Ministério da Saúde
Acesse o Portal do Governo Brasileiro
 




Genéricos na Imprensa
Notícias

 

06/05

Quando o governo quer, ele faz

06/05

Bristol ensaia retorno ao azul com novas marcas

Em tempo
Fonte:O Globo - 06/05/2002


Artigo

ONÉSIMO A. PEREIRA

O efeito colateral mais importante do programa de genéricos que o Brasil vem desenvolvendo é a comprovação de que quando o governo quer fazer, ele faz. E a melhor prova disso são os avanços consolidados em apenas dois anos de programa, que estão transformando o setor farmacêutico brasileiro.

Já há mais de 400 genéricos registrados, com mais de 1.300 apresentações, preços até 40% menores que os dos produtos de referência (em alguns casos, 80% inferiores) e um padrão de qualidade assegurado por rigorosos testes introduzidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Desde o início de sua comercialização, em maio de 2000, os genéricos crescem em média 15% ao mês (significa um milhão de unidades produzidas a mais a cada mês), com a constante introdução de novos medicamentos. Somente em outubro de 2000, o segmento de genéricos cresceu 30% em relação ao mês anterior. Em 18 meses, os genéricos já correspondiam a 4% da produção de medicamentos no país (que foi de 1,6 bilhão de unidades, em 2001), com previsão de alcançar 30% até o final de 2003.

Das 29 empresas que produzem genéricos no país, 20 são de capital nacional. As quatro maiores desse segmento já aplicaram US$ 100 milhões em projetos, e viram seu faturamento aumentar de 30% a 40%. A empresa líder passou do 30 lugar para o 14 no ranking dos laboratórios que mais faturam no Brasil.

Como e por que esse programa tornou-se uma realidade em tão pouco tempo, enquanto outros projetos, também prioritários, sequer saíram do papel? Em primeiro lugar, houve vontade política da parte do governo, que usou de toda a força para fazer o programa deslanchar (incluindo a aprovação, em tempo recorde, do arcabouço jurídico que o viabilizou). Criou-se a a Gerência Geral de Genéricos, uma legislação especial para o registro desses produtos, exigindo rigorosos testes de bioequivalência e biodisponibilidade, além de facilitar o registro de genéricos e testes no exterior. Para o projeto evoluir com mais rapidez, facilitou-se a importação de genéricos prontos, desde que as empresas importadoras se comprometessem a fabricar o produto no país em 12 meses.

Espera-se que esse mesmo know-how demonstrado no caso dos genéricos possa ser utilizado em outros programas da cadeia produtiva farmacêutica. Segundo alguns técnicos, as importações de farmoquímicos representam 78% das necessidades da indústria farmacêutica.

Um duro golpe para uma indústria que introduziu o Brasil na era da biotecnologia clássica, na década de 50, tornando-o exportador de produtos essenciais como penicilina G, penicilina V, sulfato de neomicina, anfotericina B, nistatina, sulfato de estreptomicina e tetraciclina.

Em 1953, os fermentadores para a produção de antibióticos no país tinham capacidade para 50 mil litros - o padrão internacional. Vinte anos depois, esse padrão internacional já era superior a 300 mil litros, enquanto a indústria local, engessada pelo controle de preços e sem recursos para modernizar-se, havia perdido a capacidade de fermentação e a competitividade. Hoje, os antibióticos representam uma parte considerável das importações brasileiras, incluindo nesse rol a penicilina e seus derivados semi-sintéticos, como a ampicilina e a amoxicilina.

O governo está ciente de que são essenciais medidas efetivas de apoio ao desenvolvimento de tecnologia de produção de farmoquímicos e, em especial, dos genéricos - que estão fora de cobertura patentária - bem como estimular a produção nacional para assegurar o fornecimento regular ao mercado interno e expandir o parque produtivo instalado no país. A própria CPI de Medicamentos da Câmara dos Deputados constatou a necessidade de uma política de P&D que esteja apoiada na produção de insumos farmacêuticos.

