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Genéricos na Imprensa
Notícias
Deferências a Serra
Fonte:
Jornal do Brasil - 07/02/2002
SONIA CARNEIRO
BRASÍLIA - Foi sutil, mas os políticos na
sala perceberam. O presidente Fernando Henrique Cardoso olhou para
o ministro da Saúde, José Serra e afirmou: ''Espero
que o próximo governo seja melhor que o meu''. E continuou.
''Estarei apto, se estiver vivo, a aplaudir entusiasticamente.''
O candidato tucano ao Palácio do Planalto disfarçou
o sorriso, discreta reação à deferência
presidencial. Em silêncio, acompanhou a fileira de elogios
de Fernando Henrique à política de saúde de
governo. feitos comandados por Serra à frente do ministério.
Dessa vez, Serra ocupou o lugar do colega da Fazenda, Pedro Malan,
como o ministro mais citado no discurso presidencial. Por duas vezes,
Fernando Henrique descreveu como ''revoluções'' os
projetos desenvolvidos por Serra - o de combate à Aids e
os genéricos. ''Educação e saúde são
fundamentos de uma nova sociedade'', salientou FH. ''O projeto para
o Brasil não inclui simplesmente a substituição
de importações. O projeto fala de gente, é
preciso que as pessoas usufruam dos benefícios do progresso.
Sem saúde e educação não há isso.''
O reconhecimento presidencial e a fartura de referências enterneceram
Serra. Saiu abraçado a Malan, um dos rivais no governo. Por
oito anos os dois digladiaram em torno da política econômica.
Agora, em tempos de colheita de votos, os dois resolveram esquecer
desavenças do passado. Tanto que Malan nem deu tempo a Serra
de responder se o manteria no cargo caso eleito. O ministro da Fazenda
aconselhou logo:''Não aceite a provocação,Serra''.
Mas o candidato não se conteve. Falou. ''Primeiro preciso
ganhar a eleição, depois a gente discute.'' Em rápida
entrevista, Serra confirmou que deixará o cargo antes da
pré-convenção do PSDB, dia 24.
Citações - A alegre disposição
do candidato ainda se abastecia do discurso de Fernando Henrique.
O presidente afirmou que a queda da mortalidade infantil no país
''é maior até do que demonstram as pesquisas''. Por
isso, a seu pedido, o ministério da Saúde encomendou
novos levantamentos. A mortalidade infantil é de 32,7% por
mil crianças nascidas vivas no Brasil em média. Destoa
no Nordeste, onde alcança a taxa de 51,7%. ''Foi uma vitória'',
comemorou o presidente.
Atribuiu a Serra a visibilidade mundial do programa de combate à
Aids e as campanhas de vacinação ''muito raras em
outros países''. O programa da Aids, com a farta distribuição
do coquetel de medicamentos contra a doença, reduziu de 7,09%
para 1,67% em cada 100 mil habitantes as mortes de pacientes entre
1997 e 2000. ''Os programas da saúde trocaram a medicina
curativa pela preventiva'', observou FH. ''E não podemos
esquecer os genéricos. Eles baratearam os preços dos
medicamentos e possibilitaram a quebra de patentes. E não
há patente que resista às dificuldades do povo.''
O presidente lembrou que Serra adotou até programas cubanos,
como o dos agentes comunitários de saúde, famosos
pelos bons resultados preventivos na terra de Fidel Castro. Foram
tantas as citações que Fernando Henrique apelou à
paciência dos ouvintes. ''Não quero cansá-los'',
disse, ''mas é uma infinidade de programas, que mostram como
mudou a Saúde''.
FHC pede continuidade no governo
Fonte:Folha
de S.Paulo - 07/02/2002
Em discurso de 2 horas, presidente dá mote ao candidato
governista
WILSON SILVEIRA
RENATA GIRALDI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Numa espécie de "aula" de duas horas de duração,
Fernando Henrique Cardoso reuniu o ministério para fazer
um balanço de seus sete anos de governo e mandar recados.
O principal deles é que o governo tem uma obra importante
e inconclusa, que precisa ser levada adiante por seu sucessor. O
discurso dá o mote para o candidato do governo ao Planalto.
"É preciso continuar, é preciso mudar muita coisa,
avançar mais. Mas não jogar fora tudo que está
aí. Nós não vamos deixar jogar fora um novo
Brasil", afirmou ele, sem defender explicitamente o pré-candidato
de sua preferência. O ministro José Serra (Saúde)
ocupava a primeira fileira do auditório e teve a gestão
mencionada com destaque no discurso.
