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05/02

Novos antiinflamatórios ganham mercado

05/02

Genérico fica abaixo das expectativas

05/02

Remédios sem alarde

05/02

Laboratórios cortam verba de propaganda

Novos antiinflamatórios ganham mercado
Fonte: Valor Econômico - 05/02/2002

Cláudia Lobo, Do Rio

A família de antiinflamatórios denominada Cox-2 ou Coxib, que produz menos efeitos colaterais para o estômago, entrou há três anos no mercado brasileiro e desde então está modificando o perfil do consumo deste tipo de remédio. Eles afastaram consumidores de medicamentos conhecidos da população, como o Cataflam e o Voltaren. A estratégia é divulgar as novas marcas por meio dos médicos, contou ao Valor Alessandra Miyazaki, gerente de marketing do laboratório Pharmacia.

"Para se ter uma idéia de como o negócio deu certo e este mercado está mudando, de 1998 para cá, esses dois remédios (Voltaren e Cataflam) encolheram suas participações nas vendas de 40,7% para 23,6% (em novembro), segundo o IMS Health (auditoria independente especializada no setor)", conta Alessandra.

Dados do laboratório Novartis, fabricante desses remédios, confirmam o fato. No ranking divulgado, o laboratório mostra que o Vioxx, marca do Cox-2 produzido pela Merck Sharp & Dhome, ultrapassou o Voltaren, passando a deter 9,74%, do mercado, enquanto o remédio tradicional perdeu pouco espaço (9,62%). Apesar da diferença pequena, o Vioxx subiu para a segunda posição no segmento e o Voltaren desceu para a terceira. Mesmo com a disputa, o Cataflam continua líder dos antiinflamatórios, com fatia de 17,30% do mercado total.
O Pharmacia, criado a partir da fusão do americano Pharmacia & Upjohn e da divisão farmacêutica do conglomerado Monsanto, é um dos três fabricantes dessa nova família de antiinflamatórios no Brasil, junto com o Novartis e o Merck Sharp & Dhome, subsidiário brasileiro do gigante alemão Merck. "No Pharmacia, estamos considerando o resultado de vendas satisfatório, pois com dois anos, 20,1% de nossas vendas vêm do medicamento." Otimista, as projeções da empresa para 2002 são de crescimento de 15% no volume vendido. Embora não goste de falar em cifras, o gigante Pharmacia adiantou que aplicará US$ 2 bilhões em pesquisas no mundo em 2002. "Cerca de 20% irá para as investigações sobre a família Cox-2", relata Alessandra.

No Merck, Marcos Levy, diretor de assuntos corporativos do laboratório, também não informa quanto o medicamento da empresa - o Vioxx - faturou em 2001 no Brasil, mas afirma que o retorno foi importante. A ponto de até o fim deste ano estarem lançando um similar no mercado. "Estamos esperando apenas a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para apresentar o remédio aos médicos", diz.

Levy afirma ainda que o novo medicamento desenvolvido é à base de uma enzima diferente da fórmula do Vioxx. "Trata-se da etoricoxib e o objetivo é oferecer diferentes opções ao público."
Já o Novartis, que já produz o Flotac, também está investindo em novos lançamentos. O remédio fabricado pela empresa é hoje o quinto antiinflamatório do mercado, com índice de 5,25%. A empresa informa que concentra ações de marketing no Flotac, embora não cogite retirar os produtos Cataflam e Voltaren das farmácias.

Venda de remédio cai 3,8%, mesmo com genéricos

Do Rio
A venda unitária de remédios em 2001 caiu 3,8% quando comparado com 2000. Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica, Ciro Mortella, o declínio no negócio de medicamentos no ano passado preocupa porque este foi o ano da entrada maciça dos genéricos no mercado. "Mesmo assim não conseguimos obter reação positiva", avaliou. Os genéricos são mais baratos que os medicamentos com marca.

Mortella atribui a conturbação econômica, principalmente no segundo semestre, como o fator responsável pela queda da venda de remédios, devido ao aumento do número de desempregados.

"Cerca de um terço da população brasileira ainda não compra remédio, mesmo com a entrada dos genéricos no mercado e a queda nos preços", afirma. No ano passado, além do desemprego, a renda média do trabalhador caiu 4% , encolhendo o poder de compra desses consumidores.

