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Genéricos na Imprensa Notícias
Deixa
que os partidos se acomodem, diz FHC Cristiane Jungblut MADRI. O presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu com
desdém à proposta do pré-candidato do PT, Luiz
Inácio Lula da Silva, de unir os partidos de esquerda já
para a disputa do primeiro turno das eleições de 2002. O presidente, que viajou na companhia dos presidentes do PSDB,
José Aníbal; do PFL, Jorge Bornhausen; e do PMDB,
Michel Temer, para tentar assegurar a aliança dos partidos
da base nas eleições do ano que vem, disse achar normal
a busca de apoio. Ele evitou, porém, comentar as negociações
político-partidárias, dizendo que está preocupado
com os problemas que interessam à população
brasileira. Fernando Henrique afirmou que não deixará
de tomar nenhuma medida como forma de evitar um possível
desgaste do governo e do seu candidato nessa fase pré-eleitoral. - Quem imagina que não deve fazer o necessário para
ganhar votos, pode ser até que não perca votos, mas
realmente não ganha o reconhecimento do país. Nunca
fui movido por questões eleitoreiras e muito menos agora,
que não sou candidato. Sou presidente e vou agir como presidente
- disse. Hoje o presidente se encontrará com o primeiro-ministro
britânico, Tony Blair, em sua residência de campo, em
Chequers, a uma hora e meia de Londres. Também participará
do encontro o ex-presidente dos EUA Bill Clinton. Fernando Henrique
pretende abordar as ações mundiais de combate ao terrorismo.
Ontem, ele participou do encerramento da Conferência sobre
Transição e Consolidação Democráticas. Paulo Renato diz que pode enfrentar prévias O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, afirmou
ontem que está disposto, se for preciso, a enfrentar prévias
para a escolha do candidato da base governista à sucessão
de Fernando Henrique. Segundo ele, apenas os adeptos das pré-candidaturas
do ministro da Saúde, José Serra, e do governador
do Ceará, Tasso Jereissati, o excluíram da disputa
presidencial, lançando especulações de que
se candidataria ao Senado. As afirmações foram feitas
durante solenidade do programa Bolsa-Escola em São Bernardo
do Campo, no ABC Paulista. - Minha candidatura está colocada para o partido e eu vou
permanecer com ela até que meu nome seja indicado. Se o partido
determinar a prévia como método de escolha, disputarei,
sem dúvida nenhuma - disse. - Tenho uma visão do partido e posso fazer a transformação
que o país está experimentando com o presidente Fernando
Henrique - disse. COLABOROU Soraya Aggege Presidente põe o nome de Aécio no jogo da sucessão Diana Fernandes e Cristiana Lôbo* BRASÍLIA. Quando se pensava que o processo no PSDB
para a escolha do candidato à presidência da República
estava restrito aos nomes do ministro da Saúde, José
Serra, e do do governador do Ceará, Tasso Jereissati, o presidente
Fernando Henrique entra em campo para ampliar a lista tucana. Tal
como fez até outubro com Pedro Malan, desta vez, o nome novo
é o do presidente da Câmara, Aécio Neves. - Preste atenção no Aécio - disse ele a um
interlocutor. Para uns, estes movimentos de Fernando Henrique têm o objetivo
de confundir o cenário pré-eleitoral e de manifestar
seu desagrado com o discurso dos dois com restrições
à política econômica de Pedro Malan. Para outros,
o objetivo é tirar José Serra do foco de críticas
para preservá-lo. - Com os movimentos de Tasso, ficou claro que a vaga de candidato
não é garantida a Serra por gravidade. Por isso, todo
mundo tem de trabalhar - disse um partidário do ministro
da Saúde. Os programas do Ministério da Saúde sob o comando
de José Serra - como o dos genéricos, o Bolsa-Alimentação
e o de combate à Aids - têm aprovação
superior a 80% dos consultados em pesquisas. Ao lado do Bolsa-Escola,
do Ministério da Educação, os da Saúde
são os mais aprovados programas do governo Fernando Henrique. Para recusar a proposta de dividir o horário eleitoral do
partido apenas entre os dois principais pré-candidatos do
PSDB - Serra e Tasso - Fernando Henrique argumentou que existem
outros nomes como Aécio Neves e Paulo Renato Souza. E se
fosse atender a todos, o tempo ficaria pulverizado. Para outros
partidários de Serra, esta fórmula passaria a idéia
de que o PSDB é um partido dividido. _ O Serra, por estar no governo, não tem a mesma liberdade
que tem o Tasso para fazer campanha, mas ele está se movimentando,
viajando pelo país para divulgar os programas da saúde
_ diz o secretário-geral do PSDB, deputado Márcio
Fortes. - Nesta ocasião não haverá argumento de simpatia
ou de antipatia; o parlamentar já vai chegar aqui com a decisão
e o processo vai então chegar ao fim - disse um dos articuladores
da campanha governista. Mesmo com seu nome lembrado por Fernando Henrique, Aécio
Neves, como bom mineiro, já formado na escola de Tancredo
Neves, de público, não se empolga nem descarta a possibilidade.
