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Genéricos na Imprensa Notícias
Governo
FHC consegue maior avanço na medicina preventiva Equipes do Programa Saúde na Família, que cobriam cerca de 1 milhão de pessoas em 1994, passaram a atender 52 milhões este ano; verbas para a saúde aumentaram com a posse de FHC; desigualdade regional no atendimento médico continua DA SUCURSAL DO RIO Um dos projetos de saúde pública mais bem-sucedidos
da era Fernando Henrique Cardoso é quase unanimidade no seu
conceito global: o PSF (Programa Saúde da Família). Em julho de 2002, as equipes eram 15.867 (aumento de 4.737%), cobrindo
52,4 milhões de pessoas em 4.071 municípios. O Ministério da Saúde estima que em dezembro haverá
18 mil equipes instaladas. Cada equipe compõe-se de um médico,
um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco ou seis agentes
comunitários. Os agentes moram nas áreas em que atuam. Seu trabalho é eminentemente preventivo, buscando educar
e identificar doenças no começo. "Não é mérito desse governo ter inventado
o PSF, mas é seu mérito ter levado adiante sua expansão",
afirma o médico sanitarista José Carlos Seixas, professor
da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ele foi secretário-executivo
do Ministério da Saúde durante a administração
Adib Jatene (1995-96). Sobre o PSF, Seixas diz que, "quanto
mais preventivamente se busca o atendimento da pessoa, menores riscos
e complicações haverá". Desigualdades O abismo aumenta (até 190,6% a mais) nos procedimentos odontológicos
no Sul (1,54 consulta anual por pessoa), Sudeste (1,48), Centro-Oeste
(1,39), Nordeste (0,74) e Norte (0,53). O contraste entre as regiões em muitos casos aumentou de
1995 para 2000. No Norte, os procedimentos odontológicos
cresceram 23,3% no período (de 0,43 para 0,53 por pessoa).
No Sul, que já estava à frente, o avanço foi
de 83,3% (de 0,84 para 1,54). O ministro da Saúde, Barjas Negri, afirma que o governo
tem priorizado ações nas regiões com menor
desenvolvimento. "Exemplo disso é que 40% dos profissionais
do PSF estão concentrados no Nordeste." Financiamento Os dados e a análise constam do texto "Financiamento
das políticas sociais nos anos 1990: o caso do Ministério
da Saúde". O trabalho foi produzido no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada) pelos técnicos Carlos Octávio Ocké
Reis, José Aparecido Carlos Ribeiro e Sérgio Francisco
Piola. No governo Collor (1990-92), o financiamento à saúde
foi marcado pelo caos. Houve certo progresso nos anos Itamar Franco
(1993-94), quando o gasto total máximo do Ministério
foi de R$ 18,9 bilhões (valores corrigidos para dezembro
de 2001). Em 1995, o gasto total pulou para R$ 27,0 bilhões,
num acréscimo de 42,9% sobre o ano anterior. Em 2001, o gasto total foi de R$ 27,4 bilhões -1,2% apenas
acima de 1995, mesmo contando com os recursos da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira),
que antes inexistia. Estima-se que o setor privado de planos e seguros
de saúde movimente R$ 23 bilhões anuais. No essencial, os anos FHC marcaram uma estabilização
do financiamento da saúde. José Carlos Seixas Governo
tem sucesso em Aids e vacinas DA SUCURSAL DO RIO Motivo de orgulho do governo, a política brasileira de
combate à Aids têm raízes anteriores à
posse de Fernando Henrique Cardoso em 1995. O sucesso do programa,
contudo, só foi consolidado e ampliado em seus mandatos. Os números são eloquentes: de 1991 a 1995, houve
14 casos por 100 mil habitantes. De 1996 a 2001, exclusivamente
quando FHC era presidente da República, os casos foram 11
por 100 mil. Os números absolutos também diminuíram. As mortes caíram pela metade: de 12 para 6. A distribuição
de remédios aos pacientes com Aids, assegurada por lei de
1994, quando Itamar Franco era o presidente, provocou a queda das
internações de 1,7 paciente com Aids para 0,3. Segundo
projeção do Banco Mundial, o Brasil entraria no novo
século com 1,2 milhão de infectados pelo vírus
da Aids -hoje, a projeção é de 600 mil. Com uma política internacional pró-redução
dos preços dos remédios produzidos por grandes laboratórios,
o governo, quando José Serra era o ministro da Saúde,
obteve uma vitória histórica quando os EUA retiraram
uma queixa na Organização Mundial do Comércio. No ano 2000, o custo anual de um paciente com Aids para o governo
era de US$ 4.700. Com o corte dos preços pelos laboratórios,
temerosos de que o Brasil passasse a produzir os medicamentos, o
custo por paciente foi para US$ 2.500. Genéricos Os genéricos representam hoje, conforme projeção
do Ministério da Saúde, 9% do mercado farmacêutico,
se o critério for o de unidades vendidas. Os principais fabricantes sustentam, contudo, que a redução
dos preços dos medicamentos não resultou em aumento
do consumo. Quem não tinha dinheiro para comprar remédios
teria continuado sem consumi-los. Em média, os genéricos custam 45% menos que os medicamentos
de marca. O Ministério da Saúde afirma que a população
que usa remédios teria aumentado, graças ao crescimento
da produção e distribuição públicas.
