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Genéricos na Imprensa
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23/10

Governo FHC consegue maior avanço na medicina preventiva

23/10

Governo tem sucesso em Aids e vacinas

23/10

Saiba que comprimido pode ser tomado com leite ou água

23/10 Novartis lança antiinflamatório e acirra disputa pelo setor no país
23/10

EUA podem dar novo rumo aos genéricos

 

Governo FHC consegue maior avanço na medicina preventiva
Fonte: Folha de S.Paulo

Equipes do Programa Saúde na Família, que cobriam cerca de 1 milhão de pessoas em 1994, passaram a atender 52 milhões este ano; verbas para a saúde aumentaram com a posse de FHC; desigualdade regional no atendimento médico continua

DA SUCURSAL DO RIO

Um dos projetos de saúde pública mais bem-sucedidos da era Fernando Henrique Cardoso é quase unanimidade no seu conceito global: o PSF (Programa Saúde da Família).
Quando FHC tomou posse em 1995, o PSF já havia sido criado, no ano anterior, na gestão de Itamar Franco. Na arrancada, em 1994, 328 equipes passaram a funcionar, atendendo 1,13 milhão de pessoas em 55 cidades.

Em julho de 2002, as equipes eram 15.867 (aumento de 4.737%), cobrindo 52,4 milhões de pessoas em 4.071 municípios.

O Ministério da Saúde estima que em dezembro haverá 18 mil equipes instaladas. Cada equipe compõe-se de um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e cinco ou seis agentes comunitários. Os agentes moram nas áreas em que atuam.

Seu trabalho é eminentemente preventivo, buscando educar e identificar doenças no começo.
O governo estima que são necessárias 50 mil equipes para cobrir toda a população. A marca poderia ser atingida em 2008, estima o Ministério da Saúde.

"Não é mérito desse governo ter inventado o PSF, mas é seu mérito ter levado adiante sua expansão", afirma o médico sanitarista José Carlos Seixas, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ele foi secretário-executivo do Ministério da Saúde durante a administração Adib Jatene (1995-96). Sobre o PSF, Seixas diz que, "quanto mais preventivamente se busca o atendimento da pessoa, menores riscos e complicações haverá".

Desigualdades
Uma distorção histórica da saúde no Brasil permanece: a desigualdade entre regiões, como demonstrou uma dissertação de mestrado defendida em abril pelo sanitarista Domício Aurélio de Sá no Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz em Recife.

Analisando números do SUS em 1995 e 2000, ele mostrou que houve mais consultas médicas em 2000 nas regiões Sudeste (2,17 por pessoa), Sul (1,96) e Centro-Oeste (1,76) do que no Nordeste (1,63) e no Norte (1,36). O melhor desempenho (considerando a quantidade) está 59,6% acima do pior.

O abismo aumenta (até 190,6% a mais) nos procedimentos odontológicos no Sul (1,54 consulta anual por pessoa), Sudeste (1,48), Centro-Oeste (1,39), Nordeste (0,74) e Norte (0,53).

O contraste entre as regiões em muitos casos aumentou de 1995 para 2000. No Norte, os procedimentos odontológicos cresceram 23,3% no período (de 0,43 para 0,53 por pessoa). No Sul, que já estava à frente, o avanço foi de 83,3% (de 0,84 para 1,54).

O ministro da Saúde, Barjas Negri, afirma que o governo tem priorizado ações nas regiões com menor desenvolvimento. "Exemplo disso é que 40% dos profissionais do PSF estão concentrados no Nordeste."

Financiamento
Com a posse de FHC houve, já em 1995, aumento significativo dos recursos para o Ministério da Saúde. Nos anos seguintes, as verbas ficaram relativamente estáveis, com pico de gasto total (R$ 28,2 bilhões, valor corrigido para dezembro de 2001) e de gasto líquido per capita (R$ 144,80) em 1997, antes de José Serra assumir o Ministério, em 1998.

Os dados e a análise constam do texto "Financiamento das políticas sociais nos anos 1990: o caso do Ministério da Saúde".

O trabalho foi produzido no Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) pelos técnicos Carlos Octávio Ocké Reis, José Aparecido Carlos Ribeiro e Sérgio Francisco Piola.

