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Genéricos na Imprensa
Notícias
GDF quer grandes empresas
Fonte:
Correio Braziliense - 22/05/2002
Economia/ DESENVOLVIMENTO
Governo do Distrito Federal envia projeto à Câmara
Legislativa para aumentar recursos destinados à atração
de indústrias. Políticos de oposição
dizem que há descaso com pequenos empresários
Lauro Rutkowski
Da equipe do Correio
O Fundo de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal
(Fundefe) está prestes a se tornar mais um instrumento de
atração de grandes empresas. O governador Joaquim
Roriz (PMDB) enviou à Câmara Legislativa um projeto
que acaba com a obrigatoriedade de utilização de 70%
da verba do do Fundefe para financiamento exclusivo de projetos
de micros e pequenas empresas.
Se aprovada pela Câmara, essa mudança ampliará
de R$ 2,7 milhões para R$ 18 milhões o total de recursos
a ser utilizado em financiamentos de empreendimentos maiores em
2002, como uma esperada fábrica de helicópteros e
três indústrias de medicamentos genéricos.
A mudança nas regras do Fundefe não agradou a parlamentares
de oposição, como Rodrigo Rollemberg (PSB) e Wasny
de Roure (PT). Eles acusam o governador Roriz de prejudicar os interesses
dos micros e pequenos empresários, responsáveis pela
geração da maioria dos postos de trabalho no país.
''Enquanto os grandes terão facilidades, os pequenos serão
obrigados a oferecer garantias em dobro para obter financiamento.
Isso é um absurdo'', critica Rollemberg. ''Se o projeto for
aprovado, o governo fica desobrigado de elaborar uma política
de atração de pequenas empresas. Está claro
que o atual governo privilegia a arrecadação de tributos
à geração de empregos'', lamenta Wasny.
O Fundefe existe desde 1966 e seus recursos são colocados
à disposição dos interessados por meio do BRB.
O dinheiro é utilizado para o financiamento de até
70% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS) devido pelos empresários durante dez a 15 anos.
Ou seja, o GDF destina recursos para cobrir o pagamento de impostos
do empresário durante um determinado período. O tomador
do empréstimo se obriga a pagar estes 70% de imposto pendente,
a juros baixos e em suaves parcelas, depois de alguns anos estabelecido
no Distrito Federal.
Esse mecanismo de financiamento indireto permite que o empreendedor
use a maior parte dos recursos originalmente destinados ao recolhimento
de ICMS para capital de giro e pagamento de fornecedores, por exemplo.
Para a concessão do benefício, o GDF utiliza as chamadas
alíquotas cheias de ICMS (em média, 17% sobre o valor
das operações de compra e venda). Na prática,
os empresários pagavam entre 3,6% a 5,1% de ICMS, mas ficavam
devendo uma diferença ao BRB. Os recursos do Fundefe são
formados por dinheiro público (verbas orçamentárias)
e pelos pagamentos de empréstimos tomados junto ao Fundefe
por empresários.
O secretário de Fazenda, Valdivino de Oliveira, rebate as
acusações de que está privilegiando grandes
indústrias e afirma que o Fundefe foi ''esquecido'' pelos
empresários de menor porte porque há outros instrumentos
muito mais eficazes de financiamento. De acordo com ele, há
pelos menos quatro anos a reserva de 70% do Fundefe destinada ao
micros e pequenos empresários não é utilizada
por falta de interesse deles. ''Depois do Simples Candango e dos
benefícios do Pró-DF, o Fundefe deixou de ser interessante'',
diz Valdivino.
Despesa menor
O Simples Candango (estabelecido pela lei 2.510 de 1999) é
uma forma simplificada de recolhimento de ICMS que permite ao empresário
pagar entre 2,5% e 3% de tributo sobre sua receita bruta. Ao aderir
ao Simples Candango, o empresário deixa de pagar o Imposto
Sobre Serviços (ISS) e escapa de alíquotas comuns
de ICMS, como a de 17%. E não fica devendo nada a ninguém.