Para 2002, a perspectiva é que a situação melhore, dependendo do incentivo às políticas sociais dos governos. "O setor é muito sensível a essas políticas e a disputa eleitoral esse ano pode influenciar os negócios", prevê Mortella.

No entanto, apesar deste ser um ano eleitoral, as expectativas não são muito positivas em razão de taxa ainda pequena de crescimento do PIB, estimada em 2,5%. "Com esse nível de crescimento não acreditamos que consigamos reverter o quadro de 2001".

"O próprio setor farmacêutico teve que demitir no Estado de São Paulo, reduzindo sua mão-de-obra em 3,77%", revelou o presidente da Abifarma. Esta redução significou a eliminação de 1,5 mil postos de trabalho. Esses empregados eram alocados principalmente na área de vendas, onde fica concentrada a maior parte dos trabalhadores do setor. "Apesar desse índice ter sido pesquisado apenas em São Paulo, é preocupante porque é onde estão localizados 70% dos laboratórios do Brasil".

Mortella negou que o menor consumo de medicamentos foi influenciado pelas grandes fusões entre laboratórios, que aconteceram em 2001. Essas fusões continuarão em 2002, pois, apesar dos fracos resultados do setor, o movimento segue a lógica da economia global ou das macrorregiões, como América Latina.

Mortella não acredita, contudo, que os resultados dos balanços dos laboratórios farmacêuticos fechem no vermelho em 2001. O Brasil ocupava a 5ª posição no ranking mundial de fabricação de remédios até 1997, mas caiu para a 10ª a partir de 1998. (CL)

 

Genérico fica abaixo das expectativas
Fonte: Gazeta Mercantil - 05/02/2002

São Paulo, - Grande novidade do mercado farmacêutico brasileiro dos últimos dois anos, os medicamentos genéricos não conseguiram corresponder às expectativas dos laboratórios que investiram na sua produção. As indústrias farmacêuticas que produzem genéricos iniciaram o ano de 2001 com uma expectativa de ocupar 10% do mercado brasileiro, mas fecharam dezembro com metade da previsão inicial, 5%. Mesmo com toda a campanha do governo federal, as empresas que apostaram no genérico - um total de 29 laboratórios - tiveram de rebaixar suas metas ao longo do ano passado em meio a uma retração nas vendas de medicamentos em geral.
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Nosso problema é a distribuição de renda da população brasileira. Metade das pessoas não tem como comprar medicamentos, mesmo sendo mais baratos', diz a secretária-executiva do grupo Pró-Genéricos, Paola Franchin. Segundo a lei que criou a categoria, o genérico precisa ter preço 35% menor do que o remédio de referência. O Pró-Genéricos foi criado há um ano e reúne 20 laboratórios. Ela aponta que os genéricos precisaram enfrentar a concorrência dos remédios similares e a desinformação dos consumidores. Paola afirma que, apesar disso, os genéricos conseguiram crescer cerca de 300% no ano passado.

O Pró-Genéricos mantém as projeções para os próximos anos. A meta é alcançar uma fatia de 20% ainda este ano e 30% em 2003, o que representaria um faturamento de US$ 2 bilhões. Nos Estados Unidos, os genéricos respondem por 42% das vendas nas farmácias.

Os fabricantes de genéricos terão de superar a crise da queda de vendas do setor farmacêutico. O mercado de medicamentos vem encolhendo há três anos no Brasil. O número de unidades vendidas caiu 3,8% em 2001, e o faturamento no ano passado ficou 15% menor do que no ano anterior, chegando aos US$ 7,5 bilhões. Para 2002, a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) trabalha com a expectativa de 5% 'para cima ou para baixo'.

'O genérico veio ocupar um mercado que não tem condições de existir. A pessoa que não tem R$ 10 para comprar um remédio também não tem como gastar R$ 6', diz o presidente da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto. Segundo ele, mesmo com o genérico, o problema do mercado continua o mesmo: agregar consumidores que estão fora do mercado por falta de renda. 'Hoje, só 50 milhões de pessoas compram remédio no Brasil', diz.

