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Genéricos na Imprensa
Notícias
Abril de
2001
Supremo cancela isenção
de ICMS para genéricos Henrique Paiva Cardoso
e Marina Spínola Fonte: GAZETA MERCANTIL - 20/04/2001 Por
unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, na última quarta-feira,
a Lei 11.557/00, do estado de Santa Catarina. A legislação de 19
de setembro de 2000 concedia isenção de Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os medicamentos genéricos.
A liminar foi concedida pelo Supremo na ação direta de inconstitucionalidade
(Adin) 2357, ajuizada pelo governador Esperidião Amin, que havia vetado
a lei aprovada pela Assembléia Legislativa. O Executivo de Santa Catarina
questionou a constitucionalidade da Lei 11.557/00, com base nos artigos 5, 61,
150 e 155 da Constituição Federal. Na
avaliação do governo do Estado, a legislação teria
violado o princípio constitucional da igualdade. O governador argumentou
que a Carta veda aos Estados a instituição de subsídios ou
isenção relativos a impostos. Além disso, o parágrafo
1º do artigo 61 determina como iniciativa do presidente da República
as leis que disponham sobre matéria tributária. O
plenário do Supremo acompanhou o voto do ministro relator Ilmar Galvão
e suspendeu a Lei 11.557. O ministro ressaltou que o artigo 155 da Constituição
estabelece que cabe à lei complementar, "mediante deliberação
dos estados e do Distrito Federal a concessão ou revogação
de benefícios fiscais".
UFMG enfrenta desafios na formação
de médicos Ellen
Cristina Dias - Especial para a Gazeta Mercantil
Fonte:
GAZETA MERCANTIL - 20/04/2001
A
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) comemora
nesta semana 90 anos de funcionamento e consolida como principal desafio pedagógico
a formação de profissionais éticos, conceito que, de acordo
com o diretor da escola, o pediatra Marcos Borato Viana, encontra-se amordaçado
pela atuação de empresas de medicamentos, equipamentos e planos
e seguros em saúde. "Os convênios massificam o atendimento,
fazendo com que a relação médico-paciente permaneça
frágil", comenta Viana. Atualmente, estão em atividade
em Minas Gerais 12 faculdades médicas, sendo o curso da UFMG o mais antigo
do Estado, responsável - conforme dados registrados a partir de 1971 -
pela formação de cerca de nove mil médicos. Primeira
escola superior médica distanciada do litoral do País, a faculdade
- localizada na região Central de Belo Horizonte - teve como fundadores
os médicos Hugo Werneck, Ezequiel Dias e Borges da Costa, que vieram do
Rio de Janeiro para Belo Horizonte em busca de tratamento para tuberculose. Proprietária
de uma lista de ex-alunos que incluem o ex-presidente Juscelino Kubistschek, o
escritor Guimarães Rosa, o cirurgião plástico Ivo Pitangui
e o jogador de futebol Tostão, a escola tornou-se referência mundial
ao propor, na década de 70, uma reforma curricular com a eliminação
do ensino teórico de especialidades. "O
currículo de 75 apontou para o atendimento generalista, com ênfase
no cuidado primário, ou seja, extra-hospitalar", diz o professor do
departamento de Clínica Médica e diretor do Hospital das Clínicas
(HC), Henrique Oswaldo da Gama Torres. Entre as mudanças na grade curricular,
destacam-se a inclusão do internato rural, ambulatório periférico,
cirurgia ambulatorial, prática hospitalar e o ensino de prescrição
de genéricos e de contra-marketing, além da expansão da carga
horária pediátrica, igualando-se à de adultos. Inovações
que, de acordo com o professor de História da Medicina da UFMG, João
Amílcar Salgado, foram adotadas parcialmente em outros centros médicos,
como o de Harvard, nos Estados Unidos. Entretanto,
paralelo a evolução pedagógica centrada na preocupação
humanista com o paciente, as escolas de Medicina, de acordo com Salgado, também
têm graduado profissionais formatados pela lógica financeira do mercado
de trabalho e, portanto, capazes de fazer mau uso do marketing e utilizar de forma
exagerada a tecnologia. "É a substituição da competência
pela aparelhagem que o médico manipula. O profissional atua como mero balconista
da indústria de produtos e serviços em saúde", constata
o professor. O
diretor da faculdade também aponta como fator desencadeador dessa postura
- desvinculada, muitas vezes, dos padrões éticos - a imposição
da tecnologia na relação médico-paciente. "Certas vezes,
uma conversa com o doente é mais produtivo do que o encaminhamento para
exames", afirma Viana. Estudos encomendados pela indústria da saúde,
segundo Salgado, prevêem para depois de 2030 a existência de equipamentos
e medicamentos tão seguros que a automedicação sem risco
resultará na dispensa do serviço médico. "A última
etapa da degradação profissional não será a demissão
de competência, mas a extinção profissional", estima
o acadêmico. Uma
conseqüência imediata da influência no setor de empresas de produtos
e serviços de saúde é a seleção de pacientes,
argumenta o presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais e professor
do departamento de Clinica Médica da UFMG, Ricardo de Menezes Macedo. "O
mercado é que determina qual doente vale a pena tratar ou não",
constata o médico. Com
o intuito de valorizar a atuação médica a partir do fortalecimento
da relação com o paciente, a Faculdade de Medicina - instituição
que em 2000 obteve o conceito B no Exame Nacional de Curso (Provão) - pretende
implantar neste ano um curso de especialização em saúde familiar.
