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28/06
Brasil propõe criação de banco de drogas anti-Aids
28/06
Documento da ONU incorpora teses brasileiras
28/06
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Brasil propõe criação de banco de drogas anti-Aids
Fonte: Jornal do Brasil, Ciência - 28/06/2001

Objetivo é estimular concorrência entre fabricantes e baixar preço de remédios

Depois da vitória sobre os Estados Unidos, que segunda-feira passada retiraram a queixa contra o Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC), o Brasil está pronto para dar início a mais uma batalha pela democratização do acesso aos medicamentos anti-Aids. Ontem, o ministro da Saúde, José Serra, começou as negociações com o México para a implantação de um banco internacional de preços, onde remédios de diferentes marcas teriam seus preços revelados, estimulando a concorrência entre os laboratórios.
A proposta foi debatida no último dia da Sessão Especial da ONU sobre Aids, em Nova Iorque. O banco funcionaria da seguinte forma: cada fabricante de medicamentos colocaria à disposição dos governos numa página da internet o valor pelo qual quer vendê-los; os países teriam, então, mais opção de compra, forçando a redução de preços.
Concorrência - ''Os laboratórios gostam de concorrência quando esta lhes favorece. Quando a concorrência favorece o consumidor, eles não gostam'', disse pelo telefone ao JB o ministro José Serra. A possibilidade de participação de fabricantes de genéricos no banco está sendo estudada, mas Serra adiantou que não pretende exportar os genéricos fabricados no Brasil.
No discurso de encerramento da reunião, o ministro voltou a enfatizar a integração prevenção-tratamento para que a luta contra a Aids seja bem-sucedida e considerou o encontro um ponto de partida para uma nova fase da luta anti-Aids: ''Tudo depende do nosso compromisso. Um compromisso pelos direitos humanos, pela prevenção, pelo tratamento e por medicamentos acessíveis. Em uma palavra, um compromisso pela vida.''
Metas - No fim da sessão especial, representantes dos 189 países-membros da ONU assinaram a Declaração de Compromisso, que estabelece metas até 2010 para conter a epidemia. A primeira recomendação contida no documento de 15 páginas é que os signatários implantem estratégias até 2003 para melhorar o sistema de saúde pública e, conseqüentemente, o atendimento ao portador do HIV.
Espera-se que o resultado surta efeito dois anos depois, quando o número de infectados com idade entre 15 e 24 anos deverá ter caído 25% nos países mais afetados pela Aids. O mesmo objetivo deve ser alcançado nos demais países num prazo um pouco maior: até 2010.
Consenso - O consenso foi obtido apesar dos protestos de países islâmicos, que se opunham à inclusão dos grupos mais vulneráveis à Aids no documento. Um grupo de países liderados pelo Canadá, entre eles o Brasil, queria incluir os homossexuais na lista de prioridades de acesso a tratamento, mas Síria, Irã e outros países recusaram a proposta, alegando que estariam legitimando um comportamento não aceitável. A saída foi utilizar termos gerais no texto final, sem menção explícita ao homossexualismo.
A declaração também priorizou o fundo anti-Aids, proposto em abril pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Os Estados Unidos, que no início da reunião haviam anunciado que doariam mais recursos para o fundo global, podem elevar a doação a até US$ 1,3 bilhão em 2002.
Por 32 a quatro, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara americana aprovou a proposta. Esta ainda tem que ser votada pelo Senado e sancionada pelo presidente George W. Bush, mas já trouxe um certo alento. ''É o mínimo que eles podiam fazer. Agora sim, os americanos oferecem uma quantia coerente com sua economia'', disse por telefone o coordenador do programa brasileiro de Aids, Paulo Teixeira.


