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LÍGIA FORMENTI Hipocondríacos e pessoas que insistem em se automedicar
podem sofrer um duro golpe no próximo ano. A Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda modificações
na bíblia desses consumidores: as bulas de remédios.
A proposta apresentada pela agência inclui a adoção
de uma linguagem mais clara e a retirada das indicações
de dosagem para o uso dos medicamentos. "A posologia não irá mais constar das bulas
de remédios de venda sob prescrição médica",
explica o chefe da unidade de farmacovigilância da Anvisa,
Murilo Freitas Dias. A intenção, afirma Dias, é
justamente dificultar a auto-medicação. As alterações propostas são várias.
A idéia é que a indústria farmacêutica
passe a fazer duas bulas: uma para consumidores, que virá
junto com o remédio, e a outra, para profissionais de saúde
- o formulário terapêutico nacional. Esse formulário
deverá ser editado anualmente. Uma versão eletrônica
será divulgada pela Internet. Letra - A proposta da Anvisa surgiu depois de uma análise
feita em uma amostra de bulas de remédios brasileiros, que
constatou uma série de irregularidades. "Não
há razão para usar tantos termos técnicos.
Queremos que a informação seja acessível e
útil para os pacientes", justifica Freitas. Com menor número de informações técnicas,
afirma o técnico, será possível aumentar também
o tamanho da letra usada na bula. Para o diretor-executivo da Associação
Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), Ciro
Mortella, as alterações propostas pela Anvisa são
de fácil aplicação. Ele, no entanto, questiona
a eficácia de algumas medidas, como a retirada da posologia.
"O que inibe a auto-medicação é o controle
nos postos de venda", diz. "Quando o paciente lê
a bula, ele já comprou o remédio." Mortella também
observa que muitos médicos não dispõem de Internet
para consultar o compêndio de bulas que será feito
pela Anvisa. Depois de um mês de consulta pública, a proposta da
Anvisa será submetida a avaliação. No próximo
ano, será convertida em resolução, com as alterações
propostas. "Será fixado um prazo para que as empresas
se adaptem às novas regras", afirma Freitas. As primeiras
bulas que deverão sofrer alterações serão
as de remédios de marca. "Depois, será a vez
de genéricos e similares." O diretor afirmou que a Anvisa deverá contratar técnicos
para fazer a fiscalização das bulas. "Nossa maior
preocupação é que efeitos colaterais e informações
sobre interações com outros medicamentos sejam sempre
atualizados."
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