O Pró-DF é um programa de desenvolvimento criado em
1999 que prevê isenção e redução
de outros tributos, como Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU)
e Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), com
o objetivo de facilitar a fixação de empreendedores
nos limites do Distrito Federal.
Valdivino de Oliveira diz que os micros e pequenos empresários
preferem aderir ao Simples porque não há ''sobra''
de ICMS a ser paga a ninguém. ''Quem adere ao Simples paga
seu ICMS e está livre. Quem entra no Fundefe paga alíquotas
maiores que no Simples e ainda fica devendo 70% de ICMS. É
óbvio que não há vantagem no Fundefe'', diz
Valdivino. Para as grandes empresas, no entanto, o Fundefe é
vantajoso - tanto que Coca-Cola, Gravia, Vitral e outras grandes
fábricas o utilizaram. Essas grandes empresas não
podem aderir ao Simples.
Empréstimos pagos
O secretário explica que cerca de R$ 14 milhões dos
R$ 18 milhões do Fundefe são formados por pagamentos
de empréstimos concedidos a empresários no passado.
Se as regras atuais do Fundefe forem mantidas, 70% desses R$ 18
milhões ficarão em uma conta à espera de projetos
de micros e pequenos empresários que dificilmente surgirão.
''Na realidade, os recursos do Fundefe simplesmente ficarão
bloqueados. E não faz o menor sentido manter recursos congelados
se existe a possibilidade de colocá-los a serviço
de uma política de desenvolvimento'', justifica.
A mudança do Fundefe foi proposta por meio do projeto de
lei 2.947, que deverá entrar hoje na pauta da Câmara
Legislativa. O projeto modifica o artigo 3º da Lei 79 de 1989,
que exigia a destinação de 70% dos recursos do Fundefe
para financiamento de projetos de microempresas, empresas de pequeno
porte, miniprodutores, pequenos produtores rurais, feirantes e setor
informal. O restante seria destinado a empresas públicas
e sociedades de economia mista (15%) e a outros projetos (15%).
A Federação do Comércio (Fecomércio),
o Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresa (Sebrae)
e a Federação das Indústrias do Distrito Federal
não fizeram comentários sobre a proposta de mudança.
O QUE BRASÍLIA OFERECE
As armas do Distrito Federal na guerra fiscal, uma das formas de
atrair novas empresas
PRÓ-DF
O programa de Desenvolvimento Econômico Integrado e Sustentável
do Distrito Federal (Pró-DF) permite a isenção
de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por cinco anos, redução
em até 70% dos pagamentos de Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviços
(ISS). As indústrias que aderem ao Pró-DF também
ficam dispensadas do pagamento de Imposto sobre Transmissão
de Bens e Imóveis (ITBI). Outro benefício é
o desconto de até 90% no valor do terreno.
SIMPLES CANDANGO
O Regime Tributário Simplificado do Distrito Federal (Simples
Candango) permite que micros e empresas de pequeno porte recolham
um percentual da receita a título de Imposto sobre Circulação
de Mercadorias (ICMS) e Imposto sobre Serviços (ISS). As
microempresas (receita brutal anual de até R$ 120 mil) devem
pagar 2,5%. As empresas de pequeno porte (acima de R$ 120 mil até
R$ 360 mil) devem pagar 3%. As empresas que aderem ao Simples ainda
podem abater do imposto devido até 20% dos gastos com treinamento
de pessoal e equipamentos
Febre dos genéricos e preços congelados abalam múltis
Fonte:
Valor Econômico - 22/05/2002
Empresas/Farmacêutica
Rentabilidade patrimonial de 3,8% está longe da média
Maurício Capela e Nelson Niero, De São Paulo
Os genéricos, combinados com congelamento de preços
e instabilidades cambiais, infernizaram a vida das grandes empresas
do setor farmacêutico no ano passado. Apesar de todas estarem
reagindo ao ataque com reestruturações e novos produtos,
não há sinais de uma retomada, no curto prazo, da
lucratividade de outros tempos.
