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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

24/08
Quebra de patente abre novo debate
24/08
Serra pode voltar atrás na quebra de patente da Roche
24/08
Quebra de Patente
24/08
Laboratório diz que preço no país é um dos menores do mundo




Quebra de patente abre novo debate
Fonte:
Jornal do Brasil - 24/08/2001


Temor é que países ricos contestem preços dos remédios

ZURIQUE - A decisão do Brasil de quebrar a patente de um medicamento utilizado no coquetel anti-Aids abriu novo debate sobre o preço dos remédios. O grupo suíço Roche, que terá o genérico de seu Nelfinavir fabricado a partir do próximo ano por um laboratório do governo, voltou a manifestar sua surpresa com a decisão do ministro da Saúde, José Serra. O presidente do laboratório, Ernest Egli, em comunicado se disse ''muito decepcionado'' com a brusca interrupção das negociações: ''Continuamos confiantes em um desfecho favorável''.
''Nos entendimentos com o governo federal, o laboratório vem mantendo sua postura de oferecer ampla colaboração aos programas oficiais de saúde pública'', diz nota divulgada ontem em São Paulo. Nesse sentido, o preço do medicamento anti-HIV foi reduzido em cerca de 35%. (...) Cabe ressaltar que o preço praticado no Brasil representa hoje para o grupo Roche um dos menores do mundo, e 50% inferior ao preço de venda nos EUA. ''
O anúncio brasileiro foi noticiado por The New York Times com o comentário de que a decisão pode fazer com que os grandes laboratórios deixem de investir milhões de dólares em pesquisa para desenvolver novos remédios.
Os analistas financeiros, no entanto, vêm a disputa mais como uma questão de relações públicas e lembram que as vendas do Viracept (nome fantasia do Nelfinavir) aumentaram 5%, faturando US$ 132 milhões no primeiro semestre de 2001. ''O risco é ativistas e paciente dos países ricos começarem a reclamar do preço que estão pagando, mas a polêmica não chegará ao ponto de interrupção da pesquisa e desenvolvimento'', disse Denise Andersen, analista do Bank Julius Baer em Zurique.

Serra pode voltar atrás na quebra de patente da Roche
Fonte:
O Estado de São Paulo - 24/08/2001

Sônia Cristina Silva e Luciana Miranda

Serra admite negociar patente de remédio
Ministro diz que, se a Roche apresentar boa proposta, "não há porque não aceitar"

BRASÍLIA - Depois de anunciar que iria pedir licenciamento compulsório da patente do remédio antiaids Nelfinavir, o ministro da Saúde, José Serra, admitiu ontem a possibilidade de um acordo com a Roche, o fabricante. "Se vierem agora com uma proposta boa, não há motivo para não aceitar", disse Serra. "Mais adiante, quando a Far-Manguinhos já estiver fabricando o remédio, não teremos como voltar atrás."
A assessoria do ministro informou que a Roche solicitou audiência com Serra, que ainda não revelou o que considera "uma boa proposta". "Será aquela que concluirmos ser justa." Serra preferia que a Roche atuasse como a Merck Sharp and Dhome, que reduziu em quase 70% o preço de dois medicamentos antiaids. "A Merck atuou de maneira sábia."
Antes de encerrar negociações com a Roche, Serra tentou contato com o presidente da empresa. "Ele disse que sua agenda não permitia que viesse nas datas possíveis", relatou o ministro.
OMC - Serra afirmou que o licenciamento está de acordo com a Lei Brasileira de Patentes e Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele explicou que não precisaria dar informação prévia sobre a decisão contra a Roche. Segundo ele, o acordo "de cavalheiros" feito com os Estados Unidos na OMC previa o aviso quando a licença se desse em razão do artigo 68 da Lei de Patentes. "Mas nós invocamos o artigo 71, que não foi contestado na OMC nem fora da OMC", argumentou. O 71 admite a licença compulsória em caso de emergência nacional ou de interesse público. O governo alegará interesse público no pedido ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Produção - Se a patente do Nelfinavir for quebrada, o País está tecnicamente preparado para produzir o genérico do produto. Desde o ano passado, especialistas da Far-Manguinhos estudam o princípio ativo do remédio para chegar a sua fórmula final e modo de produção. Eles já produziram o equivalente do Nelfinavir em pequena escala.
O próximo passo é testar a biequivalência do produto.
O laboratório da Fiocruz poderá oferecer o produto a um preço 40% menor do que o da Roche. Mas Serra acha que a economia pode ser maior obtendo descontos dos fornecedores de matéria-prima.
Segundo a diretora da Far-Manguinhos, Eloan Pinheiro, o remédio produzido pelo instituto entra para os testes de bioequivalência na próxima semana. É o que falta para o produto se tornar oficialmente um genérico. Nas provas de bioequivalência, o medicamento é testado em voluntários saudáveis, com o objetivo de avaliar seu comportamento no corpo humano.
Os testes de biequivalência demoram três meses para serem concluídos. "Isso significa que em dezembro a Far-Manguinhos estará capacitada a fabricar o genérico", afirma Eloan. É justamente neste mês que vence contrato do ministério para a compra do Nelfinavir da Roche.
Cada comprimido de genérico do Nelfinavir produzido pela Far-Manguinhos custará US$ 0,60. "Mas queremos negociar um preço melhor com o laboratório indiano fornecedor da matéria-prima. A meta é chegar a US$ 0,50 por comprimido", explica Eloan.
A decisão de Serra de autorizar a quebra de patente do Nelfinavir recebeu destaque na imprensa européia e norte-americana. O jornal Financial Times, em reportagem de capa, disse que o Brasil "desferiu um golpe na indústria farmacêutica ao se tornar o primeiro país em desenvolvimento a se sobrepor à patente de uma droga para aids produzida por uma multinacional". (Colaborou João Caminoto, da Agência Estado)


