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24/06
É tudo uma questão de ética
24/06
Com a aids, a liderança mundial no combate




" É tudo uma questão de ética"
Fonte:
Jornal do Brasil - 24/06/2001

Entrevista / PEDRO CHEQUER
DANIELLE NOGUEIRA

Em 20 anos, a Aids alterou o comportamento sexual das pessoas, derrubou tradições e dogmas religiosos e colocou sob os holofotes um continente historicamente ignorado, a África, que concentra 70% dos 36,1 milhões de infectados no mundo. Mais que isso. Provocou uma revolução na medicina, com desenvolvimento de drogas em tempo recorde. Além de trazer para o campo político o debate sobre o acesso a medicamentos versus lucros da indústria farmacêutica. ''O debate do direito de lucro sobre a vida é um dos maiores ganhos trazidos pela Aids'', diz o epidemiologista Pedro Chequer, 50, representante do Cone Sul do Programa das Nações Unidas para a Aids (UNaids) e ex-vice-diretor do Programa de Aids brasileiro, que ajudou a fundar, em 1987. A Sessão Especial sobre Aids que a ONU promove de amanhã a quarta-feira, em Nova Iorque, é mais um passo nessa discussão. ''Ela marcará um maior compromisso dos governos'', aposta Chequer.
- É a primeira vez que a ONU debate a doença, o que marca a passagem da luta contra o HIV da esfera civil para a política. Isso mudará a forma de tratar a epidemia ou é apenas o clímax de um processo?
- Em 1996, a ONU criou o UNaids, gerido por 22 países, entre eles o Brasil. Os dois programas enfatizam a necessidade de proposta mais abrangente, que não seja só técnica, para o tratamento da Aids. A reunião da ONU atende a esse desejo, reunindo de 25 a 30 chefes de Estado ou governo. Pretende-se que, depois, haja maior aporte de recursos para políticas de combate à Aids, com o compromisso dos governos de reservar parte do orçamento para tratamento e prevenção.
- A proposta de criação de um fundo anti-Aids para arrecadar até US$ 10 bilhões anuais está dentro desta perspectiva?
Faz parte do acordo, que será firmado lá. A Declaração de Compromisso, aliás, ressalta que os investimentos não devem vir apenas dos governos. Empresas privadas também vão contribuir e há um capítulo voltado apenas para as empresas.
-Uma das ênfases do documento é a integração de prevenção e assistência. Há países, entretanto, que proíbem o uso do preservativo. Como contornar este problema?
-As questões culturais e religiosas, às vezes, são obstáculo para o avanço da humanidade. Pouco a pouco, seitas e religiões estão cedendo. Um exemplo claro é a Igreja no Brasil. Nos anos 80, tentou interferir nas campanhas do Ministério da Saúde; hoje, paróquias distribuem camisinhas. À medida que a dura realidade da Aids chega às famílias, os aspectos culturais e religiosos abrem espaço para a sobrevivência.
- A Aids alterou mesmo o comportamento sexual?
-Em todo o mundo. Na Europa, a idade da primeira relação sexual está aumentando. O preservativo vem sendo incorporado pela cultura dos jovens e o número de parceiros também foi reduzido. Não diria que houve um retrocesso. Novos valores foram incorporados e o resultado final, apesar do preço, será positivo.
-Além de alterar o comportamento, a Aids alterou perspectivas históricas. A África sempre foi um continente ignorado e hoje concentra todas as atenções...
-Isso é fato. Nunca se soube tanto sobre a África como agora. Era um continente esquecido pela humanidade, mergulhado em conflitos étnicos e na fome. Com a Aids a África ganhou visibilidade e, com isso, outros problemas como o tráfico de crianças e a miséria vieram à tona.
-O mundo já assistiu a pandemias que superaram a Aids em número de mortes. Por que a luta contra o HIV ganhou tanta força?
Uma das razões foi o avanço das telecomunicações, que democratizou e globalizou a informação. Quanto aconteceu a peste na Idade Média ou a gripe espanhola, no século passado, as comunicações não eram como hoje. Há mais dois aspectos: um é que a doença atinge as pessoas em idade economicamente ativa. A Aids deixou de ser uma doença apenas de saúde pública e passou a ser um problema social. A FAO prevê que 26% da força de trabalho rural africana será dizimada até 2020.
-Qual o outro aspecto?
- O outro é que a forma mais freqüente de transmissão da Aids é o sexo. Isso significa a universalização do risco. O mecanismo que o ser humano tem para se perpetuar é o mesmo que o ameaça. É vida e morte ao mesmo tempo. Alguma coisa tinha que ser feita para que a humanidade fosse preservada. Na minha opinião, esse é o fator mais mobilizador.
-Apesar da mobilização social, quase todas as 14 drogas anti-Aids disponíveis hoje só chegaram ao mercado a partir de 1996. Por que a indústria farmacêutica resolveu se mexer?
-A Aids era uma doença de país rico. Existia na África, mas ninguém sabia sua dimensão no continente nos anos 80. Os doentes tinham alto poder aquisitivo e influência. A indústria viu nisso a perspectiva de lucros e passou a investir no desenvolvimento de remédios, com subsídios do governo. A Aids provocou uma revolução na medicina. Nunca se investiu tanto em desenvolvimento de medicamentos e eles nunca foram desenvolvidos tão rápido.
-Mas hoje 90% dos casos acontecem nos países em desenvolvimento...
-É aí que entra a estratégia dos laboratórios de redução de preços. É melhor vender barato para 100 pessoas do que vender caro para uma só. A redução de lucros é em termos, pois a baixa de preço ampliou o acesso.
- Qual o impacto dos genéricos nessa realidade ?
- À medida que os genéricos foram tomando conta do mercado, os laboratórios perceberam que sua fatia podia acabar. Vamos tomar o Brasil como exemplo novamente. Quando o governo ameaçou produzir o Indinavir, a Merck viu que um mercado de US$ 100 milhões desapareceria. A reação foi baixar o preço. Essas conquistas, no entanto, não podem levar a menos investimentos por parte dos governos. Se não, as multinacionais voltarão a ser soberanas e a redefinir as regras do jogo. Vão retomar ou até dobrar a margem de lucro para compensar o tempo de vacas magras. Disso não tenha dúvida.
-Além do Brasil, a Índia também produz genéricos anti-Aids, mas não os distribui à população. Isso não é um contra-senso?
-Na Índia, quem produz é a iniciativa privada, que quer vender. No Brasil, quem fabrica são laboratórios estatais, com fim social. É uma diferença imensa.
-A polêmica dos genéricos passa pelas patentes. Semana passada, o Brasil, na reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Genebra, defendeu a flexibilização das patentes. Quem ganha e quem perde com essa briga?
-A polêmica envolvendo patentes de drogas anti-Aids ultrapassa discussões na área de saúde. Os países desenvolvidos usaram as patentes não só de remédios, mas de outras tecnologias, para construir seu parque industrial. A preocupação deles, agora, é que a contestação dos países pobres gere uma situação em que as patentes sejam questionadas. Isso é muito desejável porque o mundo hoje tem que avaliar a atividade comercial não só do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista ético. Só o debate do direito de lucro sobre a vida já é um ganho, independente do resultado final.

