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Genéricos na Imprensa Notícias
Chomsky apóia genéricos O linguista norte-americano Noam Chomsky, o mais conhecido dissidente
norte-americano, fez ontem, no Fórum Social Mundial, um elogio
às medidas tomadas pelo governo federal em relação
aos medicamentos genéricos. ''Os acordos internacionais não
têm nada a ver com livre comércio. São proteci-onistas'',
disse ele. A queda-de-braço entre o governo brasileiro e
a indústria farmacêutica é um dos principais
trunfos do ministro da Saúde, José Serra, pré-candidato
do PSDB à Presidência da República.( Da Agência
Folha)
Chomsky fala de globalização e elogia Serra
DANIEL PIZA PORTO ALEGRE - Visivelmente constrangido pelo número
de jornalistas presentes, o professor americano Noam Chomsky falou
ontem na capital gaúcha sobre a conferência que dará
hoje às 18h no Fórum Social Mundial. "Esses microfones
não deveriam estar voltados para mim", disse, numa abarrotada
sala do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho,
que bancou a vinda dele. Sentado ao lado do governador Olívio Dutra, comentou propostas
sobre globalização e o atentado terrorista de 11 de
setembro e também elogiou, curiosamente, a política
brasileira de quebra de patentes e de defesa dos genéricos,
pela qual o ministro da Saúde, José Serra, candidato
a presidente que concorre contra o PT, é o responsável. Chomsky, que está lançando no Brasil o livro 11 de
Setembro (Bertrand Brasil) e cuja conferência é intitulada
"Um mundo sem guerras é possível", foi muito
perguntado sobre o ataque terrorista. Disse que foi "um choque"
e "uma atrocidade", mas logo tratou de justificá-lo:
"Foi a primeira vez na história em que as armas foram
apontadas para a outra direção", referindo-se
ao intervencionismo americano e à colonização
européia. "Isso torna o evento menos atroz." Disse
também que o ataque mobilizou os centros de poder e os levou
a "intimidar os pobres ainda mais". Segundo Chomsky, "existem
atrocidades piores a caminho", sem especificar quais. Mais
tarde, mencionou a "militarização da corrida
espacial", que agora estaria sendo retomada pelo governo americano. Sobre o papel do Fórum Social Mundial, Chomsky afirmou que
ele não deve ser considerado "um fórum antiglobalização",
porque a palavra globalização teria sido "roubada
pelos poderosos para defesa de seus interesses próprios".
Acrescentou: "Fórum antiglobalização é
o que está ocorrendo em Nova York." Chomsky lembrou que os movimentos socialistas nasceram com a pretensão
de serem "globais" e pediu pela recuperação
dessa bandeira. "Precisamos continuar as vitórias do
passado." Ele acha que os países ricos estão
aproveitando o momento de crise econômica para "submeter
ainda mais" os países pobres. Temas - Na hora de apresentar propostas, Chomsky declarou
que elas já estão sugeridas nos "eixos temáticos"
escolhidos para os seminários. O Eixo I discute temas como
controle dos capitais financeiros e perdão das dívidas
externas. O Eixo II trata de ambientalismo e de "soberania
alimentar", conceito defendido por entidades como a Via Campesina,
de José Bové, e o MST: a necessidade de um país
produzir os alimentos que consome. O Eixo III contém reinvindicações
de feministas e migrantes. E o Eixo IV fala em "democracia
participativa" e ataca o "militarismo da globalização". Dessas propostas, Chomsky apoiou mais explicitamente o "não
à Alca", o mercado comum das Américas, e a derrubada
do protecionismo dos países ricos. Foi neste contexto que
elogiou a política de Serra no caso da Aids, sem saber que
elogiava o adversário político do partido que o convidou
ao Brasil.