O objetivo, segundo Viana, é capacitar os profissionais participantes do
Programa BH Vida, política municipal de saúde da família.
"Estamos em negociação com a prefeitura de Belo Horizonte e
a Escola de Enfermagem da UFMG para viabilizar o projeto", comenta o diretor.
De acordo
com dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais, atuam no
mercado mineiro na ordem de 26,5 mil médicos, sendo que 11,2 mil exercem
a atividade em hospitais e consultórios sediados em Belo Horizonte. O segundo
município mineiro no ranking de números de médicos é
Juiz de Fora, com cerca de 2 mil profissionais. Até hoje, somente dois
médicos no Estado tiveram seus diplomas cassados por negligência.
O número de escolas de medicina em processo de implantação
no Estado também reflete a necessidade de profissionais para atuação
no interior mineiro. O Ministério da Educação (MEC), atualmente,
analisa três processos de abertura de faculdades médicas, sendo duas
com proposta de instalação fora da Região Metropolitana de
Belo Horizonte, em Ipatinga e Governador Valadares. Além
das inovações curriculares, a Faculdade de Medicina da UFMG também
é reconhecida pelo trabalho que desenvolve no Hospital das Clínicas,
órgão suplementar da universidade construído em 1928 e dedicado
à prática da residência médica. Localizada na mesma
área onde está instalada a escola, o hospital universitário
possui 467 leitos e atende por mês cerca de 30 mil pacientes. De acordo
com o diretor geral da instituição, o professor Henrique Oswaldo
da Gama Torres, 90% do atendimento é realizado pelo Sistema Único
de Saúde (SUS), inclusive os tratamentos de maior complexidade, como os
transplantes. "Apenas
40 leitos são destinados para o atendimento de convênios extra-SUS",
salienta o diretor. Com relação aos transplantes, o Hospital das
Clínicas responde pela realização de grande parte dessas
cirurgias em Belo Horizonte. Somente no ano passado, os médicos da instituição
promoveram 29 transplantes de fígado, 45 renais e em torno de 60 de medula
óssea, sendo o último um procedimento exclusivo do hospital universitário. Apesar
das dificuldades financeiras, o hospital nos últimos dois anos tem promovido
a expansão de alguns setores, como o de pediatria, obstetrícia,
além dos leitos destinados ao Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Neste
ano, os planos de investimento se referem à reforma e compra de equipamentos
para centro de gastroenterologia. Orçado em R$ 4,3 milhões, a obra
será patrocinada pelo proprietário do Banco Alfa, Aloísio
Faria, ex-aluno da Faculdade de Medicina da UFMG. "O programa de ex-alunos
é um esforço para captação de mais doações
para o hospital", diz o diretor. Conforme
Torres, hoje o Hospital das Clínicas mantém uma dívida na
ordem de R$ 3,8 milhões. Com verbas provenientes do SUS, empresas de planos
de saúde e convênios públicos, como o Ministério da
Educação (MEC) e as secretárias de saúde estadual
e municipal, a instituição apresentou no ano passado um orçamento
global de R$ 60 milhões. "O SUS foi responsável pelo repasse
de cerca de R$ 31 milhões", salienta o diretor. O
pagamento de funcionários contratados, argumenta Torres, é um dos
itens que mais consome recursos do hospital. Dos 2,2 mil funcionários da
instituição, em torno de 600 são contratados e, portanto,
de responsabilidade da instituição. "A folha de pagamento dos
concursados vêm do MEC, mas o restante sai de recursos que o hospital anualmente
recebe", diz o médico. Genérico
para tratar câncer de mama chega ao mercado Ellen
Cristina Dias Fonte: Gazeta Mercantil -18/04/2001
A multinacional alemã Hexal - especializada na produção
de medicamentos genéricos - investe no mercado farmacêutico brasileiro
com a venda do Citrato de Tamoxifeno para o tratamento de câncer, em especial
para o de mama. O remédio, de acordo com o mastologista do hospital Mater
Dei, Bruno Ferrari, será o primeiro genérico para oncologia vendido
no País. Com lançamento nacional previsto para ocorrer durante o
III Simpósio Mineiro de Oncologia, entre os dias 19 a 22 de abril, em Belo
Horizonte, o genérico pretende chegar ao consumidor na próxima semana
com redução de preço de até 53% em relação
ao medicamento de referência - o Nolvadex. Utilizado
há cerca de 30 anos no tratamento do câncer de mama, o Citrato de
Tamoxifeno, afirma Ferrari, inibe o crescimento de células cancerígenas
- inclusive as que se encontram em metástase -, sendo também receitado
após cirurgia para retirada do tumor ou a mastectomia (retirada total da
glândula). O tempo médio do tratamento, salienta o médico,
é de cerca de cinco anos e o gasto mensal com medicamentos - antes da entrada
do genérico no mercado - é na ordem de R$ 140. Em
fase de estudos, o composto também tem sido empregado como prática
preventiva em mulheres com fatores de risco significativos para o desencadeamento
da doença. 'As principais candidatas são as que possuem parentes
de primeiro grau com câncer de mama. Entretanto, a quimio-prevenção
pode reduzir em até 40% a incidência do quadro', constata o mastologista. Em
Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o genérico será distribuído
pela Over Medicamentos. No mercado desde 1991, a empresa fluminense, neste ano,
investiu na implantação da primeira filial, localizada na região
Sul de Belo Horizonte. De acordo com a farmacêutica da Over, Karla Isidoro
Costa e Silva, a escolha do III Simpósio Mineiro de Oncologia para divulgação
nacional do Citrato de Tamoxifeno é resultado da tradição
dos centros médicos do Estado no desenvolvimento de tratamentos na área.
