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Genéricos na Imprensa
Notícias
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Os
fatos
Fonte:
Folha de São Paulo - 15/05/2002
JANIO DE FREITAS
Em uma nota, dia 3, sobre fala de Fernando Henrique Cardoso em
rede nacional, inclui este trecho: "Fernando Henrique atribuiu
os remédios genéricos ao seu governo. Foram criados
quando Itamar Franco era presidente e o médico e senador
Jamil Haddad era o ministro da Saúde. Quase sete anos depois,
1999, o governo de Fernando Henrique ainda tratava de adiar pela
segunda vez a aplicação da lei dos genéricos,
indesejada pelos laboratórios estrangeiros".
Em carta ontem publicada pela Folha, o diretor-presidente da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina Neto,
não nega explicitamente a nota. Mas o faz atribuindo à
regulamentação da lei 9789, em agosto de 99, a responsabilidade
pelos genéricos. Os fatos foram outros.
A Organização Mundial de Saúde-OMS pediu, em
1991, um empenho especial pela adoção de genéricos
no Brasil. Integrante da Comissão de Saúde da Câmara,
o médico e excelente deputado Eduardo Jorge, hoje secretário
municipal de Saúde em S.Paulo, apresentou um projeto de lei
a respeito.
Um exato ano depois, outro excelente parlamentar e também
médico, Jamil Haddad, foi nomeado ministro da Saúde
pelo recém empossado presidente Itamar Franco. Com os genéricos
como objetivo, o novo ministro obteve da assessoria jurídica
a indicação de que poderia lançá-los
só com um decreto, sem esperar pela lei. Presente a uma reunião
da OMS em Genebra, lá recebeu novo documento reiterando o
pedido de empenho pelos genéricos, o que levou à idéia
de reunir, em Brasília, representantes de oito países
com experiência no assunto, para nele introduzir os brasileiros.
Em 4 de abril de 93 foi emitido, com as assinaturas de Itamar Franco
e Jamil Haddad, o decreto 793 criando no Brasil os remédios
genéricos.
Os fatos não confirmam, também, que a produção
de genéricos só começou a partir de agosto
de 99. Pouco depois do decreto, já o laboratório alemão
Knoll criava uma subsidiária para produzir genéricos,
seguido por outros laboratórios. Só para um exemplo:
o genérico gerapamila surgiu àquela altura, 37% mais
barato do que o remédio com o nome de Dilacoron).
O projeto do deputado Eduardo Jorge tardou o que é habitual
no Congresso para os assuntos sérios: apresentado em 91,
só foi aprovado em 99. Trazia dois itens inexistentes no
decreto: as substâncias teriam que passar por testes de eficácia
de equivalência e os genéricos anteriores passariam
a chamar-se "similares".
Quanto à referência ao adiamento que, ainda em 99,
o governo Fernando Henrique tentava, é suficiente reproduzir
a manchete do caderno Cotidiano da Folha em 21 de outubro de 99,
em duas linhas na extensão total da página: "Governo
deve adiar pela segunda vez / a implantação da lei
dos genéricos".
A reposição dos fatos não desmereceu antes,
nem o faz agora, o que cabe a José Serra: o mérito
de decidir-se, afinal, a lutar pelos genéricos e fazê-lo
com êxito. Tanto inexiste desmerecimento, como intenção
ou como resultado, que o próprio José Serra, falando
no meio debate de quinta-feira passada na Confederação
Nacional a Indústria, declarou, por iniciativa própria,
a primazia de Jamil Haddad na criação dos genéricos.
A cada um, o que é seu.
Substituição
Fonte:
Folha de São Paulo - 15/05/2002
Em dois anos, o genérico maleato de enalapril (Biosintética)
conseguiu superar em 30% as vendas do seu similar, o conhecido Renitec
(da Merck), de acordo com a Auditoria Farmacêutica IMS.
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