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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

24/04
Preços de remédios de uso contínuo devem cair 10%
24/04
Roche tem prazo para baratear produto anti-Aids
24/04
Embaixador dos EUA tenta minimizar vitória
24/04
Acesso universal a drogas anti-Aids
24/04
País vence na ONU e acesso a remédio vira direito humano
24/04
Farmácia de genéricos já funciona em SP
24/04
Serra nega estar em campanha
24/04
Farmácia de genéricos é inaugurada em SP
24/04
Produção deve ser incentivada
24/04
Novos genéricos anti-Aids
24/04
Remédio anti-Aids vira "direito humano"
24/04
Laboratório Cristália parte para o mercado de remédio genérico
24/04
ONU transforma os remédios para Aids em direito humano
24/04
Brasil sai na frente em disputa com EUA






Preços de remédios de uso contínuo devem cair 10%
Sai hoje decreto que reduz tributo de remédios
Wagner Gomes*,Marcelo Rehder e Martha Beck
Fonte: O Globo - 24/04/2001

SÃO PAULO e BRASÍLIA. O diretor de Administração da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Luís Milton Veloso da Costa, reafirmou ontem que já na próxima semana os medicamentos de uso contínuo, para doenças crônicas, devem estar com preços até 10% menores graças à nova lei que reduz a cobrança de PIS e Cofins. O decreto governamental que dá o desconto nos tributos está publicado hoje no Diário Oficial da União.
A partir da publicação do decreto, a indústria pode dar entrada nos pedidos para obter o desconto. São 1.200 medicamentos anti-hipertensão, cardiotônicos e antibióticos que compõem a lista divulgada pela Anvisa.
O ministro da Saúde, José Serra, defendeu ontem a criação de uma lei nacional que obrigue os médicos a escreverem nas receitas o princípio ativo dos medicamentos genéricos. Segundo ele, os médicos e as farmácias continuam sendo um entrave à venda do produto no país.
- Existe falta de informação e acesso aos genéricos. Eu mesmo acabei encontrando o genérico de um medicamento que tomo, sem a ajuda do médico, e estou tendo um ganho enorme - afirmou o ministro, ao participar de um debate movido pelo Procon de São Paulo.
Serra disse que somente as grandes redes farmacêuticas estariam prestando orientação ao consumidor sobre a compra de remédios genéricos, que chegam a ser 40% mais baratos do que os produtos de marca. O ministro criticou as prefeituras que, segundo ele, não têm políticas adequadas para melhorar o acesso da população pobre aos genéricos. Ele também chamou de "espírito de porco" as empresas que tentam barrar a venda dos genéricos.

 

Roche tem prazo para baratear produto anti-Aids
Geraldo Magella*
Fonte: O Globo - 24/04/2001

ITAPIRA (SP). O ministro da Saúde, José Serra, deu prazo até junho para que o laboratório Roche reduza o preço do seu produto que faz parte do coquetel anti-Aids.
Caso o fabricante não faça uma oferta considerada satisfatória pelo governo, Serra ameaça quebrar a patente da Roche e liberar a produção do remédio no país. Serra já havia feito a mesma ameaça ao laboratório Merck, que baixou o preço de sua droga que também integra o coquetel anti-Aids. Procurado, o laboratório Roche afirmou que continua negociando uma saída alternativa com o governo.
Segundo o ministro, os laboratórios públicos do país já estão se equipando para produzir os chamados anti-retrovirais em caso de alta de preço ou de dificuldade de importação.


Embaixador dos EUA tenta minimizar vitória
Fonte: O Globo - 24/04/2001

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, George Moose, minimizou a vitória do Brasil, dizendo que o combate à Aids não será resolvido "em discussões superficiais na Comissão de Direitos Humanos, que, francamente, não tem capacidade para lidar seriamente com a questão". Em entrevista ao GLOBO após a votação, Moose não só diminuiu a importância da vitória brasileira, como indicou que o apoio maciço que o Brasil obteve não ia mudar em nada a posição dos aliados dos EUA na questão de patentes.
- Não estamos isolados - disse o embaixador, chamando atenção para trechos dos discursos da UE e de outros países que dizem que a resolução brasileira não deve ser interpretada como um enfraquecimento ou uma limitação dos acordos internacionais, como o de propriedade intelectual.
- Essa resolução é falha em vários aspectos. Ela parece questionar a validez de acordos internacionais de proteção de propriedade intelectual. Trata-se de uma má política pública de saúde - disse Moose, alertando que isso poderá reduzir a pesquisa de medicamentos.
Formalmente, a disputa entre EUA e Brasil na OMC não começou porque não se chegou a acordo sobre nomes de peritos. Os EUA pararam de pressionar e estão deixando o caso em banho-maria, segundo o Brasil, por causa da pressão internacional. (D.B.)


