Genéricos na Imprensa
Notícias
Serra
fará discurso com crítica a Malan
Fonte:
Jornal do Brasil - 12/01/2002
XCapa/Brasil
Serra prepara ataque contra impostos
No discurso como candidato tucano, na quarta-feira, ministro
vai criticar aumento de tributos e defender aliança
SONIA CARNEIRO
BRASÍLIA - No primeiro discurso como pré-candidato
à Presidência da República, o ministro da Saúde,
José Serra, defenderá a manutenção da
estabilidade econômica e do Plano Real e o fim dos entraves
que impedem o crescimento da economia brasileira. O tucano vai desancar
com o aumento dos impostos. Nos últimos 12 anos, a carga
tributária aumentou de 24% para 33%. E defenderá a
manutenção da aliança com o PFL e o PMDB. Mas
avisará que não novas fórmulas vão alterar
a reprodução do atual condomínio do poder.
O ato partidário é preparado com discrição,
ao estilo Serra, que não gosta de fanfarras nem claque organizada.
Será no auditório do Espaço Cultural da Câmara
dos Deputados, na quarta-feira. É lá que o partido
costuma reunir a bancada. Os organizadores alertam que até
o último minuto a programação pode ser alterada.
Suspense - Tudo será feito com ou sem a presença
do governador do Ceará, Tasso Jereissati, que passou os dois
últimos dias inaugurando obras no interior do Estado. Tasso
continua acenando com a possibilidade de disputar a sucessão
de Fernando Henrique Cardoso caso a campanha de Serra não
decole. Mantém suspense sobre seu comparecimento à
espera do telefonema conciliar do ministro da Saúde.
Os seis governadores do partido estão automaticamente convidados
porque integram a Executiva Nacional. O presidente, em viagem à
Rússia, estará ausente. A organização
do evento é tocada pela direção do PSDB e pelo
marqueteiro do partido, Paulo de Tarso da Cunha Santos.
Plataforma - No pronunciamento, Serra antecipará
a plataforma de política econômica e social. Um esboço
foi preparado por políticos e técnicos do partido.
A volta do crescimento e a redução do déficit
externo formam a base da tese do candidato. Serra reafirmará
promessa feita aos exportadores, no Rio de Janeiro, ano passado,
quando defendeu a transformação do Ministério
do Desenvolvimento em Ministério do Comércio Exterior
e responsável pelo controle da política tarifária.
Considera que tributo não é receita e o imposto de
exportação e importação é instrumento
de política econômica.
Serra destacará os dados positivos do governo FH, como a
estabilidade econômica, o aumento do salário mínimo
em 46% e o lançamento dos medicamentos genéricos.
Não deixará de elogiar o esforço do presidente
para dar destaque internacional ao Brasil e pregar contra o protecionismo
externo. Defenderá a melhora do custo financeiro para estimular
as exportações.
Político
que não foge da briga
Fonte:
Jornal do Brasil - 12/01/2002
Brasil
ANA MARIA CAMPOS
BRASÍLIA - Marqueteiros do PSDB já descobriram
a fórmula para transformar a fisionomia séria, muitas
vezes carrancuda, do ministro do Saúde, José Serra,
em votos. Ensaiam maneiras de convencer que as marcas na testa e
o econômico sorriso expressam preocupação com
o futuro do país. Mais ainda, que riso fácil não
resolve dificuldades, importa é plataforma de governo.
Serra trabalha muito, dorme pouco e é político brigão.
A desavença com o governador do Ceará, Tasso Jereissati,
é apenas mais uma na extensa lista do ministro. Por mais
que os dirigentes tucanos insistissem na aproximação,
até ontem Tasso não recebera um telefonema pacificador
de Serra. ''Ele é uma pessoa de relacionamento difícil'',
define o ex-senador Antônio Carlos Magalhães. ''Até
o presidente Fernando Henrique fala mal dele por causa disso.''
ACM é desafeto político do ministro, mas até
aliados concordam com sua avaliação. Deputados do
baixo clero, com pouca influência no Congresso, vivem se queixando
da impaciência de Serra com questões provincianas.
O ministro detesta, e não disfarça, a política
do toma-lá-dá-cá.
Atritos são eventos comuns na atividade pública de
Serra. Foram várias as batalhas travados com o ministro da
Fazenda, Pedro Malan, sobre a política econômica. As
relações com parcela do PFL nunca foram pacíficas.
