveis. Outros sete são produzidos, como genéricos, no Brasil. A força do ministro na briga contra os laboratórios ganhou fôlego depois da sessão especial das Nações Unidas sobre Aids em julho passado quando o programa brasileiro de distribuição universal e gratuita do coquetel anti-Aids foi bastante aplaudido. Diante da pressão de outros países, os Estados Unidos retiraram então o pedido de processo contra o Brasil que corria na Organização Mundial do Comércio.
Serra estuda agora a possibilidade de quebrar a patente de medicamentos receitados para outras doenças. Seu ministério pensa em acabar com a exclusividade do laboratório Novartis de produzir o Glivec, remédio usado no tratamento da leucemia. O ministro informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não autorizou a mudança de embalagem do Atroveran. ''Isso é aumento de preço. Por mais que os laboratórios pensem, o Brasil não é país de trouxa'', afirmou.

Decisão tem apoio da lei Dos 12 remédios que integram o coquetel anti-Aids, o Nelfinavir é um dos dois protegidos por patentes: o outro é o Efavirenz, fabricado pelo Merck Sharp&Dohme. No início do ano, o laboratório reduziu o preço deste em 64%, passando cada comprimido de US$ 2,32 para US$ 0,84. Os dois medicamentos, tomados por cerca de 25 mil dos 100 mil soropositivos no Brasil, eram então responsáveis por 25% dos gastos do governo com o coquetel.
A disputa do governo com os laboratórios multinacionais é apoiada por cláusulas da lei brasileira de patentes, de 1997. Além de permitir que o país quebre a patente em caso de ''emergência nacional'', a lei estabelece que, se depois de três anos do registro da patente no Brasil o laboratório não produzir aqui o medicamento, o governo pode iniciar a fabricação do genérico.
A atitude do ministro Serra de dar início ao processo de concessão de licença compulsória do Nelfinavir foi classificada de ''posição corajosa'' pelo secretário do Fórum/ONG/Aids/RJ, Roberto Pereira. ''O lucro não é superior à vida e tem um limite'', disse, referindo-se à estratégia dos laboratórios de ampliar ao máximo o prazo das patentes, argumentando com os altos custos da pesquisa.
A licença compulsória, mecanismo previsto no Acordo Trips sobre propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio, permitirá que a Far-Manguinhos produza o remédio por 80 centavos de dólar.




Serra quebra patente de remédio contra Aids
Fonte: Gazeta Mercantil - 23/08/2001

Brasília O ministro da Saúde José Serra, cumpriu ontem com o que havia prometido semanas atrás e quebrou a patente do remédio Nelfinavir, que faz parte do coquetel de 12 medicamentos utilizado para tratamento de pacientes com Aids. A medida, anunciada no início da tarde, surpreendeu a indústria farmacêutica e, segundo o ministro, foi baseada na lei de propriedade intelectual, que autoriza o licenciamento compulsório de remédios para que sejam produzidos no País em casos de emergência nacional ou abuso de poder econômico.
A alegação do ministro José Serra está relacionada ao segundo item do texto. O Nelfinavir é fabricado pelo laboratório americano Roche que, segundo informações da assessoria do ministro, vinha cobrando preços considerados 'altos demais' para o mercado brasileiro. Com a quebra da patente, o ministério estima uma redução de perto de 40% do valor. Ainda segundo o ministério o laboratório Farmanguinhos, da Fiocruz, já anunciou interesse em produzir o remédio a partir de 2002.
A assessoria do ministro informou, ainda, que do orçamento total do governo por ano com medicamentos para doentes e portadores de Aids - cerca de US$ 303 milhões - perto de US$ 88 milhões são destinados apenas à compra do Nelfinavir, que é consumido por 25 mil brasileiros dos 100 mil que tomam o coquetel. Sem falar que o Brasil é, hoje, o único País do mundo a oferecer gratuitamente os medicamentos do coquetel, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida anunciada ontem pelo ministro foi a primeira que implicou na queda de patentes e chegou a deflagrar uma polêmica internacional com os EUA no início de maio, encerrada durante a última conferência mundial de Saúde, em junho passado. Serra já tinha alertado o laboratório Roche anteriormente, para que apresentasse uma contra-proposta vinculada à redução do preço do remédio.
Independentemente dessa providência, o Ministério da Saúde também está investindo para liberar, até o final do ano, a produção de genéricos para todos os 12 medicamentos do coquetel anti-Aids. O primeiro deles já está sendo fabricado. Trata-se do Lamivudina, que tem como referência o Epivir, do laboratório Glaxo Welcome e teve o preço reduzido de R$ 210,55 para R$ 126,33 (valor do genérico). Foi mais um passo para a aceitação, por outros países, da legislação brasileira sobre patentes, em vigor desde 1996. Estatísticas da Fundação Nacional de Saúde apontam a existência no Brasil de 90 mil pessoas com Aids e 10 mil com o vírus HIV que ainda não contraíram a doença. Os interessados em fabricar o produto podem se cadastrar no ministério.
O laboratório Roche Químicos e Farmacêuticos S.A. esclareceu que não produz o medicamento Neufinavir, componente do coquetel anti-Aids. Segundo a Roche, o remédio é importado há cinco anos do fabricante norte-americano Agouron. A Roche disse não ter sido comunicada sobre a quebra de patente.

 

 
Página Anterior Ínicio da página