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18/03

Anvisa exigirá teste de remédios similares

18/03

A nova dinâmica do desenvolvimento do Brasil

Anvisa exigirá teste de remédios similares
Fonte:O Globo - 18/03/2002

Martha Beck

BRASÍLIA. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai obrigar, até julho, os fabricantes de remédios similares a realizar testes de biodisponibilidade nestes produtos. Os testes mostram, por exemplo, quanto tempo o remédio leva para atuar no organismo e já é exigido dos produtos genéricos. Segundo a Anvisa, o objetivo é fazer com que os similares tenham as mesmas garantias de qualidade que os produtos de marca ou os genéricos.

A medida, de acordo com a agência, deverá aumentar a concorrência e forçar uma queda nos preços. Segundo o chefe de gabinete da Anvisa, Silas Gouveia, o teste poderá provocar um aumento nos custos das empresas, mas que não deverá ser repassado para os preços ao consumidor:
- Boa parte dos laboratórios já fabrica produtos genéricos e, por isso, tem condições técnicas de fazer os testes nos similares.

Ele afirmou também que a Câmara de Medicamentos, que regula os preços dos produtos no país, está enviando à Anvisa informações sobre os custos de cada empresa e sobre a formação dos preços de remédios. O presidente da Associação Pró-Genéricos, Carlos Eduardo Sanchez, diz que as empresas não precisarão fazer reajustes nos preços porque os similares que terão que passar pelos testes têm vendas expressivas.

O texto da resolução será posto em consulta pública em abril e, até julho, a medida entrará em vigor. Gouveia explicou que a proposta do governo é dar um prazo de cinco anos para que todos os similares comercializados no país passem pelo teste. Segundo ele, o Brasil tem hoje cerca de 50 mil apresentações de medicamentos similares. Gouveia explicou ainda que os testes só estão sendo exigidos dos similares agora porque o governo queria dar prioridade para a entrada de genéricos no mercado, que ainda enfrenta resistência no comércio.

Uma pesquisa da Anvisa feita em 1.231 farmácias de 24 estados mostra que apenas uma loja tinha todos os 46 genéricos escolhidos para análise. Segundo o trabalho, 52% das farmácias tinham até nove genéricos da lista, 10% tinham até 24 medicamentos e 5,4% não ofereciam nenhum dos produtos analisados.

A pesquisa, que também traz 2.220 entrevistas com consumidores, mostra que 46% das pessoas estavam comprando medicamentos com receita médica. Neste grupo, 80% apresentavam receita somente com o medicamento de referência prescrito. Apenas 9% tinham prescrição de genéricos pelos médicos.

- A pesquisa mostra que os médicos ainda seguem a tradição dos medicamentos de marca e que os balconistas das farmácias não ajudam os consumidores a encontrar remédios mais baratos - observou a gerente-geral de medicamentos genéricos da Anvisa, Vera Valente.

A pesquisa constatou que 23% dos 296 balconistas de farmácia entrevistados pela Anvisa recebem bonificação pela venda de remédios similares. Outros 5% recebem o bônus pela venda dos genéricos. Este também é o percentual de balconistas que recebem bônus pela venda de medicamentos de marca.

A nova dinâmica do desenvolvimento do Brasil
Fonte:Gazeta Mercantil - 18/03/2002

- Nenhuma análise de dados econômicos agregados revela a diversidade e a segmentação da economia brasileira. Isso porque, no Brasil, a curva da demanda apresenta-se com patamares de descontinuidade, tanto nos produtos quanto nos serviços. Para entender o desenvolvimento brasileiro, devem-se olhar os dados desagregados do crescimento regional. Só assim se consegue ver o que realmente está acontecendo, pois o desenvolvimento dos setores não é uniforme mas por vezes tem variações significativas de região para região.