'Minas Gerais é referência nacional no setor médico', argumenta
a farmacêutica. Por
enquanto, diz Karla Isidoro, o Citrato de Tamoxifeno distribuído no Brasil
será produzido na Alemanha, em uma área dedicada e especializada
para produtos oncológicos. Há 15 anos no setor e presente em mais
de 30 países, a Hexal não é a única multinacional
a investir no mercado de genéricos no País. Grupos farmacêuticos
internacionais dos Estados Unidos, Canadá e Índia estão se
instalando no Brasil para produção desses medicamentos. Com um faturamento
anual na ordem de US$ 600 milhões, a indústria alemã produz
cerca de 400 artigos farmacêuticos e planeja investimentos de US$ 40 milhões
na instalação no País da décima fábrica do
grupo, que atuará como centro de produção para a América
Latina. Além
do Citrato de Tamoxifeno, outras drogas para tratamento do câncer serão
discutidas no simpósio mineiro. O medicamento desenvolvido pelo Laboratório
Novartis, conhecido inicialmente pela sigla STI 571, vai permitir o tratamento
do câncer de medula sem a necessidade do transplante. Em fase de teste pela
Food and Drug Administration (FDA) - agência americana responsável
pela liberação de remédios -, o STI poderá ser adquirido
no mercado farmacêutico ainda neste ano. 'É uma droga promissora,
mas os efeitos na cura ainda não são comprovados. Serão necessários,
no mínimo, dez anos para que se estabeleça seus benefícios',
comenta o oncologista da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Belo
Horizonte, Alexandre José da Silva. De
acordo com dados do Instituo Nacional do Câncer (Inca), órgão
ligado ao Ministério da Saúde, o câncer é a terceira
maior causa de mortes no País. Entre os de maior incidência, destacam-se
o de pele, seguido pelo de mama, estômago, pulmão e próstata.
A expectativa é de que cerca de 300 mil novos casos da doença sejam
registrados neste ano no Brasil.
Brasil defende política de
genéricos Deborah
Berlinck - Correspondente Fonte: Jornal O Globo - 11/04/2001
(GENEBRA) O governo brasileiro está determinado a não respeitar
a patente de medicamentos anti-Aids, continuando a produzir genéricos,
caso a indústria farmacêutica não abaixe o preço de
seus produtos. O recado foi dado pelo coordenador do Programa Nacional de DST/Aids
do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira, aos cerca de 70 representantes
da indústria farmacêutica, Organização Mundial de Saúde
(OMS), Organização Mundial de Comércio (OMC), ONGs e governos
reunidos até hoje em Oslo, na Noruega, com o objetivo de discutir tratamentos
contra a doença. - Negociar é um excelente caminho, mas o Brasil
pretende manter a produção de genéricos, de acordo com a
sua legislação, se for necessário - disse Teixeira. Em
entrevista ao GLOBO na semana passada, o diretor-geral da Federação
Internacional das Associações de Indústrias Farmacêuticas
(IFPMA), Harvey Bale Jr., que também participa do encontro de Oslo, declarou
que as multinacionais parariam de investir no Brasil caso o país quebrasse
patentes. O Ministério da Saúde divulgou uma nota considerando a
hipótese "uma chantagem". Além de responder a perguntas
sobre patentes, Teixeira falou em Oslo sobre a política brasileira de acesso
a medicamentos e o acordo recente com a empresa Merck - que levou à redução
do preço do anti-retroviral efavirenz, usado no coquetel gratuito contra
a Aids distribuído no Brasil pelo governo. Os representantes da multinacional
Roche, com a qual o país negociaria em Oslo o preço de outra droga,
não participaram do encontro. Mas Teixeira prometeu continuar insistindo
na realização da reunião. O Brasil também propôs
em Oslo a criação de um fundo global para que países em desenvolvimento
possam comprar remédios de acordo com a renda de cada um. Os governos de
Tailândia, África do Sul e Uganda, também presentes ao encontro,
apoiaram a idéia. A diretora da OMS, Gro Harlem Brundtland, solicitou
em Oslo que as empresas farmacêuticas reduzam o preço dos medicamentos
anti-Aids vendidos aos países em desenvolvimento. Segundo Brundtland, um
número significativo de empresas já está contribuindo, ao
reduzir alguns preços consideravelmente. - Mas elas precisam ir além.
