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11/07

Genéricos permitem poupar 45%

11/07

Inovação nas padarias

 

Genéricos permitem poupar 45%
Fonte: Jornal de Brasília - 11/07/2002


Economia

Aumento da área de cobertura traz redução maior de preços; mais 200 medicamentos estão sob exame.

Nelza Cristina

Cresce o mercado de genéricos e, com ele, a economia do consumidor. Com 610 medicamentos a venda, que cobrem 57 classes terapêuticas, os genéricos já representam um custo médio 45% menor do que o dos produtos de referência (de marca). Em alguns casos, a economia pode chegar até a 80%. Até pouco tempo atrás, a média se situava entre 35% e 40%.

E a tendência é que os preços caiam ainda mais com a entrada de novos produtos e fabricantes no mercado. Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa mais de 200 processos de novos medicamentos genéricos. Além disso, pelo menos, três grandes fabricantes de medicamentos estão se instalando no Brasil - a Apotex, maior indústria do Canadá, a Rambax, também a maior da Índia, e a Hexal, que está em segundo lugar no mercado alemão.

"Está havendo uma aposta muito grande no Brasil", afirma Vera Valente, gerente geral de Medicamentos Genéricos da Anvisa. A justificativa para o otimismo é apresentada pela própria Vera. Ela esteve recentemente na Espanha e constatou que, após cinco anos, o mercado de genéricos representa apenas 3,4% do mercado. No Brasil, em dois anos, a participação já está em 6%.

A explicação para esse crescimento, que chega a 10% por mês, se explica basicamente pela maior conscientização do consumidor e pelo preço.

Para se ter uma idéia, entre os medicamentos lançados mais recentemente no mercado constatam-se expressivas diferenças de preço. Um exemplo é a Pentoxifilina, medicamento usado no tratamento de distúrbios vasculares periféricos, que está sendo comercializado a R$ 20,40 a caixa com duas cartelas de dez comprimidos (600 mg), contra R$ 31,42 do referência Trental.

Vendas quase triplicam desde 2001
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Ao contrário do mercado farmacêutico que, em números absolutos, tem apresentado queda, os genéricos crescem em vendas a cada mês. Somente este ano, de janeiro a maio, já foram comercializadas 27,4 milhões de unidades, no valor total de US$ 96,7 milhões. No ano passado, no mesmo período, foram vendidas 11,6 milhões de unidades que somaram US$ 44,1 milhões. No total, em 2001, o mercado de genéricos comercializou 39 milhões de unidades (US$ 129 milhões).

"As pessoas já estão conscientes da existência dos genéricos, de seus preços mais baratos e os médicos estão prescrevendo cada vez mais o produto", justifica Paola Franchin, secretária-executiva do Grupo Pró-Genéricos, ligado à Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), antiga Abifarma.

Pesquisa nacional, encomendada pelo Ministério da Saúde, mostra que 95% dos consumidores já ouviram falar dos genéricos e, destes, 54% disseram estar muito ou razoavelmente bem informados sobre o assunto.

Segundo o estudo, 48% dos consumidores atendidos nas farmácias e drogarias pedem por genéricos, enquanto 40% pedem para trocar um medicamento de marca receitado por um genérico e 41% querem comprar o produto. Foram entrevistadas 2.220 pessoas , com idade entre 16 e 74 anos, de ambos os sexos, em vários pontos do País.

Mesmo assim, Vera Valente, gerente geral de Medicamentos Genéricos da Anvisa, admite que os medicamentos de marca ainda exercem um grande poder sobre os médicos. Para se ter uma idéia, 80% das receitas pesquisadas apresentavam prescrições exclusivamente com medicamentos de referência.

"Já passou aquela fase de os médicos falarem mal dos genéricos, mas ainda existe a cultura da marca. Essa é uma das maiores barreiras a vencer", afirma Vera.

Ao consumidor cabe, segundo ela, pressionar os médicos pela indicação de genéricos, de forma a estimulá-lo a mudar de comportamento. "O preço, muitas vezes, é fundamental na hora de se decidir pela compra ou não de um medicamento e, conseqüentemente, de se seguir um tratamento", justifica a gerente de medicamentos genéricos da Anvisa.

A seu ver, quanto maior for a ampliação do consumo, aliado à possibilidade de o governo, com preços mais baratos, se tornar um grande comprador, maiores são as chances de novas reduções de custo.

As dicas na hora de comprar
* Ao receber uma receita verifique se há indicação de genéricos, além dos produtos de marca
* Caso haja somente o medicamento de referência, pergunte ao médico se não existe genérico para ele
* Na farmácia ou drogaria consulte o balconista sobre as opções de genéricos
* O genérico pode ser identificado pela embalagem, que deve ter logo abaixo do nome do princípio ativo a frase "Medicamento genérico - Lei 9.787/99". Uma grande letra "G" azul deve estar impressa sobre uma tarja amarela, situada na parte inferior das embalagens do produto
* Lembre-se sempre de que medicamento similar não é o mesmo que genérico.
* O similar possui o mesmo fármaco (princípio ativo), a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, mas não tem comprovada sua equivalência de conteúdo com o medicamento de referência comprovada
* O genérico é aquele que contém o mesmo fármaco, na mesma dose e forma farmacêutica, é administrado pela mesma via e com a mesma indicação terapêutica do medicamento de referência no País, apresentando a mesma segurança que o medicamento de referência.