Coquetel: arma mais eficaz

O HIV é um vírus esperto, capaz de se multiplicar e infectar células numa velocidade impressionante. Para combatê-lo, os cientistas perceberam que uma única droga não adiantaria. Era necessário um conjunto de medicamentos, os chamados coquetéis. Distribuídos gratuitamente no Brasil de forma regular desde 1996, os coquetéis anti-Aids não curam a doença, mas conseguiram reduzir a taxa de mortalidade em 50%.
O coquetel reúne dois tipos de drogas, os inibidores de transcriptase reversa e os inibidores de protease, bloqueando a ação destas duas enzimas dentro do vírus. A transcriptase é a chave para a porta do DNA humano. Ao infectar uma célula, o HIV tenta se incorporar ao material genético celular, a fim de se replicar. ''A transcriptase permite que o vírus se transforme e se incorpore ao código genético humano'', explica Carlos Alberto Morais de Sá, coordenador do Programa de Aids do Hospital Gafrée Guinle, da UNI-Rio, na Tijuca.
Complemento - O trabalho da transcriptase é complementado pela protease. ''Depois do vestido pronto, a costureira faz o acabamento. A protease é isso: corta as pontas do vírus, possibilitando sua maturação'', compara o médico. Ao neutralizar as enzimas, os coquetéis reduzem a carga viral a próximo de zero, devolvendo ao paciente o direito de levar uma vida quase normal.
Mas o preço é alto. Controlar o tempo no relógio para não perder a hora do remédio é apenas um. O coquetel mais usado pelos 1.500 pacientes atendidos no Gafrée Guinle consiste em dois comprimidos de Indinavir, tomados três vezes ao dia; seis comprimidos de AZT, distribuídos em duas doses diárias, e dois de 3TC, uma dose pela manhã e outra à noite. No total, 14 comprimidos por dia. ''Muita gente não tem disciplina e desiste do tratamento'', lamenta Esaú Custódio João Filho, chefe do Programa de HIV do Hospital dos Servidores, no Centro.
Soma-se aos comprimidos, a medicação paralela para tratar cada um de seus efeitos colaterais, que variam de uma simples dor de cabeça a problemas de estômago e alergias. As piores conseqüências, no entanto, são as de longo prazo. Alguns doentes desenvolvem lipodistrofia, que se caracteriza pela distribuição irregular de gordura pelo corpo: os pacientes perdem gordura no rosto e nos membros e ela se acumula no abdômen e no tórax. ''Mas nada se compara a uma sentença de morte, como era há 20 anos'', diz Esaú.
Avanço - O avanço da medicina nessas duas décadas foi tal que do solitário AZT, aprovado para consumo humano em 1986, pulou-se para 14 drogas capazes de combater o HIV, hoje. Destas, 13 são usadas nos coquetéis distribuídos pelo Ministério da Saúde. De acordo com a reação do organismo, a combinação das drogas varia, mas elas são sempre administradas em duplas ou trios.
Num ponto, entretanto, a escolha dos coquetéis não muda. A recomendação é para pacientes que apresentam concentração superior a 100 mil cópias de HIV por mililitro de plasma sanguíneo e taxa inferior a 350 células CD-4 (um tipo de célula de defesa) por mililitro de plasma ou pacientes com infecções oportunistas. ''Isso foi um grande avanço. No início da epidemia, tratávamos apenas pessoas em estágio avançado da doença. Hoje, sabe-se que quanto mais cedo os coquetéis são tomados, maiores as chances de sobrevivência'', comemora Carlos Alberto. (D.N.)