No governo Collor (1990-92), o financiamento à saúde foi marcado pelo caos. Houve certo progresso nos anos Itamar Franco (1993-94), quando o gasto total máximo do Ministério foi de R$ 18,9 bilhões (valores corrigidos para dezembro de 2001). Em 1995, o gasto total pulou para R$ 27,0 bilhões, num acréscimo de 42,9% sobre o ano anterior.

Em 2001, o gasto total foi de R$ 27,4 bilhões -1,2% apenas acima de 1995, mesmo contando com os recursos da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que antes inexistia. Estima-se que o setor privado de planos e seguros de saúde movimente R$ 23 bilhões anuais.

No essencial, os anos FHC marcaram uma estabilização do financiamento da saúde.

(MÁRIO MAGALHÃES)

FRASE
"Não é mérito desse governo ter inventado o Programa Saúde da Família, mas é seu mérito tê-lo expandido".

José Carlos Seixas
médico sanitarista

Governo tem sucesso em Aids e vacinas
Fonte: Folha de S.Paulo

DA SUCURSAL DO RIO

Motivo de orgulho do governo, a política brasileira de combate à Aids têm raízes anteriores à posse de Fernando Henrique Cardoso em 1995. O sucesso do programa, contudo, só foi consolidado e ampliado em seus mandatos.

Os números são eloquentes: de 1991 a 1995, houve 14 casos por 100 mil habitantes. De 1996 a 2001, exclusivamente quando FHC era presidente da República, os casos foram 11 por 100 mil. Os números absolutos também diminuíram.

As mortes caíram pela metade: de 12 para 6. A distribuição de remédios aos pacientes com Aids, assegurada por lei de 1994, quando Itamar Franco era o presidente, provocou a queda das internações de 1,7 paciente com Aids para 0,3. Segundo projeção do Banco Mundial, o Brasil entraria no novo século com 1,2 milhão de infectados pelo vírus da Aids -hoje, a projeção é de 600 mil.

Com uma política internacional pró-redução dos preços dos remédios produzidos por grandes laboratórios, o governo, quando José Serra era o ministro da Saúde, obteve uma vitória histórica quando os EUA retiraram uma queixa na Organização Mundial do Comércio.

No ano 2000, o custo anual de um paciente com Aids para o governo era de US$ 4.700. Com o corte dos preços pelos laboratórios, temerosos de que o Brasil passasse a produzir os medicamentos, o custo por paciente foi para US$ 2.500.

Genéricos
Outra vitória relativa da era FHC na saúde foi a expansão da política de incentivo aos medicamentos genéricos -a lei dos genéricos é de autoria do ex-deputado federal do PT Eduardo Jorge.

Os genéricos representam hoje, conforme projeção do Ministério da Saúde, 9% do mercado farmacêutico, se o critério for o de unidades vendidas.

Os principais fabricantes sustentam, contudo, que a redução dos preços dos medicamentos não resultou em aumento do consumo. Quem não tinha dinheiro para comprar remédios teria continuado sem consumi-los.

Em média, os genéricos custam 45% menos que os medicamentos de marca. O Ministério da Saúde afirma que a população que usa remédios teria aumentado, graças ao crescimento da produção e distribuição públicas. Inexistem, porém, números que assegurem que isso tenha ocorrido.

O governo estima que 2002 fechará com os genéricos -cujo programa nasceu ainda no governo Itamar Franco- ocupando 16,78% do mercado (critério de unidades vendidas).


Saiba que comprimido pode ser tomado com leite ou água
Fonte: Correio Braziliense

Como tomar remédios?
Tomar o comprimido com água ou leite? Depois das refeições ou em jejum? Pesquisadores afirmam que isso varia segundo a substância e é importante estar atento para garantir a eficácia do remédio

Da Zero Hora

Tratamento médico exige interesse e responsabilidade por parte do paciente. Quando incluir medicamentos, os cuidados quanto à administração devem ser redobrados. Medicamentos e alimentos podem interagir entre si, interferindo na recepção do organismo ao remédio. Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul pela farmacêutica Denise Carvalho e coordenada pelo professor Emilio Moriguchi e pela bióloga Ivana Beatrice Mânica da Cruz aponta uma série de medicamentos que interagem com alimentos e que, administrados de forma equivocada, podem ter seu efeito anulado, diminuído ou potencializado, podendo até mesmo levar à morte.

