Ministério da Saúde
Acesse o Portal do Governo Brasileiro
 




Genéricos na Imprensa
Notícias

 

20/01

No ringue

20/01

Fim do vestibular e recall eleitoral

20/01

Cartel: centenas de processos e uma só punição

No ringue
Fonte: Revista Isto É - 20/01/2002


Política/Sucessão

O ministro José Serra se lança candidato e já negocia vaga de vice na chapa tucana com o PMDB

Sob a gélida temperatura do inverno russo, o presidente Fernando Henrique Cardoso passou a semana praticando seu esporte predileto nas viagens internacionais: mandar recados sobre os assuntos internos do País. Quanto à sucessão, disse que não era "xerife" de candidatos, numa referência ao belicismo reinante no ninho tucano. Obteve êxito parcial. As alas pró José Serra e pró Tasso Jereissatti cessaram o tiroteio que fez estragos dentro do PSDB. Mas FHC não conseguiu esquentar as relações ainda glaciais entre Tasso e o agora candidato tucano oficial, o ministro da Saúde, José Serra. O governador do Ceará só compareceu à solenidade de lançamento do nome de Serra, em Brasília, na quinta-feira 17, depois que o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), condicionou a presença do PSDB mineiro na festa à de Tasso. Mas o comparecimento protocolar do cacique cearense não foi suficiente para esconder o constrangimento e garantir seu empenho na campanha. Cumprindo o script partidário, os dois trocaram abraços, apertos de mão, mas Tasso já traçou seu objetivo. E ele está distante da candidatura tucana. Não aceita participar da coordenação de campanha e irá cuidar da eleição de seu grupo no Ceará e de sua própria, para o Senado.

Na chegada ao aeroporto, deu o tom de sua insatisfação: "Sou leal, mas continuo independente para falar com quem quiser, na hora em que eu achar necessário." A direção tucana procurou minimizar. "O PSDB iniciará e terminará a campanha unido", aposta o deputado Aécio Neves. A primeira tentativa de demonstrar essa coesão foi com o lançamento de Serra, no qual estavam todos os governadores, ministros e boa parte da bancada tucana. Vilma, viúva do ex-ministro Sérgio Motta, e Renata, filha de Mário Covas, também compareceram, numa demonstração de que a família do ex-governador, favorável ao nome de Tasso, já dá o aval à candidatura de Serra. O ministro da Saúde, que precisa se viabilizar para agregar o PSDB, evitar dissidências e atrair o apoio de outros partidos, não se incomodou com a falta de entusiasmo dos tassistas. Nos 26 minutos de discurso aos correligionários, o ministro não fez ataques. Procurou reforçar que era o candidato do governo. Ressaltou a implementação dos remédios genéricos, defendeu o crescimento, o fortalecimento da empresa nacional e adiantou seu slogan: "O lema do nosso governo será nada contra a estabilidade, tudo contra a desigualdade." Serra chegou a elogiar a oposição no que se refere aos projetos de seu Ministério enviados ao Congresso: "Devo reconhecer, aliás, que a bancada oposicionista no Congresso também apoiou essa medida (genéricos), bem como todas as outras sobre a saúde que enviamos ao Congresso." Após o lançamento oficial de sua candidatura, Serra foi almoçar com os tucanos na churrascaria Porcão. Foi recebido com gritos de "É presidente, é presidente". O clima festivo, porém, não contou com Tasso, que preferiu voltar mais cedo para casa. Com 7% das intenções de votos nas pesquisas eleitorais, Serra acelera as articulações políticas. Já avisou o Palácio que deixa o cargo no dia 20 de fevereiro para intensificar a campanha. O ministro apresentará semanalmente propostas de governo.

O vice - No domingo 13, Serra procurou reservadamente o presidente do PMDB, deputado Michel Temer. Os dois, velhos conhecidos da militância estudantil, conversaram por três horas na casa de Temer em São Paulo. O ministro ofereceu a vaga de vice para um peemedebista, de preferência do Nordeste, onde a candidata do PFL Roseana Sarney cresce nas pesquisas e Serra encontra muitas resistências. Questionado por Temer sobre uma eventual composição entre os três partidos do governo (PSDB, PFL e PMDB), caso o PFL reivindicasse a vice-presidência, Serra foi taxativo: "Minha aliança preferencial é com o PMDB para vice e para a montagem do governo." A pressa de Serra se explica: o PMDB também é cortejado por Roseana e terá candidatos a governador em quase todos os Estados do País. O tucano fez até uma deferência a Itamar no discurso de lançamento da candidatura, ao atribuir a ele o início da estabilidade.