O maior problema é que um terço da população do planeta
não tem acesso a remédios vitais. É preciso encontrar um
jeito para que as pessoas mais pobres recebam medicamentos - disse a diretora
da OMS, apontando a reunião de Oslo como "a primeira a discutir a
política de tratamento de Aids mais amplamente no mundo".
Oferta maior de genéricos
Fonte:
O Estado de S.Paulo - 11/4/2001
O crescimento do mercado de medicamentos genéricos no Brasil está
atraindo investimentos de laboratórios internacionais especializados na
produção desse tipo de remédio. O laboratório israelense
Teva, com faturamento anual de cerca de US$ 2 bilhões e uma linha de 200
remédios genéricos, anunciou associação com um laboratório
nacional. O Teva vende dois terços de sua produção de genéricos
no mercado norte-americano e tem fábricas no Canadá, EUA, Inglaterra,
Holanda e Hungria. Essa empresa lidera o comércio global de cópias
legais de medicamentos. A Teva tem alcançado sucesso em suas parcerias
no mundo todo exatamente pela rapidez de lançamento de princípios
ativos com patentes expiradas. No começo de março, a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reduziu o prazo de liberação
dos remédios genéricos de 120 dias para um mês. Essa diminuição
do prazo de registro beneficiará diretamente os laboratórios com
maior capacidade de atender à demanda do mercado brasileiro. As equipes
técnicas da agência foram triplicadas e reduzida a burocracia dos
processos de registro. A Anvisa garante expressamente que o rigor das análises
de registro não foi prejudicado pela multiplicação das equipes
técnicas. A medida sinalizou o interesse do governo em acelerar a chegada
de genéricos nas farmácias. Segundo a Anvisa, em 14 de março
já estavam registrados 218 genéricos para análise e 146 estavam
sendo comercializados. Além disso, a Resolução 92 do
Ministério da Saúde determinou que, a partir de 23 de abril, os
chamados medicamentos similares com nome de fantasia não serão mais
comercializados. Esta é mais uma medida de estímulo para o mercado
de genéricos porque o "similar" (que exibe apenas o nome do princípio
ativo, mas mantém marca) engana o consumidor: possui características,
mas não é genérico e acaba vendido pelo mesmo preço
do remédio comum de marca. Essa manobra para desacreditar os genéricos
tem, agora, data certa para acabar. Os "similares com marca" não
estão obrigados a cumprir a legislação dos genéricos
- que exige testes de bioequivalência e bioabsorção - e representam
4% do consumo brasileiro de medicamentos. Essa fatia será ocupada pelos
genéricos que custam cerca de 40% menos que os remédios de marca.
Em muitos países, os genéricos estão sendo utilizados para
contrabalançar o poder dos grandes laboratórios. Os últimos
dados (referentes ao consumo de março) divulgados pelo Grupo Pró-Genéricos
do Sindicato da Indústria dos Produtos Farmacêuticos de São
Paulo (Sindusfarma) mostram que a participação dos genéricos
no mercado paulista já alcançou 1,9% do faturamento. Em volume,
essa participação oscila entre 3,5% e 4% e está crescendo.
A capacidade instalada mundial do laboratório israelense que pretende se
instalar no Brasil é de 5 bilhões de comprimidos. Esse número
equivale à metade do consumo brasileiro anual. Outros laboratórios
internacionais de grande porte, também especializados na produção
de genéricos, estão interessados em participar do mercado brasileiro.
O consumidor brasileiro será tão mais beneficiado quanto maior for
o número de genéricos que encontrar nas prateleiras das farmácias.
Estudo sugere
subsidiar compra de remédio Órgão do governo
encomendou pesquisa com propostas para substituir controle de preços e
regulamentar setor JULIANNA
SOFIA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Fonte: Folha de S.Paulo - 11/04/2001
A Câmara de Medicamentos vai estudar a criação de um sistema
de reembolso para a população de baixa renda na compra de medicamentos.
A estimativa é que o governo desembolsaria R$ 2,2 bilhões por ano
com a devolução de 90% do valor gasto em remédios pelos 20%
mais pobres do país. Também será analisada pelo órgão
-que reúne representantes dos ministérios da Saúde, da Justiça,
da Fazenda e da Casa Civil- a adoção de um selo público de
qualidade para os medicamentos -certificado que hoje é restrito aos remédios
genéricos. As propostas estão em estudo encomendado pela Secretaria
de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda a pesquisadores
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), da FGV (Fundação
Getúlio Vargas) e da Universidade Federal de Minas Gerais. O estudo
desaconselha o controle de preços. O argumento é que essa política,
a médio e longo prazo, pode resultar em queda da qualidade dos medicamentos.