Quebra de Patente
Fonte:
Folha de São Paulo - 24/08/2001


EUA temem que Brasil amplie medidas
Para norte-americanos, decisão contra o laboratório Roche poder ser apenas a primeira de uma série

Marcio Aith
de Washington

Os EUA temem que o Ministério da Saúde decida ampliar o uso do argumento de "emergência nacional" para quebrar patentes de outros remédios consumidos no Brasil e não limite essa estratégia aos medicamentos anti-Aids.
Apesar disso, o Departamento de Estado norte-americano ainda não decidiu como reagir, de forma oficial, à decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do nelfinavir, medicamento anti-Aids do laboratório suíço Roche.
Até a manhã de ontem, o Departamento de Estado acreditava que a quebra não afetaria diretamente o interesse da indústria norte-americana nem um acordo sobre patentes fechado em julho entre os EUA e o Brasil.
Além disso, os EUA reconheciam terem eles próprios sugerido ao Brasil, durante o conflito encerrado entre os dois países, que substituísse o argumento da quebra de patentes por falta de produção local (motivo original do conflito já encerrado) pelo argumento de emergência nacional.
Essa avaliação, porém, começou a mudar ao longo do dia com a constatação de que, nos EUA, a patente do nelfinavir pertence à companhia Agouron, uma subsidiária norte-americana da Pfizer.
Diante desse fato, o Departamento de Estado passou a avaliar, a pedido dos suíços, se, ao quebrar a patente da Roche, o Ministério da Saúde teria desrespeitado ou não seu compromisso de informar previamente os EUA sobre a quebra de patentes norte-americanas.
Além disso, depois de consultas com a indústria norte-americana e com o laboratório suíço, cresceu o temor dentro do governo norte-americano de que a decisão do governo brasileiro seja apenas a primeira de uma série.
Os EUA querem saber se o Brasil tem planos de ampliar a mesma estratégia usada contra a patente do nelfinavir para a quebra de patentes de outros medicamentos (principalmente no campo das doenças crônicas, onde o consumo de remédios é maior).
No entanto, os EUA agem com cautela. Os norte-americanos esperam que o governo brasileiro e a Roche cheguem brevemente a um acordo e não pretendem interferir, com uma declaração pública, numa negociação em curso entre o Ministério da Saúde brasileiro e o laboratório suíço.
Para quebrar a patente do nelfinavir, o Brasil anunciou que irá usar o artigo 71 da Lei de Patentes, que prevê a licença compulsória em casos de emergência. Nos últimos meses, os EUA têm argumentado que a quebra de patentes só tem amparo legal se for motivada por uma emergência nacional. Segundo os norte-americanos, as leis internacionais de comércio proibiriam um país de quebrar a patente de um produto sob a justificativa de que seu detentor não o produz localmente.
Os EUA reconhecem como legítima a quebra de patentes em casos de emergência nacional. O problema é que não há, no Brasil ou nos EUA, uma definição clara da expressão "emergência nacional" e, em tese, ela pode ser usada para evitar uma epidemia e não apenas para eliminá-la.