Acesso universal a drogas anti-Aids
ONU aprova a proposta brasileira que tira os medicamentos da lista de produtos submetidos às regras comerciais
DANIELLE NOGUEIRA
Fonte: Jornal do Brasil - 24/04/2001

Quatro dias depois de 39 laboratórios desistirem da ação contra o governo sul-africano por este ter aprovado, em 1997, lei para fabricação ou importação de medicamentos genéricos anti-Aids, mais uma batalha na luta pelo acesso às drogas contra o HIV foi ganha ontem. Por 52 votos a favor - com a solitária abstenção dos Estados Unidos -, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou resolução, proposta pelo Brasil, que inclui o acesso a remédios usados para tratamento de pandemias, como a Aids, na lista dos direitos humanos.
Proposta pelo governo brasileiro, a resolução não tem caráter de lei, mas é mais um instrumento de pressão em favor dos 36 milhões de pessoas que vivem com Aids em todo o mundo. A diretriz conclama os países ''a não empregar medidas que possam negar ou limitar o acesso ao tratamento e a adotar legislação destinada a salvaguardar o direito ao acesso aos medicamentos e tecnologias médico-farmacêuticas de todos os indivíduos''.
Diz ainda que o Estado deve assegurar que os medicamentos estejam disponíveis em quantidade suficiente para atender à população, sem discriminação, bem como manter seus preços acessíveis a todos que deles necessitem. A exigência de que os remédios sejam de boa qualidade também é defendida.
Para Paulo Teixeira, coordenador do Programa Nacional de Aids do Ministério da Saúde, a aprovação da proposta brasileira é uma grande vitória. ''A resolução tira os medicamentos da lista de produtos de consumo submetidos às regras comerciais internacionais e passa a tratá-los como um direito do cidadão'', afirmou. Na opinião do coordenador, a quase unanimidade da votação - apenas os Estados Unidos se abstiveram - mostra que há um reconhecimento global deste direito. ''É uma vitória da opinião pública. Agora, os laboratórios verão que só lhes resta sentar e negociar''. A posição americana surpreendeu o representante brasileiro na comissão, Francisco Meyer, mas não espantou Teixeira. ''Nos Estados Unidos fica a maioria dos fabricantes de remédios anti-Aids '', disse Teixeira, esperançoso de que o primeiro reflexo da resolução aprovada seja a retirada pelos EUA da queixa contra o Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC). Os americanos pedem que seja anulada a cláusula da lei brasileira de patentes que permite a produção local de genéricos anti-Aids.
O Brasil não seria o único beneficiado com a resolução. A flexibilidade nas negociações para aquisição de medicamentos traria vantagens, principalmente, para os dois continentes onde a epidemia de Aids mais cresce: a África, que concentra mais de 70% dos casos, e a Ásia, onde vivem 6,4 milhões de portadores do HIV.
''Nós não podemos repetir o erro africano. Temos que prevenir a disseminação da doença no estágio inicial'', disse à agência Reuters, Kim Hak-Su, secretário-executivo da Comissão Socioeconômica para a Ásia e o Pacífico. Atualmente, entre os países em desenvolvimento apenas Brasil, Argentina e Uruguai oferecem tratamento gratuito e universal aos portadores de Aids.