Laboratórios se armam para disputar... Fernanda Loureiro de Brasília (Continuação da Primeira Página) Green Farma e Neo Química também dão andamento
a projetos de unidades de fabricação hormonal no Distrito
Agroindustrial de Anápolis (Daia). A Green Farma, que já
terceiriza em São Paulo a produção de quatro
similares de hormônios, aguarda liberação de
R$ 2 milhões pelo Fundo Constitucional de Financiamento do
Centro-Oeste (FCO) para iniciar, em setembro, a produção
própria de contraceptivos genéricos. A autorização
para a produção dos hormônios vem em boa hora
na opinião de Eduardo Gonçalves, proprietário
do Green Farma. Ele estima que, a partir da colocação
dos hormônios genéricos nas farmácias, 15% do
mercado de contraceptivos se concentrará nas mãos
de empresas que investiram na produção da versão.
O faturamento da Green Farma foi de US$ 10 milhões em 2001.
A vedete da empresa no segmento de marca é a pomada Suavederme.
Entre os genéricos, está o paracetamol (genérico
do Tilenol) e o acido acetisalicílico (aspirina). A autorização
da Anvisa está sendo formulada a partir da reedição
da resolução número 10, de janeiro de 2001,
que normatiza a concessão de registros para produção
de genéricos e em sua primeira versão proibia a fabricação
de hormônios genéricos. O presidente da Agência,
Gonzalo Vecina Neto, define os últimos ajustes ao documento
em reunião no dia 6 de fevereiro, para publicar a autorização
no Diário Oficial da União até o fim da próxima
semana. Lista A lista da Anvisa de genéricos à base
de hormônios sintéticos contempla doenças graves
e crônicas, como alguns tipos de câncer, diabetes e
hipertensão. A osteoporose, hipotiroidismo, doenças
respiratórias e terapias de reposição hormonal
(TRH) estão entre as demais enfermidades que demandam tratamento
com drogas de uso contínuo. Com o lançamento dos genéricos,
esses tratamentos custarão até 40% menos. Entre as
substâncias que constarão na autorização
da Anvisa está o acetato de ciproterona, usado na terapia
clínica do câncer de próstata. O frasco com
20 comprimidos da marca Androcur custa R$ 72,57 nas farmácias
e o genérico será vendido ao preço médio
de R$ 43,54. O gasto mensal de um usuário até então
obrigado a comprar o medicamento das marcas convencionais é
de R$ 217,71. Na versão genérica, cairá para
R$ 155,51. O câncer de próstata é o segundo
mais comum em homens, superado apenas pelo de pele, e o terceiro
em óbitos. Para os diabéticos, a substância
selecionada foi a glimepirida. Uma caixa com 30 comprimidos de 1
mg da marca Amaryl custa R$ 13,98. Na versão genérica,
custará R$ 8,38. O gasto mensal com o medicamento de marca,
hoje de R$ 53,32, cairá para R$ 38,09. A lista também
contempla hormônios genéricos para o tratamento da
endometriose, que só no Brasil atinge 5 milhões de
mulheres em idade fértil, segundo dados do Ministério
da Saúde. A Anvisa selecionou a substância danazol
para tratar essa doença de causa ainda não descoberta,
cuja versão em 200 mg custa R$ 111,36 no mercado. A mesma
quantidade em genérico custará R$ 66,81 à paciente.
Normas Os laboratórios interessados em registrar os genéricos
correspondentes aos medicamentos de marca terão que seguir
as normas da agência em testes de equivalência farmacêutica
(que demonstram que o genérico contém o mesmo princípio
ativo, na mesma quantidade e forma farmacêutica); biodisponibilidade
(mede quantidade e velocidade de absorção do medicamento
pelo organismo humano); e o de bioequivalência (demonstra
que o genérico e o medicamento de marca apresentam a mesma
biodisponibilidade no organismo). A previsão é que
a nova família de genéricos, que será incluída
na lista de medicamentos excepcionais do Sistema Único de
Saúde (SUS), chegue às farmácias em junho.