Documento da ONU incorpora teses brasileiras
Fonte: O Estado de S.Paulo, Geral - 28/06/2001

José Serra diz que conferência sobre aids mostrou que política do País é correta

TONICA CHAGAS
Especial para o Estado

NOVA YORK - Encerrada ontem em Nova York, a sessão especial da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre Aids mostrou, segundo análise do ministro da Saúde, José Serra, "que a política brasileira é correta e dá para fazer coisas importantes mesmo num país em que faltam recursos". Todas as teses brasileiras para o combate mundial à aids foram incorporadas ao documento final do encontro. No discurso que fez ontem na assembléia, Serra considerou o documento como uma declaração de compromisso com os direitos humanos, prevenção, tratamento e medicamentos acessíveis. "É um compromisso com a vida", resumiu o ministro.
Durante os três dias de realização do encontro, Serra conversou com representantes de países como França, México, Chile e Cuba, interessados numa cooperação com o Brasil. Aos que pediram para adquirir medicamentos genéricos contra a aids produzidos pelo País, ele explicou que isso não é viável porque precisa atender a demanda interna.
"Vamos estudar a possibilidade de doação na medida que houver excesso na nossa produção", disse o ministro. Nesse caso, a organização Médicos Sem Fronteira poderá ser a primeira a receber remédios brasileiros. Para os demais, o Brasil ofereceu assistência técnica para prevenção, tratamento e produção de remédios.
Custos - O fato de o Brasil oferecer tratamento gratuito a cerca de cem mil soropositivos, a um custo de US$ 2.530 dólares por pessoa/ano - nos EUA ele chega a até US$ 15 mil - é uma mostra de competência, segundo Serra. Por várias vezes em seu discurso, o ministro enfatizou que um dos fatores cruciais para o combate à doença é a redução dos custos de remédios.
"Países em desenvolvimento não devem pagar tanto quanto países desenvolvidos", salientou o ministro. "Espero que as companhias farmacêuticas levem em conta esse princípio." Como um mecanismo eficiente para forçar as indústrias a reduzirem seus preços, Serra sugeriu uma medida que já vem sendo usada no Brasil desde 1998: a de um banco de dados na internet divulgando os preços das drogas em diferentes países.
Segundo Serra, a razão que permite ao governo brasileiro manter sua política de atendimento aos infectados pelo vírus da aids é a produção local de remédios contra a doença. O Brasil produz a baixo custo oito anti-retrovirais não patenteados e a maioria deles é mais barata do que os importados.
O acordo firmado entre os Estados Unidos e o Brasil esta semana em relação à lei de patentes brasileira e a ênfase dada por Serra à questão de custos fizeram o secretário de Saúde norte-americano, Tommy Thompson, brincar com o ministro, dizendo que essas vitórias fariam bem para sua candidatura à Presidência. "Minha preocupação não é ganhar votos, é baixar custos", respondeu Serra. "Custo menor significa maior atendimento."
Lembrando que o ritmo de crescimento da epidemia ainda é grande, Serra disse esperar que os países ricos contribuam mais com o fundo global de recursos contra a doença, "para financiar prevenção e tratamento, principalmente para os que mais precisam".


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Fonte: Jornal de Brasília, Grande Brasília - 28/06/2001

Opinião do leitor
Medicamento

Em relação à nota "Cabeça a prêmio", publicada neste jornal no dia 24 de junho de 2001, esclareço que a gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento genérico Ciclosporina, do laboratório Abott, cápsula mole, dentro dos critérios legais, que seguem padrões determinados pela legislação sanitária brasileira. O produto de referência adotado no Brasil é o mesmo dos Estados Unidos. Para conceder o registro, a Anvisa baseou-se em parecer da Divisão de Bioequivalência do FDA (Food and Drug Administration - agência reguladora de medicamentos nos EUA), que comprova que a Ciclosporina cápsula mole da Abott tem a mesma absorção, no mesmo tempo, que o Sandimmun Neoral cápsula dura da Novartis, o medicamento de referência. Pareceres solicitados pela Anvisa a especialistas em tecnologia farmacêutica da Universidade Federal de Minas Gerais concluíram que "não há diferença entre as duas apresentações, por serem ambas equivalentes quando avaliadas segundo o código oficial farmacêutico brasileiro".
Carlos Dias Lopes
Coordenador da Assessoria de Imprensa da Anvisa

 

 
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