Mídia dos EUA dá amplo espaço à decisão do Brasil
da Redação

A quebra da patente do princípio ativo nelfinavir pelo governo brasileiro teve ampla repercussão na mídia estrangeira, principalmente nos Estados Unidos.
Muitos jornais, entre eles o "The New York Times", destacaram que é a primeira vez que um país em desenvolvimento decide liberar genéricos sem permissão do detentor da patente.
Ativistas da área de saúde disseram que a decisão, se for colocada em prática, será um exemplo para outros países em desenvolvimento. "Isso pode encorajar outros países a emitir licenças para copiar anti-retrovirais", disse ao "San Francisco Chronicle" Paul Davis, da ACT UP-Philadelphia, ONG que cobra maior acesso à medicina em países pobres.
O "Financial Times", do Reino Unido, também citou essa possibilidade e, na edição on line de hoje, o editorial diz que a decisão brasileira é um mau precedente.
Para o diário, os ataques de governos a direitos de patente de empresas são um retrocesso, pois a descoberta de novos tratamentos, como a vacina para a Aids, depende da pesquisa e de lucros que as leis de patente protegem.
Segundo o "The Wall Street Journal", a Roche terá tempo para negociar com o Ministério da Saúde, já que a distribuição do genérico em escala comercial poderá começar em fevereiro de 2002.
Mas autoridades brasileiras disseram que, ainda que o gasto caia com a produção local, o país terá de importar mais remédios patenteados no futuro, porque o número de pacientes de Aids deverá crescer e alguns terão resistência a drogas existentes.
Já o "USA Today" publicou texto da agência de notícias Reuters que inclui comentário da Roche. A empresa disse que o Brasil deveria informar a decisão ao representante comercial dos EUA. Mas autoridades brasileiras disseram que isso não era necessário em caso de emergência nacional.
Ao "Washington Post", uma autoridade norte-americana que não quis se identificar disse que a medida deve ser estudada antes de comentário oficial, mas concordou que Washington não fez objeções à produção de nelfinavir sob a lei brasileira.
A droga, fabricada pela Roche, é vendida em conjunto com a Pfizer (EUA), que detém a patente.

Desconto mantém patente, diz Serra

Leila Suwwan
da Sucursal de Brasília

Um dia após o anúncio da quebra de patente do nelfinavir, medicamento fabricado pela Roche e que compõe o coquetel anti-Aids, o ministro da Saúde, José Serra, acenou trocar a medida da véspera por uma redução no preço do remédio.
As negociações suspensas há duas semanas devem ser retomadas em breve. A Roche já pediu audiência ao ministro.
Caso consiga uma redução de mais de 40% no preço do Viracept -nome comercial do nelfinavir-, será mais uma vitória para o ministro Serra, que é pré-candidato tucano ao Planalto.
"Se o presidente da Roche vier agora e fizer uma proposta boa, não temos por que não aceitar", afirmou Serra.
O processo de quebra de patente ainda não começou e depende de um decreto que caracterize ""estado de emergência". Mas o ministro quer pressa na negociação: "Se for mais adiante, quando a Far-Manguinhos estiver fabricando, aí não tem jeito", ressalvou Serra.
O ministro não explicou o que seria uma "boa" proposta, mas adiantou que, para evitar a quebra de patente, a Roche deve apresentar um desconto semelhante ao concedido pela Merck Sharp&Dohme, laboratório que fabrica o indinavir e o efavirenz, outros dois remédios anti-retrovirais. "Seria mais fácil para todos se a Roche atuasse como a Merck. A Merck atuou de maneira mais sábia", disse Serra.
Redução
Em março, a Merck reduziu o preço do indinavir em 76,5%, e do efavirenz, em 63,8%, gerando uma economia de US$ 38 milhões para a pasta.
A Roche diminuiu o preço do nelfinavir em 13% para a concorrência pública de março deste ano. Depois, o laboratório ofereceu uma redução adicional de 30%, baixando o preço de cada comprimido de US$1,12 para US$0,78.
"Trinta por cento não era bastante", disse Serra. De acordo com o ministro, o preço pode diminuir mais que 40%. Por menos do que isso, o ministério vai optar pela produção no laboratório Far-Manguinhos.
Similares
Apesar de a Roche ser detentora da patente do nelfinavir, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já registrou quatro medicamentos similares.
O medicamento similar tem o mesmo princípio ativo que o medicamento de marca, mas não tem as comprovações de equivalência química e de absorção pelo organismo (testes de bioequivalência e biodisponibilidade).
"Sendo um medicamento patenteado, não deveriam existir similares", disse Serra, que desconhecia a existência dos registros. Os quatro similares são nacionais, fabricados pelos laboratórios goianos Neo-Química e Iquego e os paulistas Laob e Eurofarma.
Quebra
A quebra de patente, caso ocorra, não fere o acordo de cavalheiros fechado entre o Brasil e os Estados Unidos para evitar um processo na OMC (Organização Mundial do Comércio) porque a licença compulsória seria decretada devido a uma "emergência nacional", e não à falha da Roche de fabricar o produto no país.
Segundo a Embaixada dos Estados Unidos, a quebra de qualquer patente por motivo de emergência nacional nunca foi questionada pelo país. Para Serra, a desvalorização cambial é um dos motivos da emergência. "Os preços ficaram insuportáveis", disse.