Inexistem, porém, números que assegurem que isso tenha
ocorrido. O governo estima que 2002 fechará com os genéricos -cujo programa nasceu ainda no governo Itamar Franco- ocupando 16,78% do mercado (critério de unidades vendidas).
Como tomar remédios? Da Zero Hora Tratamento médico exige interesse e responsabilidade por parte do paciente. Quando incluir medicamentos, os cuidados quanto à administração devem ser redobrados. Medicamentos e alimentos podem interagir entre si, interferindo na recepção do organismo ao remédio. Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul pela farmacêutica Denise Carvalho e coordenada pelo professor Emilio Moriguchi e pela bióloga Ivana Beatrice Mânica da Cruz aponta uma série de medicamentos que interagem com alimentos e que, administrados de forma equivocada, podem ter seu efeito anulado, diminuído ou potencializado, podendo até mesmo levar à morte. ''Alguns medicamentos não são tão ativos porque
as pessoas não sabem tomar ou tomam com alimentos que diminuem
ou até anulam o efeito'', alerta Denise. Os medicamentos
e os alimentos, ao serem absorvidos no intestino delgado, interagem
entre si e podem resultar em complicadas inter-relações.
Certas interações podem provocar diarréia,
distensão abdominal, náusea, cólica, regurgitação
(refluxo) e deficiências nutricionais. Em alguns casos, a
interação pode ser fatal. Um exemplo ocorreu na Espanha:
em pessoas que tomavam o anti-hipertensivo felodipina com suco de
pomelo (uma fruta cítrica), o remédio tinha seu efeito
potencializado e levava à morte, pois interagia com os flavonóides
presentes na fruta. ''A falta de eficácia do medicamento,
os efeitos colaterais e as interações com os alimentos
estão no nosso dia-a-dia, mas poderiam ser previsíveis
e evitáveis se houvesse conhecimento do assunto por todos
os membros da equipe de saúde'', diz a farmacêutica.
O problema é mais grave em idosos, pois muitos tomam mais
de um medicamento. Como o número de pessoas na terceira idade
vem aumentando, o consumo de medicamentos também. Em caso
de dúvida, pergunte a seu médico a forma correta de
administração dos remédios. A tabela a seguir
apresenta as interações estudadas, utilizadas principalmente
por idosos. Quadro de alguns dos principais medicamentos consumidos comumente
por idosos Remédio (nome genérico) - Acetaminofeno
Novartis
lança antiinflamatório e acirra disputa pelo setor
no país Mercado movimenta R$ 600 milhões no ano e nova categoria responde por 23% Maurício Capela, De São Paulo As multinacionais disputam a venda de cada comprimido do mercado
brasileiro de antiinflamatórios, que vai movimentar R$ 600
milhões no ano. Quarto maior segmento da indústria
farmacêutica do país, o setor vive uma transformação
com drogas modernas. Dona de antigas e tradicionias marcas, como Cataflam e Voltaren,
a suíça Novartis não quer ficar de fora da
revolução dos antiinflamatórios e lança
o Prexige no fim do próximo ano. O remédio pertence
à nova classe terapêutica (o coxib) que já conta
com Vioxx e o Arcoxia da americana Merck & Co - importados do
México -, e com o Celebra da Pharmacia, trazido da operação
da Inglaterra. Para enfrentar os remédios de última geração,
a Novartis gastará R$ 3 milhões em ações
de pré-marketing em 2003, apesar do Prexige só vir
a aparecer nas gôndolas das farmácias no fim do ano.
