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Genéricos na Imprensa
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01/02

Chomsky apóia genéricos

01/02

Chomsky fala de globalização e elogia Serra

01/02

Laboratórios se armam para disputar...

01/02

Chomsky elogia adoção de genéricos pelo governo

01/02

Acampamento

01/02

Laboratórios se armam para disputar o filão de hormônios genéricos

Chomsky apóia genéricos
Fonte: Correio Braziliense - 01/02/2002

O linguista norte-americano Noam Chomsky, o mais conhecido dissidente norte-americano, fez ontem, no Fórum Social Mundial, um elogio às medidas tomadas pelo governo federal em relação aos medicamentos genéricos. ''Os acordos internacionais não têm nada a ver com livre comércio. São proteci-onistas'', disse ele. A queda-de-braço entre o governo brasileiro e a indústria farmacêutica é um dos principais trunfos do ministro da Saúde, José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência da República.( Da Agência Folha)

 

Chomsky fala de globalização e elogia Serra
Fonte: O Estado de S.Paulo - 01/02/2002


Professor americano antecipou alguns pontos da conferência que fará hoje

DANIEL PIZA
Enviado especial

PORTO ALEGRE - Visivelmente constrangido pelo número de jornalistas presentes, o professor americano Noam Chomsky falou ontem na capital gaúcha sobre a conferência que dará hoje às 18h no Fórum Social Mundial. "Esses microfones não deveriam estar voltados para mim", disse, numa abarrotada sala do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, que bancou a vinda dele.

Sentado ao lado do governador Olívio Dutra, comentou propostas sobre globalização e o atentado terrorista de 11 de setembro e também elogiou, curiosamente, a política brasileira de quebra de patentes e de defesa dos genéricos, pela qual o ministro da Saúde, José Serra, candidato a presidente que concorre contra o PT, é o responsável.

Chomsky, que está lançando no Brasil o livro 11 de Setembro (Bertrand Brasil) e cuja conferência é intitulada "Um mundo sem guerras é possível", foi muito perguntado sobre o ataque terrorista. Disse que foi "um choque" e "uma atrocidade", mas logo tratou de justificá-lo: "Foi a primeira vez na história em que as armas foram apontadas para a outra direção", referindo-se ao intervencionismo americano e à colonização européia. "Isso torna o evento menos atroz." Disse também que o ataque mobilizou os centros de poder e os levou a "intimidar os pobres ainda mais". Segundo Chomsky, "existem atrocidades piores a caminho", sem especificar quais. Mais tarde, mencionou a "militarização da corrida espacial", que agora estaria sendo retomada pelo governo americano.

Sobre o papel do Fórum Social Mundial, Chomsky afirmou que ele não deve ser considerado "um fórum antiglobalização", porque a palavra globalização teria sido "roubada pelos poderosos para defesa de seus interesses próprios". Acrescentou: "Fórum antiglobalização é o que está ocorrendo em Nova York."

Chomsky lembrou que os movimentos socialistas nasceram com a pretensão de serem "globais" e pediu pela recuperação dessa bandeira. "Precisamos continuar as vitórias do passado." Ele acha que os países ricos estão aproveitando o momento de crise econômica para "submeter ainda mais" os países pobres.

Temas - Na hora de apresentar propostas, Chomsky declarou que elas já estão sugeridas nos "eixos temáticos" escolhidos para os seminários. O Eixo I discute temas como controle dos capitais financeiros e perdão das dívidas externas. O Eixo II trata de ambientalismo e de "soberania alimentar", conceito defendido por entidades como a Via Campesina, de José Bové, e o MST: a necessidade de um país produzir os alimentos que consome. O Eixo III contém reinvindicações de feministas e migrantes. E o Eixo IV fala em "democracia participativa" e ataca o "militarismo da globalização".

Dessas propostas, Chomsky apoiou mais explicitamente o "não à Alca", o mercado comum das Américas, e a derrubada do protecionismo dos países ricos. Foi neste contexto que elogiou a política de Serra no caso da Aids, sem saber que elogiava o adversário político do partido que o convidou ao Brasil.

Laboratórios se armam para disputar...
Fonte:Gazeta Mercantil- 01/02/2002

Fernanda Loureiro de Brasília (Continuação da Primeira Página)