''Alguns medicamentos não são tão ativos porque as pessoas não sabem tomar ou tomam com alimentos que diminuem ou até anulam o efeito'', alerta Denise. Os medicamentos e os alimentos, ao serem absorvidos no intestino delgado, interagem entre si e podem resultar em complicadas inter-relações. Certas interações podem provocar diarréia, distensão abdominal, náusea, cólica, regurgitação (refluxo) e deficiências nutricionais. Em alguns casos, a interação pode ser fatal. Um exemplo ocorreu na Espanha: em pessoas que tomavam o anti-hipertensivo felodipina com suco de pomelo (uma fruta cítrica), o remédio tinha seu efeito potencializado e levava à morte, pois interagia com os flavonóides presentes na fruta. ''A falta de eficácia do medicamento, os efeitos colaterais e as interações com os alimentos estão no nosso dia-a-dia, mas poderiam ser previsíveis e evitáveis se houvesse conhecimento do assunto por todos os membros da equipe de saúde'', diz a farmacêutica. O problema é mais grave em idosos, pois muitos tomam mais de um medicamento. Como o número de pessoas na terceira idade vem aumentando, o consumo de medicamentos também. Em caso de dúvida, pergunte a seu médico a forma correta de administração dos remédios. A tabela a seguir apresenta as interações estudadas, utilizadas principalmente por idosos.

Quadro de alguns dos principais medicamentos consumidos comumente por idosos

Remédio (nome genérico) - Acetaminofeno
Nome comercial - Dórico, Tylenol
Indicações - Antitérmico e Analgésico
Orientações - Alimentos com carboidratos e frutas c/ pectina retardam sua absorção
QUANDO TOMAR - Fora das refeições
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Ácido acetilsalicílico
Nome comercial - AAS, Aspirina
Indicações - Antitérmico, analgésico, anti-inflamatório
Orientações - Deve ser tomado com leite e biscoitos. Diminui depósitos de vitaminas C e K, antagonista do ácido fólico
QUANDO TOMAR - Com almoço ou jantar
COM O QUE INGERIR - Leite

Remédio (nome genérico) - Ácido ascórbico ou vitamina C
Nome comercial - Cebion, Redoxon
Indicações - Suplemento vitamínico
Orientações - O bolo alimentar protege o estômago da irritação gástrica do ácido ascórbico, pois o PH do estômago já é ácido
QUANDO TOMAR - Com almoço ou jantar
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Hidróxido de alumínio
Nome comercial - Aldrox, Pepsamar, Mylanta Plus
Indicações - Antiácido
Orientações - Não tomar com as refeições, pois pode provocar redução de magnésio e constipação. Reduz absorção da vitamina A
QUANDO TOMAR - Após as refeições
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Aminofilina
Nome comercial - Euphyllin
Indicações - Broncodilatador
Orientações - Ingerir com as refeições para evitar irritação gástrica
QUANDO TOMAR - Com as refeições principais
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Amoxacilina
Nome comercial - Amoxil, Horocin
Indicações - Antibiótico
Orientações - Os alimentos retardam a absorção do remédio
QUANDO TOMAR - Fora das refeições
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Carbonato de cálcio
Nome comercial - Cálcio Sandoz
Indicações - Suplemento alimentar
Orientações - Se tomado com dieta rica em vitamina D, como levedo de cerveja e óleo de peixe, provoca síndrome alcalina
QUANDO TOMAR - Junto com refeições
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Cefalexina
Nome comercial - Keflex
Indicações - Antibiótico
Orientações - Não ingerir com alimentos, pois retardam ou diminuem absorção
QUANDO TOMAR - Uma hora antes ou duas horas após as refeições
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Cimetidina
Nome comercial - Tagamet, Ulcimet
Indicações - Antiulceroso
Orientações - Se não for ingerido com as refeições, perde o pico de secreção máxima
QUANDO TOMAR -No almoço
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Digoxina
Nome comercial - Digoxina, Lanoxin
Indicações - Cardiotônico
Orientações - Não ingerir com leite, alimentos ricos em cálcio ou refeições ricas em fibras, pois favorece carência de vitamina B1
QUANDO TOMAR - Fora das refeições
COM O QUE INGERIR - Suco natural de frutas