A Câmara de Medicamentos tem até o final do ano para elaborar uma
política de regulamentação do setor. Em dezembro, acaba o
congelamento de preços dos remédios, e o governo pretende segurar
os aumentos com outros instrumentos. "Poderemos preparar essa política
com base no estudo", disse o secretário de Acompanhamento Econômico,
Cláudio Considera. O trabalho dos especialistas afirma que, com controle
de preços, os laboratórios podem cortar gastos e deixar de investir
na qualidade, aponta o estudo. "A longo prazo, isso pode expulsar os
medicamentos bons do mercado", avalia Marcos Lisboa, um dos autores do estudo.
Ele explica que, no sistema de reembolso, o governo precisaria definir uma lista
de medicamentos. A população seria reembolsada na compra de remédios
dessa relação. "Seria uma forma de fazer política
social, pois o controle de preços não garante o acesso dos mais
pobres aos medicamentos", avaliou o secretário-adjunto de Acompanhamento
Econômico, Paulo Corrêa. O estudo ainda afirma que a entrada dos
medicamentos genéricos nos Estados Unidos e dos remédios similares
no Brasil coincidiu com a alta nos preços dos produtos de marca. "Precisamos
esperar uns dois anos para saber o efeito da entrada dos genéricos no Brasil",
adiantou Lisboa. A alta dos medicamentos de marca foi compensada pelos baixos
preços tanto dos genéricos quanto dos similares. De acordo com os
pesquisadores, isso fez com que o preço médio dos remédios
caísse. Outra conclusão do trabalho é que, em comparação
com os mais ricos, os mais pobres gastam uma parcela maior de sua renda com a
compra de medicamentos.
Seae vai propor reembolso com
medicamento Para secretaria, essa é uma forma de reduzir
o impacto desses gastos entre os mais pobres SIMONE
CAVALCANTI Fonte:
O Estado de S.Paulo - 11/04/2001
BRASÍLIA
- A população mais pobre do País gasta uma parcela muito
maior de sua renda mensal com remédios do que os mais ricos. Estudo realizado
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Secretaria
de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, mostra
que enquanto a população de baixa renda compromete 2,73% do total
de seu orçamento familiar na compra de medicamentos, os mais abastados
consomem apenas 0,26%. Segundo o levantamento, a renda média dos mais ricos
é 40 vezes maior que a dos mais pobres. A diferença entre os gastos
com remédio chega a 400 vezes. Diantes dos dados, a Seae resolveu propor
aos representantes da Câmara de Medicamentos uma política pública
de reembolso dos gastos com medicamentos. Esse modelo, que segue em parte
os moldes adotados na Inglaterra, atenderia os 20% mais pobres da população
brasileira, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
A estimativa do secretário-adjunto da Seae, Paulo Corrêa, é
de que a medida exigiria que o Estado destinasse R$ 2,2 bilhões ao ano
para pagar até 90% dos gastos dessas pessoas com medicamentos. Ainda não
há prazo para que o reembolso comece a ser pago. No entanto, o governo
tem até dezembro deste ano para estabelecer uma política de regulamentação
de preços para o setor de medicamentos. Na análise do secretário
de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, esse programa, além
de fazer uma distribuição de renda no curto prazo, poderá
ajudar a reduzir os gastos do Estado com internações. Outra
proposta é a criação de um Guia Terapêutico, com informações
sobre preços de remédios e sua efetividade no tratamento de diversas
doenças. A publicação seria usada por médicos dos
setores público e privado para prever o custo total do tratamento. Assim,
o médico pode ajustar a prescrição às necessidades
de seus paciente. O estudo ainda aponta para a possibilidade do Estado intervir
mais diretamente no conjunto de escolhas dos tratamentos. Genéricos
- O incentivo à prescrição de genéricos e similares
pelos médicos foi apontado como outra possibilidade de redução
do custo total dos tratamentos de saúde. De acordo com o estudo, nos Estados
Unidos, a obrigatoriedade dos médicos de justificar por que não
estão receitando esse tipo de produto deu maior controle ao Estado e criou
efeitos positivos na redução dos gastos com o tratamento. O
estudo ainda faz um alerta em relação ao controle de preços
pelo governo. Segundo a pesquisa, o tabelamento pode fazer com que as empresas
diminuam os investimentos no controle de qualidade e na melhoria dos medicamentos
oferecidos. Sem poder aumentar o preço de venda, as indústrias poderiam
tentar conter os gastos com inovações nos produtos, que além
de exigir investimento em pesquisa, requer gastos com a divulgação
da marca. No entanto, a existência de um selo de qualidade, que seja
reconhecido pelos consumidores, poderia ajudar a reduzir os gastos com publicidade
da indústria farmacêutica, permitindo redução do preço
dos medicamentos, sem que haja queda na qualidade.
Genérico não
chega para os mais pobres Fonte:
Jornal de Brasília - 10/4/2001
Cidades que concentram moradores de baixa renda, como Samambaia e Recanto das
Emas, têm menor acesso a medicamentos genéricos. Nesses locais, as
farmácias destacam mais a marca, mais cara, do que o princípio ativo.