Green Farma e Neo Química também dão andamento a projetos de unidades de fabricação hormonal no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). A Green Farma, que já terceiriza em São Paulo a produção de quatro similares de hormônios, aguarda liberação de R$ 2 milhões pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para iniciar, em setembro, a produção própria de contraceptivos genéricos. A autorização para a produção dos hormônios vem em boa hora na opinião de Eduardo Gonçalves, proprietário do Green Farma. Ele estima que, a partir da colocação dos hormônios genéricos nas farmácias, 15% do mercado de contraceptivos se concentrará nas mãos de empresas que investiram na produção da versão. O faturamento da Green Farma foi de US$ 10 milhões em 2001. A vedete da empresa no segmento de marca é a pomada Suavederme. Entre os genéricos, está o paracetamol (genérico do Tilenol) e o acido acetisalicílico (aspirina). A autorização da Anvisa está sendo formulada a partir da reedição da resolução número 10, de janeiro de 2001, que normatiza a concessão de registros para produção de genéricos e em sua primeira versão proibia a fabricação de hormônios genéricos. O presidente da Agência, Gonzalo Vecina Neto, define os últimos ajustes ao documento em reunião no dia 6 de fevereiro, para publicar a autorização no Diário Oficial da União até o fim da próxima semana. Lista A lista da Anvisa de genéricos à base de hormônios sintéticos contempla doenças graves e crônicas, como alguns tipos de câncer, diabetes e hipertensão. A osteoporose, hipotiroidismo, doenças respiratórias e terapias de reposição hormonal (TRH) estão entre as demais enfermidades que demandam tratamento com drogas de uso contínuo. Com o lançamento dos genéricos, esses tratamentos custarão até 40% menos. Entre as substâncias que constarão na autorização da Anvisa está o acetato de ciproterona, usado na terapia clínica do câncer de próstata. O frasco com 20 comprimidos da marca Androcur custa R$ 72,57 nas farmácias e o genérico será vendido ao preço médio de R$ 43,54. O gasto mensal de um usuário até então obrigado a comprar o medicamento das marcas convencionais é de R$ 217,71. Na versão genérica, cairá para R$ 155,51. O câncer de próstata é o segundo mais comum em homens, superado apenas pelo de pele, e o terceiro em óbitos. Para os diabéticos, a substância selecionada foi a glimepirida. Uma caixa com 30 comprimidos de 1 mg da marca Amaryl custa R$ 13,98. Na versão genérica, custará R$ 8,38. O gasto mensal com o medicamento de marca, hoje de R$ 53,32, cairá para R$ 38,09. A lista também contempla hormônios genéricos para o tratamento da endometriose, que só no Brasil atinge 5 milhões de mulheres em idade fértil, segundo dados do Ministério da Saúde. A Anvisa selecionou a substância danazol para tratar essa doença de causa ainda não descoberta, cuja versão em 200 mg custa R$ 111,36 no mercado. A mesma quantidade em genérico custará R$ 66,81 à paciente. Normas Os laboratórios interessados em registrar os genéricos correspondentes aos medicamentos de marca terão que seguir as normas da agência em testes de equivalência farmacêutica (que demonstram que o genérico contém o mesmo princípio ativo, na mesma quantidade e forma farmacêutica); biodisponibilidade (mede quantidade e velocidade de absorção do medicamento pelo organismo humano); e o de bioequivalência (demonstra que o genérico e o medicamento de marca apresentam a mesma biodisponibilidade no organismo). A previsão é que a nova família de genéricos, que será incluída na lista de medicamentos excepcionais do Sistema Único de Saúde (SUS), chegue às farmácias em junho. (floureiro@gazetamercantil.com.br)

Chomsky elogia adoção de genéricos pelo governo
Fonte:Folha de S.Paulo- 01/02/2002

O linguista norte-americano Noam Chomsky elogiou ontem, no Fórum Social Mundial, as medidas tomadas pelo governo federal em relação aos medicamentos genéricos, com a quebra do monopólio dos EUA. ""Os acordos de comércio internacional não têm nada a ver com livre comércio. São protecionistas", disse ele, afirmando que um exemplo de medidas que combatem isso é a adoção dos genéricos pelo governo brasileiro em detrimento da indústria farmacêutica dos EUA. Foi o único exemplo citado para o caso pela principal estrela do fórum, evento que conta com apoio logístico e financeiro do governo gaúcho e da Prefeitura de Porto Alegre, ambos petistas.

 

Acampamento
Fonte:Folha de S.Paulo- 01/02/2002

NELSON DE SÁ
EDITOR DA ILUSTRADA

O Fórum Econômico Mundial, pelo que o próprio anunciava, antes de começar, trataria de temas como a relação entre o terrorismo e a pobreza.

Não foi o que se viu, ao menos na CNN. Por exemplo, na introdução da âncora da cobertura, depois de mencionar ter visto Bill Gates no almoço:
- É como um acampamento. Todas essas pessoas se encontrando para falar de coisas muito importantes. Eu gostaria de citar a Iniciativa Global de Saúde, que fomenta a parceria entre empresas e governos. O presidente do laboratório Merck é um dos líderes do fórum este ano, e isso é algo com que o Merck está envolvido. Me chamem de ingênua, mas este é um encontro que traz à tona o melhor dos líderes empresariais do mundo.

Parece piada, mas era o tom da CNN. Mais para a frente, a emissora entrevistou uma funcionária da Gates Foundation, de Bill Gates.