Inovação nas padarias
Fonte: Correio Braziliense - 11/07/2002

Tema do Dia/ desenvolvimento

Investimentos em qualidade e modernização melhoram o desempenho de panificadoras e gráficas. A tecnologia da informação se consolida e três grandes laboratórios farmacêuticos começam a construir fábricas no Pólo JK

O maior destaque dos últimos 15 anos no setor de alimentos, responsável por 40% da produção do Distrito Federal, são as panificadoras. Conforme o Sindicato da Indústria da Alimentação (Siab), a Padaria Pão Italiano foi o estabelecimento que teve a idéia mais inovadora do segmento. Inaugurada há 20 anos na 302 Norte e sete anos depois transferida para a 316 Norte, a panificadora nasceu para ser a primeira butique de pães do Distrito Federal. Conquistou mercado com produtos de qualidade e o sistema de vendas em que o consumidor escolhe as mercadorias e só paga na saída da loja.

Hoje a Pão Italiano tem nove lojas instaladas no Plano Piloto, nos lagos Sul e Norte, Sudoeste, Guará e Taguatinga. Dessas, cinco são franqueadas. Neste mês, será inaugurada mais uma no Lago Sul e até o final do ano estão previstas a abertura de mais duas padarias. Márcia Flausino Traboulsi, uma das donas da rede, diz que o segredo do sucesso e o crescimento é a dedicação completa de toda a família e à inovação. ''O mercado está em crescimento, mas é sofrido por causa dos constantes reajustes da farinha de trigo e a concorrência com os supermercados.''

Os serviços gráficos representam 15% da produção industrial local. No ano passado, as 350 empresas faturaram R$ 180 milhões. Com um faturamento anual de R$ 12 milhões, o dono da Gráfica Brasil, Romeu José de Oliveira, estima que o crescimento neste ano será de 30% em relação a 2001, graças aos últimos equipamentos adquiridos neste ano e que entrarão em operação no próximo mês, e serão capazes de dobrar a produção. A gráfica Brasil atua há 30 anos e investiu US$ 4 milhões em maquinário nos últimos dois anos. Quando foi inaugurada, era uma microempresa instalada na 405 Sul e empregava oito pessoas. Hoje é uma empresa de médio porte com 60 funcionários. Segundo, Oliveira, 60% dos trabalhos realizados pela empresa são oriundos de contratos com os órgãos públicos. Entre os serviços estão impressão de livros técnicos, boletins institucionais, jornais e revistas.

O grande filão é a informática

Nem alimentos nem bebidas. De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Lourival Dantas, a pesquisa do IBGE está desfalcada. Deixou de fora dois grandes setores brasilienses: construção civil e informática. Segundo Dantas, hoje, no Distrito Federal, a indústria que mais cresce é a da tecnologia da informação.

''São mais de mil empresas que transformaram o Distrito Federal no segundo melhor mercado de informática do país e que empregam 21 mil pessoas altamente qualificadas'', diz Dantas. Em todo o país, o mercado da informação movimenta US$ 30 bilhões por ano. Desse total, US$ 20 bilhões referem-se ao setor privado e US$ 10 milhões ao setor público, sendo que só em Brasília são movimentados US$ 6,5 bilhões.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, no ano passado as empresas brasileiras gastaram 4,5% do seu faturamento em tecnologia da informação. Em 1989, esse percentual foi de 1%. ''A tecnologia da informação está para as empresas como o oxigênio para a vida porque esses recursos são utilizados em quase todo o processo de produção'', afirma Antônio Fábio Ribeiro, presidente do Sindicato da Indústria da Informação (Sinfor). O Distrito Federal tem 1.024 empresas do setor. As microempresas correspondem a 87,89% desse total.

No Distrito Federal, o setor de informática só fica atrás da construção civil, que detém o maior faturamento de toda a indústria do Distrito Federal. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Márcio Edvandro, no ano passado, as 1.500 empresas faturaram R$ 2,5 bilhões. Por aqui, o forte da indústria é a construção de imóveis residenciais e comerciais. As obras públicas representam 30% do faturamento.

A política de incentivos fiscais que dá desconto no ICMS e na aquisição de terrenos para empresas que venham se instalar por meio do Pró-DF aqueceu o mercado para a indústria da construção civil. Nos últimos três anos, 4.120 empresas foram beneficiadas pelo programa e estão construindo suas sedes nas 13 Áreas de Desenvolvimento Econômico (ADE) em todo o Distrito Federal.

Entre as recém-chegadas estão três grandes laboratórios nacionais. Esse novo setor industrial de Brasília, o farmacêutico, vai se instalar no Pólo JK, área ao lado da cidade de Santa Maria e que foi reservada a grandes indústrias. Juntos, União Química, Medley e EMS investirão mais de R$ 100 milhões na construção e instalação das máquinas. A previsão é de que as fábricas comecem a funcionar até o final de 2003.

A União Química foi a primeira a chegar em Brasília, ainda no ano passado. A partir do próximo ano, sua fábrica começará a produzir medicamentos comuns e genéricos. A indústria tem 65 anos de experiência em produtos farmacêuticos e a unidade no Pólo JK será a quinta da companhia, que conta com três fábricas no estado de São Paulo e uma em Minas Gerais.

 
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