País vence na ONU e acesso a remédio vira direito humano
ONU apóia Brasil e saúde passa a ser direito
Proposta brasileira foi aprovada por 52 votos ante uma abstenção, dos EUA
JAMIL CHADE
Especial para o Estado
Fonte: O Estado de S.Paulo - 24/04/2001

GENEBRA - A Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou ontem a resolução proposta pelo Brasil garantindo que o acesso aos remédios seja um direito humano. "A aprovação tem um impacto político, ético e moral muito forte", afirmou o embaixador do Brasil em Genebra, Celso Amorim.
O resultado da votação deixa claro o isolamento de Washington sobre o tema.
No total, 52 países votaram a favor da resolução e apenas os Estados Unidos se abstiveram. A alegação dos americanos é que não consideram saúde um direito humano e a melhor política seria a proteção das patentes dos produtos farmacêuticos.
Brasil e Estados Unidos travam uma das batalhas mais polêmicas da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos últimos anos. A lei de patentes do Brasil garante a legalidade da licença compulsória - medicamentos poderiam ser produzidos localmente em caso de emergência nacional. Washington alega, porém, que não está claro em que situação a licença poderia ser adotada.
Para as empresas do setor farmacêutico, caso o Brasil insista em manter a licença compulsória, os investimentos podem diminuir diante da incerteza de uma proteção legal.
Na opinião de Amorim, porém, a lei brasileira está de acordo com as regras internacionais. O governo acredita que uma mudança na lei poderia até mesmo prejudicar o programa de distribuição de remédios para o combate à aids.
Segundo cálculos do governo, o programa contra a aids no País economiza US$ 472 milhões.
Apesar de a proposta ter conseguido um amplo apoio, os americanos não deixaram de pressionar os diplomatas brasileiros e chegaram a ir à missão brasileira em Genebra para debater o tema.
Como um último recurso, os diplomatas dos Estados Unidos na ONU solicitaram que cada país declarasse o voto abertamente, o que poderia, em tese, intimidar alguns representantes na sala. "Nem assim a comunidade internacional cedeu", afirmou um diplomata africano. Países como a Inglaterra, Nigéria e Paquistão ainda elogiaram a maneira inovadora que o Brasil tratou os direitos humanos.
A resolução pede ainda que os países garantam remédios e tecnologias para o tratamento de epidemias em quantidade suficiente para o alcance de todos e com preços acessíveis. Sem mencionar a questão de patentes, o documento solicita que os governos não adotem leis que limitem o acesso ao tratamento.
Disputa - A decisão da ONU terá um peso importante na disputa entre Brasil e Estados Unidos na OMC. Segundo o especialista em direitos humanos do Instituto de Estudos Internacionais de Genebra Andrew Clapham, a aprovação significará um instrumento que o País poderá utilizar para se defender das acusações de Washington. "O Brasil ganhou uma força moral ao ser apoiado pela comunidade internacional", afirmou.
A pressão da comunidade parece já estar dando resultado. Embora a OMC tenha aprovado a criação do comitê de arbitragem, até agora os Estados Unidos não foram em frente com o processo. Como autores da queixa, seriam os norte-americanos quem deveriam solicitar o andamento da investigação. Há indicações de que estariam avaliando uma "saída pacífica" para evitar um desgaste maior. "Se os Estados Unidos querem dar um sinal de que estão dispostos a construir um clima de confiança na OMC, deveriam retirar a queixa contra o País", afirmou o embaixador Amorim.
Em São Paulo, o ministro da Saúde, José Serra, afirmou que a aprovação da resolução foi uma vitória importante do Brasil na área de medicamentos, porque está beneficiando todos os países subdesenvolvidos, incluindo os da África. "É uma luta que nós levantamos e está dando certo, porque estamos com a razao." (Colaborou Renata Cafardo)

 


Farmácia de genéricos já funciona em SP
Em Itapira, laboratório começa a produzir remédios do coquetel antiaids mais baratos
Fonte: O Estado de S.Paulo - 24/04/2001

A primeira farmácia especializada em medicamentos genéricos de São Paulo, a Genéricos & Companhia, foi inaugurada ontem com a presença do ministro da Saúde, José Serra. Num dia de agenda lotada, Serra ainda participou da inauguração da nova planta do laboratório Cristália, em Itapira, no interior, onde serão produzidos 12 genéricos, entre eles quatro de medicamentos do coquetel anti-HIV.
Sem perder tempo, o casal Bernardo e Liza Segall esteve na nova farmácia à procura de remédios mais baratos. A diretora da Genéricos & Cia., Gracy Cruz, surpreendeu-se com o movimento acima do esperado. "Idosos e clínicas vieram fazer estoque", contou. O desconto médio é de 25%.
Já a diminuição no preço dos genéricos de anti-retrovirais produzidos pelo Cristália poderá chegar a 40% em relação aos remédios de marca. Serra revelou que até meados do ano o Brasil passará a produzir genéricos dos medicamentos da Roche que fazem parte do coquetel, caso esta não abaixe os valores dos royalties.
O ministro aproveitou para rebater críticas do presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, Antônio Barbosa, sobre diferenças de preço entre genéricos. Serra disse que o ministério não tem como fiscalizar os preços praticados pelas 55 mil farmácias espalhadas pelo Brasil. Barbosa havia dito que as farmácias preferem vender os genéricos mais caros e o governo deveria intervir para garantir a venda de todos.
(Cristina Charão e Viviane Mottin, Agência Estado)