Remédio (nome genérico) - Doxiciclina
Nome comercial - Vibramicina
Indicações - Antibiótico
Orientações - Não ingerir com dieta de sólidos, pois provoca irritação no estômago
QUANDO TOMAR - Com muito líquido para a solubilização ser plena
COM O QUE INGERIR - Água ou sucos

Remédio (nome genérico) - Neomicina
Nome comercial - Almicin
Indicações - Antibiótico
Orientações - Não ingerir com alimento algum, pois reduz a absorção de gorduras, vitaminas lipossolúveis, lactose, sacarose, cálcio, ferro, vitamina B12. Aumenta a excreção de sódio e potássio
QUANDO TOMAR - Em jejum
COM O QUE INGERIR - Pouca água

Remédio (nome genérico) - Propanolol
Nome comercial - Inderal
Indicações - Anti-hipertensivo, antiarrítmico betabloqueador
Orientações - Se tomado fora das refeições, diminui a absorção e provoca secura na boca
QUANDO TOMAR - Com almoço ou jantar
COM O QUE INGERIR - Água

Remédio (nome genérico) - Tetraciclina
Nome comercial - Tetrex
Indicações - Antibiótico
Orientações - Os alimentos prejudicam muito a sua absorção.
QUANDO TOMAR - Uma ou duas horas antes das refeições
COM O QUE INGERIR - Água

 

Novartis lança antiinflamatório e acirra disputa pelo setor no país
Fonte: Valor Econômico

Mercado movimenta R$ 600 milhões no ano e nova categoria responde por 23%

Maurício Capela, De São Paulo

As multinacionais disputam a venda de cada comprimido do mercado brasileiro de antiinflamatórios, que vai movimentar R$ 600 milhões no ano. Quarto maior segmento da indústria farmacêutica do país, o setor vive uma transformação com drogas modernas.

Dona de antigas e tradicionias marcas, como Cataflam e Voltaren, a suíça Novartis não quer ficar de fora da revolução dos antiinflamatórios e lança o Prexige no fim do próximo ano. O remédio pertence à nova classe terapêutica (o coxib) que já conta com Vioxx e o Arcoxia da americana Merck & Co - importados do México -, e com o Celebra da Pharmacia, trazido da operação da Inglaterra.

Para enfrentar os remédios de última geração, a Novartis gastará R$ 3 milhões em ações de pré-marketing em 2003, apesar do Prexige só vir a aparecer nas gôndolas das farmácias no fim do ano. O produto será importado.

Em 2004, quando o remédio já estiver disponível para o paciente, a verba de marketing subirá para R$ 30 milhões. O objetivo é alcançar um faturamento de R$ 20 milhões entre o fim de 2003 e 2004. A reação do laboratório suíço reflete o atual cenário dos antiinflamatórios no Brasil. Com a chegada dos genéricos e dos coxib, o Cataflan, por exemplo, abandonou a sua posição de medicamento número um em vendas da indústria farmacêutica nacional e ocupa a quarta colocação. Hoje, o produto mais vendido no país é o Viagra da americana Pfizer.

"Vamos lançar um novo remédio neste setor, porque os antiinflamatórios são um grande mercado. Hoje, perdemos espaço para os genéricos e para novos produtos", diz Christina Matteucci Rossi, gerente de produtos antiinflamatórios da filial local da Novartis.

"A Novartis é um adversário forte no setor. Mas terão que fazer muitos estudos clínicos para comprovar a eficácia do seu produto e, conseqüentemente, ganhar mercado dos demais remédios da família coxib", diz Alessandra Miyazaki, gerente de marketing da Pharmacia no país. O Celebra foi o primeiro produto da nova família, lançado no Brasil em março de 1999. Christina estima que a participação dos coxib será de R$ 150 milhões neste ano. Sidnei Castro, diretor de negócio da Merck Sharp & Dohme, filial da Merck & Co, também compartilha da projeção.