Os dois não avançaram em nomes por um motivo pontual. O PMDB, que vinha insistindo na tese da candidatura própria, tem suas prévias marcadas para 17 de março e espera uma manifestação pública do governador mineiro, Itamar Franco, que vacila entre ficar e sair do páreo. Até lá, o partido fica impedido de negociar qualquer composição. Mas os peemedebistas decidiram não esperar pela iniciativa de Itamar Franco. Resolveram antecipar a decisão. Na quarta-feira16, o partido enviou a Minas Gerais o líder do Senado, Renan Calheiros (AL), com a missão de extrair de Itamar uma rápida definição sobre seu futuro político e deixar o partido livre para negociar com o PSDB ou com o próprio PFL, que tem como interlocutor dentro do PMDB o pai da candidata Roseana, o senador José Sarney. A conversa, com direito a pão de queijo e café, durou uma hora e meia. Assim que deixou o Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, Renan ligou para os caciques do partido e informou que Itamar vai jogar a toalha.

Ameaça - Na conversa, Itamar, acompanhado do secretário de Governo, Henrique Hargreaves, deu todas as indicações que o partido aguardava. "Não acredito que seja possível emplacar uma candidatura sem união", admitiu Itamar. O governador chegou a antecipar o enredo. Avisou que, quando oficializar a desistência, vai criticar a direção do PMDB. "Vou xingar e dizer que nunca acreditei nas prévias, que até hoje não têm nem as regras definidas. Se o PMDB apoiar o governo, vou no rumo oposto, para a oposição", avisou Itamar, antecipando que pode desembarcar na candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Itamar estará esta semana em São Paulo para conversar com o ex-governador Orestes Quércia e com o presidente do PT, José Dirceu. A cúpula do PMDB já começa a tramar mais uma ação para inviabilizar os outros dois que ficarão na disputa, o senador Pedro Simon (RS) e o ministro para Assuntos Fundiários, Raul Jungmann (PE). Quando Itamar anunciar a desistência, o PMDB pretende cancelar as prévias e decidir quem apoiará - Serra ou Roseana - na convenção em junho. Ou seja: o que tiver as melhores chances de vencer.

Fim do vestibular e recall eleitoral
Fonte: Correio Braziliense- 20/01/2002

Política

A substituição integral dos vestibulares pela avaliação seriada e a possibilidade de o eleitor voltar atrás em seu voto destacam-se entre as propostas do PPS, que descarta a privatização da Petrobras, da Caixa e do Banco do Brasil

As propostas esboçadas pelo PPS contêm medidas radicais. O partido, sucessor do antigo PCB, quer o fim do vestibular, promete conceder autonomia às universidades federais, reformar as regras políticas instituindo o regime de listas fechadas nas eleições parlamentares e instituir recall eleitoral, que permitiria aos eleitores voltar atrás depois de contados os votos.

Os técnicos arrebanhados pelo ex-ministro Ciro Gomes ainda trabalham na redação dos capítulos que tratam de cultura, energia e transporte. Ele próprio, no entanto, põe limites à discussão. ''Não cogito em privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa'', avisa. Ele também assegura que, se alguma geradora de energia hidrelétrica for vendida neste último ano de mandato de Fernando Henrique Cardoso, será reestatizada de pronto logo que ele assumir, se vencer a eleição. ''A energia de base hidráulica não pode ser vendida. Isso significa transferir ao capital estrangeiro o regime de águas do país'', diz. (UB)

Resumo do programa de governo de Ciro Gomes
Trabalho
- Regularizar a posse de terra na periferia das grandes cidades
- Vender material de construção a preço subsidiado
- Construir, em regime de mutirão, 300 mil casas populares por ano
- Trazer para o mercado formal os quase 15 milhões de trabalhadores que hoje estão no mercado informal
- Acabar com encargos sobre a folha de pagamentos, transferindo-os para o faturamento líquido das empresas
- Criar cartão único com o qual o trabalhador receberá todos os benefícios sociais, inclusive Previdência

Salário
- Elevar salário mínimo contínua e gradativamente ao longo do mandato
- Desvincular reajuste do salário mínimo das aposentadorias e pensões mais altas (o limite não é citado)
- Estimular a participação dos trabalhadores no lucro das empresas