Serra nega estar em campanha
Fonte: O Estado de S.Paulo - 24/04/2001

O ministro da Saúde, José Serra, um dos presidenciáveis do PSDB, disse ontem que não é candidato à Presidência nas eleições do ano que vem. "Não tenho nenhuma pretensão atualmente. Minha pretensão é trabalhar pela saúde e pelos genéricos", afirmou o ministro, após inaugurar a primeira farmácia de genéricos de São Paulo.
Serra, que teve um dia agitado entre inaugurações da farmácia e de uma fábrica de remédios e abertura da campanha de vacinação contra gripe, disse que o eleitorado não quer assistir a discussões sobre eleições agora.
"Eleição é no ano que vem, não devemos antecipar. O que a população quer são os ministros trabalhando pelo interesse público." (Theo Saad, Agência Estado)




Farmácia de genéricos é inaugurada em SP
Novo estabelecimento, que fica na região central, vende cerca de 70 marcas com desconto de 25% sobre o preço normal
MARIVALDO CARVALHO - DA REPORTAGEM LOCAL
Fonte:
Folha de S.Paulo - 24/04/2001

A cidade de São Paulo ganhou ontem a primeira farmácia especializada em genéricos, a Genérico & Cia. A inauguração contou com a presença do ministro da Saúde, José Serra.
"O ministro apoiou a iniciativa privada, dizendo que essa é uma tendência do mercado", afirmou a diretora da Genérico & Cia., Gracy Cruz.
O estabelecimento foi inaugurado com cerca de 70 marcas. O investimento foi R$ 180 mil. Segundo ela, é a terceira farmácia especializada em genérico no país. Há uma em Brasília e outra no Rio.
Gracy afirma que tem uma rede de 12 farmácias Droga Viva no litoral paulista e, dependendo da aceitação dos genéricos, pretende expandi-los pelo litoral.
"Acredito que o consumo de genérico vai aumentar em 30% nos próximos dois anos", afirmou.
O aposentado José de Souza aproveitou a inauguração da farmácia e comprou o genérico Sinvastatina, para colesterol, por R$ 28,16. A marca tradicional Zocor custa R$ 76,57. O aposentado fez economia de 63%, pois a farmácia vende os remédios com desconto de 25% sobre o preço do genérico.
A farmácia (tels. 0/xx/11/220-2344 ou 0/xx/11/221-2555) fica na av. São João, 541, centro. Funciona das 7h à 0h, mas, a partir da próxima semana, ficará aberta 24 horas por dia.



Produção deve ser incentivada
DA FOLHA CAMPINAS
Fonte: Folha de S.Paulo - 24/04/2001

O ministro da Saúde, José Serra (PSDB), disse que vai incentivar a produção de genéricos genuinamente brasileiros. Ele esteve no lançamento de 12 medicamentos genéricos do laboratório Cristália, em Itapira (176 km de SP).
"Precisamos aumentar a oferta de genéricos, pensando na população carente do país. Hoje [ontem" mesmo estive em uma inauguração de uma farmácia de genéricos em São Paulo", disse.
De acordo com Serra, os médicos ainda resistem em receitar o medicamento genérico. O ministro disse que a aceitação é menor nas cidades do interior.
A visita de Serra não garante, no entanto, a colocação dos medicamentos produzidos pelo Cristália na lista de produtos adquiridos pelo governo federal.
O Cristália acaba de lançar quatro anti-retrovirais, princípios ativos utilizados para a produção de medicamentos anti-Aids. Anteriormente, os produtos eram importados de laboratórios da Europa e dos Estados Unidos.