Além de contar com a mesma perspectiva de mercado, Alessandra afirma - segundo dados da IMS Health, que audita o varejo farmacêutico - que o Celebra faturou R$ 44,8 milhões entre janeiro e setembro de 2002, ante os R$ 33 milhões registrados em igual período do ano passado.

Hoje, a participação dos coxib ainda é pequena no mercado de antiinflamatórios, mas a executiva da Novartis aposta que a classe terá uma fatia perto de 42% no próximo ano, quando o mercado movimentará R$ 630 milhões.

"Em 2007, acredito que os remédios, cujo princípio ativo é da família coxib, terão 49% do setor de antiinflamatórios", diz Christina. Para João Luis Navarro, gerente médico da Novartis, haverão pelo menos seis medicamentos com essa substância.

Sidnei Castro, da Merck Sharp & Dohme, lembra que o mercado de antiinflamatórios nacional movimentou R$ 582 milhões no ano passado, sendo que a família coxib não ultrapassou os R$ 90 milhões. E acredita em uma fatia de 35% dos coxib em 2003.

O executivo, que considera boa a chegada de mais um concorrente, porque aumenta a divulgação dos coxib, projeta que o Vioxx e o Arcoxia deterão 22% do mercado em 2003. Neste ano, os dois remédios terão 17%.

"Os antiinflamatórios antigos não serão substituídos totalmente pelos novos produtos, porque há uma questão de poder aquisitivo", diz Castro. Em um dia de tratamento, os velhos remédios são 40% mais baratos que os coxib.

Laboratórios

A bilionária luta contra o colesterol


Novas drogas acirram a disputa pelo segmento mais cobiçado do setor

Amy Barrett, BusinessWeek, de Filadélfia

A indústria farmacêutica está em maus lençóis. Há muitas patentes em vias de expirar, causando um golpe devastador. A linha de produção de novos medicamentos está praticamente parada, e aumentam as queixas sobre o alto preço dos remédios. Assim, os grandes laboratórios estão apostando todas as fichas nas estatinas, drogas que diminuem os níveis de colesterol no sangue - um verdadeiro salva-vidas para milhões de pessoas nos EUA, terra da obesidade. Esses remédios que protegem o coração são verdadeiras máquinas de fazer dinheiro, com um faturamento anual de US$ 19 bilhões.

Assim, não surpreende que a batalha por esse grande prêmio esteja acirrada. A Merck e a Schering-Plough uniram-se para dar força total ao Zetia, novo tipo de redutor de colesterol que funciona em conjunto com as estatinas. O Zetia pode ser aprovado pelo FDA, órgão regulador da indústria farmacêutica americana, ainda este mês. As duas empresas vão comercializar o Zetia em conjunto, e estão também preparando uma pílula que vai combinar o Zetia com o Zocor, da Merck, uma estatina que hoje alcança vendas anuais de US$ 7,5 bilhões, criando assim um agente superpoderoso na luta contra o colesterol. Essa terapia combinada, ainda em testes clínicos, deve chegar ao mercado em 2004. Para enfrentar a ameaça, a Pfizer prepara uma vigorosa defesa do Lipitor, seu produto mais vendido em todos tempos, líder do segmento das estatinas, com vendas anuais de US$ 7,9 bilhões.

Quem pode estragar a festa? O laboratório AstraZeneca, que tem uma nova e poderosa estatina chamada Crestor, atualmente em exames pelo FDA. A aprovação foi adiada devido aos possíveis efeitos colaterais, mas o Crestor ainda pode entrar na competição em 2003. "Este é o maior mercado para muitos grandes laboratórios", diz Richard T. Evans, analista da Sanford C. Bernstein. "Haverá uma luta ferrenha pela sobrevivência."

Nenhum dos concorrentes pode perder. Para a Pfizer, o aumento das vendas do Lipitor é fundamental para atingir as expectativas de crescimento de Wall Street, de mais de 10%. A Schering-Plough precisa desesperadamente do sucesso do Zetia para compensar, ao menos em parte, o futuro golpe desfechado aos seus lucros, esperado para o ano que vem, quando expirar a patente do Claritin, o antialérgico campeão de vendas do laboratório. Quanto à Merck, o sucesso do Zetia-Zocor poderá diminuir seus prejuízo quando expirar a patente do Zocor, em 2006. "Essa franquia do Zetia representa tudo para a Merck", diz John R. o Borzilleri, gerente da State Street Research & Management.