Periferia
sem genéricos Oferta e venda desse tipo de remédio
são pequenas nas cidades satélites. Márcia
Delgado Fonte: Jornal de Brasília - 10/04/2001
Nos lugares onde as pessoas mais precisam não existem medicamentos genéricos
em abundância. Em cidades que concentram moradores de baixa renda como Santa
Maria, Samambaia, Recanto das Emas e Gama, segundo o Conselho Regional de Farmácia
(CRF), as farmácias disponibilizam, em média, 7% dos remédios,
que destacam o princípio ativo e não a marca. No DF, a oferta
média de genérico é de 35%. O CRF quer elevar este percentual
e divulga, hoje, no Diário Oficial do DF (DODF), uma deliberação
que obriga as farmácias a terem 75% dos 216 genéricos em suas prateleiras.
Os donos dos estabelecimentos, porém, não reconhecem a determinação
do Conselho. "Não vamos cumprir, pois entendemos que o Conselho
não tem autoridade para legislar sobre o comércio de medicamentos",
explica Adelmir Santana, presidente do Sindicato de Farmácias do DF (Sindifarma).
Antônio Barbosa, presidente do CRF, contesta: "Estamos tratando do
exercício da profissão, pois o próprio farmacêutico
poderá ser punido se a farmácia, pela qual é responsável,
não tiver a maioria dos genéricos". Se o Conselho atuar
de forma incisiva para fazer valer sua deliberação, vai flagrar
facilmente farmácias com estoque bem abaixo do percentual determinado.
Em Samambaia, por exemplo, a Farmácia Gabriel, da quadra 118, tem apenas
dois genéricos: Dipirona e Cloridrato de Verapanil. O dono do estabelecimento
não foi encontrado para falar sobre o assunto e seu telefone não
foi fornecido pelos funcionários. Mesmo com a lista de medicamentos
genéricos estampada na parede, há farmácias que não
oferecem todos os produtos. "Muitos pacientes voltam ao consultório
de seus médicos reclamando que não encontraram o remédio
genérico prescrito", diz Barbosa. Nas farmácias, a impressão
que se dá é que os donos querem esconder os genéricos. Em
muitas delas, o produto, que destaca o princípio ativo e não a marca
e é, em média, 40% mais barato que o medicamento tradicional, fica
em prateleiras não visíveis ou então misturado com os outros.
A dona-de-casa Ciman Braz, 32 anos, sabe o que é um remédio genérico,
por causa de seu baixo preço, mas confessa ter dificuldade de identificar
o produto na prateleira. "Olhando assim, a gente confunde". E olha que
na drogaria Tatiana, da quadra 506, em que ela estava, os genéricos ficam
em uma prateleira separada, com informativos incentivando a compra do produto.
Os balconistas das farmácias garantem que a desinformação
sobre o genérico, por parte dos consumidores, é muito grande. "Tem
gente que não confia no genérico", afirma Emerson Gomes Cardoso,
gerente da drogaria Tatiana. As farmácias têm 30 dias, a contar
de hoje, para se ajustar à deliberação do Conselho. A multa
para quem descumpri-la pode chegar a três salários mínimos.
Ousadia
da Teva no mercado de genéricos Vicente
Vilardaga de São Paulo
Fonte:
Gazeta Mercantil - 9/4/2001
Se
a agressividade global da Teva no mercado de genéricos se reproduzir no
Brasil é bem possível que dentro de três ou quatro anos o
laboratório israelense tenha um lugar entre as grandes marcas farmacêuticas
nacionais. Associado ao laboratório Biosintética, a Teva pretende
ampliar sua linha no mercado brasileiro de seis para 50 genéricos em 2001.
As vendas de genéricos já movimentam US$ 150 milhões no Brasil.
Teva traz a receita dos
genéricos para o Brasil Fonte:
Gazeta Mercantil - 9/4/2001
São Paulo Dentro de três ou quatro anos é bem possível
que uma das grandes marcas farmacêuticas do Brasil, em volume de vendas,
seja a Bioteva, resultado de uma associação entre os laboratórios
Biosintética e Teva. Bastam duas condições para que essa
previsão se confirme. A primeira é o crescimento do negócio
com remédios genéricos, algo que a indústria já considera
inevitável. Os mais otimistas falam na conquista de 30% do mercado até
2004. E a segunda é que a Teva obtenha, nesta parte do mundo, um desempenho
semelhante ao demonstrado em outros países. A empresa, com sede em Israel,
lidera o comércio global de cópias legais de medicamentos.
No mundo inteiro, o negócio de remédios genéricos é
concorrido, difícil, com mais limites do que oportunidades e marcado pela
baixa rentabilidade. Mas a Teva tem sido bem-sucedida em suas iniciativas, com
aquisições e parcerias em vários continentes e muita rapidez
no lançamento de princípios ativos com patentes expiradas.
Metade de suas vendas se concentra nos Estados Unidos, onde é dado um prazo
de seis meses de exclusividade para o primeiro registro de genérico. É
neste momento que o fabricante tem a chance de conciliar volumes com boas margens
de lucro. Seu único concorrente é o produto de referência.
