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19/06

ACM vai votar em Ciro Gomes

19/06

Suspensos remédios contra o câncer

ACM vai votar em Ciro Gomes
Fonte: Jornal do Brasil -19/06/2002

ACM vai apoiar Ciro
Líder baiano fica com Lula contra Serra no 2º turno

Ali, o exército carlista marcha para as urnas pronto para só colher os troféus de guerra. Nas pesquisas sobre os candidatos ao Senado, ACM tem 67% das intenções de voto. Seu companheiro de chapa, governador César Borges, 61%. Ungido por 54% das preferências, o senador Paulo Souto prepara-se para voltar ao governo estadual. Com eles caminham dezenas de fiéis que formarão, na Câmara e na Assembléia Legislativa, bancadas vistosamente majoritárias.

Decidido a fazer o mítico trombone ecoar no plano nacional, ACM tem tratado da sucessão presidencial. Elogia seu candidato, Ciro Gomes, da Frente Trabalhista. Afaga Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que deverá ter o apoio do carlismo se Ciro não passar do primeiro turno. Ataca José Serra, da coligação PSDB-PMDB. E fustiga com vigor o presidente Fernando Henrique. Bem disposto e sempre bom de briga, Antonio Carlos Magalhães concedeu ao Jornal do Brasil a seguinte entrevista:

- O senhor vai mesmo apoiar Ciro Gomes?
- A Bahia vai apoiar Ciro Gomes.
- Isso quer dizer que o PFL é a Bahia?
- Em primeiro lugar, não falo apenas em nome do PFL baiano, mas de um conjunto de partidos e forças amplamente majoritário entre os eleitores de meu Estado. Essa aliança dará a Ciro Gomes, na Bahia, uma votação expressiva.
- Por que Ciro foi o escolhido?
- Porque tem o melhor programa para o país. Além disso, entre os candidatos, é o que dispõe de mais qualidades para assumir a Presidência da República?
- Ele chega ao segundo turno?
- Penso que sim. Se depender da Bahia, chegará.
- E se não chegar?
- Nessa hipótese, meu apoio pessoal irá para Lula.
- Não existe possibilidade de acordo com Serra?
- Não, e por numerosos motivos. Ele representa a continuação de um governo que fez muito mal ao país, além de discriminar o Nordeste de modo geral e, em particular, a Bahia. Isso é comprovado por números oficiais.
- Mesmo alguns adversários admitem que Serra foi um bom ministro da Saúde.
- A imprensa fez do Serra, e o governo pagou por isso, o melhor ministro da Saúde do mundo. É uma falácia que não se sustenta nas estatísticas e em nenhum levantamento sério. Os casos de dengue notificados em 2002, incluindo os hemorrágicos, vão superar os números de 1991, quando ocorreu a maior epidemia da história.
- Serra afirma que culpar o ministro pela epidemia de dengue é uma simplificação utilizada para prejudicá-lo politicamente.
- Passemos então a outros exemplos. A hanseníase nunca atingiu dimensões tão grandes. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 80 mil dos 600 mil infectados em todo o planeta são brasileiros. Ou seja: mais de 13% do total. Só perdemos para a Índia. A tuberculose ressurgiu em níveis alarmantes. Até a febre amarela está voltando, o que parece inacreditável. São doenças típicas de países extremamente atrasados no plano econômico. Como imaginaríamos que fariam parte do nosso cotidiano em pleno século 21?
- Serra nada fez de bom no Ministério? Agiu corretamente ao enfrentar laboratórios estrangeiros? A disseminação dos genéricos merece aplausos?
- Fez algumas coisas boas, sim. Embora alguns dos nomeados pelo presidente Fernando Henrique tenham conseguido essa façanha, é difícil ficar tanto tempo num ministério e só cometer erros. Mas o balanço é claramente negativo, bastante negativo. Isso é o que importa.
- O senhor tem repetido que existe muita corrupção no governo. O presidente, em discurso recente no Superior Tribunal de Justiça, afirmou que ninguém combateu a corrupção tanto quanto ele. Disse alguma inverdade?
- Só se ele começou a fazer isso agora. Eu o adverti exaustivamente para os escândalos que ocorriam. Alertei o presidente sobre os problemas na Sudam, no Ministério da Integração Regional, no DNER. Tratei dos riscos representados por figuras como Jader Barbalho e Elizeu Padilha, que até apelidei de Elizeu ''Quadrilha''. Comentei o problema dos precatórios, as irregularidades envolvendo o Judiciário. O que fez o presidente? Nada. Hoje, já não se fala mais em Ricardo Sérgio e tantos outros que carregaram malas com dinheiro. Etc.
- Não é curioso o senhor criticar um governo que apoiou por vários anos?
- Fiz o possível para que as coisas tomassem outro rumo. Sem a contribuição do meu partido, a minha ajuda pessoal e, principalmente, o desempenho do deputado Luis Eduardo Magalhães, o Brasil estaria muito pior. Também por isso, lamento constatar, hoje, que a chamada Era FH foi a era da estagnação.
- A afirmação soa exagerada.
- Mas não é. Em 1994, o PIB brasileiro era de 543 bilhões de dólares. Caiu para 520 em 2001. Em 1990, a renda per capita era de 3.569 dólares. No ano passado estava em 3.022 dólares. A dívida pública era de 60 bilhões, hoje é de 700 bilhões. Só isso... Na minha opinião, o governo Fernando Henrique sentou-se sobre os louros da redução da inflação e quis manter a mesma política indefinidamente.
- O senhor parece ter posto também os bancos na alça de mira. Por que?
-Posso mencionar muitos motivos, mas alguns números bastam. Em 2001, o lucro líquido acumulado dos 30 principais bancos do país cresceu 110% em relação ao ano anterior. Mais impressionante ainda é a rentabilidade dos bancos em relação ao seu patrimônio líquido. Foi de 36% no Banespa, de 32% no Itaú e de 22% no Bradesco. Esses três bancos se apresentaram como os mais rentáveis da América, incluindo aí os gigantes dos Estados Unidos. Algo precisa mudar. E vai.