O produto será importado. Em 2004, quando o remédio já estiver disponível
para o paciente, a verba de marketing subirá para R$ 30 milhões.
O objetivo é alcançar um faturamento de R$ 20 milhões
entre o fim de 2003 e 2004. A reação do laboratório
suíço reflete o atual cenário dos antiinflamatórios
no Brasil. Com a chegada dos genéricos e dos coxib, o Cataflan,
por exemplo, abandonou a sua posição de medicamento
número um em vendas da indústria farmacêutica
nacional e ocupa a quarta colocação. Hoje, o produto
mais vendido no país é o Viagra da americana Pfizer. "Vamos lançar um novo remédio neste setor, porque
os antiinflamatórios são um grande mercado. Hoje,
perdemos espaço para os genéricos e para novos produtos",
diz Christina Matteucci Rossi, gerente de produtos antiinflamatórios
da filial local da Novartis. "A Novartis é um adversário forte no setor.
Mas terão que fazer muitos estudos clínicos para comprovar
a eficácia do seu produto e, conseqüentemente, ganhar
mercado dos demais remédios da família coxib",
diz Alessandra Miyazaki, gerente de marketing da Pharmacia no país.
O Celebra foi o primeiro produto da nova família, lançado
no Brasil em março de 1999. Christina estima que a participação
dos coxib será de R$ 150 milhões neste ano. Sidnei
Castro, diretor de negócio da Merck Sharp & Dohme, filial
da Merck & Co, também compartilha da projeção. Além de contar com a mesma perspectiva de mercado, Alessandra
afirma - segundo dados da IMS Health, que audita o varejo farmacêutico
- que o Celebra faturou R$ 44,8 milhões entre janeiro e setembro
de 2002, ante os R$ 33 milhões registrados em igual período
do ano passado. Hoje, a participação dos coxib ainda é pequena
no mercado de antiinflamatórios, mas a executiva da Novartis
aposta que a classe terá uma fatia perto de 42% no próximo
ano, quando o mercado movimentará R$ 630 milhões. "Em 2007, acredito que os remédios, cujo princípio
ativo é da família coxib, terão 49% do setor
de antiinflamatórios", diz Christina. Para João
Luis Navarro, gerente médico da Novartis, haverão
pelo menos seis medicamentos com essa substância. Sidnei Castro, da Merck Sharp & Dohme, lembra que o mercado
de antiinflamatórios nacional movimentou R$ 582 milhões
no ano passado, sendo que a família coxib não ultrapassou
os R$ 90 milhões. E acredita em uma fatia de 35% dos coxib
em 2003. O executivo, que considera boa a chegada de mais um concorrente,
porque aumenta a divulgação dos coxib, projeta que
o Vioxx e o Arcoxia deterão 22% do mercado em 2003. Neste
ano, os dois remédios terão 17%. "Os antiinflamatórios antigos não serão substituídos totalmente pelos novos produtos, porque há uma questão de poder aquisitivo", diz Castro. Em um dia de tratamento, os velhos remédios são 40% mais baratos que os coxib. Laboratórios Amy Barrett, BusinessWeek, de Filadélfia A indústria farmacêutica está em maus lençóis.
Há muitas patentes em vias de expirar, causando um golpe
devastador. A linha de produção de novos medicamentos
está praticamente parada, e aumentam as queixas sobre o alto
preço dos remédios. Assim, os grandes laboratórios
estão apostando todas as fichas nas estatinas, drogas que
diminuem os níveis de colesterol no sangue - um verdadeiro
salva-vidas para milhões de pessoas nos EUA, terra da obesidade.
Esses remédios que protegem o coração são
verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, com um faturamento
anual de US$ 19 bilhões. Assim, não surpreende que a batalha por esse grande prêmio
esteja acirrada. A Merck e a Schering-Plough uniram-se para dar
força total ao Zetia, novo tipo de redutor de colesterol
que funciona em conjunto com as estatinas. O Zetia pode ser aprovado
pelo FDA, órgão regulador da indústria farmacêutica
americana, ainda este mês. As duas empresas vão comercializar
o Zetia em conjunto, e estão também preparando uma
pílula que vai combinar o Zetia com o Zocor, da Merck, uma
estatina que hoje alcança vendas anuais de US$ 7,5 bilhões,
criando assim um agente superpoderoso na luta contra o colesterol.