Terminado o prazo de seis meses, pelo menos outros cinco ou seis competidores
entrarão no mercado e o preço da cópia se estabilizará
entre 60% e 70% do remédio com marca. A empresa eficiente já estará
com as atenções voltadas para outras patentes. Estima-se que
o negócio de genéricos movimente cerca de US$ 40 bilhões
no mundo. A Teva, com uma linha de aproximadamente 200 remédios, detém
4% desse faturamento. Boa parte de sua produção se concentra em
uma fábrica em Kfar-Saba, na região central de Israel. A capacidade
instalada de Kfar-Saba, segundo dados fornecidos pela Bioteva, é de cinco
bilhões de comprimidos por ano, algo equivalente a metade do consumo brasileiro.
A Teva também tem fábricas no Canadá, nos Estados Unidos,
na Inglaterra, na Holanda e na Hungria. 'Os grandes fabricantes de genéricos
são especialistas em mover a produção e reduzir custos',
afirma Omilton Visconde Júnior, presidente da Bioteva. 'Há muita
rotatividade na linha de produtos e muitos lançamentos.' Empresas como
a Teva acompanham o ciclo das patentes e o comportamento das marcas no mercado
com lupa. Alguns anos antes de uma patente expirar, se inicia a preparação
para a produção da cópia. A empresa deve decidir se irá
fabricar a matéria-prima ou buscá-la no mercado e precisa se antecipar
aos testes de bioequivalência que serão exigidos pelos órgãos
reguladores dos países onde o genérico será comercializado.
Ao longo do ano 2001, vários produtos de sucesso terão suas
patentes expiradas. É o caso do anti-ulceroso Prilosec, que rendia cerca
de US$ 3 bilhões por ano para o laboratório Merck, ou do Prozac,
remédio com faturamento próximo de US$ 2,2 bilhões. Desde
fevereiro, a Lilly não tem mais a exclusividade de comercialização
do princípio ativo do Prozac, a Fluoxetina. A Bioteva acaba de lançar
o genérico da Fluoxetina no Brasil. Até o final do ano, outros princípios
ativos importantes, como a Lovastatina, utilizada no redutor de colesterol Mevacor,
da MSD, ou o Lisinopril, que aparece no anti-hipertensivo Zestril, da Zeneca,
entrarão na briga dos genéricos. Mevacor e Zestril são medicamentos
com faturamento anual superior a US$ 500 milhões. Nos últimos
três anos, a Teva comprou várias companhias de genéricos,
como a holandesa Farmacheime, focada em medicamentos para o tratamento do câncer,
a norte-americana Biocraft, com uma linha forte na classe dos antibióticos,
e a canadense Novopharm>. Ao longo desse período de aquisições,
o faturamento da empresa saltou mais de 50%, de US$ 1,11 bilhão para US$
1,74 bilhão. O lucro entre 1998 e 2000 dobrou. O resultado líquido
da Teva aumentou de US$ 70,8 milhões para US$ 148,4 milhões.
'O valor de mercado da Teva é cerca de quatro vezes maior do que seu
faturamento', diz Visconde. 'A empresa ampliou seus investimentos em pesquisa.'
O foco de desenvolvimento de novos medicamentos da Teva é o sistema nervoso
central. Seu Copaxone, um imunomodulador usado com êxito no controle da
intensidade e da freqüência de surtos de esclerose múltipla,
foi aprovado pelas agências reguladoras dos principais mercados do mundo
e colocou a Teva no segmento de alta tecnologia, com volumes menores do que os
dos genéricos, mas com lucros muito mais polpudos. No ano passado, as vendas
do Copaxone geraram uma receita de US$ 247 milhões para o laboratório,
cifra 54% maior que a de 1999. A Teva, que completa cem anos em 2001, é
uma das cinco maiores empresas de Israel, mas apenas 12% de suas vendas são
registradas no mercado local. Cerca de 64% de seu faturamento é obtido
na América do Norte e outros 20%, na Europa. Nos outros países do
mundo, a empresa obtém 4% de sua receita. O Brasil, a partir da
entrada em vigor da lei dos genéricos, tornou-se um dos mercados mais promissores
para a Teva. A empresa, através da Bioteva, oferece sete produtos no mercado
nacional e pretende oferecer 50 até o final de 2001. A Biosintética
estima fechar o ano com um faturamento de R$ 350 milhões. Segundo Visconde,
as vendas de genéricos da Teva deverão representar algo em torno
de 20% dos negócios da companhia.
Mais espaço no mercado
Fonte:
Gazeta Mercantil - 9/4/2001
Os últimos dados do grupo PróGenéricos do Sindicato
da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo
(Sindusfarma) indicam que a participação dos genéricos no
mercado de medicamentos alcançou 1,9% em março, o equivalente a
um faturamento de US$ 150 milhões. Em volume, essa participação
oscila entre 3,5% e 4%, 'O crescimento foi muito grande e deve ser maior nos
próximos meses', diz Gabriel Tannus, vice-presidente executivo do Sindusfarma.
