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Genéricos na Imprensa
Notícias
11/02
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Sites de laboratórios beneficiados com genéricos dão
destaque a Serra
Fonte:
Folha de S.Paulo - 09/02/2002
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
José Serra, ministro da Saúde e pré-candidato
à Presidência pelo PSDB, ocupa lugar de destaque, na
condição de ministro, de político e de presidenciável,
nos sites dos laboratórios farmacêuticos Abbott do
Brasil e Knoll Produtos Farmacêuticos, beneficiados com a
promulgação da lei dos genéricos, em agosto
de 1999.
As duas empresas são controlados pela norte-americana Abbott
Laboratories. Em março de 2000, a Knoll foi a primeira multinacional
a ter um genérico -medicamento comercializado pelo nome da
substância ativa- certificado pelo Ministério da Saúde.
Os sites www.genericos.com.br, de domínio da Abbott, e www.knoll.com.br,
da Knoll, compartilham um banco de dados com reportagens extraídas
de jornais. No total, 27 faziam alusão a Serra na última
terça-feira, todas com tendência favorável ao
ministro. A reportagem não considerou os textos que citavam
apenas o Ministério da Saúde.
Depois de serem contatados pela reportagem da Folha, os laboratórios
excluíram dos respectivos sites parte das reportagens.
A maioria das notícias alusivas a Serra reproduz o empenho
do ministro em reduzir os preços de remédios no Brasil:
"Pão-duro de carteirinha, o ministro José Serra
anda por conta com o reajuste no preço dos medicamentos genéricos"
e "Serra não dará trégua no embate por
remédios mais baratos" são títulos de
duas das reportagens exibidas pelos sites.
Eleição
A campanha eleitoral também ocupou espaço nos sites
dos laboratórios. Foi incluída em ambos, por exemplo,
uma reportagem sobre um bate-boca entre Serra e o também
pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PPS).
No artigo, publicado em novembro do ano passado por um jornal do
Rio, Ciro acusou Serra de tentar sabotar o Real ao não defender
a implantação do plano em uma reunião, em Brasília,
com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na época integrado
ao ministério de Itamar Franco.
Com destaque no site, vem a resposta do ministro: "Serra reagiu
às críticas chamando Ciro de desocupado e mentiroso".
A justificativa para o fato de uma reportagem de cunho político-eleitoral
estar em sites de saúde está no próprio título:
"Ciro ataca Serra, que lhe recomenda Bromazepan, o genérico
do Lexotan".
Essa foi uma das notícias excluídas do banco de dados
dos dois sites, após a reportagem entrar em contato com a
assessoria de imprensa da Abbott do Brasil.
"Presidenciável"
Entre as reportagens reproduzidas pelos sites, há ainda uma
nota intitulada "Em campanha". O conteúdo é
o seguinte: "Grandes fotos do presidenciável José
Serra, posando sorridente com remédios genéricos,
começaram a surgir em farmácias do Rio".
A nota, publicada em 26 de maio de 2001, foi extraída de
um jornal do Rio de Janeiro.
Essa é uma das notícias que continuavam disponíveis
nos endereços eletrônicos dos laboratórios Abbott
do Brasil e Knoll Produtos Farmacêuticos.
Páginas na internet são terceirizadas, dizem empresas
DA REPORTAGEM LOCAL
Os noticiários que constam dos sites da Abbott e da Knoll
são preparados por uma empresa terceirizada e não
há uma pré-seleção por parte dos laboratórios,
segundo informaram seus assessores de imprensa.
A prioridade, de acordo com os laboratórios, é eleger
notícias relacionadas aos medicamentos genéricos.
Em e-mail enviado à Folha, a Abbott disse que o banco de
dados de seu site é composto por 2.000 reportagens, sendo
que "apenas 0,85% mencionam o ministro da Saúde (17
notícias)". Há mais de cinco dias, em consulta
feita pela reportagem, 27 notícias citavam nominalmente José
Serra.
Depois, após contato com os assessores, o número foi
reduzido. A reportagem sobre um bate-boca de Serra com Ciro Gomes
(PPS), por exemplo, foi excluída.
