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Genéricos na Imprensa
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25/06
<A busca de uma solução para o mal<
25/06
<Brasil fabricará genéricos contra a Aids e o diabetes<
25/06
<Serra apresenta avanços do programa de combate à doença<





A busca de uma solução para o mal
Fonte: Correio Braziliense - 25/06/2001

Encontro internacional reúne durante três dias em Nova York 130 países para discutir fórmula ideal do tratamento da doença.

O vírus que divide o mundo
Conferência mundial da ONU discute em Nova York os rumos que os países devem tomar para controlar mal que atinge hoje 36,1 milhões de pessoas no planeta. Sem acesso ao tratamento, 95% dos doentes de hoje morrerão nos próximos dez anos

<Vicente Nunes
Correspondente

< Nova York - O mundo chega dividido à Conferência Mundial da Aids, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). De um lado, um grupo de países, no qual se inclui o Brasil, irá defender durante os três dias da convenção o acesso universal ao tratamento da Aids como um direito à vida. De outro, do qual fazem parte os países muçulmanos, o Vaticano e os Estados Unidos, deve imperar o preconceito e os lobbies do poder econômico. ''A falta de compromisso das autoridades com o combate à doença é um crime contra a humanidade'', denuncia o doutor Bruce Walker, da Escola de Medicina de Harvard. A doença nos últimos vinte anos matou mais de 22 milhões de pessoas e atinge outras 36,1 milhões.
A Santa Sé e países como o Egito e os EUA se recusam a definir a prioridade de tratamento aos grupos vulneráveis à doença. Eles não querem que constem nas atas oficiais da ONU expressões como ''homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas''. Os países muçulmanos são contra o reconhecimento do homossexualismo feminino e dos direitos da mulher no acesso ao tratamento.
Quem perde é a humanidade. ''É imprenscindível que esses grupos vulneráveis sejam especificados, porque significaria um compromisso oficial de todos os governos em atuar nos grupos onde a Aids mata mais'', afirma Paulo Teixeira, responsável pela Coordenação de Aids do Ministério da Saúde do Brasil.
A divisão do mundo em torno do combate à Aids se torna ainda mais dramática, segundo o doutor Chris Ouma, coordenador do Programa Nacional de Aids do Kenya, quando o preconceito se alia à corrupção. Nos países africanos, que concentram dois terços do total de portadores do vírus HIV do planeta, os governos não se movimentam para buscar soluções mais baratas, como a produção de genéricos. ''Cedem aos lobbies das grandes multinacionais do setor farmacêutico'', denuncia Ouma. O governo da África do Sul voltou atrás no apoio que havia explicitado ao programa brasileiro de produção dos medicamentos anti-Aids, depois de ser pressionado pelas empresas.
A força do lobby das grandes multinacionais do setor farmacêutico também faz estragos na Tailândia, onde mais de 700 mil pessoas vivem com a doença. A pesquisa para o desenvolvimento e produção de genéricos no país começou em 1992. Desde então, no entanto, apenas quatro medicamentos dos 12 que compõem o coquetel anti-Aids chegaram à população.
Para o doutor Bernard Pecoul, diretor-executivo dos Médicos Sem-Fronteiras, não há mais tempo para o mundo discutir se os medicamentos genéricos são uma boa opção para facilitar o acesso ao tratamento da Aids. ''Já está mais do que comprovado que são'', diz. Previsões da ONU apontam que, sem acesso ao tratamento, 95% dos atuais 36,1 milhões de pessoas que estão com Aids hoje morrerão nos próximos dez anos.
A situação no mundo é tão dramática em relação à falta de acesso a medicamentos, que, até na Índia, onde a fabricação de genéricos é intensa, as críticas à falta de empenho do governo em encampar políticas públicas de saúde soam assustadoras. De acordo com o presidente do Grupo Indiano de Pessoas que Vivem com Aids, Ashok Pillai, os genéricos só estão disponíveis para os poucos que podem pagar. ''O mundo precisa saber disso'', diz Pillai.
Exemplo do país sob aplausos
A doutora Eloan dos Santos Pinheiro, de 56 anos, diretora do Laboratório FarManguinhos, é daquelas que não medem palavras quando o assunto é salvar vidas. Com pouco mais de 1,5 metro de altura, enfrenta os principais representantes das multinacionais do setor farmacêutico como uma gigante. A ponto de botar o dedo na cara de um deles, que tentava persuadi-la com números falsos de que seu laboratório não teria como reduzir o preço de um dos medicamentos que compõem o coquetel anti-Aids, distribuído gratuitamente pelo governo brasileiro.
Desde a última sexta-feira, quando participou do seminário Implementação de Tratamentos Antiretroviais no Mundo em Desenvolvimento, Eloan tornou-se a principal figura da equipe brasileira que mostrará a experiência do país no combate à doença. Sua apresentação sobre a capacidade do FarManquinhos de produzir medicamentos até 90% mais baratos do que os fabricados pelos grandes laboratórios foi ovacionada por uma platéia de quase 200 pessoas do mundo todo que lutam contra a Aids. ''Quando há vontade política, pode-se garantir o maior dos direitos ao ser humano, que é o direito à vida'', diz.
Eloan tem conhecimento de sobra para dizer que os preços dos medicamentos contra Aids cobrados pelas multinacionais são superfaturados. Durante treze dos 29 anos como química profissional, trabalhou para dois grandes laboratórios internacionais: o Sidney Rossi Company e o Beecham. ''Sei muito bem como funcionam as planilhas de custos dessas empresas'', enfatiza. Foram os exageros na definição dos preços dos remédios que a levaram a largar o setor privado em 1987, partir para a Inglaterra para estudar na Escola de Farmácia de Londres e, ao retornar ao Brasil, um ano e meio depois, trabalhar para o setor público.
Em 1993, Eloan assumiu o comando da Fundação Oswaldo Cruz, onde passou a comandar o processo de reestruturação do FarManguinhos, que não tinha sequer centro de pesquisas. Hoje, é desse laboratório que saem 68 medicamentos que abastecem boa parte da rede pública de hospitais, inclusive sete dos doze medicamentos do coquetel anti-Aids. ''Produzimos remédios que as grandes indústrias se recusam a fabricar, como os para combater a malária'', diz. Manguinhos tem capacidade para produzir 1,375 bilhão de remédios por ano, mas trabalha com 60% desse limite.
A pressão africana
O Brasil está sendo pressionado por países africanos para que promova um programa de exportação de genéricos para combater a Aids. O Brasil acredita que esse não é o melhor momento para se falar em exportação. Não quer abrir brecha para que a indústria farmacêutica acuse o país de estar apenas visando o lucro comercial quando prega o uso de medicamentos genéricos. O jornal The New York Times, sem citar o Brasil, publicou ontem um editorial no qual prega a necessidade de se criar uma política universal de tratamento para a doença
O que cada um tem a dizer