Segurança
- Estimular o ''policiamento comunitário'', no qual as comunidades vigiam suas ruas coordenadas pela polícia
- Tornar federais crimes de contrabando de armas, narcotráfico, contra à administração pública, crimes financeiros, crimes cometidos por policiais civis e militares e crime organizado
- Aumentar de 6.900 para 20.700 o efetivo da Polícia Federal
- Construir uma rede de presídios federais ''em regiões inóspitas''
- Revogar a Lei Fleury
- Apoiar a unificação das polícias Civil e Militar nos estados
- Proibir o uso de armas pela população civil
- Estatizar as indústrias de armamentos de todos os tipos

Política econômica
- Manter o ajuste fiscal e o regime de câmbio flutuante
- Rever o regime de metas de inflação
- Baixar a taxa de juros
- Promover a substituição de importações e estimular exportações com política tarifária e benefícios fiscais
- Defender a formação de grandes empresas nacionais por meio de fusões e aquisições

Reforma tributária
- Extinguir ICMS, IPI e ISS, substituindo-os por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), eleito como principal fonte de receita pública
- Reduzir o Imposto de Renda das pessoas físicas
- Substituir PIS e Cofins por uma única contribuição incidente sobre o faturamento líquido das empresas
- Substituir ITR, IPTU, IPVA e ITBI por um único imposto sobre propriedade
- Dar mais autonomia à Receita Federal
- Tributar como pessoas físicas os profissionais contratados como pessoas jurídicas

Desequilíbrio regional
- Criar Fundos Especiais de Redistribuição, geridos por representantes da União e dos estados
- Educação
- Dividir o sistema público de forma que os municípios tratem somente do ensino fundamental, os estados do ensino médio e a União do universitário.
- Fazer com que todos os indivíduos em idade escolar concluam pelo menos o ensino médio, num prazo de oito anos
- Ampliar o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef)
- Criar o Sistema Federal de Retreinamento de Professores. O objetivo é mudar o sistema pedagógico, considerado ''enciclopédico'', num outro com ênfase no trabalho ativo e em equipe, baseado ''no cultivo de capacidades para analisar, desenvolver e usar o conhecimento''
- Instituir um Fundo Federal de Complementação Salarial. A fonte de recursos não é identificada, mas o objetivo é aumentar o salário dos professores que aderirem ao Sistema Federal de Retreinamento. Eles incorporam a complementação salarial na medida em que concluem as etapas da requalificação
- Acabar definitivamente com o vestibular. A admissão nas universidades públicas se daria apenas, em ordem classificatória, pela média obtida em provas específicas elaboradas pelo Ministério da Educação ao longo do ensino médio
- Transformar as universidades federais em fundações autônomas
- Criar uma rede de grandes universidades responsável por pesquisas e estudos avançados
- Elaborar um programa de bolsas federais para permitir que os alunos mais brilhantes se transfiram para cidades da rede de pesquisa

Saúde
- Espalhar pelo país o programa Saúde da Família, em que cada comunidade é atendida por uma equipe chefiada por um clínico geral
- Regular os planos de saúde de forma mais ''rigorosa''
- Fabricar remédios genéricos em laboratórios públicos
- Concentrar gastos do Sistema Único de Saúde nos hospitais públicos
- Privilegiar programas de saneamento básico, complemento alimentar, higiene e vacinação

Reforma agrária
- Criar estoques estratégicos de alimentos para estabilizar preços e combater a fome
- Assentar famílias em terras férteis, onde o governo instalará redes de transporte, saúde e educação
- Negociar com bancos públicos e privados melhores condições de crédito agrícola

Reforma política
- Instituir o sistema de lista fechada na eleição parlamentar. Nele, o eleitor vota no partido e o - partido escolhe seus representantes
- Criar o recall, pelo qual os eleitores podem revogar o mandato de um candidato eleito e eleger outro no lugar
- Adotar o financiamento público de campanha

Relações internacionais
- Priorizar alianças com outros países ''continentais marginalizados'', como Rússia, Índia, China, Indonésia
- Continuar com a política de ''paciência estratégica'' com a Argentina e o Mercosul
- Negociar a Alca ''sem medo e sem pressa'', ao mesmo tempo em que se negocia com a União Européia
- Assumir responsabilidade pela defesa dos interesses dos países da África
- Confira a íntegra do programa de governo de Ciro Gomes

Mesma política econômica

No tema econômico, Ciro Gomes apresenta algumas mudanças sutis. Não prega mais a reformulação da dívida pública, mas seu alongamento segundo as regras de mercado. Pretende ''rever'' o sistema de metas de inflação, implantado com sucesso em 1999, logo depois da desvalorização do real. Mas, eleito, manterá o regime de câmbio flutuante.