Cerca de 200 pessoas ouviram a exposição, entre elas
os 26 ministros -13 deles deixarão seus cargos até
abril para disputar as eleições de outubro.
Ao deixar o auditório junto com o ministro Pedro Malan, Serra
foi questionado se manteria o colega no Ministério da Fazenda,
se fosse eleito. Foi Malan quem respondeu: "Serra, não
aceite provocação". Dizendo que era preciso primeiro
ganhar as eleições, Serra se esquivou das perguntas
sobre o discurso de FHC. Limitou-se a dizer que não havia
se programado para dar entrevista e não iria correr o risco
de falar bobagem.
Sem citar Serra nominalmente, FHC deu destaque à atuação
do Ministério da Saúde e classificou de revoluções
o programa Saúde da Família e a política de
medicamentos genéricos.
Nesse trecho, FHC citou o senador José Sarney, pai de Roseana
Sarney (PFL), lembrado como autor do projeto de lei que obriga o
governo a custear o tratamento contra Aids.
O presidente dedicou boa parte de sua exposição ao
Nordeste, mostrando indicadores segundo os quais a região
melhorou muito nos últimos sete anos. Trata-se de uma referência
à região tida como desprezada pelos tucanos.
Apesar de a maioria do discurso fazer um auto-elogio, o presidente
não deixou de fazer um mea culpa em relação
às crises da segurança pública e da energia
elétrica. "Nem tudo foram glórias."
Sobre a segurança, disse que todos são responsáveis,
tanto o governo federal como os governos estaduais, "historicamente
e presentemente". Sobre a crise de energia, deixou de atribuir
o problema exclusivamente às chuvas, como fez em dezenas
de ocasiões. Disse que o modelo de privatização
adotado pelo governo "não estava bem equacionado".
Admitiu que "a situação não está
uma maravilha", mas insistiu que era pior antes do Plano Real,
de 94. "Se olharmos para trás, não havia nada."
Foi menos enfático do que de costume nas críticas
aos seus opositores, a quem se referiu como pessoas que ficam olhando
para o retrovisor.
Em tom de campanha, FHC afirmou que ganhou duas eleições
"dizendo ao povo o que ia fazer, e o resultado aí está".
Disse esperar que o próximo governo seja muito melhor do
que o seu e que está pronto a aplaudi-lo.
Serra foi "aluno" mais atento ao discurso
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O tom solene da reunião ministerial foi quebrado por um
penetra, um certo Roberval Uzeda, que aplaudiu diversas vezes o
presidente Fernando Henrique Cardoso, causando constrangimento na
platéia e deixando os seguranças de prontidão
para o caso de precisarem retirá-lo do local.
Ao final da reunião, todas as atenções se voltaram
para o ministro da Saúde, José Serra. Ele anotou boa
parte da "aula" de FHC. Foi o mais aplicado ouvinte do
discurso. O auditório de um prédio anexo do Palácio
do Planalto com capacidade para 200 pessoas foi lotado por autoridades
do primeiro e segundo escalões do governo.
Presidente diz que "há muitos pobres no Brasil"
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao reconhecer que "há muitos pobres no Brasil",
o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o governo federal
repassou no ano passado cerca de R$ 29 bilhões em programas
sociais para a população carente. Ele criticou os
que têm apenas "retórica" em relação
à pobreza.
Das duas horas de discurso, FHC gastou metade falando sobre as ações
executadas no Nordeste e dividiu o restante entre vários
temas, dando destaque aos programas da Saúde, entre os quais
o de combate à AIDS e o dos genéricos. A seguir os
principais trechos do discurso do presidente.
Saúde - Depois do Nordeste e das ações
do governo na região, foi o tema ao qual dedicou mais tempo.
O ministro da pasta -José Serra- é o pré-candidato
tucano à Presidência. Destacou a idéia dos agentes
comunitários, que passaram de 29 mil em 1994 para cerca de
153 mil em 2001. Citou também os médicos de família,
sistema adotado a partir do modelo cubano.
Segundo ele, essas iniciativas contribuem para a diminuição
da mortalidade infantil. Elogiou o programa de combate e controle
da Aids, lembrando que a proposta surgiu com uma idéia do
senador José Sarney (PMDB-AP). Destacou a política
de medicamentos genéricos.