Novos genéricos anti-Aids
Christiane Bueno Malta de Itapira
Fonte:
Gazeta Mercantil - 24/04/2001

O Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos anunciou ontem, o início da produção de mais quatro novos medicamentos anti-aids (Zalcitabina, Saquinavir, Ritonavir e Didanosina) e a sua entrada no mercado de genéricos. A nova linha terá inicialmente 12 apresentações, que serão os primeiros no mercado de medicamentos genéricos. A empresa é o único laboratório a produzir matérias-primas para anti-retrovirais no Brasil, com capital totalmente nacional. Para viabilizar a produção dos genéricos e duplicar a de anti-retrovirais nos próximos seis meses, foram investidos R$ 5 milhões em quatro reatores, para produção de matérias-primas.
O presidente do Cristália, Ogari de Castro Pacheco, disse que se o governo vier a distribuir os novos anti-retrovirais, a redução no custo anual, por paciente, poderá chegar a 40%, no mínimo. O Cristália participa no momento de uma licitação governamental para fornecer ao governo três dos quatro novos medicamentos, com valor variando de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões por medicamento. O Zalcitabina está de fora dessa licitação.
Pacheco disse ainda que o laboratório está preparado para produzir outro anti-retroviral, o Nelfinavir, também fabricado pelo laboratório Roche. O ministro da Saúde, José Serra, convidado para o lançamento dos medicamentos, afirmou que o prazo para o Roche baixar o preço de seu medicamento anti-aids sem haver a quebra da patente é até meados do ano.
A diretora do laboratório estatal Far-Manguinhos, Eloan dos Santos Pinheiro, disse que a matéria-prima do Nelfinavir comprada na Índia deverá ter um preço 30% menor. Com isso, o Far-Manguinhos já teria condição de produzir o remédio.
O ministro Serra questionou se a produção de 50 genéricos pelo Cristália até o final do ano seria realmente possível, como anunciado. O diretor-geral da empresa, Sálvio Di Girolamo, respondeu que era uma meta ambiciosa, mas possível em razão da expansão da unidade farmoquímico. O presidente do Cristália disse que a produção dos genéricos vai responder por 10% do faturamento do laboratório nos próximos dois anos. Em 2000, a receita chegou a R$ 223 milhões. Neste ano, ele espera que os genéricos sejam responsáveis por um crescimento de 5% a 6% no faturamento.
A chefe da divisão de genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Vera Valente, informou que já foram registrados 250 genéricos no País e mais 30 laboratórios entraram com pedidos para fabricação. A expansão dos pedidos tem sido de 30% ao mês, segundo Vera.




Remédio anti-Aids vira "direito humano"
Proposta brasileira aprovada na ONU classifica o tratamento como questão humanitária; só EUA não apoiaram
LILIAN CHRISTOFOLETTI - DE MADRI
Fonte: Folha de S.Paulo - 24/04/2001

Os Estados Unidos foram o único país que não apoiou ontem a aprovação, na Comissão de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, de uma resolução em favor dos doentes de Aids. A proposta, formulada pelo Brasil, define o acesso aos medicamentos como uma questão de direitos humanos e foi aprovada por 52 dos 53 países que integram a comissão. A diplomacia norte-americana optou pela abstenção.
Pelos termos da resolução, o Estado deve garantir, sem discriminação, o acesso a remédios e tecnologia médica para o tratamento da Aids.
A resolução não tem poder de lei. Mas, ao ser aprovada, transformou-se em um importante instrumento de referência para pacientes, associações e ativistas do mundo inteiro.
A resolução também pode vir a ser invocada em disputas legais com empresas farmacêuticas pelo direito de importação ou de produção de remédios genéricos contra a Aids.
EUA e Brasil
Os Estados Unidos são o maior crítico da resolução brasileira e optaram pela abstenção porque seria muito difícil explicar à opinião pública uma oposição a um projeto de direitos humanos para ajudar pacientes com Aids.
Mas, durante a sessão, a missão norte-americana fez questão de salientar sua preocupação com a repercussão negativa que a resolução pode vir a ter para as indústrias farmacêuticas que, segundo os EUA, estão empenhadas em pesquisas para a cura da Aids.
Os EUA também condenaram o Brasil dizendo que o país viola os acordos comerciais da Organização Mundial do Comércio (OMC), ao se oferecer para ajudar países pobres a produzir medicamentos cuja patente não lhe pertence.
Disputa na OMC
Outros países que prometiam acompanhar os Estados Unidos, como Japão e Canadá, acabaram voltando atrás e apoiando a resolução brasileira.
A resolução prepara o terreno para a disputa que o Brasil terá de enfrentar com os Estados Unidos na OMC sobre a questão de patentes.
Há dois meses, os EUA entraram com uma reclamação na OMC contra o Brasil alegando que o país violou as regras da organização para a produção de medicamentos genéricos contra a Aids, cujas patentes são de origem americana e européia.