Trava disputas internas com tucanos, como o o ministro das Comunicações,
Pimenta da Veiga. Na Saúde, comprou polêmica com os
grandes laboratórios, para impor os genéricos, e com
fabricantes de cigarros. O então técnico do Palmeiras,
hoje da Seleção, Luiz Felipe Scolari, foi alvo do
mau-humor desbocado do ministro depois de uma derrota do time. Nem
a apresentadora Xuxa escapou. Serra reclamou que a gravidez dela,
uma produção independente, não era bom exemplo
para as adolescentes.
Paulo Renato, um candidato a quê?
LUCIANO PIRES E CARMEN KOZAK
BRASÍLIA - Há seis meses, ele constava da
lista de presidenciáveis do PSDB. Hoje, depois de amargar
o desgaste de uma arrastada greve de professores universitários,
o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, não
tem destino político certo. Sempre no campo das hipóteses,
carrega títulos de ''possível''. Possível vice
do governador Geraldo Alckmin que vai tentar a reeleição,
possível candidato ao Senado, possível candidato a
deputado federal.
Até a greve, o que o presidente Fernando Henrique Cardoso
chama de ''revolução na Educação'' era
considerada a catapulta para levar Paulo Renato, no mínimo,
ao Senado. O ministro ainda quer ser senador, mas agora depende
das negociações para fortalecer projetos maiores:
o de José Serra à Presidência e o de Alckmin
à reeleição. A legenda para o Senado é
vital para a conquista de aliados, como o PFL, que tem Romeu Tuma
como candidato à reeleição. Serão eleitos
dois senadores, e é dada como certa a vaga do petista Aloizio
Mercadante.
''Paulo Renato é uma figura e tanto para o PSDB. Acho que
ele deve fixar sua candidatura'', diz o deputado José Aníbal
(SP), presidente do PSDB. Mas não diz fixar a quê.
O jogo de palavras de Aníbal não o exclui de um possível
confronto com o ministro da Educação pela vaga ao
Senado.
Saúde
continuará a ser principal cacife
Fonte:
O Estado de S. Paulo - 12/01/2002
Política/Sucessão
Serra ainda tem medidas de visibilidade a tomar, antes de deixar
o cargo em fevereiro
CHRISTIANE SAMARCO
BRASÍLIA - Os 373 veículos e equipamentos
para combater à dengue que o ministro da Saúde, José
Serra, entregou ontem ao governo no Rio de Janeiro são apenas
os primeiros de uma série de 2 mil carros que ele mesmo quer
pôr nas mãos dos governadores até o dia 20 de
fevereiro, quando deixará o cargo para dedicar-se à
campanha presidencial.
Depois de Anthony Garotinho (PSB-RJ), o ministro vai aos governadores
Itamar Franco (PMDB), de Minas Gerais; Geraldo Alckmin (PSDB), de
São Paulo, e César Borges (PFL), da Bahia. Mas não
sem voltar ao Rio, no dia 21, para inaugurar mais um hospital da
Rede Sarah do Aparelho Locomotor. E ainda restarão pelo menos
mais dois hospitais - um em Mato Grosso e outro no Rio Grande do
Norte, a serem inaugurados pelo ministro e candidato.
O ministro ainda contabiliza o sucesso na Organização
Mundial do Comércio (OMC), com a vitória na luta para
derrubar patentes de medicamentos e a produção de
genéricos. E prepara um evento para mostrar como tem sido
bem-sucedido na guerra contra o tabagismo. Ele quer comemorar em
grande estilo a entrada em vigor, em 1.º de fevereiro, da lei
que obriga os fabricantes de cigarros a estampar fotografias de
comsumidores doentes nas embalagens.
De posse de uma pesquisa mostrando que o eleitor brasileiro reconhece
Serra como excelente ministro, mas não consegue transferir
esta competência para o candidato, a cúpula do PSDB
prepara o programa eleitoral de 6 de maio para mostrar o tucano,
em cadeia de rádio e TV, como o homem que mudou a saúde
pública no Brasil.
Em fevereiro, Serra deixará o posto, mas manterá
o comando da Saúde.
Assumirá, em seu lugar, Barjas Negri, amigo de mais de 20
anos e atual secretário-executivo do ministério.
Barjas não é o único nome que Serra deixará
plantado na Praça dos Três Poderes. Depois de travar
uma queda-de-braço com ex-secretário Andrea Matarazzo
e o grupo do governador do Ceará, Tasso Jereissati, emplacou
na na Secretaria de Comunicação de Governo seu assessor
João Roberto Vieira. Tasso considerou a escolha de como o
sinal definitivo de que Serra era do candidato do presidente da
República. (Colaborou J.D.)