Barreto diz que em 1997, o mercado negociou 1,8 bilhão de caixas de medicamentos. No ano passado, a quantidade foi de 1,5 bilhão. 'Só percebemos uma migração de consumidores que compravam o remédio de marca e passaram a consumir genéricos', afirma.

O presidente executivo da Abifarma, Ciro Mortella, concorda que o genérico não agregou faturamento e consumidores, somente tirou mercado de outros medicamentos. Ele prefere não opinar sobre a possibilidade de os laboratórios fabricantes de genéricos não alcançarem as metas projetadas para este ano e 2003. 'A chave do crescimento dos genéricos é a política pública', diz.

Segundo Mortella, a forma de trazer novos consumidores para a indústria farmacêutica seria a adoção de uma política de distribuição de medicamentos para a população carente. A medida beneficiaria não apenas os 29 laboratórios fabricantes de genéricos, mas todo o mercado. A Abifarma criou um projeto chamado Pamsus, destinado à distribuição de remédios básicos para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que foi entregue ao governo federal.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Atacado Farmacêutica (Abafarma), Jorge Froes de Aguilar, afirma que a expectativa do Ministério da Saúde e dos laboratórios quanto aos genéricos foi além do próprio produto. 'Na verdade, os genéricos atendem a poucas patologias e foram lançadas muitas marcas', diz. Segundo ele, algumas medidas de identificação do produto, como a adoção da tarja amarela com a letra G, entraram em vigor há 75 dias do final do ano. 'Os laboratórios ficaram escorados na propaganda do governo', diz. Aguilar afirma que, para crescer, as indústrias terão de apostar no marketing junto aos médicos e torcerem para a expansão do mercado. 'Na estrutura que temos hoje, acho difícil um crescimento', diz.

Remédios sem alarde
Fonte: Gazeta Mercantil - 05/02/2002

São Paulo, As diretorias financeiras estão levando a melhor na disputa com os departamentos de vendas e marketing da indústria farmacêutica. A desvalorização do real afetou as margens de lucro dos laboratórios e culminou com a redução das verbas de promoção dos medicamentos. O setor é muito dependente de matéria-prima importada.

Os laboratórios estão impedidos por lei de fazer publicidade de produtos de venda sob prescrição em meios de comunicação de massa. A base de seu trabalho de divulgação é a visita de representantes a consultórios médicos.

Essa atividade exige altos investimentos. Em 2000, segundo levantamento do instituto IMSHealth , que acompanha as vendas de medicamentos, os gastos promocionais dos laboratórios chegaram a US$ 633 milhões.

Os propagandistas representam a maior parte da folha de pagamento dos grandes laboratórios e o segundo maior custo da indústria. O primeiro, em geral, é a matéria-prima. O laboratório norte-americano Pharmacia cortou suas verbas promocionais em 20% no ano passado. Em 2000, o Pharmacia investiu US$ 14,3 milhões em propaganda. O também norte-americano Bristol Myers-Squibb diminuiu seus gastos promocionais em cerca de 40%.

'A desvalorização do real aumentou muito nossos custos com matériasprimas', diz Waldir Eschberger, diretor comercial do Pharmacia. 'Decidimos concentrar os gastos de propaganda nos remédios realmente lucrativos.' Os laboratórios de pesquisa, todos multinacionais, começaram a abandonar a propaganda de produtos de referência que concorrem com remédios genéricos e a concentrar esforços apenas nas inovações. A indústria perdeu volume no ano passado. A queda, até novembro, foi de 2,9%. Foram vendidas 1,098 bilhão de unidades.

 

Laboratórios cortam verba de propaganda
Fonte: Gazeta Mercantil - 05/02/2002

São Paulo, - Houve um corte na verba de propaganda da indústria farmacêutica no ano passado. Trata-se de propaganda médica: da divulgação de produtos comercializados somente com receita. Os números globais ainda não estão fechados, mas em alguns casos, como no dos laboratórios norte-americanos Pharmacia e Bristol Myers Squibb , a redução supera os 20%.

Como acontece em outros setores, é uma iniciativa que tem como primeiro objetivo recompor margens de lucro. Mas no caso específico do negócio farmacêutico há a novidade dos produtos genéricos. Os laboratórios de pesquisa, todos multinacionais, começaram a abandonar a propaganda de produtos de referência que concorrem com os genéricos e a concentrar esforços apenas nas inovações.