Todos os concorrentes esperam que essas novas drogas terminem com uma tendência preocupante na demanda pelas estatinas. A companhia especializada em pesquisa de mercado IMS Health afirma que o crescimento nas receitas de estatina nos EUA diminuiu para 8% este ano; há apenas dois anos era de 20%. Isso acontece apesar de uma recente revisão nas normas do National Institutes of Health que quase triplicou o número de americanos elegíveis para a terapia de redução do colesterol, que agora chega a 36 milhões de pessoas. Os analistas atribuem essa queda, em parte, ao preço mais alto das receitas.

A Merck e a Schering estão apostando numa nova e promissora maneira de combater o colesterol e dar novo impulso à demanda. As estatinas funcionam bloqueando a ação de uma enzima que tem papel crítico na produção do colesterol no fígado, enquanto o Zetia impede a absorção do colesterol no intestino. Mas o Zetia, sozinho, não é tão eficiente quanto as estatinas, que conseguem baixar os níveis de colesterol LDL - o chamado "mau colesterol" - em 40% ou mais. O Zetia reduz o LDL em apenas 18%.

Muitos observadores acreditam que o verdadeiro benefício - tanto médico como financeiro - do Zetia virá da combinação dessa droga com as estatinas. Segundo os médicos, dobrar a dose de uma estatina reduz o "mau colesterol" apenas em mais 6%, aproximadamente. Além disso, a estatina em altas doses também pode causar um efeito colateral raro, mas potencialmente mortal, chamado rabdomiólise, um rompimento das fibras musculares que causa dores e, em alguns casos raros, falência dos órgãos. Acrescentar o Zetia a uma baixa dose de estatina pode aumentar em muito sua eficiência, causando uma redução extra de 25% ou mais no colesterol.

A Merck e a Schering-Plough esperam comercializar a combinação Zetia-Zocor como uma superestatina, oferecendo o máximo de redução de colesterol com um mínimo de riscos. "O momento é o mais apropriado possível para o Zetia", diz Michael H. Davidson, diretor de cardiologia preventiva no Centro Médico Presbiteriano St. Luke, em Chicago, que realizou alguns testes com o Zetia.

As duas empresas ainda terão que enfrentar dificuldades de marketing. Elas crêem que uma terapia com base no Zetia, associado a uma dose baixa de estatina, apresenta menos riscos e efeitos colaterais danosos aos músculos do que uma alta dose de estatina. Entretanto, Cecil B. Pickett, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Schering, reconhece que ainda não foram feitos estudos confirmando essa suposição. Como esses efeitos colaterais musculares letais são raríssimos, seria difícil e extremamente oneroso montar um teste desse tipo, exigindo 20.000 pacientes ou mais. Pickett acredita que os benefícios em termos de segurança se tornarão evidentes com o passar do tempo.

Muitos analistas de Wall Street têm suas dúvidas a respeito. Evans, da Sanford C. Bernstein, adverte que sem um estudo que comprove esse ponto, o FDA pode continuar exigindo um alerta quanto aos efeitos colaterais musculares na utilização do Zetia em combinação com uma estatina. Essa advertência, segundo ele, pode ameaçar o sucesso do Zetia. Stephen M. Scala, analista da SG Cowen Securities, calcula que as vendas totais do Zetia e do Zetia-Zocor atingirão apenas US$ 1,3 bilhão até 2006. "O Zetia não terá o mesmo impacto nesse campo que tiveram as estatinas", diz o Irving M. Herling, professor associado da Escola de Medicina da Universidade de Pensilvânia.

O fator surpresa nessa equação da estatina é o Crestor, da AstraZeneca. Supõe-se que essa droga ainda não foi aprovada pelo FDA devido ao risco de rabdomiólise; mesmo assim, muitos analistas de Wall Street apostam que o Crestor chegará ao mercado no segundo semestre de 2003. Mas se o risco de efeitos colaterais levar o FDA a aprová-lo apenas em doses baixas, "os concorrentes vão tentar arrasar com o produto", adverte Norman M. Fidel, gerente de portfólio de produtos de saúde da Alliance Capital Management LP.

