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04/03

Brasileiro comprou menos remédios em 2001

Brasileiro comprou menos remédios em 2001
Fonte: O Globo - 04/03/2002

Martha Beck

BRASÍLIA. Os brasileiros compraram 60 milhões de unidades de medicamentos a menos entre 2000 e 2001. A queda corresponde a uma redução de 3,8% nas vendas da indústria farmacêutica. Governo e laboratórios afirmam que ainda não conhecem o motivo da redução nas vendas, mas estimam o óbvio: que a baixa renda da população, combinada com os sucessivos reajustes de preços nos últimos anos, estão entre os principais motivos para a redução nas vendas do setor farmacêutico nos últimos cinco anos. Nesse período, os aumentos nos preços de medicamentos ficaram 14 pontos percentuais acima da inflação.

Envelhecimento não seria motivo de mais compras


A queda poderia ter sido ainda maior caso os genéricos não tivessem entrado no mercado nacional nos últimos tempos, segundo o gerente-geral de Regulação Econômica e Monitoramento de Mercado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Pedro Bernardo.

Em 2001, apesar da queda de consumo, os genéricos aumentaram em 269% sua participação no mercado, oferecendo preços até 60% mais baixos do que os produtos de marca. Os genéricos também têm ajudado os brasileiros a reduzir em até 65% os custos do tratamento de doenças como diabetes e hipertensão.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), Ciro Mortella, não houve aumento do fornecimento gratuito de medicamentos pelo SUS que justifiquem a redução do consumo. Ele explicou que a estimativa de queda nas vendas da indústria também considera as compras de remédios feitas pelo governo federal.
- Por outro lado, o envelhecimento da população registrado nos últimos cinco anos não seria um motivo suficiente para aumentar as compras destes produtos - disse Mortella.

Segundo Pedro Bernardo, os preços de medicamentos continuam altos no país. No entanto, a redução de valores introduzida pelos genéricos beneficiou uma parcela da população que antes não tinha recursos para comprar nenhum medicamento.
- O ano de 2001, mesmo com a população continuando a crescer, foi o quinto consecutivo em que houve queda nas vendas da indústria farmacêutica. No entanto, houve um aumento do poder de compra da população. Hoje o consumidor chega à farmácia com uma receita e tem a opção de comprar um genérico, que custa 60% mais barato, assim ele pode fazer o seu tratamento - disse Bernardo.

Participação de genéricos no mercado já chega a 5,4%


Os preços dos remédios estão congelados no Brasil desde o fim de 2000. Mas o governo federal, diz Bernardo, já concedeu aos laboratórios um reajuste acumulado maior que a inflação nos últimos 12 meses: 13,27% contra os 9,44% registrados pelo INPC. Ainda segundo ele, a indústria não chegou a repassar integralmente o valor concedido, que refletia o aumento dos custos da indústria com a alta do dólar e com a inflação.

Para o gerente-geral de regulação da Anvisa, o crescimento do número de genéricos no mercado nacional poderá ajudar a evitar que novos aumentos sejam repassados para os consumidores. Em 2000, os genéricos respondiam por 1,40% do mercado farmacêutico brasileiro. Em 2001, a participação chegava a 5,4%.

Uma pesquisa da Anvisa revelou que os pacientes que fazem controle de colesterol com o medicamento de marca Zocor, por exemplo, tiveram uma redução de 65% nos custos anuais de seu tratamento por causa do genérico Sinvastatina. O tratamento passou de R$ 3.675,36 para R$ 1.295,04 com a substituição do produto de marca pelo genérico.

O tratamento de diabetes também registrou uma queda de custo de 37% com a entrada do genérico Cloridrato de Metformina no mercado em substituição ao Glifage e fez com que os gastos anuais dos pacientes caíssem de R$ 450 em 2000 para R$ 282,20 em 2001. Já o custo do tratamento da hipertensão teve uma redução de 60% com a troca do medicamento Maleato de Enalapril pelo genérico do Renitec. Neste caso, os gastos anuais passaram de R$ 1.465,68 em 2000 para R$ 590,10 em 2001.

 
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