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05/01

Brasil ajuda Argentina a negociar com o FMI

05/01

Para indústria, reajuste médio de medicamentos deve ser de 7%

Brasil ajuda Argentina a negociar com o FMI
Fonte: Jornal do Brasil - 05/01/2002

Capa/Economia

O Brasil vai colaborar fortemente no resgate da Argentina, principal parceiro no Mercosul. Depois de três dias de muitas conversas por telefone, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Duhalde acertaram a forma de ajuda.

O socorro do Brasil à Argentina
Governo vai ajudar vizinho a renegociar dívida, fornecerá tecnologia de medicamentos e fará vista grossa no Mercosul

O governo brasileiro definiu como vai intervir na crise argentina. Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Duhalde conversaram por telefone diversas vezes, nos últimos três dias, e acertaram formas de ajuda do Brasil ao principal parceiro no Mercosul. Uma das ações previstas é o auxílio ao governo da Argentina na reabertura das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), prevista para o início da próxima semana, quando o ministro da Economia argentino, Jorge Remes Lenicov, deve viajar a Washington.

Fernando Henrique e Duhalde combinaram uma discreta mas intensa mobilização de funcionários do Banco Central, Ministério da Fazenda e Itamaraty, especializados em renegociação de dívida externa, para apoiar Lenicov nos Estados Unidos nas discussões com o Fundo, o Tesouro e bancos privados europeus e americanos. Duhalde informou o presidente dos Estados Unidos, George Bush, sobre a situação numa das três conversas telefônicas que tiveram nos últimos quatro dias.

Emergência - Prevê-se que ainda neste mês a Argentina se entenda com o FMI e receba algum tipo de socorro emergencial. Há rotinas financeiras instituídas para esse tipo de situação. Um exemplo é o mecanismo de recompra de títulos da dívida quando um Estado vai à bancarrota. Apesar da constatação de insolvência do país, o Fundo pode decidir aceitar um acordo inicial pelo qual garante um crédito emergencial, comprando certa quantidade de títulos da dívida do país em plena moratória.

O problema argentino é de credibilidade nos salões de Washington, Nova York, Londres e Paris, principais praças financeiras internacionais. Fernando Henrique e Duhalde acreditam ser possível recuperá-la. O governo brasileiro agiria como uma espécie de avalista da Argentina, que não é e nem está na mesma trilha da Rússia - a do calote permanente.

Mudanças no Mercosul

O auxílio brasileiro à Argentina incluir remessas emergenciais de medicamentos essenciais e, ao mesmo tempo, transferência de tecnologia de produção de remédios genéricos vitais desenvolvidas por laboratórios estatais. O anúncio deverá ser feito pelos presidenter Fernando Henrique e Eduardo Duhalde durante a próxima reunião de cúpula dos sócios Mercosul, prevista para a próxima quarta-feira em Buenos Aires.

Além de discursos de apoio ao governo Duhalde, esse encontro de presidentes do Cone Sul vai servir, também, para a abertura de um ciclo de renegociação dos acordos setoriais de comércio. O Brasil deve sugerir ao Uruguai e Paraguai que aceitem flexibilizar tarifas e cotas de importação, dentro da região, de produtos agropecuários, cereais, calçados e automóveis. São áreas estratégicas para a recuperação a curto prazo, ainda que em bases limitadas, do fluxo de dólares para empresas argentinas.

Desde o início de dezembro, o país praticamente paralisou sua base comercial, única alternativa de obter dólares para financiar o sistema interno de produção. O governo Duhalde decidiu sair do sistema de câmbio fixo, mas precisa garantir uma margem de manobra, por menor que seja, para sustentar a reativação da economia durante a transição para o novo regime de câmbio, no qual o dólar vai valer pelo menos 1,40 peso.

A forma de distribuição interna do custo dessa desvalorização está provocando forte reação de empresas multinacionais fornecedoras de serviç os de telefone, água e luz, cujos preços até agora eram dolarizados. Duhalde resolveu estender a desvalorização aos contratos de concessão de serviços públicos, o que levará algumas multinacionais a contabilizar pesados prejuízos. A Telefónica de España, por exemplo, não gostou. Ontem, seus executivos advertiram o governo sobre a possibilidade até da empresa de deixar o mercado argentino. Na Casa Rosada ninguém acreditou.

Para indústria, reajuste médio de medicamentos deve ser de 7%
Fonte: Folha de S. Paulo - 05/01/2002

Capa/São Paulo

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A indústria farmacêutica estima que o governo concederá um reajuste médio de cerca de 7% nos preços dos medicamentos neste ano, já descontado o aumento de 4% concedido em outubro.

O percentual exato será decidido pela Câmara de Medicamentos -órgão que controla e fiscaliza os preços do setor- na próxima semana.

Segundo Ciro Mortella, presidente da Abifarma (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica), a previsão de reajuste de 7% é baseada na fórmula prescrita pelo governo em lei. "Não é reivindicação. Não é pleito. Não é negociação", disse.

Além da variação do dólar, a fórmula considera o aumento nos custos de produção -valor sobre o qual os cálculos do governo e da indústria podem divergir.

Como o ano é eleitoral, Mortella reconhece que o governo pode pressionar por um reajuste menor. Ele avalia, porém, que "uma virada de mesa" desgastaria muito o governo, que ainda depende do setor para negociar uma redução nos preços dos remédios da Rename (Relação Nacional de Medicamentos), utilizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Em 2001, o governo diminuiu os preços de medicamentos essenciais com a isenção do PIS e da Cofins. Segundo um levantamento da Abifarma, 44% dos remédios não tiveram seus preços reajustados em outubro. Em alguns casos, a concorrência com genéricos inviabilizou os aumentos.

Os representantes dos ministérios da Fazenda, Justiça e Saúde que compõem a Câmara de Medicamentos não estavam em Brasília ontem. A data da reunião que discutirá o valor do reajuste não foi definida. Duas reuniões no final do ano passado foram canceladas. À época, a Abifarma estimava que o reajuste poderia chegar a 8,6%, devido à alta do dólar.

 
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