Racionamento - Reconheceu que o modelo energético
adotado por seu governo não estava bem equacionado. Vangloriou-se
de a crise estar próxima de ser resolvida sem a necessidade
de apagões. Ironizando o termo "ministro do apagão",
usado pela imprensa para se referir ao ministro Pedro Parente, que
coordena a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica,
FHC disse: "Ele passou a ser o ministro da iluminação".
Pobreza - Disse que 31,7% da população está
na faixa de pobreza, vivendo com US$ 2 per capita por dia. Segundo
ele, desse total 12,7% são indigentes (US$ 1 per capita por
dia). Criticou seus antecessores: "A retórica contra
a pobreza é eterna no Brasil, mas a prática, meu Deus...".
FHC citou o combate à inflação como um dos
mais importantes instrumentos de combate à pobreza e a transferência
direta, por ano, de R$ 29 bilhões para a população
carente por meio de programas sociais, com ênfase para o cartão
único -que permite ao beneficiado retirar o dinheiro do programa
social com um cartão magnético.
Educação - Para FHC, houve uma "revolução
branca" na educação, já que mais de 90%
das crianças e adolescentes em idade escolar estão
nas salas de aula. Disse que aumentaram os números de estudantes
universitários e doutores. Elogiou a implantação
do provão (exame que avalia cursos superiores) e falou sobre
o aumento dos salários dos professores, que tiveram reajuste
após uma greve de mais cem dias.
Alca - Defendeu o Mercosul e disse que a Alca (Área
de Livre Comércio das Américas) é uma questão
de mercado, não de soberania nacional.
Falhas na energia e acertos na saúde
Fonte:Gazeta
Mercantil - 07/02/2002
Patrícia Cunegundes e Fernanda Paraguassu
O presidente Fernando Henrique Cardoso fez o mais longo balanço
dos seus sete anos de governo ontem. 'Este é o último
ano do meu segundo mandato. É oportuno, portanto, que se
dê um balanço um pouco mais aprofundado sobre tudo
o que conseguimos fazer', disse. No encontro, admitiu erros na questão
da crise energética - 'nem tudo foram glórias' - e
no combate ao desemprego. No balanço social, gastou seis
minutos falando das realizações na área de
Serra, a Saúde.
Ele lembrou também que no próximo dia 1º de março
será comemorado o oitavo aniversário da Unidade de
Referência de Valor (URV), precursora do Real. 'Antes disso,
o que havia era uma desorganização no Estado e nas
finanças públicas'.
'Nenhum país se mantém ativo se não tem uma
perspectiva de futuro, se não é capaz de sentir para
onde vai', afirmou o presidente, lembrando como foi definido o projeto
nacional do seu primeiro governo. Segundo ele, era preciso mudar
o conceito de projeto nacional e 'parar de olhar para o retrovisor'.
Afirmou que o projeto atual é baseado em eixos de integração
e desenvolvimento e não em projetos de infra-estrutura, como
nos anos 60 e 70.
Nordeste - O presidente destacou os projetos no Nordeste,
cujo maior desafio é a inclusão social. Falou sobre
as obras na região, que devem aumentar a capacidade de armazenamento
de água, citando o Complexo do Castanhão, no Ceará,
três vezes maior do que o açude de Orós.
Fez questão de deixar claro que o modelo energético
no passado apresentava fragilidade, o que pode ser considerado uma
das causas do racionamento. Ele lembrou que a Constituição
de 1988 proibia que o governo leiloasse concessões para a
iniciativa privada. Resultado disso, é que os investimentos
pararam nesse período e só foram retomados em 1996,
com a Lei das Concessões. Fernando Henrique destacou uma
grande ironia dentro do seu governo. Segundo ele, desde que assumiu,
foram inauguradas várias obras de energia Nordeste, como
a usina de Xingó e linha de transmissão de Tucuruí.
'Dizíamos que o Nordeste não estava mais sujeito ao
racionamento. A ironia é que o rio São Francisco teve
o pior ano de seca da história', afirmou. O presidente confirmou
que o governo vai transformar a Chesf de maneira que os rendimentos
serão utilizados em novos investimentos no setor.
Saúde - O presidente afirmou que o programa de agentes
comunitários de saúde é um dos responsáveis
pela queda da mortalidade infantil. Citou também o controle
da Aids, cujo tratamento gratuito foi implementado a partir da emenda
constitucional do senador José Sarney (PMDB-AP). E fez referência
ao Programa Médico na Família, um modelo cubano, e
à lei dos medicamentos genéricos. 'A máquina
do estado mudou para atender aos que mais necessitam, afirmou.
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