BRASIL
Distribui gratuitamente os 12 medicamentos do coquetel anti-Aids. Defende na ONU que todos os países façam o mesmo. Tratar os doentes da Aids é um questão de direitos humanos. Briga também pela quebra de patentes de drogas em casos de preços abusivos e emergência nacional

ESTADOS UNIDOS
Apresentaram em fevereiro deste ano na Organização Mundial do Comércio uma queixa contra o Brasil sobre a questão de quebra de patentes. Na ONU, estarão discutindo especialmente a transmissão do vírus entre usuários de drogas

PAÍSES MUÇULMANOS
O preconceito impede a discussão sobre distribuição de remédios. Dirão na conferência mundial que são contra, sobretudo, o reconhecimento do homossexualismo feminino e dos direitos da mulher no acesso ao tratamento

TAILÂNDIA
Tem infra-estrutura para fazer um amplo programa de tratamento gratuito contra a Aids. Está diante de um processo lento de conscientização no país de que é dever do setor público dar remédio de graça para os infectados pelo HIV. As pesquisas para o desenvolvimento e produção de genéricos no país começaram em 1992

ÍNDIA
A fabricação de genéricos é intensa. A real situação é de calamidade. Os genéricos só estão disponíveis para os poucos que podem pagar, não há infra-estrutura adequada para o tratamento da doença e é limitado o número de médicos no país com experiência no tratamento da Aids, inclusive de doenças oportunistas

VATICANO
Não quer que constem no documento oficial do encontro mundial expressões para grupos vulneráveis do tipo ''homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas''. Alega que essas especificações estimulam práticas não compatíveis com as leis de Deus

MÉDICOS SEM-FRONTEIRAS
Está mais do que comprovado que os genéricos são uma boa opção para facilitar o acesso ao tratamento da Aids. Um paciente tratado com medicamentos dos grandes laboratórios custa, em média, US$ 12 mil por ano. Um outro que usa genéricos custa US$ 200. Acreditam que, sem genéricos, as nações pobres irão desaparecer do planeta

 



Brasil fabricará genéricos contra a Aids e o diabetes
Fonte: O Globo - 25/06/2001

Até o fim de julho, o Brasil vai estar produzindo os primeiro medicamentos genéricos contra a Aids e o diabetes. Ainda esta semana a Vigilância Sanitária concluirá os estudos dos pedidos de registro para sete dos 13 medicamentos do coquetel anti-Aids. Mais baratos que os remédios de marca, os novos produtos chegam ao mercado em setembro