Paciência
com os genéricos
Fonte:
Folha de S. Paulo - 12/01/2002
Dinheiro/ OPINIÃO ECONÔMICA
GESNER OLIVEIRA
Em artigo publicado dia 10 de janeiro nesta Folha, o ilustre professor
Rogério Cezar de Cerqueira Leite fez críticas infundadas
à discussão desta coluna sobre o mercado de medicamentos
genéricos.
Embora esta semana tenha sido marcada pelos desdobramentos da crise
argentina e pelo anúncio dos novos rumos do setor elétrico,
esses temas podem esperar.
A importância dos genéricos e o primarismo das críticas
do ilustre professor exigem correção imediata. Os
equívocos do professor Cerqueira Leite podem ser divididos
em três pontos principais.
Primeiro equívoco: argumenta que não teria
havido uma expansão dos genéricos e alega que os números
mencionados nesta coluna estariam em contradição com
os do Ministério da Saúde ao mencionar a existência
de 142 fármacos (ou princípios ativos) contra 550
genéricos citados pelo ministro da Saúde.
Resposta ao primeiro equívoco: não existe
contradição de números, eles são os
mesmos e estão há algum tempo disponíveis na
página da Agência de Vigilância Sanitária
(a Anvisa) no item "monitoramento de mercado".
Ocorre que esta coluna se referiu a 142 fármacos (ou princípios
ativos), que frequentemente designa algo diferente do genérico.
Cada fármaco pode ser produzido por diferentes laboratórios.
Cada um desses últimos terá o seu genérico.
Esta coluna se referiu a 142 fármacos, produzidos por 26
laboratórios, sem mencionar o número de genéricos.
Esses dados foram tratados em detalhe pelo especialista Pedro Bernardo,
da Anvisa, em seminário público de 13 de dezembro
por ocasião do Encontro dos Centros Nacionais de Pós-Graduação
em Economia, em Salvador.
Segundo equívoco: de acordo com o professor, haveria
uma contradição entre a chegada de grandes produtores
mundiais de genéricos e um estímulo para as empresas
nacionais lançarem novos produtos.
Resposta ao segundo equívoco: durante anos, as marcas
representaram uma grande barreira à entrada aos mercados
de medicamentos. A política de genérico quebrou, ou
pelo menos atenuou, essa barreira, beneficiando a concorrência.
As mudanças recentes atraem naturalmente os grandes produtores
mundiais de genéricos, bem como empresas nacionais tendem
a ser beneficiadas em maior grau pela redução das
barreiras à entrada.
As empresas nacionais que não optarem pelo mercado de genérico
terão de buscar parcerias externas para fazer frente ao aumento
da concorrência para, com lançamento de produtos novos,
atuarem em nichos de mercados com políticas de diferenciação
de produtos.
Terceiro equívoco: o professor considera extravagante
a hipótese aventada nesta coluna (apresentada convenientemente
como "conclusão" pelo professor Cerqueira Leite)
de que o estímulo à produção de genéricos
poderia contribuir para viabilizar, em termos de escala, a produção
de farmacoquímicos no país.
Resposta ao terceiro equívoco: o ilustre professor
afirma que não ocorreu aumento de consumo de medicamentos,
apenas uma substituição de consumo, sem no entanto
citar a fonte do estudo em que se baseia para fazer tal afirmativa.
O fato a ser retido, no entanto, é o de que a introdução
de genéricos eliminou barreiras à entrada representadas
pelos elevados custos associados à fixação
de marcas dos medicamentos. Isso, por sua vez, abriu oportunidades
de negócios para fabricantes, nacionais ou internacionais,
que podem ter interesse em produção local de insumos.
A experiência internacional é extremamente rica em
exemplos acerca dos efeitos da introdução dos genéricos.
No Brasil, será necessária muita pesquisa empírica
para identificar eventuais problemas e reforçar seus inegáveis
benefícios.
O ponto de partida para tal tarefa é a investigação
imparcial e a atenção às fontes disponíveis
de informação, quesitos infelizmente esquecidos pelo
professor Cerqueira Leite.
Gesner Oliveira, 45, é doutor em economia pela Universidade
da Califórnia (Berkeley), professor da FGV-SP, consultor
da Tendências e ex-presidente do Cade.
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