 


Laboratório Cristália parte para o mercado de remédio genérico
De São Paulo
Fonte: Valor Econômico - 24/04/2001

Mais um laboratório brasileiro vai produzir genéricos (cópias de remédios de marca) no país. O Cristália investiu R$ 5 milhões em tecnologia e equipamentos para fabricar 50 cópias na unidade de Itapira (SP).
Inicialmente, a empresa vai lançar 12 genéricos. Mas o objetivo é produzir as 50 cópias de medicamentos até o final deste ano.
Sálvio Di Girólamo, diretor geral do Cristália, diz acreditar que o laboratório vai faturar R$ 15 milhões com a venda de cópias de medicamentos neste ano. "Mas, em 2002, acredito que os genéricos vão render R$ 60 milhões", afirma Di Girólamo.
Além dos genéricos, a empresa está de olho no mercado externo. Nos próximos dias, o Cristália deverá firmar um acordo que vai resultar na construção de uma fábrica de anestésico na Síria, com uma empresa do Oriente Médio . O executivo não revela o nome do parceiro, mas informa que serão gastos US$ 5 milhões para colocar o empreendimento de pé. As obras devem começar no próximo semestre.
"É uma associação 50% a 50% com essa empresa. O Cristália cede a tecnologia e gerencia o negócio. E o parceiro responde pela construção da fábrica e compra os equipamentos", explica Sálvio Di Girólamo.
Hoje, o laboratório brasileiro exporta seus medicamentos para 22 países. O Oriente Médio é a principal região compradora dos seus produtos, sendo que o Irã é o principal mercado.
Iniciada em 1999, as vendas para o exterior foram de R$ 1,6 milhão no ano passado. Para 2001, a projeção é de uma exportação de R$ 4 milhões. "O Irã deverá responder por R$ 2,4 milhões do total esperado para este ano", diz Di Girólamo.
Se as exportações vão crescer, o faturamento total do Cristália não ficará atrás. Neste ano, a empresa almeja alcançar uma receita de R$ 310 milhões, 39% maior que o faturamento de R$ 223 milhões registrado em 2000.
Parte do incremento esperado para 2001, segundo o diretor-geral do laboratório, será fruto do início das vendas de genéricos. Além, claro, da expansão natural dos negócios.
Com duas fábricas, situadas uma em Itapira (SP) e outra em São Paulo (SP), a empresa é capaz de produzir 1,21 bilhão de unidades por ano. São 1,1 mil funcionários, envolvidos no cotidiano do Cristália.
"Em São Paulo, fabricamos somente remédios injetáveis. Já em Itapira, produzimos comprimidos, medicamentos líquidos e também injetáveis", diz o diretor-geral. A empresa também aguarda o sinal verde do governo federal para iniciar a venda de anti-retrovirais, usados no tratamento de paciente com aids. (Maurício Capela)



ONU transforma os remédios para Aids em direito humano
Fonte: Jornal de Brasília - 24/04/2001

A Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou ontem uma resolução para facilitar o tratamento contra a Aids. A medida, proposta pelo Brasil, define o acesso aos medicamentos como uma questão de direitos humanos e foi aprovada por 52 dos 53 países que integram a comissão. Os Estados Unidos foram o único país que se absteve da decisão.
Pelos termos da resolução, o Estado deve garantir, sem discriminação, o acesso a remédios e tecnologia médica para o tratamento da Aids. A resolução não tem poder de lei. Mas, ao ser aprovada, transforma-se em um importante instrumento de referência para pacientes, associações e ativistas do mundo inteiro.
Diante de uma questão de direitos humanos, os Estados se vêem obrigados a facilitar o acesso ao tratamento contra a Aids. A resolução também pode ser invocada em disputas legais com empresas farmacêuticas pelo direito à compra ou produção de remédios genéricos anti-HIV.
Os Estados Unidos são o maior crítico da resolução brasileira e optaram pela abstenção porque seria difícil explicar à opinião pública uma oposição a um projeto de direitos humanos para ajudar pacientes com Aids. Mas a missão norte-americana fez questão de salientar sua preocupação com a repercussão negativa que a resolução pode vir a ter para as indústrias farmacêuticas.