Os balanços de 2001 de cinco dos principais laboratórios
que atuam no país mostram receitas estagnadas, margens em
queda e uma rentabilidade bem abaixo da média. O lucro deu
sinais de melhora, mas com ajuda de artifícios contábeis
como o diferimento cambial.
A amostra é reduzida porque muitas empresas do setor são
sociedades limitadas e não divulgam seus balanços.
As seis farmacêuticas que fazem parte do estudo elaborado
pelo Valor Pesquisa Econômica estavam entre as dez maiores
do setor por receita líquida, segundo o ranking de 2000 do
anuário "Valor 1000". Juntas, elas tiveram uma
receita líqüida de R$ 2,6 bilhão em 2001, praticamente
inalterada, e um lucro líquido de R$ 38,4 milhões,
uma margem de 1,5%. A rentabilidade patrimonial ficou em 3,8%. Nos
Estados Unidos, a rentabilidade média de 30 farmacêuticas
do banco de dados da Economática foi de 27% em 2001. A receita
cresceu quase 19% para US$ 215,4 bilhões e o lucro líquido
foi de US$ 38,4 bilhões - uma margem de 18%.
"Os preços deverão ficar congelados até
o fim do ano e os genéricos estão consolidados no
mercado. Mesmo se houver crescimento da economia brasileira, acredito
que o setor farmacêutico no país deverá apresentar
alguma queda ou manter-se estável", avalia César
Preti, presidente da Pfizer no Brasil. O Valor estima que a companhia
fature R$ 431 milhões no país.
O principal executivo da empresa que fabrica o produto número
1 da indústria farmacêutica nacional, o Viagra, espera
uma retração no volume de vendas entre 2% e 3% neste
ano. A Medley tem a mesma projeção.
Não é novidade. No ano passado, o setor assistiu a
uma queda de 3,14% em unidades, quando compara-se as 1,28 bilhão
de unidades comercializadas em 2000.
Além da americana Pfizer, a operação brasileira
das compatriotas Bristol-Myers Squibb e Schering-Plough, e das suíças
Roche e Novartis também não tiveram o ano dos seus
sonhos. A brasileira Aché, um dos três maiores grupos
do setor e o maior laboratório de capital nacional, não
escapou à regra.
A Roche, por exemplo, melhorou os resultados no Brasil em 2001,
na comparação com o ano anterior. O lucro líquido,
impulsionado pelo aumento das receitas de exportação
e de novos produtos, foi de R$ 17,4 milhões em 2001, muito
superior ao fraco resultado (R$ 188 mil) de 2000.
No entanto, quando comparado à receita líquida de
R$ 753,3 milhões (R$ 676,4 milhões em 2000), o resultado
é uma rentabilidade de 2%. Segundo Ernest Egli, presidente
da Roche no Brasil, a média mundial do setor é de
15%.
O lucro mundial da Bristol-Myers Squibb caiu em mais da metade no
primeiro trimestre, encerrando o período com US$ 585 milhões.
O faturamento foi de US$ 4,1 bilhões, 13% menor.
A concorrência dos genéricos derrubou as vendas de
três dos medicamentos mais vendidos do grupo e a desaceleração
da economia mundial também prejudicou os resultados.
No Brasil, a situação não foi diferente, como
mostra o balanço de 2001. "O crescimento que tivemos
com novos produtos não compensou o impacto dos genéricos",
diz Antonio Carlos Salles, diretor de assuntos corporativos da Bristol
-Myers no Brasil.
A empresa enxugou o quadro de funcionários, com a demissão
de 200 pessoas, e fez a baixa contábil dos investimentos
na Clairol, fabricante de cosméticos vendida para a Procter
& Gamble. O Aché conseguiu reverter o prejuízo
de R$ 33 milhões registrado em 2000, para um lucro líquido
de R$ 23,8 milhões no ano passado. "A reversão
é fruto da modificação do portfólio
de produtos, que privilegiou os medicamentos de maior rentabilidade.
Além disso, reduzimos as despesas comerciais e administrativas
em 12%", diz José Eduardo Bandeira de Mello, diretor
geral do Aché .