País fabricará genéricos anti-Aids

Martha Beck

BRASÍLIA Até o fim de julho, o Brasil já produzirá os primeiros medicamentos genéricos para Aids e diabetes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai autorizar até o fim da semana a fabricação de genéricos para diabetes. Além disso, está concluindo os estudos dos pedidos de registros para a fabricação de sete dos 13 medicamentos do coquetel anti-Aids. A fabricação deles deve estar liberada no próximo mês. Os novos genéricos devem chegar ao mercado em setembro. A gerente-geral de Genéricos da Anvisa, Vera Valente, diz que com os produtos ficará completa no país a lista dos genéricos para as principais classes terapêuticas, como remédios de uso contínuo, antibióticos, antiinflamatórios e ansiolíticos.
Mercado terá no ano expansão de 50%
O primeiro genérico para diabetes a ser autorizado será a Glibenclamida, que poderá substituir o Daonil (HMR). A diabetes é a quinta causa de mortes por doença no Brasil, perdendo só para problemas cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais, insuficiência cardíaca e pneumonia, segundo o Ministério da Saúde. Com os novos registros, todos esses problemas já poderão ser tratados com genéricos. Segundo dados preliminares de 2000, a importação de remédios representou 56% dos US$ 319 milhões anuais usados pelo Ministério da Saúde em sua política de combate à Aids.
Vera Valente afirmou que até o fim do ano, o número de genéricos no país deve crescer 50%. O Brasil tem hoje 286 genéricos registrados, sendo 76 de uso hospitalar e 210 de venda em farmácia. Ao todo, são mais de 400 apresentações. Além disso, 35 novas indústrias, entre elas a Novartis, querem entrar neste mercado, que já conta com 22 laboratórios. A Anvisa analisa atualmente 161 pedidos de concessão de registro para produtos.
Segundo a Associação Pró-Genéricos, que reúne os principais fabricantes desses produtos no Brasil, entre maio de 2000 e abril deste ano, o número desses medicamentos que entraram no mercado cresceu 20%. Mas nas receitas médicas, embora sejam 40% mais baratos, em média, que os remédios de marca, eles ainda só têm participação de 2,17%.
- A tendência desse mercado é crescer inacreditavelmente. Além disso, os médicos já podem prescrever produtos para as principais classes terapêuticas utilizando apenas genéricos - disse Vera.
A gerente já teve que aumentar o número de funcionários da Anvisa que cuidam de pedidos de registro de genéricos. Os técnicos que analisam os testes de bioequivalência passaram de três para nove, e dois novos farmacêuticos foram contratados.
Dos 13 produtos do coquetel anti-Aids, estão na lista de futuros genéricos: Lamivudina, Didanosina, Nevirapina, Nistavudina, Indinavir, Zidovudina e o Biovir (combinação da Lamivudina e da Zidovudina). O Farmanguinhos, no Rio, é um dos laboratórios que esperam autorização da Anvisa para produzi-los. Mas como ainda precisa do certificado de boas práticas de fabricação, exigido pela agência, deve ter a permissão em agosto.
O ministro da Saúde, José Serra, participa hoje, em Nova York, da assembléia da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Aids. Após, almoça com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. A expectativa é de que Serra fale sobre quebra de patentes de remédios para Aids, criticada pelos EUA e apoiada pelo Brasil.

 

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Serra apresenta avanços do programa de combate à doença
Fonte: O Estado de S.Paulo - 25/06/2001

Brasil oferece tratamento até 6 vezes mais barato que Europa e EUA

DEMÉTRIO WEBER

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, José Serra, apresenta hoje na abertura da sessão especial da Assembléia-Geral da ONU um balanço com os avanços do programa brasileiro de distribuição gratuita de remédios e combate à aids.
Serra vai participar da mesa-redonda sobre prevenção e tratamento, mostrando como o País conseguiu reduzir pela metade o número de mortes por aids, entre 1995 e 1999, e em 80% o total de internações hospitalares por infecções oportunistas. Na quarta-feira, último dia da reunião, ele discursará para todos os presentes à assembléia.
O objetivo do Brasil é reafirmar aos demais países ser viável a distribuição gratuita do coquetel antiaids, como medida indispensável para controlar a doença. "O Primeiro Mundo enfatiza apenas a prevenção para não ter de pagar o tratamento", diz o chefe da Assessoria Internacional do Ministério da Saúde, José Marcos Nogueira Viana.
O exemplo brasileiro pode ter papel importante na busca de soluções para o problema, segundo Viana. Produzindo remédios genéricos e ameaçando laboratórios estrangeiros com a quebra de patentes, o Brasil oferece tratamento até seis vezes mais barato que a Europa e os EUA. "E serve de contraponto ao receio dos países ricos de que nações subdesenvolvidas não tenham condições de administrar tratamentos em massa contra a aids", acrescentou Viana.

 
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