Além disso, acentua-se a mudança do perfil de produção e consumo no Brasil, pela desconcentração do desenvolvimento e a diversificação de atividades manufatureiras ou de serviços. Novos pólos estão surgindo ou em fase de consolidação, descentralizando o crescimento do País. Industriais de calçados do Vale dos Sinos (RS) levam suas empresas para o Nordeste; o porto de Suape, em Pernambuco, está em fase final de construção; a produção de grãos no Centro-Oeste atrai a agroindústria; Minas Gerais desenvolve pólos no interior do Estado, de calçados, móveis e eletro-eletrônica; a capital de São Paulo transforma-se em centro de serviços, enquanto no interior instalam-se empresas da cadeia de suprimentos para indústrias maiores.

É por isso que o Brasil tem causado surpresas no seu processo de crescimento. Com todos os choques que sofreu, o país cresceu porque se apóia em uma base econômica diversificada. Mais uma razão para que se tenha uma política ativa de desenvolvimento.

Foi essa diversificação que atraiu a atenção da maior rede de varejo do mundo, o Wal-Mart, que mandou 56 executivos para, na semana passada, negociar preço, distribuição e garantia de estoque com 50 fornecedores brasileiros. O objetivo é vender produtos brasileiros em toda a rede, que tem 4,4 mil lojas. Como um exemplo da diversidade da produção do Brasil, estavam presentes gigantes da área de alimentos ao lado de pequenos fabricantes de artesanato.

Os sistemas produtivos locais, os clusters, desenvolvem-se por todo o Brasil. Ao contrário dos antigos distritos industriais que concentravam empresas de diferentes setores em um mesmo bairro da cidade, os clusters integram empreendimentos complementares. Em Goiânia e Anápolis concentram-se cerca de 20 indústrias farmacêuticas produtoras de medicamentos genéricos. Embora concorrentes, uniram-se para montar um laboratório de bioequivalência.

Compete a ele atestar que os produtos locais são genéricos, isto é, têm princípios ativos dos similares de marca.

Em Bonito, em Mato Grosso do Sul, 30 fazendas que se dedicavam exclusivamente à agropecuária uniram-se para explorar o ecoturismo, que tem um mercado mundial de 30 milhões de pessoas. Mais de três dezenas de agências de viagens oferecem passeios turísticos com guias. A nova vocação da região criou 1,5 mil empregos diretos e indiretos.

No consumo, em levantamento publicado no Atlas do Mercado Brasileiro/2002, editado por este jornal, verifica-se que, de 1998 - ano da primeira pesquisa - a 2001, o Índice de Potencial de Consumo (IPC) apresentou crescimento nas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, e diminuição no Sudeste e no Norte.

O volume total de dinheiro destinado ao consumo pelos brasileiros cresceu 26%, praticamente só repondo os 26,3% de inflação acumulada no período. Em números absolutos, foi de R$ 580 bilhões para R$ 730 bilhões. Ficaram com crescimento maior que a média nacional em volume de dinheiro as regiões Sul, com 44%; Centro-Oeste, com 30%, e Nordeste, com 28%. A região Sudeste teve acréscimo de 22%, abaixo da média nacional. E a região Norte perdeu poder de compra, com queda de 1,12%.

Numa demonstração de que o desenvolvimento brasileiro está em processo de modificação, o percentual de dinheiro destinado ao consumo no Estado de São Paulo ficou abaixo da média nacional, com 16%, atrás de 20 outros estados e na frente de apenas seis.

O Atlas do Mercado Brasileiro também levantou os números de investimentos por estado. E constatou que 13 das maiores aplicações nas 27 unidades da Federação estão destinadas a empreendimentos na área energética. Segundo as informações divulgadas no início do ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a iniciativa privada vai fazer investimentos de R$ 16,4 bilhões no programa brasileiro de licitação de usinas hidrelétricas previsto para o biênio 2002/2003. Goiás e Tocantins serão os grandes beneficiados, com 82,3% dessas aplicações, que gerarão 9 mil MW. Será mais um motivo de atração de empresas para a região.

 
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