(floureiro@gazetamercantil.com.br)
Chomsky elogia adoção de genéricos pelo governo O linguista norte-americano Noam Chomsky elogiou ontem, no Fórum
Social Mundial, as medidas tomadas pelo governo federal em relação
aos medicamentos genéricos, com a quebra do monopólio
dos EUA. ""Os acordos de comércio internacional
não têm nada a ver com livre comércio. São
protecionistas", disse ele, afirmando que um exemplo de medidas
que combatem isso é a adoção dos genéricos
pelo governo brasileiro em detrimento da indústria farmacêutica
dos EUA. Foi o único exemplo citado para o caso pela principal
estrela do fórum, evento que conta com apoio logístico
e financeiro do governo gaúcho e da Prefeitura de Porto Alegre,
ambos petistas.
Acampamento NELSON DE SÁ O Fórum Econômico Mundial, pelo que o próprio
anunciava, antes de começar, trataria de temas como a relação
entre o terrorismo e a pobreza. Laboratórios
se armam para disputar o filão de hormônios genéricos De olho na autorização para fabricação
de 41 genéricos à base de hormônios sintéticos,
que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) publica antes do Carnaval, a indústria farmacêutica
se arma para abocanhar uma fatia desse filão e engordar a
receita. O Laboratório Teuto, com 28 medicamentos genéricos
no catálogo, aguarda a publicação para adequar
a produção. No pólo farmaco-químico
do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), Neo Química
e Green Farma investem na construção de unidades de
fabricação hormonal para concorrer com gigantes nacionais
e estrangeiros. O Teuto já havia separado um módulo
de 6 mil m² da fábrica recém-inaugurada em Anápolis
para fabricar hormônios na versão genérica.
O laboratório costura parcerias internacionais para produzir
hormônios comercializados no exterior, representando-os no
Brasil e América Latina. As negociações seguem
os moldes do acordo com a alemã Kreusler, da qual o Teuto
é o parceiro no Brasil para produção de medicamentos
de marca. As primeiras drogas hormonais que o laboratório
quer transformar em genéricos são contraceptivos e
repositórios, incluindo hormônios contra menopausa
e osteoporose. Equipamentos Logo que as normas forem publicadas, a empresa efetivará
a importação de equipamentos da Alemanha e Itália.
A previsão é de investimento de R$ 10 milhões.
O superintendente do Teuto, Jailton Batista, afirma que, com base
na legislação e experiência internacionais,
só conseguirão se manter no mercado empresas que profissionalizarem
a segurança. No caso dos hormônios, a cadeia de produção
deve estar separada das linhas de outros medicamentos. "A nova
fábrica de hormônios deve entrar em operação
até o fim do ano", afirma Batista. O complexo industrial
do Teuto teve estrutura e logística planejadas para triplicar
a produção de genéricos e faturar US$ 20 milhões
em vendas para América Latina, África e Leste Europeu
em 2002. Para este ano, a previsão é aumentar a produção
de 10 milhões para 15 milhões de unidades mensais,
tendo nos genéricos a estratégia de crescimento. A
diretoria da União Química e do Laboratório
Biolab, que produzem genéricos e OTC (Over the Counter, produtos
de venda livre como complexos vitamínicos), senta-se à
mesa esta semana para traçar a estratégia para os
hormônios genéricos. A principal decisão das
empresas ligadas ao Grupo Castro Marques é definir qual fábrica
será readaptada para iniciar negócios na nova geração
de genéricos. Na Grande de São Paulo, as opções
são a unidade de Embu-Guaçu, com 11 mil m² de
área e produção de 60 milhões de unidades/ano
de medicamentos, e a de Taboão da Serra, com 21 mil m²
de área. Elas atuam de forma interligada à de Itapecerica
da Serra, que oferece suporte e logística de atendimento.
A outra opção é o complexo de 190 mil m²
ainda em obras no Distrito Federal, projeto que já teve dimensões
físicas e investimento - de R$ 35 milhões - alterados.
Como a planta original da unidade é destinada à fabricação
de genéricos, as chances de que a produção
de hormônios seja implantada no DF são grandes. A Teuto
e a União Química têm linhas voltadas para a
saúde animal, mas nenhuma se diz interessada em investir
em hormônios genéricos veterinários no primeiro
momento. (Cont. Pág. 5) (floureiro@gazetamercantil.com.br) |
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