Os laboratórios informaram que os sites não têm
nenhum vínculo com o Ministério da Saúde.
Segundo eles, o único objetivo é criar um espaço
na internet com informações ao público em geral
e à comunidade médica e farmacêutica sobre os
medicamentos genéricos.
Unificação
A Knoll, braço farmacêutico da Basf, foi comprada mundialmente
pela Abbott Laboratories, em março de 2000, como parte da
estratégia da companhia de ampliar sua presença no
mercado farmacêutico.
Os dois laboratórios brasileiros encontram-se em processo
de unificação.
A Abbott do Brasil está entre as sete maiores indústrias
farmacêuticas do país.
Revista de fabricante de remédio dedica 6 páginas
a tucano
LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No mesmo mês em que lançou sua pré-candidatura
à Presidência da República, o ministro José
Serra (Saúde) conseguiu divulgação pessoal
em um lugar inusitado.
A edição de janeiro da revista "Milenium",
do Laboratório Teuto Brasileiro, dedicou seis páginas
a uma entrevista com "o melhor ministro" da gestão
FHC.
Ao lado de uma foto de página inteira, a reportagem afirma
que Serra "enfrentou dificuldades históricas do país
para garantir o acesso das camadas mais carentes da população
a um atendimento médico condizente com suas necessidades
e, especialmente, aos medicamentos de que precisa".
Além disso, o ministro da Saúde é elogiado
por "confrontar práticas econômicas sedimentadas
e arrostar resistências poderosas". Pré-candidato
do PSDB, Serra pretende deixar o ministério no dia 22 deste
mês.
Inauguração
Em novembro, Serra compareceu à festa de inauguração
da nova fábrica do Teuto, em Anápolis. Estiveram presentes
também o então presidente em exercício, Marco
Maciel, e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Na ocasião, o laboratório pediu apoio do governo na
ampliação da demanda por genéricos. "Se
não vamos alargar a base de consumo, por que construir uma
fábrica?", argumentou Jailton Batista, superintendente
do Teuto.
O laboratório é um tradicional fabricante de remédios
similares. Os similares do Teuto, aliás, já renderam
algumas dores de cabeça ao governo.
Em 99, o laboratório foi acusado de apresentar seus remédios
similares como genéricos, prática condenada pela Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O Teuto alega que seus similares eram -naquele momento- os genéricos
do mercado, porque as exigências de testes de biodisponibilidade
e bioequivalência ainda não estariam em vigor.
Um relatório da Anvisa sobre genéricos aponta o que
considera um "claro descumprimento à legislação"
por parte do Teuto.
Segundo o documento, as vendas de similares do laboratório
cresceram 97% entre dezembro de 1999 e novembro de 2001.
Para a Anvisa, isso indica que o Teuto apostou na produção
de similares com denominação genérica, cuja
produção é proibida desde abril de 2001. Somente
os genéricos podem ser chamados pelo nome do princípio
ativo.
A entrevista à "Milenium", com tiragem de 5.000
exemplares, trata quase que exclusivamente da política de
genéricos.
Solicitação
Em certo momento da entrevista, Serra destaca a propaganda do governo
federal em favor de todos os genéricos: "Nunca se falou
tanto em medicamentos no Brasil. Nós proporcionamos a discussão
e, consequentemente, a divulgação do produto".
A assessoria do ministério informou que a entrevista foi
solicitada em outubro e enviada à "Milenium" em
novembro. E que o ministro costuma prestigiar eventos pró-genéricos
porque é o responsável pela implantação
dessa política. Quanto a possíveis irregularidades,
caberia à Anvisa fiscalizar e punir os laboratórios.
A assessoria do laboratório, que foi contatada no início
da semana passada, informou que o objetivo da revista "Milenium"
é divulgar a empresa para seus clientes e colaboradores,
autoridades e outros públicos. A Folha ligou novamente na
última sexta-feira para o Teuto para discutir a venda de
similares, mas não obteve resposta.
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