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24/10

Lula propõe descentralizar SUS e Serra, ampliá-lo

24/10

Brasil continua na rota das múltis de genéricos

 

Lula propõe descentralizar SUS e Serra, ampliá-lo
Fonte: Valor Econômico - 24/10/2002

São sutis as diferenças entre os programas apresentados pelos dois candidatos à Presidência para a área de Saúde, e mais sutis ainda com relação ao programa desenvolvido nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso.

A proposta para a Saúde defendida pelo candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, prevê reformulação do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Propõe uma descentralização do sistema, transferindo aos Estados e municípios recursos para a elaboração de políticas locais de prevenção.

A deputada Angela Guadagnin (PT-SP), uma das coordenadoras do programa de Saúde de Lula, entende que na gestão de Fernando Henrique as decisões do Ministério da Saúde não tiveram respaldo nos municípios e dificultaram a ação coordenada dos agentes municipais, "os verdadeiros executores das políticas de saúde".

A deputada defende também o fortalecimento dos laboratórios públicos para a produção de medicamentos genéricos. "Atualmente o governo federal compra grandes quantidades dos laboratórios privados, o que limita a redução dos preços para os consumidores", avalia Guadagnin. Na proposta petista, os pacientes dos hospitais públicos receberão gratuitamente os remédios para o tratamento e os usuários do sistema hospitalar privado poderão comprar os medicamentos nas chamadas "farmácias populares", especializadas em genéricos - produzidos por laboratórios públicos e, portanto, mais baratos, segundo avalia a deputada.
No governo Lula, o Programa de Saúde da Família, uma das marcas da gestão de José Serra no Ministério da Saúde, será mantido e ampliado. De acordo com a deputada, a intenção é ampliar o atendimento para cerca de 70% da população brasileira, o que significaria absorver um contingente de 120 milhões de pessoas.

Em seu programa por escrito, o PT não apresenta metas definidas para problemas caros à população carente, como mortalidade infantil. Angela Guadagnin considera isso secundário, uma vez que o partido propõe uma série de ações que, ao cabo, terão efeitos positivos na redução dessa mortandade.

"Acreditamos que ao universalizar o atendimento do SUS de boa qualidade, vamos reduzir a mortalidade materna, que ajuda a diminuir a mortalidade infantil. Também iremos desenvolver outras ações, como criar o banco de leite, programas de atendimento aos bebês", disse.
O programa de José Serra para a saúde é uma consolidação e reforço à sua atuação como ministro da área, segundo informou o secretário de Gestão de Investimento em Saúde, Geraldo Biasoto, que também é coordenador do programa de saúde do PSDB.
Serra propõe triplicar a cobertura do Programa de Saúde da Família, focalizando especialmente as grandes cidades. "A fase inicial foi de consolidação do sistema, com preocupação com as regiões de risco", explicou Biasoto. A intenção de levar o Saúde da Família para os grandes centros urbanos é uma tentativa de fazer do programa a " porta de entrada " do cidadão no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo Biasoto, grande parte dos problemas no atendimento dos hospitais públicos acontece por causa da grande procura por serviços simples, que não precisam ser oferecidos, necessariamente, nos hospitais de maior porte, que deveriam cuidar de casos mais graves. Os transplantes também são focalizados no programa tucano, que quer "consolidar a posição brasileira de segundo país do mundo em número de transplantes", aumentando esse número dos atuais 7,2 mil realizados em 2001, segundo dados do Ministério da Saúde, para 11,3 mil em 2006.

São metas também a redução pela metade da mortalidade infantil no Nordeste, dos atuais 44 para 22 por mil nascidos vivos, e para todo o Brasil, a redução da mortalidade do índice atual de 29,3 para menos de 20 mortes por mil crianças nascidas vivas. (RB)

 


Brasil continua na rota das múltis de genéricos
Fonte: Valor Econômico - 24/10/2002

Maurício Capela, De São Paulo

As multinacionais de genéricos (cópias de medicamentos de marca) não perdem o Brasil de vista. A última a desembarcar no país foi a espanhola Cinfa.

Segundo colocado na Espanha, o grupo fatura perto de US$ 60 milhões por ano e projeta gastar US$ 13 milhões para construir uma fábrica no país, cujo local ainda não foi definido. Sabe-se que a companhia deseja instalar a unidade nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro ou Paraná.

Atraída pela expansão do mercado de genéricos, que neste ano deverá movimentar entre US$ 230 milhões e US$ 250 milhões, a Cinfa espera faturar R$ 15 milhões em 2003 com 15 produtos. "Mas o objetivo é ter 10% do setor", diz Eurico Gonçalves da Silva Neto, gerente-delegado da Cinfa no Brasil.

Hoje, três dos quatro maiores fabricantes mundiais de genéricos estão presentes no Brasil. A israelense Teva, que mantém uma joint-venture com a brasileira Biosintética (Bioteva) e é a maior do mundo, a suíça Novartis (3ª) e a alemã ratiopharm (4ª). Mas 82% do mercado está nas mãos das nacionais Biosintética, Medley, Eurofarma e EMS.

A Biosintética espera faturar R$ 120 milhões com o negócio, que inclui os seus genéricos e os produtos da Bioteva. Em 2001, a receita foi de R$ 100 milhões.
"Nós prevíamos a chegada de novos laboratórios multinacionais no país", diz Paulo Muradian, diretor de genéricos da Novartis no Brasil. "Estamos em uma fase de atração, mas o mercado deverá passar por uma consolidação", diz Miguel Anjel Filgueira Monzu, diretor de marketing e vendas da ratiopharm, controlada pela holding Merckle ratiopharm e que também tem a suíça de medicamentos Mepha.

A ratiopharm, que desembarcou no início do ano, esperava também comercializar pelo menos 18 genéricos no Brasil, mas só conseguiu sinal verde para dois produtos. O diretor de marketing explica que houve um contratempo nos documentos enviados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com apenas duas cópias de medicamentos, a ratiopharm vai registrar um faturamento de R$ 1 milhão no ano, contra uma previsão de R$ 6 milhões. Além disso, a empresa adiou o projeto de construção de uma fábrica no país.

O executivo do grupo alemão explica que o projeto da operação está mantido e não sofreu nenhuma alteração nos valores. "Caso consigamos um faturamento de R$ 10 milhões, o que significa ter um portfólio de 30 genéricos, há uma grande possibilidade de iniciarmos o projeto ainda em 2003", diz Monzu.

A Novartis também teve alguns contratempos na documentação dos seus produtos e conseguiu aprovar 17 genéricos até agora. A projeção inicial era de 30 genéricos. Com um portfólio menor, a companhia deverá ter uma participação de 4,5% no ano, contra uma previsão de 7%. Muradian espera que o setor movimente US$ 230 milhões se o dólar permanecer no atual patamar.

 
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