Essa terapia combinada, ainda em testes clínicos, deve chegar
ao mercado em 2004. Para enfrentar a ameaça, a Pfizer prepara
uma vigorosa defesa do Lipitor, seu produto mais vendido em todos
tempos, líder do segmento das estatinas, com vendas anuais
de US$ 7,9 bilhões. Quem pode estragar a festa? O laboratório AstraZeneca, que
tem uma nova e poderosa estatina chamada Crestor, atualmente em
exames pelo FDA. A aprovação foi adiada devido aos
possíveis efeitos colaterais, mas o Crestor ainda pode entrar
na competição em 2003. "Este é o maior
mercado para muitos grandes laboratórios", diz Richard
T. Evans, analista da Sanford C. Bernstein. "Haverá
uma luta ferrenha pela sobrevivência." Nenhum dos concorrentes pode perder. Para a Pfizer, o aumento das
vendas do Lipitor é fundamental para atingir as expectativas
de crescimento de Wall Street, de mais de 10%. A Schering-Plough
precisa desesperadamente do sucesso do Zetia para compensar, ao
menos em parte, o futuro golpe desfechado aos seus lucros, esperado
para o ano que vem, quando expirar a patente do Claritin, o antialérgico
campeão de vendas do laboratório. Quanto à
Merck, o sucesso do Zetia-Zocor poderá diminuir seus prejuízo
quando expirar a patente do Zocor, em 2006. "Essa franquia
do Zetia representa tudo para a Merck", diz John R. o Borzilleri,
gerente da State Street Research & Management. Todos os concorrentes esperam que essas novas drogas terminem com
uma tendência preocupante na demanda pelas estatinas. A companhia
especializada em pesquisa de mercado IMS Health afirma que o crescimento
nas receitas de estatina nos EUA diminuiu para 8% este ano; há
apenas dois anos era de 20%. Isso acontece apesar de uma recente
revisão nas normas do National Institutes of Health que quase
triplicou o número de americanos elegíveis para a
terapia de redução do colesterol, que agora chega
a 36 milhões de pessoas. Os analistas atribuem essa queda,
em parte, ao preço mais alto das receitas. A Merck e a Schering estão apostando numa nova e promissora
maneira de combater o colesterol e dar novo impulso à demanda.
As estatinas funcionam bloqueando a ação de uma enzima
que tem papel crítico na produção do colesterol
no fígado, enquanto o Zetia impede a absorção
do colesterol no intestino. Mas o Zetia, sozinho, não é
tão eficiente quanto as estatinas, que conseguem baixar os
níveis de colesterol LDL - o chamado "mau colesterol"
- em 40% ou mais. O Zetia reduz o LDL em apenas 18%. Muitos observadores acreditam que o verdadeiro benefício
- tanto médico como financeiro - do Zetia virá da
combinação dessa droga com as estatinas. Segundo os
médicos, dobrar a dose de uma estatina reduz o "mau
colesterol" apenas em mais 6%, aproximadamente. Além
disso, a estatina em altas doses também pode causar um efeito
colateral raro, mas potencialmente mortal, chamado rabdomiólise,
um rompimento das fibras musculares que causa dores e, em alguns
casos raros, falência dos órgãos. Acrescentar
o Zetia a uma baixa dose de estatina pode aumentar em muito sua
eficiência, causando uma redução extra de 25%
ou mais no colesterol. A Merck e a Schering-Plough esperam comercializar a combinação
Zetia-Zocor como uma superestatina, oferecendo o máximo de
redução de colesterol com um mínimo de riscos.
"O momento é o mais apropriado possível para
o Zetia", diz Michael H. Davidson, diretor de cardiologia preventiva
no Centro Médico Presbiteriano St. Luke, em Chicago, que
realizou alguns testes com o Zetia. As duas empresas ainda terão que enfrentar dificuldades
de marketing. Elas crêem que uma terapia com base no Zetia,
associado a uma dose baixa de estatina, apresenta menos riscos e
efeitos colaterais danosos aos músculos do que uma alta dose
de estatina. Entretanto, Cecil B. Pickett, chefe de pesquisa e desenvolvimento
da Schering, reconhece que ainda não foram feitos estudos
confirmando essa suposição. Como esses efeitos colaterais
musculares letais são raríssimos, seria difícil
e extremamente oneroso montar um teste desse tipo, exigindo 20.000
pacientes ou mais. Pickett acredita que os benefícios em
termos de segurança se tornarão evidentes com o passar
do tempo. Muitos analistas de Wall Street têm suas dúvidas a
respeito. Evans, da Sanford C. Bernstein, adverte que sem um estudo
que comprove esse ponto, o FDA pode continuar exigindo um alerta
quanto aos efeitos colaterais musculares na utilização
do Zetia em combinação com uma estatina. Essa advertência,
segundo ele, pode ameaçar o sucesso do Zetia. Stephen M.