Laboratório diz que preço no país é um dos menores do mundo
Fonte:
Folhao de São Paulo - 24/08/2001

da reportagem Local

Em novo comunicado oficial, na manhã de ontem, o laboratório Roche informou que o preço praticado no Brasil, para a venda do Viracept, é um dos menores do mundo e 50% menor do que o praticado nos EUA. A Roche também pretende, a partir de 2002, produzir o nelfinavir no país, o que poderia reduzir ainda mais o preço do medicamento, que integra a lista do coquetel anti-Aids.
A nota informa ainda que a Roche, apesar de "surpresa" com o processo de licenciamento compulsório da patente do nelfinavir, "continua confiante num desfecho favorável e aguardando audiência já solicitada há uma semana com o ministro da Saúde".
A companhia norte-americana Pfizer, dona da patente do Viracept, comunicou ontem, em uma nota, que não tem participação nas negociações entre a Roche e o Ministério da Saúde.
Para o presidente da Interfarma -que representa a indústria farmacêutica de pesquisa-, Flávio Vormittag, a licença compulsória deve ser usada em casos de abuso de preços ou de emergência, e não como uma alternativa na negociação de preços.
"Existem outras formas de negociação. Acredito que o diálogo deva ser retomado entre as partes, já que a quebra de patente coloca a situação do investimento em pesquisa numa situação muito ruim", afirmou.
Vormittag disse que, sem a pesquisa realizada pela indústria farmacêutica, medicamentos e pesquisas revolucionárias jamais teriam chego às mãos de pacientes.
Segundo Marcos Levy, diretor de assuntos corporativos da Merck Sharp & Dohme no Brasil, a quebra da patente não preocupa o laboratório e o caso não abriria precedente para a quebra de patente de outros medicamentos.
Mas o assunto foi uma surpresa para os laboratórios, segundo Levy. "A notícia para nós é tão nova quanto para todo mundo. Essa é uma forma, possibilitada pela lei, que o Ministério usa para a negociação dos preços. É uma medida de força. Mas como não tivemos acesso aos documentos, não podemos dizer com base em que artigo o governo tomou esta atitude", afirmou.
O presidente da Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêutica), Ciro Mortella, informou que não daria declarações a respeito do caso.

Far-Manguinhos ajuda a baixar valor

da Sucursal do rio

O laboratório Far-Manguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, tem se mostrado uma das mais eficientes armas de pressão do Ministério da Saúde para reduzir o preço de remédios.
Em março, o laboratório anunciou que já estava produzindo experimentalmente dois medicamentos patenteados no exterior pelos laboratórios Merck e Roche, com o objetivo de estudar se o preço cobrado era "justo".
Cerca de seis meses após esse anúncio, enquanto o medicamento Viracept, da Roche, com o princípio ativo nelfinavir, está sob ameaça de quebra de patente, o remédio Strocrin, da Merck, com o princípio ativo efavirenz, ficou em segundo plano na prioridade dos técnicos, já que a Merck concordou em reduzir o preço do seu produto em 64%.
"Quando a Merck baixou o preço do remédio, me dediquei ao estudo do nelfinavir, da Roche. Nossa expectativa era conseguir produzir o remédio da Merck, que custava US$ 2,05, a um preço de US$ 1 a cápsula. Eles reduziram o preço para US$ 0,84. Por isso, priorizamos o estudo do remédio da Roche", diz a diretora do Far-Manguinhos, Eloan Pinheiro.
Ela afirma que não abandonou o estudo do princípio ativo efavirenz. "O estudo de uma matéria-prima dessa é quase o mesmo que reinventar a roda. Trabalhamos com muito cuidado."
No caso do nelfinavir, os estudos continuaram e o genérico já havia passado pelo teste de equivalência farmacêutica. O próximo passo seria testes para comprovaria se o remédio genérico tem a mesma absorção que o da Roche. Segundo Eloan Pinheiro, o nelfinavir poderia ser produzido a um custo 40% menor.

 
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