A primeira a atacar provavelmente seria a Pfizer, decidida a proteger a posição de liderança do Lipitor. A empresa investiu quase US$ 60 milhões anunciando o Lipitor aos consumidores no primeiro semestre 2002; em comparação, o gasto foi de US$ 26 milhões no mesmo período do ano passado. Estão em andamento mais de 200 estudos sobre o Lipitor, examinando todos os seus aspectos, desde a capacidade de reverter os efeitos de doenças coronárias até a possibilidade de combater a osteoporose. Em 10 de outubro foram divulgados dados de um estudo feito com 20.000 pacientes, mostrando que o Lipitor reduziu os ataques cardíacos e derrames em pessoas com colesterol normal, ou ligeiramente elevado, porém com alta pressão sanguínea.

A Pfizer talvez ainda tenha outra arma em seu arsenal. A empresa está desenvolvendo um composto que eleva os níveis do HDL, ou "colesterol bom". Os analistas prevêem que uma pílula que combina essa droga com o Lipitor talvez seja lançada até 2006. Segundo Fidel, da Alliance, "seria a última palavra em medicamentos nesse segmento". Sem dúvida, serviria também para deflagrar mais uma batalha nessa guerra, em que tanta coisa está em jogo além dos coração dos pacientes.

 

EUA podem dar novo rumo aos genéricos
Fonte: Gazeta Mercantil


Genebra Impulso à proposta do Brasil e Índia. A decisão do governo dos Estados Unidos de acelerar a entrada dos medicamentos genéricos no seu mercado pode, indiretamente, dar um impulso à proposta que Brasil, Índia e outros países em desenvolvimento elaboram para assegurar acesso a medicamentos mais baratos.

Os EUA querem corrigir uma brecha na sua legislação que permite aos grandes laboratórios, na prática, manterem patentes de remédios por um prazo superior aos 20 anos previstos na lei. Com isso, os genéricos poderão chegar ao mercado em prazos menores, reduzindo os gastos anuais dos consumidores americanos em cerca de US$ 3 bilhões.

Em Genebra, a avaliação é que a decisão dos EUA pode influenciar governos de outros países industrializados a tomarem a mesma medida. Além disso, poderia enfraquecer a postura americana sobre quebra de patentes e produção de genéricos por países mais pobres.
Atualmente, trava-se uma batalha na Organização Mundial de Comércio (OMC) em relação à produção, venda e exportação de remédios baratos para combater crises de saúde pública.

Decisão dos EUA pode ajudar o Brasil

Genebra Governo Bush pretende limitar as renovações de patentes, abrindo espaço para a concorrência. A decisão do governo dos Estados Unidos de ajudar os remédios genéricos a entrarem mais cedo no mercado poderá dar indiretamente um impulso na proposta que o Brasil, Índia e vários outros países elaboram para assegurar melhor acesso a medicamentos mais baratos, segundo negociadores em Genebra. O presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que uma nova regra em estudo pela US Food and Drug Administration (FDA) envolvendo genéricos vai permitir economia de US$ 3 bilhões por ano em compras de medicamentos pelo consumidor americano.

O governo americano quer corrigir aberrações na sua legislação, que deixou uma brecha para os grandes laboratórios manterem, na prática, o monopólio de patentes além do prazo de 20 anos. O método atual que seria usado por companhias farmacêuticas como Bristol Myers Squibb, AstraZeneca, GlaxoSmithKline e Schering Plough é simples: pedem uma patente complementar sobre uma molécula original cuja patente principal está chegando ao fim.

Isso permite à companhia retardar em 30 meses o exame de autorização para o lançamento de medicamentos genéricos, mais baratos. E mantêm ganhos de milhões de dólares. O problema é que tem havido abusos. Um exemplo é o laboratório GSK, que fez sete pedidos seguidos de patente complementar para sua molécula principal, o Paxil, com US$ 1,8 bilhão de vendas. Com mudanças cosméticas, conseguiu atrasar a introdução de concorrentes genéricos.