Todos estamos conscientes de que temos de superar nossa dependência de insumos importados para atender às necessidades básicas de saúde da população brasileira, e de que dispomos de massa crítica para implementar um esforço integrado de pesquisa, desenvolvimento e industrialização avançada. A cadeia produtiva farmacêutica (incluindo a farmoquímica) é composta de produtos de alto valor agregado, e, portanto, o incremento dessas exportações e a substituição de importações vão pesar favoravelmente na balança comercial do setor - ainda que se mantenha deficitária por um bom tempo, uma vez que as medidas adotadas para reverter a situação são de maturação lenta.

A experiência com os medicamentos genéricos foi altamente positiva. Que tal estender a mesma determinação, a mesma eficiência e a mesma velocidade ao setor farmoquímico brasileiro?
ONÉSIMO A. PEREIRA é presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica.


Bristol ensaia retorno ao azul com novas marcas
Fonte:Valor Econômico - 06/05/2002

Empresas

Maurício Capela e Nelson Niero, De São Paulo

Depois do prejuízo do ano passado, a filial brasileira da farmacêutica americana Bristol-Myers Squibb está-se preparando para recuperar terreno com lançamentos e investimento em marcas tradicionais.

A receita cresceu 13% entre janeiro e março, comparada ao mesmo período do ano passado, segundo Antonio Carlos Salles, diretor de assuntos corporativos da Bristol-Myers no Brasil. "Já voltamos ao azul no trimestre", acrescenta, sem revelar valores.

Segundo Salles, a subsidiária está na contramão da operação mundial, que anunciou quedas de 13% na receita e de 55% no lucro do primeiro trimestre. No Brasil, a expectativa é aumentar a receita em 8% neste ano com investimento na divulgação dos remédios de balcão (OTC), como o Naldecon e o Luftal. Serão US$ 10 milhões para os chamados medicamentos de consumo, que representam 35% das vendas.

Também faz parte da estratégia de crescimento a aposta nos medicamentos de marca, como o antibiótico Tequin e o anticoagulante Iscover, e nos lançamentos. "Vamos crescer com novos produtos", diz Antonio Carlos Salles.

Neste ano, a companhia lançará uma droga que age no sistema nervoso central e um cardiovascular. O Brasil é um dos dez maiores mercados da Bristol, quinta maior farmacêutica do mundo.

"Os medicamentos para pacientes com câncer e aids, além dos cardiovasculares, terão prioridade", diz Mário Grieco, presidente da Bristol-Myers no país.

O objetivo do plano estratégico é ter um portfólio composto por remédios cardiovasculares, antibióticos e de oncologia nos próximos cinco anos. Cada uma dessas áreas deverá responder por 30% da receita local.

O foco em pesquisa e desenvolvimento é uma reação ao avanço dos genéricos, que causa estragos, aqui e lá fora. O lucro mundial do grupo caiu em mais da metade no primeiro trimestre, encerrando o período com US$ 585 milhões. O faturamento foi de US$ 4,1 bilhões, 13% menor.

A concorrência dos genéricos derrubou as vendas de três dos medicamentos mais vendidos do grupo. A desaceleração da economia mundial também prejudicou os resultados.

No Brasil, a situação não foi diferente, como mostra o balanço de 2001 (a empresa não divulga os resultados trimestrais no país). "O crescimento que tivemos com novos produtos não compensou o impacto dos genéricos", diz Salles. A queda da receita - de 13%, para R$ 383,8 milhões - somada a gastos com reestruturação e o impacto cambial levou a um prejuízo líquido de R$ 37,8 milhões, comparado a um lucro líquido de R$ 17,1 milhões em 2000.

A empresa enxugou o quadro de funcionários, com a demissão de 200 pessoas, e fez a baixa contábil dos investimentos na Clairol, fabricante de cosméticos vendida para a Procter & Gamble. A conta de "outras despesas operacionais" saltou de R$ 1,6 milhão para R$ 23,9 milhões. A alta do dólar, além de elevar o custo da matéria-prima importada, incidiu sobre o endividamento. A despesa financeira aumentou 90%, para R$ 33,4 milhões.

 
Página Anterior Ínicio da página