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Genéricos na Imprensa
Notícias
África
e América Latina são alvos do Teuto
Fonte:
Valor Econômico - 21/03/2002
Maurício Capela, De São Paulo
O laboratório Teuto Brasileiro vai colocar o seu primeiro
pé no exterior. Neste ano, a companhia inicia o embarque
de medicamentos genéricos e similares para África
e América Latina, o que deverá render US$ 10 milhões.
É um fato inédito na história dessa empresa
de 54 anos, que já fechou contratos com cinco países
da América Latina pelos próximos dois anos, cujo valor
é de US$ 5,4 milhões.
Para um dos maiores grupos de genéricos do país, cuja
receita deverá ser de US$ 150 milhões neste ano, a
conquista de outros mercados, no entanto, é o primeiro passo
de um projeto audacioso. "Até 2007, esperamos que 25%
da nossa receita decorra das exportações", diz
Jailton Batista, superintendente do Teuto.
Essas projeções confirmam que as vendas para o exterior
não serão apenas uma febre passageira. Já em
2003, a companhia espera faturar entre US$ 20 milhões e US$
25 milhões, ampliando as vendas na América Latina
e África, mas ensaiando a entrada em novos mercados.
Com este objetivo pela frente, Batista sabe que os remédios
da companhia vão precisar agradar consumidores americanos
e europeus. Uma tarefa nada fácil.
"Os custos não são baixos para obter a certificação
dos órgãos fiscalizadores dos Estados Unidos e da
Europa. Além disso, é necessário investir em
uma infra-estrutura, que inclui acordos com as distribuidoras e
abertura de escritórios", diz o executivo.
Mesmo significativos, os mercados americano e europeu não
entrarão na lista de prioridades do grupo nos próximos
dois anos. Até 2004, Batista pretende consolidar o Teuto
na África e América Latina.
De acordo com o plano estratégico do laboratório,
a África receberá medicamentos que tratam aids e malária,
além de analgésicos, antiinflamatórios, antibióticos.
Para o continente latino-americano, a companhia vai focar na comercialização
de cardiovasculares, anti-hipertensivos, antibióticos e antiinflamatórios.
Com a expectativa de faturar US$ 150 milhões neste ano, 50%
maior que a receita registrada em 2001, o Teuto concentra metade
das suas vendas em antiinflamatórios, antibióticos
e anti-hipertensivos. Nos próximos anos, essa relação
poderá sofrer alguma modificação, já
que os fitoterápicos deverão abocanhar cerca de 10%
dos negócios.
Do faturamento projetado para este ano, cerca de 70% decorrerão
da venda de remédios similares, 20% de produtos para o setor
hospitalar e o restante ficará nas mãos dos genéricos.
No ano passado, o similares detiveram 73% dos negócios, o
segmento hospitalar respondeu por 22% e os genéricos 5%.
"Nas exportações, a representatividade dos genéricos
é maior, sendo responsável por 30% das vendas para
o exterior. O restante decorre dos produtos similares", afirma
Jailton Batista.
O projeto de exportação do Teuto saiu da gaveta, quando
a companhia inaugurou o seu novo complexo industrial no fim do ano
passado. Com investimentos de US$ 100 milhões, essa unidade,
instalada em Anápolis (GO), foi projetada seguindo os padrões
da agência americana Food and Drug Administration (FDA), que
regula o mercado de alimentos e remédios naquele país.
Com uma fábrica de padrão global e capaz de produzir
até 360 milhões de unidades por ano, o Teuto candidatou-se
em licitações públicas de remédios e
pleiteou registros de produtos em outros países. Somente
na Bolívia, a empresa aguarda a liberação de
13 remédios. No Equador, são 17 registros. A meta
é obter a certificação de seus medicamentos
em 29 países da América Latina, África e leste
da Europa nos próximos anos.
Remédios: propaganda só com aviso
Fonte:
O Estado de S.Paulo - 21/03/2002
Medicamentos com AAS podem prejudicar quem tem dengue, ainda
mais se for hemorrágica
LUCIANA MIRANDA e LIGIA FORMENTI
As propagandas de remédios com ácido acetilsalicílico
têm de alertar o consumidor sobre a contra-indicação
do produto no tratamento de pessoas com dengue. A decisão
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
já está valendo e tem o objetivo de prevenir prejuízos
à saúde por falta de informação.
"Havia campanhas publicitárias que descreviam sintomas
de gripe, que podem ser confundidos com os da dengue", explica
Maria José Delgado Fagundes, gerente de controle e fiscalização
de medicamentos e produtos da Anvisa. O problema é que o
ácido acetilsalicílico pode causar hemorragia em pessoas
com dengue clássica. No caso da forma hemorrágica,
a substância pode até matar.
A epidemia de dengue começa a provocar efeitos na indústria
farmacêutica. Medicamentos para dor e febre que levam em sua
composição paracetamol - considerados mais seguros
pelos médicos em tempos de dengue - registram um aumento
no número de vendas desde janeiro.