Talvez para angariar simpatia no empresariado, especialmente o de São Paulo, o ex-ministro fala em política industrial. Não concederá subsídios. Em vez disso, promete proteger algumas cadeias produtivas com tarifas de importação e estimular outras com benefícios fiscais, como a de produtos eletroeletrônicos. (UB)

Cartel: centenas de processos e uma só punição
Fonte: O Globo - 20/01/2002


Economia

Martha Beck

BRASÍLIA. O Brasil é um campo fértil para a proliferação dos cartéis, segundo o secretário de Direito Econômico, Paulo de Tarso Ribeiro. Hoje, estão tramitando na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) 220 processos administrativos contra essa prática. Do total, 123 são do setor de combustíveis. Também estão sendo investigadas empresas das áreas farmacêutica, aérea, de suco de laranja, gás de cozinha, laticínios, alumínio, telefonia celular, além de portos, bancos e revendedora de pneus. Até hoje, nenhum processo aberto foi arquivado, mas também somente um cartel foi punido: o do aço. Em 1999, a CSN, Cosipa e Usiminas foram multadas, respectivamente, em R$ 29 milhões, R$ 16 milhões e R$ 16 milhões por terem combinado preços.

A SDE investiga, por exemplo, a combinação de preços das passagens para a ponte aérea Rio-São Paulo e esmagadores de laranja, que teriam feito acordo para a compra de matéria prima. Também estão na mira da SDE os laboratórios integrantes da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) por terem realizado uma reunião na qual concordavam em fazer um boicote aos genéricos.

Secretário diz que Brasil se tornou paraíso dos cartéis

A multa para quem é julgado e condenado por cartel pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) varia entre 1% e 30% do faturamento bruto no ano anterior. Para postos de combustíveis, a punição também pode ser a suspensão da licença para funcionamento.
- A prática pode se proliferar, caso não haja uma ação de fiscalização e de promoção da concorrência - diz Paulo de Tarso, para quem o Brasil se tornou o paraíso dos cartéis.

Segundo ele, a preocupação com os cartéis era menor quando existiam mecanismos de controle de preços e as empresas eram fiscalizadas por órgãos como a Sunab. Mas com a desregulamentação do mercado, a SDE entrou em ação. O problema, diz ele, é que trabalham hoje na secretaria apenas 20 técnicos que fazem diligências e preparam processos.

Para o secretário, os recentes acordos de cooperação firmados pela SDE com os ministérios públicos federal e estaduais e com a Polícia Federal para investigar cartéis vão fortalecer o combate a esta prática, com melhor estrutura para investigações e a possibilidade de quebrar sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, além da utilização de escuta telefônica. O fortalecimento do combate aos cartéis foi conseqüência do fracasso do governo de fechar acordo com distribuidores e revendedores de combustíveis a reduzirem as margens de lucro para baixar o preço da gasolina.

- A parte mais difícil de um processo por formação de cartel é provar que realmente houve um acordo de preços. O fato de estabelecimentos concorrentes venderem seus produtos por preços semelhantes não prova nada. Já a gravação de uma conversa telefônica evidencia o crime - diz ele.

Foi por meio de uma denúncia do Ministério Público de Santa Catarina e a gravação de uma conversa telefônica, por exemplo, que a SDE conseguiu descobrir a formação de um cartel no setor de combustíveis em Florianópolis. O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais da cidade tinha um acordo com 19 postos para uniformizar os preços da gasolina. Com uma escuta, obtida com autorização da Justiça, o Ministério Público gravou conversas do presidente do sindicato, Alexandre Carioni, nas quais ele ameaçava de morte quem vendesse gasolina mais barata do que a do cartel.

Também foi possível descobrir que os postos aumentavam seus preços durante a madrugada e mantinham uma diferença de dois centavos nas bombas para disfarçar. Além disso, as placas expostas na entrada dos postos, com os preços de cada combustível, tinham como objetivo facilitar o controle do sindicato sobre o cartel. A SDE recomendou ao Cade a punição dos postos e do sindicato e o processo deverá ser julgado este mês.

O secretário de Direito Econômico acredita que a nova ofensiva do governo também vai aumentar o número de interessados no acordo que permite envolvidos em cartel terem redução da pena se denunciar os parceiros à SDE.