Revisão das formalidades
Agora, o presidente Bush anunciou que a FDA pretende limitar a apenas uma vez a possibilidade de os laboratórios multiplicarem as demandas de atraso na introdução de genéricos. As formalidades de registro de uma patente para remédios serão revistas. Não será mais possível patentes por qualquer razão, por exemplo, sobre inovações pequenas que às vezes são apenas sobre a embalagem do remédio. Os EUA também querem evitar que produtos químicos acrescentados à molécula para facilitar sua ingestão sejam usados para estender a patente.

O impacto da decisão americana vai bem além da motivação política interna de ajudar os republicanos em campanha eleitoral a propagarem que foram capazes de reduzir o custo dos medicamentos. Nos Estados Unidos, maior mercado farmacêutico mundial, os genéricos representam metade das vendas em volume e 10% em valor. Globalmente, os genéricos pesam US$ 20 bilhões por ano, o que é uma fração dos US$ 400 bilhões do setor farmacêutico. Mas eles se tornam mais e mais a principal arma dos governos industrializados para fazer economia em seus orçamentos de saúde - e a maior prova está na decisão da Casa Branca.

O próprio Bush declarou que, nos próximos três anos, cerca de 200 patentes de remédios vão expirar - e, com isso, entrarão genéricos no mercado. Segundo o presidente, o preço de remédio colocado sob proteção custou em média US$ 72 no ano passado, enquanto o genérico custou apenas US$ 17.

A Goldman Sachs estima que mais de US$ 50 bilhões em remédios sob proteção vão perder sua patente nos próximos cinco anos. Para se ter uma idéia da importância econômica, quando os genéricos entram no mercado, o faturamento dos laboratórios com seu medicamento já sem proteção cai 70% no prazo de dois anos. O exemplo mais mencionado é do Prozac, da Lilly.

A FDA vai colocar as novas regras em discussão pública para comentários antes de serem efetivadas, e certamente sofrerá intensa oposição dos grandes grupos farmacêuticos. Em Genebra, certos negociadores consideram que a decisão de Bush para poupar bilhões de dólares aos consumidores, afinal, deve estimular os outros a procurarem o mesmo. "Nesse caso, o que é bom para os EUA é bom para nós", diz um negociador africano. Além disso, pode enfraquecer a postura americana sobre quebra de patente (licença compulsória) e produção de genéricos por países mais pobres.

Prazo até dezembro
Os países membros da Organização Mundial de Comércio (OMC) têm prazo até dezembro para encontrar uma solução para o problema de países que podem legalmente quebrar patente (licença compulsória), mas não têm a capacidade efetiva para produzir remédios.

A negociação em curso em Genebra é para permitir a produção, venda e exportação de remédios baratos para combater crises de saúde pública. Ocorre que os EUA endureceram sua posição com a União Européia, Canadá, Japão e Suíça, detentores de grandes laboratórios. Os industrializados consideram que só os mais pobres podem se beneficiar automaticamente da importação de remédio mais barato com a flexibilidade do parágrafo 6 da declaração de Doha, sobre Trips e saúde. Para o resto dos países, o que inclui o Brasil, o critério para se beneficiar teria de ser negociado.

Quanto aos supridores de remédios para os países que não podem produzir, podem ser todos os países em desenvolvimento. O temor das indústrias é com o desvio de remédio barato produzido no hemisfério Sul, que poderia chegar aos mercados industrializados, onde são vendidos mais caro.

As sugestões dos industrializados vêm sendo combatidas pelo Brasil, Índia e algumas nações africanas. Esse grupo não quer excluir qualquer país ou tipo de doença que poderia ser coberta pela negociação que deve terminar em dezembro. Por isso, vão apresentar uma nova proposta, abrangente, que assegura acesso ao medicamento barato, inclusive dando direito de indústrias genéricas dos países industrializados também exportarem.

O curioso é que, em intensas consultas na semana passada em Genebra, os Estados Unidos insistiram que sua indústria de genéricos não tinha interesse na questão. Já a indústria canadense não esconde que gostaria de exportar, inclusive para os EUA. A briga vai continuar na OMC, e também dentro dos próprios EUA. De um lado, milhares de americanos atravessam a fronteira para comprar remédio genérico mais barato no Canadá. De outro, o Senado, controlado pelos Democratas, aprovou uma lei este ano, que acabou engavetada no Senado pelos republicanos, que visava justamente facilitar a venda de genéricos.

 
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