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Malan,
luta entre Serra e Tasso
Fonte: Jornal
do Brasil - 28/08/2001
Teodomiro
Braga
As
nuvens da política mudam rapidamente, dizia Magalhães
Pinto, e as últimas nuvens nos céus do poder indicam
a quase certa exclusão do ministro Pedro Malan do quadro
sucessório e o início da polarização
da disputa no PSDB pela indicação do candidato a sucessor
de Fernando Henrique entre Tasso Jereissati e José Serra.
A falta de um candidato natural, porém, estimula os ministros
Paulo Renato e Pimenta da Veiga a se manterem no páreo e
fez surgir um movimento na Câmara dos Deputados em favor da
candidatura de Aécio Neves.
Na semana passada, o ministro da Fazenda recusou novos apelos de
diferentes interlocutores do PSDB para se filiar ao partido, condição
imprescindível para que possa concorrer nas próximas
eleições. Apelo maior lhe havia sido feito, há
duas semanas, pelo presidente da República. Num encontro
no Palácio da Alvorada, FH insistiu para que Malan assinasse
a ficha do PSDB, para virar uma opção política
do partido em 2002. Alegou o ministro que a sua entrada no PSDB,
neste momento, poderia gerar uma situação politica
prejudicial à política econômica do governo.
A data final para filiação é o dia 5 de outubro
e uma inscrição partidária de Malan, nestes
poucos dias que restam, será realmente um lance político
arriscado. Um destacado chefe do tucanato acha que o gesto poderia
tumultuar sua atuação no Ministério da Fazenda,
pois ele passaria a ser encarado - e atacado - como um presidenciável.
Se seu nome não deslanchar nas pesquisas, isso poderia ser
interpretado pelos investidores estrangeiros como sinal de vitória
inevitável da oposição em 2002, aumentando
as dificuldades do governo no front externo.
A verdade é que a filiação de Malan, por essas
delicadas circunstâncias que envolvem a decisão, virou
uma complicação com a qual FH não contava.
O presidente também não imaginava que a questão
sucessória fosse se precipitar de forma tão rápida,
neste segundo semestre, tornando inviável deixar a discussão
no PSDB para o ano que vem, como havia programado. A conflagração
interna no PMDB, o avanço de Lula nas pesquisas e a candidatura
Garotinho colocaram a sucessão na ordem do dia, fazendo desencadear,
no PSDB, as pressões para o início do debate sucessório
no partido.
Ciente das dificuldades de Malan, os tucanos começam a se
virar para as opções internas e o governador do Ceará,
Tasso Jereissati, desponta como o principal adversário do
ministro da Saúde, José Serra, na luta pela indicação
do partido. Depois de um longa reclusão, Tasso começou
a se movimentar com desenvoltura no mundo político, sobretudo
no terreno tucano, em busca do espaço perdido para o ministro
da Saúde. A ofensiva do governador cearense forçou
Serra a rever sua estratégia de dar as caras, na guerra sucessória,
somente no final do ano ou início de 2002.
As novas nuvens no céu da sucessão levaram Tasso Jereissati
e José Serra a comparecerem, na semana passada, no Recife,
à solenidade de filiação ao PSDB pernambucano
dos ex-pefelistas Roberto Magalhães e José Múcio,
apesar dos apelos dos líderes máximos do PFL, Jorge
Bornhausen e Marco Maciel, para que os dirigentes do PSDB se abstivessem
de prestigiar o evento, para não dar dimensão nacional
ao revés no PFL numa briga regional.
A todo vapor, Tasso também participou de almoço com
os principais líderes do PSDB mineiro, quinta-feira, em Brasília,
num encontro traduzido por um dos participantes como uma aliança
cearense-mineira para enfrentar o domínio paulista na política
brasileira. Nesse encontro, Tasso defendeu a idéia de que
a escolha do candidato do partido não deve ser de responsabilidade
exclusiva de Fernando Henrique, pregando maior participação
do partido no processo. Propôs um amplo processo de consultas,
que vá além do partido e inclua líderes sindicais
e empresariais, além dos partidos aliados do PSDB.
Caso vá adiante a polarização Tasso-Serra que
se esboça, a disputa deverá ser definida, de acordo
com caciques do PSDB, por dois fatores que pesarão na posição
que Fernando Henrique irá tomar como juiz da disputa: os
apoios políticos, sobretudo no PSDB, e a posição
nas pesquisas. No primeiro quesito, Tasso parece levar vantagem
sobre Serra na preferência entre os tucanos, mas há
empate em relação aos aliados, com o governador mais
cotado no PFL e o ministro mais forte entre a turma do PMDB.
Na opinião pública, a vantagem é de Serra,
apesar da sua queda nas pesquisas quantitativas, de 10 pontos, no
início do ano, para média entre 6 e 7 pontos, em conseqüência
da crise energética que afetou duramente o prestígio
do governo. Como Tasso se mantém estável entre 3 e
4 pontos nas pesquisas, a diferença entre os dois é
pequena. As pesquisas qualitativas, no entanto, mostram a candidatura
de Serra com potencial popular maior do que a do rival, a começar
pelo fato de que ele se tornou conhecido em vários estados,
enquanto Tasso é popular apenas no Ceará.
O grande diferencial, a favor de Serra, é a marca social
associada à sua imagem, por conta de seu trabalho à
frente do Ministério da Saúde. Pesquisas realizadas
pelo instituto Vox Populi mostram que, entre as políticas
e programas governamentais mais bem avaliados pela população,
duas iniciativas do Ministério da Saúde são
sempre lembradas: a criação dos remédios genéricos
e a política de combate à Aids. Os genéricos
são apontados, em várias pesquisas, como a melhor
coisa feita pelo governo.
A disputa está apenas se ensaiando e muitos fatores ainda
podem influir no processo, o que torna difícil arriscar qualquer
prognóstico. Além disso, não está descartada
a possibilidade do crescimento de outro nome, como o de Aécio
Neves, que vem sendo incentivado a entrar na briga, não só
por deputados mineiros como até pelo presidente Fernando
Henrique, com quem dividiu um apartamento, em Brasília, em
1986 e 1987.
Teodomiro Braga é jornalista
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