Programa brasileiro é modelo

Oito anos se passaram desde que um laboratório privado brasileiro, o Microbiológica, resolveu investir num mercado em expansão: os pacientes que sofriam de Aids. Somente no ano seguinte, os concorrentes estatais seguiram o exemplo. Mas com outro interesse. Queriam fabricar genéricos anti-HIV para o Ministério da Saúde. Com a produção local, o governo pretendia reduzir o custo do tratamento e ampliar seu acesso. A estratégia do ministério deu certo. Em 1996, quando a produção começou para valer, a despesa com paciente/ano era de US$ 7.500. Este ano, a estimativa é de que não passe de US$ 2.500.
A iniciativa do governo brasileiro ganhou reconhecimento internacional, com matérias publicadas em jornais renomados como o New York Times. Mais que merecido. Hoje, cada uma das 100 mil pessoas diagnosticadas com Aids recebe a medicação, disponível em 424 unidades de saúde no país, um feito sem igual no mundo. E que, se depender do governo, poderá ser replicado como o próprio HIV. ''Estamos dispostos a transferir tecnologia para países africanos e outras nações em desenvolvimento interessadas'', diz Eloan Pinheiro, diretora do Far-Manguinhos/Fiocruz, responsável por 40% do atendimento da demanda.
Sucesso - Eloan estará amanhã em Nova Iorque, na reunião especial sobre Aids promovida pela ONU, para apresentar a bem-sucedida experiência brasileira e deixar claro que só foi possível porque, até 1997, o Brasil ignorava as patentes.
Quando a lei que as regulamenta entrou em vigor, o governo, argumentando com a ''exceção de emergência'' criada pela Aids e apoiado no fato de que os laboratórios multinacionais não haviam decidido fabricar os medicamentos no país três anos após o início de sua comercialização, continuou sua produção. E as economias.
Há dois anos, a terapia consumiu US$ 336 milhões dos cofres públicos para atender 90 mil pacientes. Em 2000, foram US$ 300 milhões para beneficiar cerca de 95 mil infectados. A estimativa para este ano é que o governo gaste US$ 303 milhões para os 100 mil inscritos no programa. ''Se tivéssemos que importar todos os remédios, gastaríamos US$ 530 milhões'', calcula Paulo Teixeira, coordenador do programa Nacional de Aids do ministério.
Negociação - Não é só com a redução de importação de drogas anti-Aids que o governo federal poupa. A produção local aumenta seu poder de barganha junto aos laboratórios. Prova disso foi a dura negociação com o Merck, que resultou na redução de 64,8% do preço do medicamento importado pelo laboratório americano, o Indinavir, usado em 25% dos coquetéis.
A vitória teve o respaldo da ONU, que aprovou - por unanimidade -, em abril deste ano, resolução proposta pelo governo brasileiro que considera o acesso a medicamentos um direito universal. Mais um argumento a favor do Brasil na disputa das patentes.
Mas o governo brasileiro não se cansa. Em novo duelo, desta vez com o suíço Roche, busca reduzir o preço do Efavirenz, que, junto com o Indinavir, respondeu por 39% dos recursos investidos na compra de medicamentos em 2000. A proposta de diminuir em 13% o valor do medicamento não agradou o ministério da Saúde, que avisa: se não conseguir chegar a um acordo, vai quebrar a patente do remédio.



