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Genéricos na Imprensa Notícias
A
assistência farmacêutica Ciro Mortella Bancos e laboratórios farmacêuticos são frequentemente
apresentados à nossa sociedade como segmentos antagônicos
ao bem-estar nacional. Isto é estimulado pelo fato de que
lidam com produtos essenciais e relativamente caros para o orçamento
das famílias. Entre outros, é a incerteza - nos bancos,
de recuperação dos créditos e, nos laboratórios,
de sucesso nas pesquisas - um dos elementos responsáveis
pelo encarecimento dos respectivos produtos. Particularidades setoriais à parte, foi surpreendente a
manifestação em artigo publicado no Jornal de Brasília,
no dia 5 de julho, do sr. Miguel Jorge, vice-presidente de Assuntos
Corporativos do Grupo Santander, sobre a importância social
dos medicamentos genéricos e, mais precisamente, por identificar
nos preços dos medicamentos a causa do sofrimento das famílias,
no tocante à saúde. A Febrafarma estranha que um representante da banca comercial venha
a público mostrar sua preocupação social com
ataques ao setor farmacêutico. Os medicamentos genéricos
são veladamente apresentados, no artigo, como resultado de
uma ação saneadora do poder público, contra
a ganância dos laboratórios e, com esta versão
pretende-se engrandecer o poder político, em detrimento de
um entendimento construtivo. Diante disso, cabe à Febrafarma informar algumas verdades
sobre os medicamentos genéricos: a) as indústrias
farmacêuticas jamais se opuseram aos genéricos, tanto
que os únicos a investir expressivamente neste segmento e
a produzir os genéricos disponíveis no País
são os laboratórios privados; b) a redução
de preço do medicamento genérico está associada
ao fato de que são produtos sem o domínio das patentes;
c) a propaganda oficial em favor dos genéricos, fato inédito,
levou à menor necessidade de os laboratórios investirem
em divulgação, essencial para entrar no mercado. Estes fatos contribuíram decisivamente para acelerar o desenvolvimento
do mercado de genéricos em classes terapêuticas importantes
e também induziram laboratórios a sacrificarem margens
para preservar suas participações no mercado ou para
bancarem estratégias agressivas de abordagem do novo mercado. A generalização de benefícios terapêuticos
relacionados a custos deve ser melhor avaliada. De acordo com o
III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial da Sociedade
Brasileira de Hipertensão, o tratamento deve "ser iniciado
com as menores doses efetivas preconizadas para cada situação
clínica, podendo ser aumentadas gradativamente e/ou associar-se
a outro hipotensor de classe farmacológica diferente". Portanto, o tratamento da hipertensão passa por circunstâncias
em que diferentes elementos são levados em conta, inclusive
o uso de medicamentos com melhor relação custo/benefício.
Não raro há necessidade de se associar dois ou mais
medicamentos para o sucesso terapêutico e o tratamento vai
se tornando mais caro. R$ 120 ao ano seria o custo para o tratamento de hipertensão
com o produto de referência: o diurético. O tratamento
com o genérico sairia por R$ 56. Uma redução
considerável. Note-se, porém, o benefício auferido
pelo paciente em relação ao custo relativamente baixo,
mesmo com o produto de referência. Caso se associasse um beta-bloqueador ao tratamento, o custo adicional
seria de R$ 223 ao ano para o produto de referência ou R$
108 no caso do genérico. Continuando este raciocínio,
até chegarmos a 4 classes diferentes de medicamentos, teríamos
um custo anual de R$ 1.588 para os produtos de referência
e R$ 627 para os genéricos, com uma redução
de 60%, como citado no artigo do sr. Jorge. O problema, entretanto, é que, na prática, não
se verifica a associação de quatro medicamentos diferentes
para o tratamento desta doença. A análise matemática
dos custos de tratamento apresentada como argumento simplesmente
não encontra embasamento médico-científico. Em suma, há que se reconhecer a importância dos genéricos,
mas sem confundi-los com o fim da história, pois o problema
de acesso a medicamentos está ligado à renda da população,
ao estado de pobreza, realidade cuja superação os
genéricos, por si só, não garantem. |
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