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Genéricos na Imprensa Notícias
Serra,
candidato Antes do previsto, a força dos acontecimentos levou o PSDB
a lançar a candidatura de Serra. Foi para o partido um passo
importante à frente, entre outras coisas porque sua unidade
foi preservada, ainda que possam surgir problemas mais adiante. A esta altura, é impossível dizer até onde
Serra chegará. Como se tem dito, se não alcançar
em torno de 15% de votos nas pesquisas eleitorais até maio,
morrerá na praia. Se chegar aí, terá o caminho
aberto para o segundo turno e a Presidência da República. Muito vai depender de dois fatores: a capacidade de construção
de alianças e, principalmente, o êxito na tentativa
de captar uma parcela maior das preferências do grande público. A construção de um arco de alianças não
é uma tarefa simples. É fácil para Serra aproximar-se
do PMDB, onde tem muitas afinidades, incluindo o ex-presidente Itamar
Franco, para compreensível desagrado dos tucanos mineiros.
Mas a aproximação vai lhe custar o afastamento ainda
maior de outro possível parceiro, o PFL, tanto mais quando
se tem em mente a ascensão de Roseana. Se sua candidatura
crescer, as alianças ficarão mais fáceis, seja
com o PMDB, seja com o pragmático PFL. De quebra, a costura
da unidade do PSDB será reforçada. Serra tem um currículo muito positivo. Com um longo passado
de militância política, adversário da ditadura
que o obrigou ao exílio, firmou-se nas áreas mais
sensíveis da vida pública, como é o caso dos
problemas econômicos e, mais recentemente, da saúde.
Embora a persistência de graves problemas nessa área,
decorrentes de séculos de descaso, possa desfavorecê-lo,
Serra tem a seu favor uma série de iniciativas corajosas:
o incentivo à fabricação dos genéricos,
as medidas de combate à Aids, enfrentando interesses poderosos
etc. Diante desse currículo, muito superior ao de qualquer outro
candidato, por que o nome de Serra até aqui não decola?
Os maiores problemas residem nas arestas de sua personalidade e
em sua imagem pública pouco atraente. O primeiro fator perturba
a formação de alianças, tarefa que depende
de paciência, manobras táticas e de sedução
pessoal. O segundo, concorre diretamente para os baixos índices
de popularidade. A alteração da imagem de Serra aos olhos da opinião
pública será, pois, um fator decisivo. E aí
a estratégia de campanha deverá percorrer caminhos
pouco comuns. Se não estou enganado, o êxito da tarefa
vai depender do equilíbrio entre o apelo à sensibilidade
e à racionalidade do eleitor, dois fatores que não
deveriam estar dissociados como geralmente acontece. Em poucas palavras, será necessário mudar a figura
do personagem frio, de fala excessivamente calculada, combinando-a
com a insistência na biografia, na experiência, nas
realizações, o que significa prescindir dos lugares
comuns de uma retórica insuportável. As previsões,
a esta altura (repito), seriam temerárias. Melhor será
dizer, cautelosamente, que os números -que, como as cartas,
não mentem jamais- nos darão a resposta nos próximos
meses. Boris Fausto escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Queda
no consumo de remédio Grande Brasília Nelza Cristina O brasiliense está comprando menos medicamentos. É
o que revela pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Farmácia
(CRF-DF), que verificou o consumo de remédios de várias
classes terapêuticas não só na capital federal,
mas em todo o País. E, apesar da queda nas vendas, o lucro
da indústria farmacêutica aumentou, baseado nos aumentos
de preços ocorridos nos últimos tempos. Segundo a própria Associação da Indústria
Farmacêutica (Abifarma), no ano passado 44% dos remédios
tiveram seus preços reajustados. Os principais produtos que
sofreram redução no consumo são os analgésicos
narcóticos (9,60%), analgésicos não-narcóticos
(3,14%), antiulcerosos (1,66%), relaxantes musculares (1,29%), diuréticos
(5,32%), anticonvulsivantes (1,85%), anti-hipertensivos (11,64%)
e antireumáticos (9,06%). Segundo Antônio Barbosa, presidente do CRF-DF, a redução
no consumo se deve ao aumento desproporcional dos medicamentos e
à queda na renda do brasileiro. No DF, onde a maioria da
população trabalha no serviço público,
os salários não são corrigidos há sete
anos. O presidente do Sindicato das Farmácias do DF, Adelmir Santana,
confirma as informações da pesquisa. "A própria
indústria admite perdas na venda unitária. Mesmo com
os genéricos não houve incorporação
de novos consumidores", afirma ele. Antônio Barbosa lembra que cerca de 50 milhões de
pessoas estão fora do mercado de medicamentos. São
brasileiros sem poder aquisitivo, com renda inferior a um salário
mínimo. "A indústria produz para 30% da população,
que é seu mercado consumidor. Pode ser que este percentual
tenha até caído", diz o presidente do CRF-DF. O aposentado Almir dos Santos, 65 anos, confirma as estatísticas.
Com a alta dos medicamentos, ele hoje se restringe a comprar apenas
os remédios indispensáveis, como os colírios
que usa para controlar um glaucoma (doença que reduz o campo
visual) e a osteoporose (falta de cálcio nos ossos) da mulher.
"Mesmo assim, só compro após realizar muita pesquisa",
diz ele. Um dos colírios utilizados por Santos passou de
R$ 15 para R$ 25 nos últimos meses. Quem também se assustou com a alta dos preços foi
Horácio de Oliveira, morador de Taguatinga. De acordo com
ele, o remédio Dicetel, por exemplo, teve aumento de 50%. A base de dados para a pesquisa foi obtida em informações
das distribuidoras de medicamentos e da própria indústria,
publicadas em relatórios e balanços da IMS-Healt,
consultoria do setor. Os números considerados compreendem
o período de um ano entre setembro de 2000 e setembro de
2001.
Anvisa
aprova nova geração de genéricos A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
selecionou um grupo de 41 medicamentos à base de hormônios
sintéticos que poderão ser transformados em genéricos.
Os novos remédios serão para tratamento de doenças
graves e crônicas, como câncer, diabetes, hipertensão,
osteoporose, hipotiroidismo, doenças respiratórias
e terapias de reposição hormonal, além de outras
enfermidades que exigem tratamento com drogas de uso contínuo. |
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