Embora não divulgue números, a Janssen-Cilag, fabricante
do remédio de marca do paracetamol, confirma ter registrado
o fenômeno. A empresa EMS, fabricante de um genérico
do paracetamol, também sentiu impacto nas vendas. Desde janeiro,
registrou aumento de 25%.
O crescimento nas vendas de drogas com paracetamol não alterou
as vendas do ácido acetilsalicílico, garantem os fabricantes.
A Bayer, fabricante do remédio de marca, não notou
queda de vendas.
Argentina participará da missão comercial brasileira
à China
Fonte:
O Estado de S.Paulo - 21/03/2002
Será a primeira associação entre os dois
países para conquistar novos mercados
BRASÍLIA - O ministro da Produção
da Argentina, Ignacio de Mendiguren, participará da missão
comercial que o Brasil está organizando para a China, em
abril. Será a primeira vez que empresários e autoridades
dos dois países trabalharão juntos para conquistar
novos mercados para seus produtos. Mais de 100 empresários
brasileiros confirmaram sua participação nessa que
será a maior missão já organizada pelo governo
brasileiro.
A ofensiva conjunta sobre o mercado chinês deverá ser
o resultado mais concreto a ser anunciado hoje, após reunião
do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Sérgio Amaral, com Mendiguren. Esse é um
dos quatro itens da pauta que os dois ministros tratarão
hoje. Os outros são:
eliminação das barreiras ao comércio entre
os dois países, melhora do sistema de pagamentos e a integração
das cadeias produtivas e móveis e têxteis.
Amaral admitiu que, ao eliminar barreiras ao comércio bilateral,
pode haver aumento do déficit comercial que o Brasil normalmente
registra com o país vizinho. Isso deverá ocorrer porque
a crise econômica argentina impedirá que a demanda
por produtos brasileiros cresça a curto prazo. Por isso,
mesmo sendo a abertura comercial uma via de mão dupla, o
Brasil não deve ter vantagem num primeiro momento. No entanto,
quando a economia do país vizinho se recuperar, os produtos
brasileiros encontrarão o caminho aberto para o mercado argentino.
"Eu não estou preocupado se o saldo comercial vai beneficiar
a Argentina", afirmou. "Nosso objetivo é de médio
prazo, queremos dar um sinal positivo de eliminar as restrições
para a Argentina recuperar seu dinamismo." No ano passado,
o Brasil teve um déficit de US$ 1,2 bilhão em suas
transações comerciais com a Argentina, US$ 900 milhões
só no setor automobilístico.
O principal sinal de boa vontade do governo e do empresariado brasileiros
será a disposição em rever o acordo automotivo.
O resultado prático mais provável dessa revisão
é a possibilidade de a Argentina exportar mais carros para
o Brasil. Mas embora a discussão esteja bastante avançada
nos escalões técnicos, Amaral preferiu a prudência.
"É um tema muito complexo e acho difícil ter
nessa reunião os termos, ainda que genéricos, de um
novo acordo", comentou.
Em contrapartida, os brasileiros esperam que os argentinos abram
mão de medidas que hoje restringem as exportações.
"Algumas delas não fazem mais sentido", comentou
Amaral. Elas foram baixadas quando o câmbio argentino era
fixo e os produtos brasileiros eram muito competitivos naquele mercado.
O ministro informou que também serão discutidos os
pagamentos do comércio bilateral, com a ampliação
dos limites e dos prazos das operações abrigadas pelo
Convênio de Crédito Recíproco (CCR). "Mas
isso depende de avanços no lado argentino", comentou.
Outro ponto ressaltado pelo ministro são os entendimentos
para que o setor de madeira e móveis dos dois países
trabalhe unido. "Eles têm um programa importante de reflorestamento
e nós podemos ter escassez de madeira em algumas áreas",
exemplificou. "Há muita complementaridade." O mesmo
será discutido com relação ao setor têxtil.
Da missão conjunta para a China, participarão setores
empresariais brasileiros que vão de aviões a medicamentos
genéricos, passando por soja e suco de laranja. Uma iniciativa
importante, na avaliação de Sérgio Amaral,
é a da Cooperativa de Guaxupé, que é a principal
exportadora de café do Brasil. "Eles querem procurar
parcerias no exterior para processar e comercializar o café",
disse. Ou seja, em vez de apenas exportar o café em grão,
a idéia é ter um sócio chinês que se
ocupe do processamento e principalmente da distribuição
no mercado local. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) estuda uma linha de crédito para esse tipo
de negócio.
Segundo o ministro, iniciativas como a da Cooperativa de Guaxupé
fazem parte de uma ofensiva "não só para exportar
mais, mas para exportar melhor". Ele lembrou que na semana
passada, em visita à Inglaterra, acertou a venda de café
e cachaça brasileiros diretamente nos supermercados ingleses.
Também foi acertada uma reunião de empresários
brasileiros com o Grupo Carrefour, "para colocar produtos brasileiros
no Carrefour da França", explicou.
Recentemente, o Ministério do Desenvolvimento patrocinou
uma reunião de 87 empresas brasileiras com 60 gerentes de
compra da rede Wal-Mart. (L.A.)
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