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Genéricos na Imprensa Notícias
Brasil
ajuda Argentina a negociar com o FMI Capa/Economia O Brasil vai colaborar fortemente no resgate da Argentina, principal parceiro no Mercosul. Depois de três dias de muitas conversas por telefone, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Duhalde acertaram a forma de ajuda. O socorro do Brasil à Argentina O governo brasileiro definiu como vai intervir na crise argentina.
Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Duhalde conversaram
por telefone diversas vezes, nos últimos três dias,
e acertaram formas de ajuda do Brasil ao principal parceiro no Mercosul.
Uma das ações previstas é o auxílio
ao governo da Argentina na reabertura das negociações
com o Fundo Monetário Internacional (FMI), prevista para
o início da próxima semana, quando o ministro da Economia
argentino, Jorge Remes Lenicov, deve viajar a Washington. Fernando Henrique e Duhalde combinaram uma discreta mas intensa
mobilização de funcionários do Banco Central,
Ministério da Fazenda e Itamaraty, especializados em renegociação
de dívida externa, para apoiar Lenicov nos Estados Unidos
nas discussões com o Fundo, o Tesouro e bancos privados europeus
e americanos. Duhalde informou o presidente dos Estados Unidos,
George Bush, sobre a situação numa das três
conversas telefônicas que tiveram nos últimos quatro
dias. Emergência - Prevê-se que ainda neste mês a Argentina
se entenda com o FMI e receba algum tipo de socorro emergencial.
Há rotinas financeiras instituídas para esse tipo
de situação. Um exemplo é o mecanismo de recompra
de títulos da dívida quando um Estado vai à
bancarrota. Apesar da constatação de insolvência
do país, o Fundo pode decidir aceitar um acordo inicial pelo
qual garante um crédito emergencial, comprando certa quantidade
de títulos da dívida do país em plena moratória. O problema argentino é de credibilidade nos salões de Washington, Nova York, Londres e Paris, principais praças financeiras internacionais. Fernando Henrique e Duhalde acreditam ser possível recuperá-la. O governo brasileiro agiria como uma espécie de avalista da Argentina, que não é e nem está na mesma trilha da Rússia - a do calote permanente. Mudanças no Mercosul O auxílio brasileiro à Argentina incluir remessas
emergenciais de medicamentos essenciais e, ao mesmo tempo, transferência
de tecnologia de produção de remédios genéricos
vitais desenvolvidas por laboratórios estatais. O anúncio
deverá ser feito pelos presidenter Fernando Henrique e Eduardo
Duhalde durante a próxima reunião de cúpula
dos sócios Mercosul, prevista para a próxima quarta-feira
em Buenos Aires. Além de discursos de apoio ao governo Duhalde, esse encontro
de presidentes do Cone Sul vai servir, também, para a abertura
de um ciclo de renegociação dos acordos setoriais
de comércio. O Brasil deve sugerir ao Uruguai e Paraguai
que aceitem flexibilizar tarifas e cotas de importação,
dentro da região, de produtos agropecuários, cereais,
calçados e automóveis. São áreas estratégicas
para a recuperação a curto prazo, ainda que em bases
limitadas, do fluxo de dólares para empresas argentinas. Desde o início de dezembro, o país praticamente paralisou
sua base comercial, única alternativa de obter dólares
para financiar o sistema interno de produção. O governo
Duhalde decidiu sair do sistema de câmbio fixo, mas precisa
garantir uma margem de manobra, por menor que seja, para sustentar
a reativação da economia durante a transição
para o novo regime de câmbio, no qual o dólar vai valer
pelo menos 1,40 peso. A forma de distribuição interna do custo dessa desvalorização está provocando forte reação de empresas multinacionais fornecedoras de serviç os de telefone, água e luz, cujos preços até agora eram dolarizados. Duhalde resolveu estender a desvalorização aos contratos de concessão de serviços públicos, o que levará algumas multinacionais a contabilizar pesados prejuízos. A Telefónica de España, por exemplo, não gostou. Ontem, seus executivos advertiram o governo sobre a possibilidade até da empresa de deixar o mercado argentino. Na Casa Rosada ninguém acreditou.
Para
indústria, reajuste médio de medicamentos deve ser
de 7% DA SUCURSAL DE BRASÍLIA A indústria farmacêutica estima que o governo concederá
um reajuste médio de cerca de 7% nos preços dos medicamentos
neste ano, já descontado o aumento de 4% concedido em outubro. O percentual exato será decidido pela Câmara de Medicamentos
-órgão que controla e fiscaliza os preços do
setor- na próxima semana. Segundo Ciro Mortella, presidente da Abifarma (Associação
Brasileira da Indústria Farmacêutica), a previsão
de reajuste de 7% é baseada na fórmula prescrita pelo
governo em lei. "Não é reivindicação.
Não é pleito. Não é negociação",
disse. Além da variação do dólar, a fórmula
considera o aumento nos custos de produção -valor
sobre o qual os cálculos do governo e da indústria
podem divergir. Como o ano é eleitoral, Mortella reconhece que o governo
pode pressionar por um reajuste menor. Ele avalia, porém,
que "uma virada de mesa" desgastaria muito o governo,
que ainda depende do setor para negociar uma redução
nos preços dos remédios da Rename (Relação
Nacional de Medicamentos), utilizados pelo SUS (Sistema Único
de Saúde). Em 2001, o governo diminuiu os preços de medicamentos essenciais
com a isenção do PIS e da Cofins. Segundo um levantamento
da Abifarma, 44% dos remédios não tiveram seus preços
reajustados em outubro. Em alguns casos, a concorrência com
genéricos inviabilizou os aumentos. Os representantes dos ministérios da Fazenda, Justiça e Saúde que compõem a Câmara de Medicamentos não estavam em Brasília ontem. A data da reunião que discutirá o valor do reajuste não foi definida. Duas reuniões no final do ano passado foram canceladas. À época, a Abifarma estimava que o reajuste poderia chegar a 8,6%, devido à alta do dólar. |
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