- A ofensiva deverá estimular a adesão a este acordo, porque os integrantes de cartéis terão um medo cada vez maior de serem denunciados por seus próprios colegas - afirma ele.
Europa e EUA: multas pesadas

LONDRES, BRUXELAS e WASHINGTON. Os cartéis estão presentes em todo o mundo. Ano passado foram registrados dois grandes escândalos: fixação de preços de vitaminas por parte de farmacêuticas e acordos de valores mínimos de leilões de obras de arte, envolvendo as duas casas mais tradicionais do ramo, Sotheby's e Christie's.

Em dezembro do ano passado, o presidente da Sotheby's, Alfred Taubman, foi condenado na Inglaterra por causa do acordo feito com a Christie's para manipulação de preços mínimos nos leilões.

Um mês antes, a União Européia (UE) havia multado Roche, Basf e outras seis empresas em US$ 752 milhões depois que autoridades antitruste as julgaram culpadas de manipular preços de vitaminas. O comissário de Concorrência da UE, Mario Monti, disse que essa era "a série de cartéis mais danosa já investigada pela comissão, devido à ampla gama de vitaminas coberta".
Foram manipulados os preços das vitaminas A, C, D e do complexo B, entre outras. Também estavam envolvidas: Aventis, Solvay, Merck, Daiichi Pharmaceutical, Eisai e Takeda Chemical Industries.

Em outubro de 2000, seis empresas (Basf, Roche, Aventis, Takeda, Eisai e Daiichi) fizeram um acordo extrajudicial com as autoridades reguladoras dos Estados Unidos, de US$ 335 milhões, para escapar de um processo por formação de cartel. As empresas foram acusadas de terem fixados preços de vitaminas em 22 estados americanos, entre 1989 e 1998.

Este ano, a UE abriu uma investigação sobre a indústria francesa de carne. Três sindicatos fecharam um acordo no ano passado que estabelece preços mínimos para seus produtos e a suspensão temporária das importações. Essa prática infringe as leis comerciais do bloco e irritou produtores da Holanda e Alemanha.

Alguns dos investigados

OS SETORES

AÉREO: Duas grandes empresas aéreas estão sendo investigadas por terem feito reajuste em percentuais semelhantes na mesma data para suas tarifas na ponte aérea Rio-São Paulo. A suspeita é de que as companhias tenham combinado o valor do aumento. O indício de cartel está no fato de as empresas terem mudado suas tabelas de preços no mesmo dia.

SUCO DE LARANJA: Três grandes empresas esmagadoras de laranja são acusadas de terem combinado o preço máximo para a compra de matéria-prima. Com isso, os produtores tiveram que passar a vender seus produtos por um preço determinado pelas próprias empresas. A investigação começou depois que os produtores fizeram uma denúncia na SDE contra as três companhias.

LABORATÓRIOS: Integrantes da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) são acusados de terem realizado uma reunião na qual concordavam em fazer um boicote aos medicamentos genéricos. O acordo foi registrado em ata, que foi entregue à SDE. A denúncia foi feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos e acabou resultando num inquérito da Polícia Federal.

OS TRÂMITES
1. A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) recebe uma denúncia de prática de cartel;
2. Os técnicos da SDE promovem uma averiguação preliminar para verificar se há fundamento. Caso considerem que existem indícios deste tipo de crime, a Secretaria instaura um processo administrativo;
3. A SDE pede, então, que a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae) conceda um parecer sobre o caso;
4. Com o parecer da Seae, os técnicos da SDE fazem diligências aos locais em que o cartel é verificado e reúnem provas - este trabalho não tem um prazo para ser concluído;
5. Quando concluído, o processo é enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para julgamento;
6. O conselheiro-relator do caso no Cade ainda pode pedir novas diligências para reunir outras provas contra os acusados antes do julgamento. Também neste caso, não existe um prazo definido para que o processo entre na pauta;
7. A punição para as empresas condenadas varia entre 1% e 30% de seu faturamento bruto.

Saiba o que é um cartel

O cartel é um acordo entre empresas que pretendem controlar a comercialização de um produto e evitar a concorrência no setor. Um grupo de companhias que vendem o mesmo produto pode, por exemplo, combinar os preços que vão cobrar no mercado. Com isso, ninguém venderá aquela mercadoria por um valor mais baixo que o acertado. Outra forma de cartel é dividir o mercado. Neste caso, as empresas concordam em vender seus produtos em áreas separadas para que cada uma tenha domínio sobre um mercado e possa cobrar o preço que quiser. Há ainda o cartel da compra, em que todas as empresas decidem o preço que pagarão pela matéria-prima de seu produto. Com isso, qualquer fornecedor só conseguirá vender esta matéria-prima por um único preço.

 
Página Anterior Ínicio da página