Segundo ele, a oferta de genéricos ainda não cobre todas as classes
terapêuticas e o consumidor está desinformado. Até o final
de abril, um novo espaço será aberto para os genéricos por
causa da exclusão dos produtos similares sem marca do mercado. Estes produtos
utilizam a denominação do princípio ativo na embalagem, mas,
ao contrário dos genéricos, não passam por testes de bioeqüivalência
e bioabsorção. Tannus estima que os similares sem marca representem
4% das vendas, em volume, no País. Nos próximos meses, haverá
uma profusão de lançamentos de genéricos. O foco é
nas doenças crônicas. Os antibióticos e os medicamentos para
diabetes e doenças do sistema nervoso central dominam os 50 lançamentos
que a Bioteva pretende fazer neste ano no País. A Bioteva, por enquanto,
é apenas importadora e distribuidora dos produtos da Teva. O grupo israelense
ainda não tem projetos de deslocar alguma produção para o
Brasil. Um dos objetivos do governo com a nova política de medicamentos,
sustentada na lei dos genéricos, é promover o acesso de pessoas
de menor renda ao mercado. Segundo Tannus, porém, esse objetivo, pelo menos
até agora, não foi atingido. 'Não percebemos a entrada de
novos consumidores no varejo', diz.
Lilly e Icos apresentam
o concorrente do Viagra Fonte:
Gazeta Mercantil - 9/4/2001
Genebra O Cialis, medicamento experimental da Eli Lilly & Co. e da Icos
Corp., ajudou a melhorar o desempenho sexual dos homens com diabetes, segundo
as descobertas de testes no estágio final. O estudo mostrou que 64% dos
homens que tomaram o Cialis mostraram significativa melhora na disfunção
erétil, uma complicação da diabete, comparado com 25% dos
homens que ingeriram um placebo. A Icos, cujo maior acionista é
Bill Gates, presidente da Microsoft, planeja submeter, ainda este ano, o medicamento
à aprovação da U. S. Food and Drug Administration (FDA),
entidade que fiscaliza os medicamentos e alimentos nos Estados Unidos. O Cialis
concorreria com o mais vendido medicamento para tratamento da impotência,
o Viagra, da Pfizer. A Lilly, que desenvolveu o medicamento junto com
a Icos, informou que o estudo mostrou que o medicamento não afeta a visão
das cores ou o rubor facial. Isto pode proporcionar uma vantagem sobre o Viagra,
que foi vinculado a estes efeitos secundários.'Este é um estudo
interessante aplicado em pacientes de difícil tratamento e os efeitos secundários
parecem menos agressivos', observou Tony Butler, analista da Lehman Brothers.
O Cialis seria o primeiro medicamento da Icos a chegar ao mercado. Gates
detém uma participação de 9,6% no laboratório, segundo
os dados fornecidos para as autoridades reguladoras, e integra seu conselho. As
ações da Lilly subiram US$ 1,08, fechando a US$ 78,20 à tarde.
As ações da Icos caíram 50 centavos, fechando em US$ 44,38.
O Cialis, tal qual o Viagra, atua para estimular o fluxo de sangue para o
pênis, e pode causar rápidas alterações na pressão
arterial. Os pacientes cardíacos que tomam nitratos são aconselhados
a evitar o Viagra. Inigo Saenz de Tejada, que liderou o estudo do Cialis,
disse que ele pode provocar a mesma reação adversa nos pacientes
que tomam medicamentos à base de nitrato para o tratamento da hipertensão.
'Este é um medicamento bastante seguro, mas em princípio, porque
seu mecanismo de ação é similar ao do Viagra, não
creio que será possível combinar o medicamento com os de nitrato',
disse De Tejada. A Bayer está trabalhando em seu próprio
concorrente para o Viagra, que mostrou resultados positivos em testes clínicos.
Em 1999 o Viagra revolucionou o tratamento da impotência por ser o único
medicamento disponível na forma de pílula para resolver o problema.
O Viagra teve vendas no quarto trimestre de US$ 380 milhões, uma alta de
37% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Cartas
dos Leitores Genéricos
Fonte: Jornal
do Brasil - 4/1/2001
Se o governo federal quisesse mesmo reduzir o preço dos
genéricos, faria com que os laboratórios oficiais aumentassem suas
produções. O genérico Captopril, 25mg, está sendo
vendido por R$ 0,10 (cada comprimido) na farmácia popular do Hospital Universitário
Antônio Pedro, em Niterói (HUAP). Seu fabricante é o Laboratório
Farmacêutico da Marinha. A caixa do Capoten, nome de marca, com trinta comprimidos,
custa aproximadamente R$ 14 nas farmácias particulares. O genérico,
nas mesmas farmácias, custa perto de R$ 7. Enquanto isso, 30 comprimidos
do Captopril fabricados pelo Laboratório Farmacêutico da Marinha
custam R$ 3. Basta que um doente consiga uma receita timbrada do HUAP, emitida
por um médico de lá, para comprar o medicamento por um preço
mais de 50% menor do que o do genérico mais barato, vendido nas farmácias
particulares. (...) Fernando César M. de Andrade - Niterói.
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