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Genéricos na Imprensa Notícias
Presidente
dos EUA vai proteger genéricos WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George Bush, vai
propor mudanças na legislação para reduzir
o tempo das patentes da indústria farmacêutica a fim
de permitir que os genéricos cheguem mais rápido aos
consumidores. Nos EUA, os genéricos representam 50% das receitas
médicas. Em 2001, o custo médio de um remédio
por pessoa foi US$ 72; já o genérico teve custo médio
inferior a US$ 17.
Bush
quer facilitar produção de genéricos
Duas semanas antes da eleição legislativa, o presidente
George W. Bush propôs ontem novas medidas para acelerar a
chegada de medicamentos genéricos ao mercado americano -o
custo dos remédios tem sido um dos temas mais quentes da
campanha. As medidas visam a limitar a capacidade das grandes empresas da
indústria farmacêutica de prolongar suas patentes (que
protegem seus produtos). Numa cerimônia na Casa Branca, Bush
anunciou que não pretende permitir a prorrogação
da licença de certos remédios de marca para agilizar
sua chegada ao mercado na forma de genérico. Normalmente, quando a patente de um medicamento de marca é
desafiada num tribunal, as empresas farmacêuticas recebem
o direito automático de manter sua patente -por mais 30 meses-
para que o caso possa ser examinado. O problema é que prorrogações
consecutivas são concedidas, impedindo que, na prática,
a fabricação do genérico possa começar.
Bush quer acabar com o acúmulo de prorrogações. O presidente enfatizou que as medidas propostas iriam beneficiar
as pessoas de idade mais avançada -uma parcela importante
do eleitorado. "Com essa ação, reduziremos o custo dos remédios
na América em bilhões e atenuaremos o peso financeiro
que nossos cidadãos, especialmente os mais velhos, têm
de enfrentar", declarou Bush. "Nossa mensagem aos fabricantes de remédios é
clara: vocês merecem uma justa recompensa por seus esforços
de pesquisa e de desenvolvimento. Mas vocês não têm
o direito de impedir a chegada de genéricos ao mercado por
razões frívolas", acrescentou. Segundo a Casa Branca, as medidas poderiam proporcionar uma redução
de US$ 3 bilhões por ano nos gastos com remédios nos
EUA. No ano passado, a venda de remédios no varejo gerou
uma receita total de US$ 154,5 bilhões. Ainda segundo as autoridades americanas, na média, um genérico
custa menos de US$ 17, enquanto um medicamento de marca atinge a
média de US$ 72. O anúncio ocorreu durante a fase final da campanha, na qual
os democratas têm buscado concentrar-se em questões
domésticas, incluindo o alto preço dos medicamentos.
A indústria farmacêutica criticou os esforços
dos democratas para acelerar a concepção da lei dos
genéricos. Ironicamente, a proposta de Bush lembra a dos democratas, o que
denota uma clara mudança de direção dos republicanos.
Um funcionário do governo disse, no entanto, que, "caso
exista, o componente político do anúncio de Bush é
mínimo". Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca, disse que Bush tinha esperado
para ver se o Congresso iria propor uma lei para resolver a questão.
Ainda segundo ele, Bush agiu agora porque percebeu que o Congresso
não o faria. Representantes da indústria farmacêutica disseram
que não se pronunciariam a respeito da proposta antes de
analisá-la. Com agências internacionais Alta
do dólar pode atrasar investimento do Ranbaxy
Cláudia Lobo, Do Rio O laboratório Ranbaxy, o quinto maior do mundo na fabricação
de genéricos e que está instalado no Brasil há
dois anos, juntou-se aos fabricantes de medicamentos de marca e
reivindica a liberação dos preços dos remédios
controlados pelo governo. Segundo o presidente mundial do laboratório, Davinder Brar,
que pela primeira vez visita o país, a liberação
de preços é uma das soluções para diminuir
o impacto da recente alta de quase 100% do dólar e que vem
prejudicando as empresas farmacêuticas, cujos custos com importação
quase triplicaram nesse período. "Esse é um custo
fundamental nosso e que não conseguimos substituir, já
que o Brasil não é fabricante de matérias-primas
do setor farmacêutico", informou Brar. Segundo ele, para repor a inflação anual do país
o patamar de reajuste dos preços dos medicamentos seria entre
8% e 10%. "Há dois anos, quando o Ranbaxy iniciou suas
atividades no Brasil, a cotação do dólar era
de R$ 1,96. Agora está a R$ 3,90. Isso significou aumento
do custo de matéria-prima, no caso do Ranbaxy, de 20% para
cerca de 40% do total das nossas vendas", justificou Brar,
acrescentando que, no período, as margens da empresa foram
reduzidas. Mas, apesar do quadro econômico, o principal executivo do
laboratório que faturará R$ 75 milhões com
as operações brasileiras - que comercializaram 40
substâncias em 2002 - garante que não há intenção
de deixar o país. "Se o dólar não cair para algo em torno dos
R$ 2,90 a R$ 3,00 e os preços não forem liberados,
teremos que repensar as nossas operações, o que significa
retardá-las, além de avaliar quanto mais as operações
na Índia, nossa sede, suportarão os aportes a serem
feitos no Brasil. Mas não penso em deixar o país,
que é o nosso quarto mercado, depois dos Estados Unidos,
Índia e Inglaterra", disse. O investimento que poderá ser adiado é a construção
da primeira fábrica de medicamentos da empresa no país
(hoje ela apenas os importa), planejada para o Espírito Santo
ou Paraná com investimento de cerca de US$ 10 milhões.
"Além da questão econômica, também
aguardamos a definição política (das eleições
estaduais) destas localidades para iniciar a construção
da fábrica", afirmou, acrescentando que, se tudo correr
bem - sem problemas com as autoridades estaduais e o dólar
recuando após o segundo turno das eleições
presidenciais - a primeira fase das obras começa ainda em
2003 e será encerrada em 2004. Outro questionamento feito pelo presidente da Ranbaxy é
a redução dos impostos cobrados ao setor farmacêutico.
Um exemplo citado que poderia ser seguido é o da Índia.
Segundo ele, no país cerca de 36% dos preços dos medicamentos
são controlados. "É realizado o controle das
substâncias onde existem menos de dez genéricos ou
similares. Além disso, há uma medida no Congresso
local determinando que o controle caia para 25% do total de medicamentos
a partir de 2003", disse. A fábrica da Ranbaxy no Brasil é a única instalação que falta ser criada para que a empresa produza medicamentos em todos os principais continentes do mundo. De acordo com Brar, a unidade seria utilizada para o consumo interno do país e para abastecer o mercado sul-americano. A Ranbaxy possui 30 fábricas, sendo a Índia sua principal base com sete unidades. Além disso, há unidades de produção na China, Estados Unidos, Irlanda, Malásia e Vietnã. |
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