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Genéricos na Imprensa Notícias
Planos
que atravessam a madrugada GUSTAVO KRIEGER E CARMEN KOZAK BRASÍLIA - A cena remetia a uma daquelas maratonas
em que o astro do filme passa horas respondendo às mesmas
perguntas para repórteres diferentes. No caso de José
Serra, a sessão entrou pela madrugada. Desafio para um político
que assume como maior defeito a falta de paciência até
para esperar elevador. Quando conversou com o JORNAL DO BRASIL,
pouco antes da meia-noite de quinta-feira, Serra não disfarçava
o cansaço. Não quer lançar farpas contra antigos
concorrentes, como Tasso Jereissati, ou contra quem ainda pode ser
aliada, como Roseana Sarney. Acima de tudo, não agüenta mais ouvir a pergunta: manteria
Pedro Malan como ministro da Fazenda? Não responde. Até
Malan sabe que não ficaria. Vem da equipe econômica,
contudo, o primeiro nome certo num eventual governo Serra. Armínio
Fraga continua. ''Ele é um bom presidente do Banco Central''
elogia. Uma crítica acompanha Serra mesmo no PSDB. É descrito
como político sem carisma ou simpatia. Técnico com
dificuldades para empolgar palanques. ''Tenho 40 anos de vida pública'',
observa. ''Se tudo que existe contra mim se resume a falta de carisma
ou antipatia, tudo bem''. E continua. ''No Brasil, quem ganha eleição
é carismático, quem perde não. Dizem que não
tenho carisma porque perdi as eleições para a prefeitura
em 1996. Que o Celso Pitta venceu porque era carismático.
E, agora, o Pitta continua assim?''. Serra, fã de ''A marca da maldade'', filme de Orson Welles,
pretende mostrar uma face mais animada na campanha. Quão
sorridente? Ainda não sabe. Repetiria Fernando Henrique e
subiria num jegue com chapéu de couro para angariar votos
no Nordeste? ''Vamos ver se isso é necessário''. Citar índices de pesquisas que o colocam com 7% na preferência
do eleitorado é método certeiro para acabar com qualquer
sinal de humor em Serra. ''Eleição só começa
a se definir depois da Copa do Mundo'', justifica. ''O que incomoda
é o tempo perdido comentando pesquisas.'' Dono de memória privilegiada, lembra que, em 1994, o candidato
Fernando Henrique apresentava números parecidos oito meses
antes da eleição. E venceu no primeiro turno. Apesar
disso, o ministro sabe que os dados dos levantamentos pesam na campanha.
''Os jornais adoram publicá-los e as notícias influenciam
os políticos.'' Aposta em reverter o quadro com aparições nos programas
do PSDB no rádio e na TV. Vai se mostrar um executivo. ''Idéias
boas existem de sobra por aí'', ironiza. ''O eleitor não
decide com base no que o candidato diz, mas pela capacidade que
tem de cumprir promessas''. Como bom especialista, o candidato já montou, na cabeça,
o programa econômico de governo. Uma receita diferente dos
últimos oito anos. Quer investir no crescimento da produção
industrial e das exportações. Promete desenvolvimento
e acena com menos voracidade da Receita Federal. ''Temos de fazer
a reforma tributária para acabar com os impostos cumulativos.'' Nesta primeira fase como candidato, quer conversar com dirigentes regionais, municipais e parlamentares tucanos. Animá-los para a disputa com argumentos para defender o voto nele, Serra. Contatos com o eleitorado vão se restringir à agenda de ministro da Saúde, como ontem, ao inaugurar um hospital em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Até meados de fevereiro, quando deixa o cargo, cumprirá vasta programação. Inaugura obras, distribui auxílio a famílias carentes. Uso da máquina? Discorda. ''Vou continuar trabalhando como os governadores candidatos à Presidência, como Roseana Sarney (Maranhão) ou Anthony Garotinho (Rio). Eles não estão inaugurando obras?'' ''Sou candidato do presidente da República'' Ministro e candidato: ''Não vejo problema em ser candidato
e ministro. É a mesma coisa que fazem os governadores em
campanha pela Presidência. O prazo de desincompatibilização
é abril e pretendo sair em fevereiro. Não há
uso de máquina.'' Candidato chapa-branca: ''Serei o candidato do presidente da República,
mas isso não significa que o governo tem candidato.'' Demissão no BC e nas agências reguladoras -
A impossibilidade de demitir diretores nas agências reguladoras
me incomoda. É desejável que elas, como o Banco Central,
estejam resguardadas de pressão política. O assunto
exige debate. Argentina X Eleição: Presumo que a crise argentina
influenciará as eleições. E olhe que o presidente
De la Rúa não era nenhum populista radical. A Argentina
já estava numa situação difícil quando
ele assumiu e quis fazer mucho más de lo mismo. Estava numa
trajetória errada e permaneceu nela. Não podia dar
certo. Uma crise quando mais se aprofunda, mais custosa fica. A
lição da Argentina é a dos riscos da inoperância,
da incompetência.