A indústria farmacêutica está impedida por lei de fazer publicidade em meios de comunicação de massa de produtos de venda sob prescrição médica. A base de seu trabalho de divulgação é a visita de representantes a consultórios médicos. Mesmo assim seus investimentos no Brasil são altos. Os propagandistas representam a maior parte da folha de pagamento dos grandes laboratórios. Em 2000, segundo levantamento do instituto IMSHealth , que monitora as vendas de medicamentos, o gasto promocional do setor chegou a US$ 633 milhões. Metade desse valor cobriu os custos com propagandistas e visitas médicas. É o segundo maior custo de qualquer laboratório. O primeiro, em geral, é a matéria-prima.

Na Pharmacia, que investiu cerca de US$ 14,3 milhões em propaganda no ano passado, a palavra de ordem é 'foco'. O laboratório limitou seus gastos com folhetos, amostras grátis e visitas médicas aos medicamentos que realmente oferecem perspectiva de crescimento de negócios. Sua prioridade é o Celebra, novidade terapêutica que disputa com o Vioxx, da Merck Sharp & Dohme , um faturamento de US$ 50 milhões anuais no País. São antiinflamatórios que não atacam o estômago. Enquanto o mercado total de antiinflamatórios caiu 9% em 2001, as vendas dos produtos da nova geração cresceram 26%.

'A desvalorização do real aumentou muito nossos custos com matérias-primas', diz Waldir Eschberger, diretor comercial da Pharmacia. 'Decidimos concentrar os gastos de propaganda nos mercados realmente importantes'. Além do Celebra, o laboratório aposta no ansiolítico Frontal e no Xalatan, medicamento usado no tratamento do glaucoma.

A Bristol, que tem uma linha forte de produtos de venda livre e investiu US$ 14,6 milhões na promoção de seus produtos em 2000, cortou a verba de propaganda em 40%. Como a Pharmacia, a Bristol também dirigiu suas atenções para produtos mais promissores e reduziu o investimento na promoção de remédios que concorrem com genéricos.

A indústria farmacêutica perdeu volume no ano passado e ampliou seu faturamento em reais. A quedade volume foi de 2,9% até novembro, segundo o IMSHealth. Apesar da entrada dos genéricos no mercado, o número de unidades consumidas no varejo caiu de 1,129 bilhão para 1,098 bilhão. O faturamento aumentou 2% - de R$ 10, 3 bilhões para R$ 10,5 bilhões. Esse crescimento, segundo Eschberger, não compensa a perda cambial dos laboratórios, que importam grande parte das matérias-primas que utilizam e fazem suas contas em dólares.

'Não compensa manter o investimento promocional em produtos antigos, cujo ciclo de vida está próximo do fim', diz Branderley Claudio, diretor-médico da Novartis. 'A nossa prioridade são os novos medicamentos'. A Novartis foi um dos laboratório mais afetados pela entrada dos produtos genéricos no mercado. Os dois principais produtos de sua linha no Brasil até o início do ano passado eram os antiinflamatórios Cataflan e o Voltaren. Ambos têm sido bombardeados por medicamentos sem marca e perderam participação, além de margens de lucro. Em 2000, a Novartis investiu US$ 29,4 milhões em propaganda.

É a pressão financeira por resultados que tem motivado os ajustes, para baixo, nas verbas de marketing dos grandes laboratórios. Depois de cortes expressivos na equipe de representantes no primeiro semestre do ano passado, como o verificado no laboratório Aché, não há notícias recentes de demissões no setor. O que a indústria tenta fazer é melhorar seu desempenho promocional, reduzindo o número de visitas médicas e investindo no aprimoramento do seu banco de dados.

Mesmo laboratórios como a Schering do Brasil , especializado em medicamentos de base hormonal, ainda sem concorrência no mercado nacional de genéricos, procuraram conter a verba de propaganda. Em reais, seu investimento se manteve inalterado. Isso significa que a queda, em dólares, foi de 18%, o equivalente à desvalorização acumulada do real no ano passado. O investimento promocional da Schering em 2000 foi de US$ 6,5 milhões.

 

 
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