 

Brasil sai na frente em disputa com EUA
Assis Moreira de Genebra
Fonte: Gazeta Mercantil - 24/04/2001

O Brasil comemorou ontem uma vitória diplomática nas Nações Unidas no conflito com os Estados Unidos sobre patentes farmacêuticas. A Comissão de Direitos Humanos aprovou por um placar incontestável - 52 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção (dos Estados Unidos) - a resolução brasileira considerando um direito humano o acesso a remédios a preços acessíveis no contexto de pandemias - como a Aids.
A resolução não tem peso jurídico, mas representa uma sustentação 'política, moral e ética' para o Brasil na briga contra os EUA na Organização Mundial de Comércio (OMC). Para países em desenvolvimento e organizações não-governamentais (ONGs), a comissão da ONU envia uma forte mensagem de que os acordos internacionais não devem se sobrepor às políticas de saúde pública.
A proposta brasileira teve o co-patrocínio de outros 56 países, mais do que o número legal de votantes na comissão que são 53. Outras 39 ONGs pediram desde o início da atual sessão da Comissão de Direitos Humanos, há três semanas, para os EUA renunciarem o questionamento sobre a lei de patentes brasileira para não colocar em risco o programa de combate à Aids. Ninguém ignorava que não se tratava de uma resolução a mais que enche a agenda da comissão. E que o Brasil colocou a iniciativa na mesa no contexto da briga com os EUA.
No rastro da retirada de 39 grandes laboratórios contra a África do Sul, na semana passada, a resolução acabou apoiada também pela União Européia (UE), Noruega e outros. O embaixador europeu Carlos Trojan foi um dos primeiros a cumprimentar com entusiasmo o embaixador brasileiro Celso Amorim, ao final da votação. A UE tratou de frisar, porém, que seu apoio não deveria ser interpretado como uma limitação ao Acordo sobre Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips, em inglês). A Itália anunciou que levará a questão de acesso aos remédios à reunião do G-8 - das maiores nações industrializadas.
Isolados, os EUA decidiram não ser o único a votar contra. Mas reagiram com dureza. 'Uma discussão superficial na Comissão de Direitos Humanos, que não tem expertise para tratar da questão, não ajuda em nada na luta contra a Aids', disse o embaixador George Moose. Sobretudo, Washington quis separar a resolução da disputa de patentes na OMC, que envolve o questionamento à licença compulsória autorizada pela lei.
'Alguns podem ser tentados a jogar dúvidas sobre acordos internacionais que protegem os direitos de propriedade intelectual. Mas essa resolução do Brasil é mal guiada, coloca ênfase demais no uso de remédios num problema que exige abordagem multidimensional e pode ter a conseqüência de desencorajar investimentos e pesquisa para novos remédios', declarou Moose a alguns jornalistas. 'Colocando as coisas claramente: a resolução (do Brasil) é uma má política de saúde pública'. Indagado por que afinal não votou contra, Moose retrucou irônico: 'É que a resolução é só potencialmente (negativa)'.
O fato é que fontes americanas indicavam em Genebra que Washington gostaria de ter um acordo bilateral com o Brasil para não levar adiante a disputa na OMC, ainda mais que a briga é um verdadeiro desastre de opinião pública. Para o embaixador Celso Amorim, se os EUA quiserem melhorar o clima de confiança na OMC devem retirar a queixa.
Num discurso em espanhol - fato raro para os diplomatas brasileiros que comunicam-se em inglês - Amorim declarou que a resolução dá elementos para nortear a ação dos Estados em seus esforços na área de medicamentos. A iniciativa 'convida' os países a garantir que 'a aplicação dos acordos favoreça políticas de saúde de maneira a contribuir a garantir amplo acesso a produtos farmacêuticos e técnicas médicas que sejam seguros, eficazes e de preço acessível'.

 
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