Cópias vitaminam números da Medley
Enquanto o avanço dos genéricos é uma conta
de subtração no balanço das grandes, empresas
como o laboratório nacional Medley estão fazendo multiplicações
com o medicamento.
Desde que lançou o seu primeiro genérico em fevereiro
de 2000, a companhia vitaminou os números. A receita líquida
cresceu 56% para R$ 198,5 milhões em 2001 e, para este ano,
a empresa projeta R$ 300 milhões.
O lucro líquido cresceu mais de quatro vezes e a rentabilidade
patrimonial está em 38%.
Enquanto várias farmacêuticas demitem e reestruturam
operações, a Medley abriu 580 postos de trabalho desde
fevereiro de 2000. Hoje, a empresa emprega 1,3 mil pessoas.
Nas vendas, não há dúvidas sobre a contribuição
dos genéricos. Do faturamento de 2000, o produto deteve 30%,
enquanto a participação na receita de 2001 foi de
50%. Neste ano, estima-se que os genéricos vão ter
56% do faturamento líquido.
Roberto Mangabeira Albernaz, vice-presidente administrativo e financeiro
da Medley, explica que a estratégia da companhia está
focada em medicamentos de marca e em genéricos. No caso dos
remédios que necessitam de prescrição médica,
o executivo conta que a Medley aposta em acordos comerciais com
outros laboratórios.
"Mantemos acordos com a americana Abbott e com a dinamarquesa
Novo Nordisk", conta. Com o grupo dos Estados Unidos, por exemplo,
a empresa tem um acordo para comercializar o Plenty, medicamento
que combate a obesidade. Com a dinamarquesa Novo Nordisk, a Medley
atua na área de terapia para reposição hormonal
e diabetes.
Com 58 genéricos no mercado brasileiro, a empresa espera
lançar mais 50 produtos neste ano. A Medley já investiu
R$ 42 milhões nos dois últimos anos, sendo que R$
23 milhões foram financiados pelo BNDES. (MC e NN)
Genéricos abrem mercado
Fonte:
Gazeta Mercantil - 22/05/2002
Ciência & Tecnologia
Se no mercado de agroquímicos o foco é o mercado
internacional, dois outros segmentos começam a ganhar importância
para a Bioagri no Brasil. O aperto da legislação,
com a lei de crimes ambientais, e o advento do medicamento genérico
criaram dois novos mercados que respondem anualmente por 40% do
faturamento da empresa e asseguram a manutenção de
um corpo de 300 profissionais. "É uma estrutura muito
cara, ela não pode ficar ociosa", explica Álvaro
Varga, diretor-presidente da Bioagri.
Entre os dois mercados, o mais evoluído é o segmento
ambiental. São dois mil clientes com demandas para análise
de efluentes industriais, avaliação de água
para abastecimento e monitoramento e controle de emissões
gasosas. "A característica deste mercado é a
escala. São pequenos projetos, mas um grande contingente
de empresas", diz Varga. Nos últimos dois anos, a divisão
cresceu 10 vezes. É responsável por 30% do faturamento
da empresa. O laboratório apresentou um projeto à
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (Fapesp) para a criação de um kit
de monitoramento da poluição ambiental. O pedido ainda
está em análise.
Menos importante, mas em ascensão, a divisão de fármacos
começa a evoluir dentro da organização. Passados
dois anos do surgimento do medicamento genérico a empresa
sente mais segurança em avançar sobre esse mercado.
Pela lei de genéricos, a indústria farmacêutica
é obrigada a realizar financiar testes de bioequivalência
e biodiversidade. O objetivo é atestar se o genérico
tem as mesmas propriedades terapêuticas do medicamento de
marca.
Além da avaliação dos remédios, o laboratório
também avaliza a qualidade da produção industrial.
O maior cliente da empresa neste mercado é a Teuto. A divisão
Bioagri Farma ganhará um laboratório próprio
de 1,6 mil m2. O projeto de R$ 5 milhões aguarda a aprovação
de recursos do BNDES.
(A.B.)
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