Com a aids, a liderança mundial no combate
Fonte: O Estado de S.Paulo - 24/06/2001

Programa brasileiro de tratamento gratuito supera as críticas e vira modelo de eficiência

Mais de 530 mil pessoas infectadas pelo HIV e 100 mil casos notificados de aids - um quadro clínico de proporções caóticas, especialmente para um país em desenvolvimento. A história do combate a um dos maiores flagelos da humanidade, no entanto, é um relato de vitórias para o Brasil. Apoiado em uma política de distribuição gratuita de medicamentos anti-retrovirais e incentivo à produção de drogas genéricas mais baratas, o País reduziu a taxa de mortalidade por aids em 50% e hoje é um modelo mundial de contenção da doença.
Nenhum outro país avançou mais na frente de batalha contra a aids, que em 20 anos já matou 22 milhões de pessoas (113 mil no Brasil). Enquanto países como os Estados Unidos investiram pesado em pesquisa científica e campanhas de prevenção, o Brasil desenvolveu uma estratégia de tratamento baseada no princípio de livre acesso aos medicamentos. "O tratamento da aids sempre foi considerado um direito e obrigação do Estado", afirma o coordenador do programa de HIV/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Roberto Teixeira. "Quando surgiu o AZT, em 1987, o Brasil imediatamente se mobilizou para fazer a distribuição gratuita da droga."
Todos os 100 mil pacientes de aids do País recebem hoje medicamentos de graça do governo. Uma política aparentemente acima de qualquer suspeita, mas que foi duramente combatida pela comunidade científica e pelos órgãos de saúde internacionais. "Fomos criticados impiedosamente", relembra Teixeira.
"Havia um raciocínio frio e calculista de que um investimento em tratamento, em vez de prevenção, não daria resultados a longo prazo."
Quando o Brasil passou a produzir formas genéricas dos anti-retrovirais importados, em 1994, ganhou um novo e poderoso inimigo: a indústria farmacêutica, que até então dominava o mercado e aplicava preços exorbitantes livremente. Dizia-se que o País não tinha capacidade técnica ou estrutura para supervisionar o uso dos coquetéis e criaria uma resistência biológica aos medicamentos no mundo todo. Não foi o que aconteceu. Os anti-retrovirais nacionais, cerca de 70% mais baratos, permitiram ao governo ampliar o atendimento e controlar a epidemia. "A aderência ao tratamento no Brasil, mesmo entre as camadas mais pobres, é a mesma que nos países ricos e a resistência aos medicamentos é igual aos níveis registrados no resto do mundo", afirma Teixeira. "Quebramos o mito de que países pobres, como os da África, não têm competência para usar as drogas."
Economia - O Ministério da Saúde contabiliza uma economia anual de R$ 370 milhões com a produção nacional de medicamentos e as reduções de preço negociadas com laboratórios estrangeiros. Dos 13 anti-retrovirais que compõem o coquetel antiaids, 8 são fabricados no Brasil. O maior produtor é o laboratório estatal Far-Manguinhos/Fiocruz, no Rio, que utiliza matéria-prima importada da Índia e China. "Criamos uma metodologia analítica para a compra de material de qualidade por licitação, o que nos permite fabricar os medicamentos por um custo muito menor", disse a diretora da empresa, Eloan Pinheiro.
Além de gastar menos, o governo comemora a diminuição pela metade no número de mortes por aids entre 1995 e 1999 e a queda de 80% nas internações hospitalares decorrentes de doenças oportunistas. Entusiasta do programa - e de sua repercussão dentro e fora do País -, o ministro da Saúde, José Serra, orgulha-se do sucesso em evitar a transmissão da doença de mãe para filho.
De cada dez mães infectadas pelo HIV, seis deixam de transmitir o vírus graças ao tratamento preventivo durante e após a gestação. "É o tipo de problema que a gente ataca e vê resultados", diz Serra. Liderança - Nos últimos anos, o programa brasileiro ganhou espaço na mídia internacional e o País acumulou aliados.
"A partir de 98 ficou impossível ignorar os resultados", disse Teixeira. "A grande virada foi na conferência de Durban, no ano passado. Todos conheciam o programa brasileiro. Passamos a representar as expectativas do mundo." Mas a resistência dos países ricos continua, liderada pelos Estados Unidos e o lobby da indústria farmacêutica.
A batalha principal é travada na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde os EUA tentam derrubar a legislação brasileira que permite a quebra de patentes de produtos industrializados - inclusive medicamentos - em casos de emergência. "O cenário vai ficar cada vez mais difícil", prevê Teixeira. "Não temos o poder econômico que eles têm, mas temos a legitimidade do nosso compromisso e o apoio da opinião pública. Essas são as nossas armas." (H.E., colaboraram Sandra Sato e Demétrio Weber)

 

 
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