Recorre a um bordão: "minha eleição passa
por Minas". Ele já tem um bom percurso pavimentado rumo
ao Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, mesmo sem dar
cotoveladas e nenhum de seus parceiros e correligionários.
Publicamente, ele diz que seu projeto é se eleger senador
por Minas e, quem sabe, se Deus der sorte, tornar-se presidente
do Senado - o mais jovem na história da República. O tucano em campanha para o governo de Minas é o ex-governador
Eduardo Azeredo, com a alternativa de ser também candidato
o ministro Pimenta da Veiga. Efeito
colateral O caso antraz provocou um efeito colateral inesperado ao pôr
em questão, nos EUA, o conflito entre proteção
à propriedade intelectual, isto é, patentes de medicamentos,
e interesses da saúde pública. Desde que terroristas começaram a disseminar esporos do
antraz, aumentou enormemente a procura por Cipro, o único
antibiótico recomendado pela FDA, a agência sanitária
dos EUA, para tratar a forma pulmonar da moléstia. Calcula-se
que 10 mil americanos estejam tomando Cipro, embora os casos diagnosticados
não passem de poucas dezenas. Cipro é o nome comercial da ciprofloxacina da Bayer, antibiótico
da classe das quinolonas. Cada comprimido de Cipro custava nos EUA,
até a semana passada, US$ 1,75. Autoridades sanitárias dos Estados Unidos entraram em negociações
com a Bayer. Chegou-se a falar em quebra de patentes. O laboratório
alemão concordou em reduzir o preço para 95 centavos
nos primeiros 100 milhões de unidades. Ciprofloxacinas genéricas
custam entre 12 e 20 centavos no mercado global. Os responsáveis pela negociação cantaram vitória. Talvez até fosse, se a ciprofloxacina fosse de fato o único medicamento capaz de combater o Bacillus anthracis, o agente causador do antraz. Essa bactéria, que em estado natural raramente infecta seres
humanos, é sensível a diversas classes de antibióticos,
incluindo penicilinas e tetraciclinas, que são bem mais antigas
(sem patente) e muito mais baratas do que a Cipro. Laboratórios que concorrem com a Bayer ofereceram ao governo
dos EUA grandes lotes de remédios antiantraz gratuitamente,
em troca apenas de a FDA aprovar suas drogas para o tratamento do
bacilo. Aliás, os EUA são um dos últimos países
do mundo em que a patente da droga ainda é válida,
existindo, portanto, ampla produção mundial de genéricos,
inclusive no Brasil. A indicação da ciprofloxacina como droga de escolha contra o antraz é de fato obscura. No ano passado, uma comissão de legisladores investigava a ameaça de bioterrorismo. Concluiu que tanto a penicilina quanto a doxiciclina seriam tratamentos eficazes contra o antraz. Mas o comitê não as recomendou. Escolheu a ciprofloxacina. A alegação é a de que havia indícios de que terroristas teriam produzido cepas de antraz resistentes a essas drogas. Também se falou no risco de o uso indiscriminado de penicilina originar linhagens de bactérias multirresistentes. São argumentos teóricos válidos, mas que servem
para todos os antibióticos, inclusive a ciprofloxacina. Independentemente dos desdobramentos dessa história intricada,
o caso serve para mostrar que nem mesmo os EUA estão imunes
à disputa patente X saúde pública. A pressão
que as autoridades sanitárias colocaram sobre a Bayer não
é diferente, por exemplo, da que países pobres exercem
-e com firme oposição dos EUA- sobre laboratórios
que produzem remédios contra a Aids. O caso antraz deveria servir para estabelecer, de uma vez por todas, que nenhuma patente pode prevalecer sobre o direito à vida, ou seja, sobre o direito a receber tratamento médico. |
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