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26/12

Aposentado paga mais pelos remédios

Aposentado paga mais pelos remédios
Fonte: Jornal de Brasília - 26/12/2001

Economia

Último reajuste, que começou a ser aplicado na sexta, atinge os preços dos medicamentos usados por idosos.

Daniella Cronemberger

O último reajuste de medicamentos fez dos aposentados a sua maior vítima. A maior parte dos remédios que aumentaram de preço são os mais consumidos por idosos, como os que tratam de hipertensão, colesterol e depressão. O hipertensivo Capoten, por exemplo, teve reajuste de 12,5%, passando de R$ 42 para R$ 48 nas farmácias.

Para fugir do preço alto, o aposentado Antônio Oliveira, 60 anos, passou a comprar somente o genérico do Capoten, Captropil, que sai por R$ 25. Mas no caso do Liptor, que controla colesterol e não possui genérico, não teve como escapar. O remédio custava cerca de R$ 60, mas há dez dias é vendido a R$ 68,26. "É tanto aumento que a gente não consegue nem acompanhar", disse ele.

Revoltada, Edmee Terezinha Ribeiro, 72 anos, disse que só consegue sobreviver porque recebe parte dos remédios que necessita do Plano de Saúde. "Não sei o que eu faria se tivesse que comprar tudo", diz. "Já percebi que os preços aumentaram. Está tudo muito caro nesse Natal".
Todos os quatro medicamentos que Edmee compra com freqüência foram reajustados. O Dimenfor e o Prandin, ambos para diabetes, aumentaram cerca de 8%. O antidepressivo Sulpan passou de R$ 9,80 para R$ 10,48, e o seu concorrente Stilnox, que saía por R$ 17,60, está sendo vendido a R$ 19,30 nas prateleiras - um aumento de quase 9%.

Outros remédios que estão custando caro, principalmente aos aposentados, são o hipertensivo Cardizen - que passou de R$ 22,50 para R$ 24,70 - e o hormônio Evista, que aumentou em 12,5%, pulando de R$ 96 para R$ 109,79. "Estou achando que os genéricos não estão adiantando em nada", reclama Carina Almed, 61 anos. "A situação não está boa. Imagino como fica uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês".

Enquanto vários remédios ficaram mais salgados ao consumidor, houve quem recebesse uma boa surpresa ao chegar na farmácia. O aposentado George Straub, 67 anos, havia comprado uma caixa de Zocon, que combate colesterol alto, há uma semana por R$ 20,42. Ontem, ele encontrou o remédio mais barato: por R$ 18, 77. "Não dá para acreditar. Deve ser um milagre de Natal", disse.

 
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