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Genéricos na Imprensa
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25/05
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Panorama
Político
Fonte: O Globo - 25/05/2002
Quem imita quem?
Reclamou ontem indignado o presidente Fernando Henrique por ver
hoje idéias que defendeu defendidas pelos que as criticaram.
Rebateu o presidente do PT, José Dirceu, dizendo que o PSDB
e o governo é que vêm gradativamente adotando políticas
do PT, a exemplo da coleção de programas federais
tipo "bolsa", baseadas nas experiências petistas
com renda-mínima.
A disputa pela paternidade das idéias é secundária,
disse recentemente o candidato José Serra.
O importante é executá-las. E lembrou ter tirado do
papel o projeto sobre genéricos, do deputado petista Eduardo
Jorge. Foi também Serra que fez aprovar no Congresso a emenda
que garante recursos vinculados para a Saúde, proposta originalmente
pelo petista Waldir Pires. Essa emenda já foi também
uma mudança do governo, que inicialmente abominava as vinculações
orçamentárias. A verdade é que os dois polos
das disputa presidencial têm corrigido seus conceitos, discursos
e compromissos e por isso o discurso anda tão semelhante.
E, até que a prática prove o contrário, nada
autoriza acusá-los de fingimento eleitoral.
Nos dias de hoje, seria temerário fingir tanto. Hoje não
se vê mais o PT pregar o rompimento com o FMI, e parece até
esquecido de que já fez isso um dia. Mas também o
presidente surpreendeu ao criticar e pregar reformas nas regras
do Fundo. É verdade que o PT agora faz profissão de
fé na responsabilidade fiscal. Mas o PT votou contra a lei,
acusa José Serra. Alega o PT que não rejeitava o coração
da lei mas muitos de seus artigos que amarram a política
social e dificultam sua própria aplicação da
lei. Contra eles é que recorreu ao STF. A explicação,
entretanto, não apaga o mapa de votação. Por
outro lado, quando a oposição e mesmo parte do PSDB
criticavam a globalização, Fernando Henrique via o
processo com grande idealismo, chegando a compará-lo a um
"novo renascimento". Hoje critica seus desvios e prega
uma globalização solidária. Seria aplaudido
se falasse no Fórum Social Mundial.
O mesmo vale para a Alca. Lula sempre a criticou. Serra agora faz
o mesmo e não está sendo por isso chamado de xenófobo.
Nem o foi quando enfrentou a indústria farmacêutica
para produzir genéricos mais baratos, obtendo depois uma
grande vitória na OMC. Nem será o presidente chamado
de caipira - termo que já aplicou aos adversários
- por estar desenvolvendo, neste final de governo, um relacionamento
nada reverente para com os Estados Unidos.
Do outro lado, Lula hoje promete um governo de negociação,
critica o MST, de quem o PT já foi tão fraterno. Escorregou
mesmo quando justificou o protecionismo agrícola europeu
mas o que fez agora, e alguns fingiram não entender, foi
pregar uma política comercial tão agressiva quanto
a dos EUA. Nada diferente do que diz o ministro Pratini e mesmo
o chanceler Lafer. Lula mudou até o visual: "nunca vesti
Armani, mas posso vestir".
Há duas semanas, o presidente defendeu o projeto de Marta
Suplicy que legaliza a situação jurídica de
homossexuais que vivam juntos. Foi a bancada governista, para segurar
o voto dos evangélicos, que impediu a aprovação
do projeto. Evangélicos que Lula agora também corteja.
Essa lista iria longe. Dela resulta que uns e outros podem se acusar
mutuamente de vira-casaca. Uns e outros têm mudado. E, se
for da boca para fora, o eleitor cobrará caro.Sobre a geração
de esqueletos
Carlos Eduardo Freitas, diretor de Liquidações do
Banco Central, repele a acusação do deputado Milton
Temer (PT-RJ), que, juntamente com Walter Pinheiro (PT-BA), apresentou
requerimento de informações sobre ações
temerárias do banco na gestão da massa falida de instituições
financeiras sob intervenção. Ações que
podem estar gerando esqueletos para o futuro governo, dando ensejo
aos antigos donos para reclamar indenizações.
- Esta acusação, além de improcedente, é
injuriosa - diz o diretor.
Garante que todas as operações são submetidas
à concordância dos antigos controladores exatamente
para que não tenham do que reclamar. Que tudo tem sido feito
para garantir o maior retorno possível de recursos destinados
pelo Proer. No ano passado, foram recolhidos R$ 4 bilhões,
sendo que R$ 1,4 bilhão do espólio do antigo Banco
Econômico.
Para algumas das 11 perguntas dos deputados ele tem postas, para
outras não. Eles perguntam por exemplo sobre a legalidade
de empréstimos e aportes de recursos a empresas em que os
bancos tinham participação. Freitas assegura que é
feito para propiciar a venda dos ativos (caso da participação
do Econômico na Usiminas) e posterior resgate dos valores
pelo BC. Desconhece que tenha havido, como afirmam os deputados,
troca de títulos "bons" por ativos podres, e que
tenha o BC resgatado débitos dos bancos liquidados no exterior.
Mandará averiguar. Terá, como manda a lei, 30 dias
para responder a todas as questões apresentadas.
PESQUISA do Ministério da Saúde com 89.604 usuários
da rede pública de hospitais identificou os dez melhores
do Brasil nos quesitos atendimento médico, de enfermagem,
instalações e tratamento pessoal. A Rede Sarah, por
ter alcançado pontuação acima da média,
ganhará do ministro Barjas Negri o prêmio "Destaque
nacional". Sinal de que a convivência entre o SUS e outros
modelos de gestão é possível e salutar.
E-mail para esta coluna: cruvinel@bsb.oglobo.com.br
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