Scala, analista da SG Cowen Securities, calcula que as vendas totais
do Zetia e do Zetia-Zocor atingirão apenas US$ 1,3 bilhão
até 2006. "O Zetia não terá o mesmo impacto
nesse campo que tiveram as estatinas", diz o Irving M. Herling,
professor associado da Escola de Medicina da Universidade de Pensilvânia. O fator surpresa nessa equação da estatina é
o Crestor, da AstraZeneca. Supõe-se que essa droga ainda
não foi aprovada pelo FDA devido ao risco de rabdomiólise;
mesmo assim, muitos analistas de Wall Street apostam que o Crestor
chegará ao mercado no segundo semestre de 2003. Mas se o
risco de efeitos colaterais levar o FDA a aprová-lo apenas
em doses baixas, "os concorrentes vão tentar arrasar
com o produto", adverte Norman M. Fidel, gerente de portfólio
de produtos de saúde da Alliance Capital Management LP. A primeira a atacar provavelmente seria a Pfizer, decidida a proteger
a posição de liderança do Lipitor. A empresa
investiu quase US$ 60 milhões anunciando o Lipitor aos consumidores
no primeiro semestre 2002; em comparação, o gasto
foi de US$ 26 milhões no mesmo período do ano passado.
Estão em andamento mais de 200 estudos sobre o Lipitor, examinando
todos os seus aspectos, desde a capacidade de reverter os efeitos
de doenças coronárias até a possibilidade de
combater a osteoporose. Em 10 de outubro foram divulgados dados
de um estudo feito com 20.000 pacientes, mostrando que o Lipitor
reduziu os ataques cardíacos e derrames em pessoas com colesterol
normal, ou ligeiramente elevado, porém com alta pressão
sanguínea. A Pfizer talvez ainda tenha outra arma em seu arsenal. A empresa está desenvolvendo um composto que eleva os níveis do HDL, ou "colesterol bom". Os analistas prevêem que uma pílula que combina essa droga com o Lipitor talvez seja lançada até 2006. Segundo Fidel, da Alliance, "seria a última palavra em medicamentos nesse segmento". Sem dúvida, serviria também para deflagrar mais uma batalha nessa guerra, em que tanta coisa está em jogo além dos coração dos pacientes.
EUA
podem dar novo rumo aos genéricos
Os EUA querem corrigir uma brecha na sua legislação
que permite aos grandes laboratórios, na prática,
manterem patentes de remédios por um prazo superior aos 20
anos previstos na lei. Com isso, os genéricos poderão
chegar ao mercado em prazos menores, reduzindo os gastos anuais
dos consumidores americanos em cerca de US$ 3 bilhões. Em Genebra, a avaliação é que a decisão
dos EUA pode influenciar governos de outros países industrializados
a tomarem a mesma medida. Além disso, poderia enfraquecer
a postura americana sobre quebra de patentes e produção
de genéricos por países mais pobres. Decisão dos EUA pode ajudar o Brasil Genebra Governo Bush pretende limitar as renovações
de patentes, abrindo espaço para a concorrência. A
decisão do governo dos Estados Unidos de ajudar os remédios
genéricos a entrarem mais cedo no mercado poderá dar
indiretamente um impulso na proposta que o Brasil, Índia
e vários outros países elaboram para assegurar melhor
acesso a medicamentos mais baratos, segundo negociadores em Genebra.
O presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que uma nova regra
em estudo pela US Food and Drug Administration (FDA) envolvendo
genéricos vai permitir economia de US$ 3 bilhões por
ano em compras de medicamentos pelo consumidor americano. O governo americano quer corrigir aberrações na sua
legislação, que deixou uma brecha para os grandes
laboratórios manterem, na prática, o monopólio
de patentes além do prazo de 20 anos. O método atual
que seria usado por companhias farmacêuticas como Bristol
Myers Squibb, AstraZeneca, GlaxoSmithKline e Schering Plough é
simples: pedem uma patente complementar sobre uma molécula
original cuja patente principal está chegando ao fim. Isso permite à companhia retardar em 30 meses o exame de
autorização para o lançamento de medicamentos
genéricos, mais baratos. E mantêm ganhos de milhões
de dólares. O problema é que tem havido abusos. Um
exemplo é o laboratório GSK, que fez sete pedidos
seguidos de patente complementar para sua molécula principal,
o Paxil, com US$ 1,8 bilhão de vendas. Com mudanças
cosméticas, conseguiu atrasar a introdução
de concorrentes genéricos. Revisão das formalidades O impacto da decisão americana vai bem além da motivação
política interna de ajudar os republicanos em campanha eleitoral
a propagarem que foram capazes de reduzir o custo dos medicamentos.
Nos Estados Unidos, maior mercado farmacêutico mundial, os
genéricos representam metade das vendas em volume e 10% em
valor. Globalmente, os genéricos pesam US$ 20 bilhões
por ano, o que é uma fração dos US$ 400 bilhões
do setor farmacêutico. Mas eles se tornam mais e mais a principal
arma dos governos industrializados para fazer economia em seus orçamentos
de saúde - e a maior prova está na decisão
da Casa Branca. O próprio Bush declarou que, nos próximos três
anos, cerca de 200 patentes de remédios vão expirar
- e, com isso, entrarão genéricos no mercado. Segundo
o presidente, o preço de remédio colocado sob proteção
custou em média US$ 72 no ano passado, enquanto o genérico
custou apenas US$ 17. A Goldman Sachs estima que mais de US$ 50 bilhões em remédios
sob proteção vão perder sua patente nos próximos
cinco anos. Para se ter uma idéia da importância econômica,
quando os genéricos entram no mercado, o faturamento dos
laboratórios com seu medicamento já sem proteção
cai 70% no prazo de dois anos. O exemplo mais mencionado é
do Prozac, da Lilly. A FDA vai colocar as novas regras em discussão pública
para comentários antes de serem efetivadas, e certamente
sofrerá intensa oposição dos grandes grupos
farmacêuticos. Em Genebra, certos negociadores consideram
que a decisão de Bush para poupar bilhões de dólares
aos consumidores, afinal, deve estimular os outros a procurarem
o mesmo. "Nesse caso, o que é bom para os EUA é
bom para nós", diz um negociador africano. Além
disso, pode enfraquecer a postura americana sobre quebra de patente
(licença compulsória) e produção de
genéricos por países mais pobres. Prazo até dezembro A negociação em curso em Genebra é para permitir
a produção, venda e exportação de remédios
baratos para combater crises de saúde pública. Ocorre
que os EUA endureceram sua posição com a União
Européia, Canadá, Japão e Suíça,
detentores de grandes laboratórios. Os industrializados consideram
que só os mais pobres podem se beneficiar automaticamente
da importação de remédio mais barato com a
flexibilidade do parágrafo 6 da declaração
de Doha, sobre Trips e saúde. Para o resto dos países,
o que inclui o Brasil, o critério para se beneficiar teria
de ser negociado. Quanto aos supridores de remédios para os países
que não podem produzir, podem ser todos os países
em desenvolvimento. O temor das indústrias é com o
desvio de remédio barato produzido no hemisfério Sul,
que poderia chegar aos mercados industrializados, onde são
vendidos mais caro. As sugestões dos industrializados vêm sendo combatidas
pelo Brasil, Índia e algumas nações africanas.
Esse grupo não quer excluir qualquer país ou tipo
de doença que poderia ser coberta pela negociação
que deve terminar em dezembro. Por isso, vão apresentar uma
nova proposta, abrangente, que assegura acesso ao medicamento barato,
inclusive dando direito de indústrias genéricas dos
países industrializados também exportarem. O curioso é que, em intensas consultas na semana passada em Genebra, os Estados Unidos insistiram que sua indústria de genéricos não tinha interesse na questão. Já a indústria canadense não esconde que gostaria de exportar, inclusive para os EUA. A briga vai continuar na OMC, e também dentro dos próprios EUA. De um lado, milhares de americanos atravessam a fronteira para comprar remédio genérico mais barato no Canadá. De outro, o Senado, controlado pelos Democratas, aprovou uma lei este ano, que acabou engavetada no Senado pelos republicanos, que visava justamente facilitar a venda de genéricos. |
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