Suspensos remédios contra o câncer
Fonte: Correio Braziliense - 19/06/2002

Juliana Cézar Nunes
Da equipe do Correio
Com agências

Hospitais e distribuidoras de remédios serão obrigados a tirar das prateleiras, a partir desta semana, 12 lotes de oito medicamentos da empresa Pharmacia Brasil Ltda, de origem norte-americana. Eles são usados no tratamento hospitalar de câncer de mama, bexiga, endométrio, ovário, cérebro e leucemia. O próprio fabricante aconselhou a retirada dos medicamentos, não disponíveis em farmácias. Em testes realizados na Austrália, de onde o produto é importado, a empresa identificou a presença de fungos em alguns frascos.

Os testes nos lotes que chegaram ao Brasil não detectaram o microrganismo. Mas, por precaução, o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, determinou a suspensão da comercialização e uso em todo território nacional. A decisão foi divulgada ontem pela Anvisa. Quem descumprir a determinação está sujeito a multas que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão.

Como os medicamentos são muito usados em hospitais públicos e particulares, a empresa Pharmacia tratou de substituir os lotes retirados de mercado e dos hospitais. Mas, de acordo com o diretor médio da empresa, Ricardo Germano, não há indícios de que os pacientes tratados com os remédios tenham sofrido de efeitos colaterais diferentes dos já previstos.

Segundo ele, a eficácia das drogas também não foi prejudicada. Mesmo assim, os médicos estão preocupados. ''Esses medicamentos são muito usados e precisam de um controle mais eficaz'', alerta Eduardo Johnson, chefe da equipe de oncologia do Hospital Universitário de Brasília.

Segundo Johnson, os remédios suspensos não fazem parte da lista de genéricos. Ou seja, não passaram pelos teste de qualidade para verificar se o princípio ativo do medicamento age no corpo com eficácia completa. ''E o pior é que esses são os produtos que geralmente os hospitais públicos compram por serem mais baratos, o que os coloca à frente de outros no processo de licitação'', reclama o médico.

Só este ano, é a segunda vez que a empresa Pharmacia Brasil precisa retirar medicamentos do mercado. Em março, ela foi notificada pelo Procon de São Paulo por ter vendido dois lotes com irregularidades de um remédio chamado Provera. Em caixas do produto com 2,5 mg, haviam comprimidos com 10 mg. A diferença poderia ter causado efeitos colaterais sérios aos pacientes, em sua maioria mulheres com sangramento uterino anormal por conta de desequilíbrio hormonal.

Na lista de medicamentos suspensos desta vez estão: Aracytin CS (1g/10ml, lote R908E), Farmorubicina CS (10mg/5ml;20mg/1; 50mg/25ml, lotes nº T029B; R907B; R907E; R819C; R991D), Mantrex CS (50mg/2ml, lote nº R869G/R), Cytosafe Metotrexato (500 mg/20ml, lote nº R968C), P&U Cisplatina (50 mg/50ml, lote nº T027C), Cisplatina (100 mg/100ml, lote nº R839A), Cytosafe Sulfato de Vincristina (1mg/1ml, lote nº R914A), Vincizina CS (1mg/1ml,lote nº R914A/R).

 
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