O motivo foi a nova doação bilionária do dono da Microsoft, novamente às vésperas do fórum -e que favorece laboratórios farmacêuticos como o Merck.

Resposta da funcionária, à pergunta sobre se a doação levaria a remédios genéricos:
- Os laboratórios obviamente vão pôr seu dinheiro em pesquisa, então haverá custos. Alguns remédios serão bem baratos e alguns poderão ser caros.

Na Band, para citar outra cobertura, o registro de ontem do evento foi o seguinte:
- O presidente da companhia farmacêutica Merck afirma, na abertura do fórum: é preciso pôr um fim à discussão sobre a quebra de patentes e a redução do preço dos medicamentos, na adoção de programas eficientes de combate a doenças como a Aids. Para ele, a quebra de patentes não garante acesso dos doentes aos medicamentos.

O problema, como se vê, é ainda a quebra de patentes -que o Brasil conseguiu parcialmente, meses atrás, na Organização Mundial do Comércio.

E o Fórum Econômico Mundial é, ao menos na CNN, uma boa chance de contrapropaganda.
O Fórum Social Mundial mal foi mencionado na CNN, a não ser como contraponto -e negativo- ao econômico. Por exemplo:
- Nova York passou por um dos atos mais violentos imagináveis, seria muito inoportuno dos ativistas incitar qualquer tipo de violência. De fato, há um encontro global no Brasil e muitos dos eventuais manifestantes estão lá, então aqui está em paz.

Laboratórios se armam para disputar o filão de hormônios genéricos
Fonte:Gazeta Mercantil- 01/02/2002

De olho na autorização para fabricação de 41 genéricos à base de hormônios sintéticos, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publica antes do Carnaval, a indústria farmacêutica se arma para abocanhar uma fatia desse filão e engordar a receita. O Laboratório Teuto, com 28 medicamentos genéricos no catálogo, aguarda a publicação para adequar a produção. No pólo farmaco-químico do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), Neo Química e Green Farma investem na construção de unidades de fabricação hormonal para concorrer com gigantes nacionais e estrangeiros. O Teuto já havia separado um módulo de 6 mil m² da fábrica recém-inaugurada em Anápolis para fabricar hormônios na versão genérica. O laboratório costura parcerias internacionais para produzir hormônios comercializados no exterior, representando-os no Brasil e América Latina. As negociações seguem os moldes do acordo com a alemã Kreusler, da qual o Teuto é o parceiro no Brasil para produção de medicamentos de marca. As primeiras drogas hormonais que o laboratório quer transformar em genéricos são contraceptivos e repositórios, incluindo hormônios contra menopausa e osteoporose.

Equipamentos Logo que as normas forem publicadas, a empresa efetivará a importação de equipamentos da Alemanha e Itália. A previsão é de investimento de R$ 10 milhões. O superintendente do Teuto, Jailton Batista, afirma que, com base na legislação e experiência internacionais, só conseguirão se manter no mercado empresas que profissionalizarem a segurança. No caso dos hormônios, a cadeia de produção deve estar separada das linhas de outros medicamentos. "A nova fábrica de hormônios deve entrar em operação até o fim do ano", afirma Batista. O complexo industrial do Teuto teve estrutura e logística planejadas para triplicar a produção de genéricos e faturar US$ 20 milhões em vendas para América Latina, África e Leste Europeu em 2002. Para este ano, a previsão é aumentar a produção de 10 milhões para 15 milhões de unidades mensais, tendo nos genéricos a estratégia de crescimento. A diretoria da União Química e do Laboratório Biolab, que produzem genéricos e OTC (Over the Counter, produtos de venda livre como complexos vitamínicos), senta-se à mesa esta semana para traçar a estratégia para os hormônios genéricos. A principal decisão das empresas ligadas ao Grupo Castro Marques é definir qual fábrica será readaptada para iniciar negócios na nova geração de genéricos. Na Grande de São Paulo, as opções são a unidade de Embu-Guaçu, com 11 mil m² de área e produção de 60 milhões de unidades/ano de medicamentos, e a de Taboão da Serra, com 21 mil m² de área. Elas atuam de forma interligada à de Itapecerica da Serra, que oferece suporte e logística de atendimento. A outra opção é o complexo de 190 mil m² ainda em obras no Distrito Federal, projeto que já teve dimensões físicas e investimento - de R$ 35 milhões - alterados. Como a planta original da unidade é destinada à fabricação de genéricos, as chances de que a produção de hormônios seja implantada no DF são grandes. A Teuto e a União Química têm linhas voltadas para a saúde animal, mas nenhuma se diz interessada em investir em hormônios genéricos veterinários no primeiro momento. (Cont. Pág. 5) (floureiro@gazetamercantil.com.br)
Fernanda Loureiro de Brasília

 
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