MÁRCIO FORTES O PSDB acolheu o lançamento do nome do ministro José
Serra como candidato à presidência da República.
Mais importante do que o nome do candidato, ou mesmo do que o currículo
do ministro, é o compromisso que acompanha essa candidatura.
É a marca dessa candidatura, o que ela resgata da história
do partido. Resgate que converge para um objetivo: tornar possível
a revolução nas condições de vida de
milhões de brasileiros. O PSDB nasceu para tornar possível
essa meta. Nasceu com esse compromisso - um compromisso com o social,
acima de tudo. Os dois mandatos do presidente Fernando Henrique exibiram essa
preocupação prioritária e permitiram que se
avançasse imensamente nas áreas de educação
e saúde. A estabilidade econômica, consolidada no primeiro
governo, já havia subvertido as condições de
vida da população. Mais de 13 milhões abandonaram
a linha de pobreza. Entre 1993 e 1998, milhões de novos lares
passaram a contar com abastecimento de água, redes de esgoto,
coleta de lixo, luz elétrica e telefone. A reforma agrária
assentou mais de 400 mil famílias em território duas
vezes maior que o da Bélgica. Os avanços foram extraordinários
também em saúde e educação. Em 1992,
18,2% das crianças entre 7 e 14 anos não freqüentavam
a escola. Agora o acesso ao ensino fundamental foi universalizado.
Na área de saúde, a mortalidade infantil declinou
quase 30% entre 1989 e 1998. A adoção de medicamentos
genéricos foi das maiores conquistas sociais do país.
O programa de combate à Aids é hoje reconhecido internacionalmente. Avançou-se, mas ainda há muito a fazer. Nos últimos
três anos, uma série de circunstâncias impediu
que o país pudesse deslanchar. O primeiro mandamento para
alcançar uma distribuição de renda mais justa
é a estabilidade econômica. Isso foi feito. O segundo
mandamento é criar condições para o crescimento
econômico sustentado. Isso não tem sido possível,
em especial diante das questões externas que afetam o país. Enfrentar crises internacionais é muito difícil,
e não há receita única. O que não se
pode imaginar é que o Brasil seja obrigado a manter juros
em patamares tão elevados por muito mais tempo. Ou que se
esboce uma espécie de ''doença do pânico inflacionário''
no país, como se cada gesto ou medida de administração
econômica tivesse, necessária e obrigatoriamente, de
ser guiada por essa preocupação obsessiva. Até
há que existir uma preocupação, mas quase se
perde o timing da mudança de rota cambial por receio infundado
de potenciais impactos inflacionários. Um fenômeno interessante no Brasil é que o país
está hoje muito melhor do que alguns formadores de opinião
imaginam. Olhar para a Argentina talvez seja um bom exercício
para eles. Nada parecido poderia ocorrer no Brasil. Por aqui, alteramos
os rumos da política cambial quando era preciso. O país
é hoje 100% estável politicamente. É hoje uma
democracia madura e amadurecida. A credibilidade externa de que
desfruta o governo é prova disso. Ou seja, o Brasil está
preparado para crescer, e vai crescer nos próximos anos em
níveis elevados. É com essa projeção de crescimento que o PSDB
trabalha. Ela quer dizer que o Brasil vai gerar riquezas. A novidade
é que essa riqueza, como nunca se viu na história
do país, será prioritariamente direcionada para a
área social. Contar com um ministro egresso da saúde
é garantia de que esse compromisso será cumprido.
É um referendo, torna-o mais eloqüente e sincero. E o PSDB caminhará unido, forte e mobilizado, até
a pré-convenção e depois da pré-convenção
de fevereiro. Enganam-se os que acham que algo diferente poderá
ocorrer. O fato é que, simbolicamente, este terceiro governo
do PSDB, vestido dos pés à cabeça de um compromisso
social, começa a se delinear. A missão agora é elaborar, com objetividade e clareza, as propostas do programa de governo que serão apresentadas à sociedade. Tudo que se deseja é tornar possível um país mais justo. Socialmente mais justo. Por isso, o PSDB é hoje o PSDB do ''S''. ''S'' de social, não de Serra. Um ''S'' que abriga, nesse sentido, Serra, Tasso (responsável pelas administrações estaduais que maiores resultados conquistaram na área social neste país), Paulo Renato, enfim, todos os seus líderes nacionais. Uma nova história começa para o PSDB. E para o Brasil. Márcio Fortes, deputado federal (RJ), é secretário-geral do PSDB |
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