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Genéricos na Imprensa
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Entidades questionam genérico
Fonte: Gazeta
Mercantil - 27/09/2001
(Hylda Cavalcanti)
Brasília Depois de cassar a liminar que impedia a comercialização
do medicamento genérico ciclosporina, utilizado no tratamento
de transplantados, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) passou a enfrentar uma outra dificuldade
com o produto: a resistência de entidades de pacientes transplantados,
que argumentam que o genérico, produzido pelo laboratório
Abbott, não tem o mesmo resultado do medicamento de referência.
A decisão do juiz Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal
(TRF) da 1ª Região, com sede em Brasília, que
suspendeu a liminar obtida pelo Sindicato dos Proprietários
de Farmárcias do Distrito Federal, repercutiu em pelo menos
três estados - São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará
-, onde associações de transplantados estão
alertando os pacientes para os riscos do produto. 'Esse é
considerado o mais eficiente medicamento para rejeição
de órgãos, mas temos laudos que comprovam que o genérico
não tem o mesmo resultado do medicamento de referência',
disse o vice-presidente da Associação Paulista de
Renais Crônicos, Fábio Nolasco.
'Precisamos fazer alguma coisa antes que as providências só
sejam tomadas depois de registros de muitas mortes', completou o
representante da associação de renais crônicos
do Ceará, Agnel Conde, que esteve em Brasília na última
sexta-feira para participar de uma audiência onde o assunto
foi discutido.
O registro da ciclosporina genérica tinha sido concedido
pela Anvisa em maio passado. O medicamento de referência é
o Sandimmun, do laboratório Novartis. Mas, conforme estudos
realizados por universidades e conselhos de pesquisa, os dois produtos
(o da Novartis e o genérico, da Abbott) não são
equivalentes. Um destes laudos foi emitido pelo chefe do Serviço
de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos
Renato Alves da Silva.
Outro estudo, de autoria do coordenador do Sistema de Informação
sobre Medicamentos do Hospital das Clínicas da Universidade
de São Paulo, Antonio Carlos Zanini, destaca que, após
realização de pesquisa, ficou constatado que o 'código
de equivalência terapêutica' dado pela Food and Drug
Administration (FDA) - entidade máxima de regulamentação
de remédios e alimentos dos Estados Unidos - ao remédio
refere-se a produtos 'com problemas atuais ou potenciais de bioequivalência'.
Diante das denúncias apresentadas, o secretário-executivo
do Ministério da Saúde, Barjas Negri, informou que,
para subsidiar o processo de registro do medicamento, a Anvisa solicitou
pareceres de renomadas universidades e inclusive do FDA sobre a
classificação das formas farmacêuticas, tanto
da Novartis como do genérico da Abbott. As duas apresentações,
explicou o secretário, foram consideradas equivalentes quando
avaliadas segundo o código oficial farmacêutico brasileiro.
De acordo com informações da Anvisa, já foram
concedidos até agora, registros para a produção
de mais de 300 medicamentos genéricos, provenientes de mais
de 130 fármacos (princípios ativos) diferentes. Estes
produtos estão sendo produzidos por 26 indústrias
e representam cerca de 2% dos produtos fabricados no Brasil. A meta
do governo é conseguir, até 2002, aumentar o percentual
para 35%.
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