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23/01

Casa fechada no Jardim Botânico é foco da doença

Casa fechada no Jardim Botânico é foco da doença
Fonte: O Globo - 23/01/2002



Às vezes, o perigo mora ao lado. E alguns moradores da Rua Getúlio das Neves, no Jardim Botânico, sabem disso. Abandonada há dois anos, segundo eles, a casa de número 19 é um endereço perfeito para a proliferação do mosquito Aedes aegypti . Uma piscina descoberta e cheia de água parada é a maior preocupação dos moradores. A denúncia é confirmada pela Comlurb. Os agentes de combate ao mosquito transmissor da dengue nunca conseguiram entrar na casa. O GLOBO não conseguiu localizar o proprietário do imóvel. Álvaro José, gerente da divisão da Comlurb em Botafogo, afirma que a situação é comum nos bairros da Zona Sul. Segundo ele, 40% dos moradores da região se recusam a receber os agentes:

- A casa da Rua Getúlio das Neves é um problema antigo. O larvicida é jogado do alto de um prédio em obras, ao lado. É um tiro no escuro.

Tijuca, área com mais mosquitos

Alan Gripp, Michel Alecrim e Ledice Araújo

Embora não esteja no topo das estatísticas dos casos de dengue, a Grande Tijuca é hoje o paraíso do Aedes aegypti na cidade. Dos dez bairros com índice de infestação do mosquito transmissor da doença acima do considerado tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - 5% dos domicílios, quando o ideal é abaixo de 1% - o segundo, o terceiro e o sexto colocados estão na região. Em primeiro lugar no ranking do Aedes , elaborado pela Secretaria municipal de Saúde, está São Francisco Xavier, onde em 11,80% dos lugares visitados agentes de saúde encontraram larvas do inseto. O bairro é seguido por Alto da Boa Vista (10,37%), Grajaú (8,93%), Del Castilho (8,43%), Engenho de Dentro (6,83%) e Tijuca (6,25%).

Segundo a Secretaria de Saúde, o resultado pode levar a Grande Tijuca, em breve, ao topo das estatísticas da dengue na cidade, hoje ocupado por Caju e Madureira. Ano passado, a Grande Tijuca teve o maior número de casos notificados: 434.

Férias de médicos suspensas em fevereiro e março

O secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cézar Coelho, anunciou ontem novas medidas de combate à dengue. Entre elas, a suspensão das férias de fevereiro e março de grande parte dos médicos. O objetivo é reforçar o atendimento nos postos de saúde e nos hospitais, onde vêm aumentando as filas de pacientes com sintomas da dengue. Os profissionais que atuam nos setores ambulatoriais dos hospitais poderão ser deslocados para as emergências.

A partir do próximo fim de semana, os carros-fumacê da prefeitura estarão nas ruas também aos sábados e domingos. Para reforçar o combate à doença, no início de fevereiro, o município terá, além dos 800 agentes da Funasa, um reforço de outros mil concursados. Denúncias de focos feitas pelo Tele-Dengue (2566-1531) também serão verificadas com urgência. A maioria delas se refere a terrenos baldios e galpões fechados. A secretaria ainda não sabe se vai conseguir autorização judicial para entrar em propriedades privadas. Hoje, o secretário tem uma reunião com o procurador do município Cláudio Henrique Vianna para tratar do assunto. Segundo Ronaldo, em breve começarão a circular pela cidade 25 novos fumacês, doados pelo Ministério de Saúde.

Nas farmácias, a procura pelo Tylenol, remédio receitado para combater os sintomas da dengue, aumentou dez vezes, informou o Sindicato das Farmácias do Rio. O remédio custa R$ 2,15 (750mg, quatro comprimidos) e deve subir para R$ 2,24 com o aumento médio de 4,32% autorizado ontem pelo governo. O genérico Paracetamol, que custa R$ 1,30 (40% menos), já está sumindo das prateleiras.

 
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