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Genéricos na Imprensa
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27/06

Guerra de preços nos genéricos

27/06

Guerra de preços nos medicamentos genéricos

Guerra de preços nos genéricos
Fonte: Gazeta Mercantil-27/06/2002


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São Paulo, - Remédios do Eurofarma já custam 70% menos. O EMS acompanha. O laboratório nacional Eurofarma iniciou uma guerra de preços no mercado de medicamentos genéricos.

Concorrentes estão confusos e varejistas, atônitos. Em um ambiente de preços máximos controlados pelo governo não se esperava uma ofensiva como a do Eurofarma. Até agora, pelo menos um outro produtor de genéricos aderiu à guerra de preços - o também nacional EMS.

O momento é de pressão de alta sobre os custos das matérias-primas ativas por causa da desvalorização do câmbio. Em geral, os medicamentos produzidos no Brasil têm baixo índice de nacionalização - a produção local de farmoquímicos é limitada. Mas o Eurofarma decidiu adotar uma política de preços baixos em toda a linha de genéricos para ganhar mercado.

Os genéricos do Eurofarma estão sendo oferecidos em condições vantajosas para o consumidor, por preços cerca de 30% inferiores aos dos competidores diretos e até 70% mais baixos que os dos produtos de marcas de referência tradicionais.

No caso do antibiótico amoxicilina, um dos genéricos mais vendidos no Brasil, a diferença entre o remédio do Eurofarma (embalagem de 15 cápsulas de 500 miligramas) e o Amoxil, marca do GlaxoSmithKline, é de 66%. O Amoxil custa R$ 21,16 no varejo, sem desconto, e o produto do Eurofarma sai por R$ 7,09, segundo levantamento de publicações especializadas como ABCFarma e Kairos. O genérico Eurofarma do antidepressivo cloridrato de sertralina custa 53% mais barato do que o Zoloft, marca de referência do Pfizer.

O EMS decidiu acompanhar o Eurofarma no início de junho, quando reduziu os preços de 13 genéricos, indo, em alguns casos, mais longe do que o próprio Eurofarma. "Nós reagimos, mas não concordamos com essa política", afirma Carlos Sanchez, presidente do EMS. "A médio prazo, ela vai inviabilizar o mercado de genéricos, já que as farmácias não terão margens para remunerar seu negócio."

 

Guerra de preços nos medicamentos genéricos
Fonte: Gazeta Mercantil-27/06/2002

Indústria

São Paulo, - Carlos Sanchez defende a fixação de um preço mínimo para os genéricos, tese com a qual o governo não concorda. Segundo ele, a diferença de preços entre o produto de referência e os genéricos, nas condições brasileiras, não deveria ser superior a 50%. Na média, os genéricos no Brasil custam 35% menos. "Nos Estados Unidos, onde as farmácias recebem uma taxa de US$ 5 por produto vendido, os genéricos chegam a ser até 80% mais baratos, mas aqui isso é impossível", diz.

Grandes redes de São Paulo, diante das pequenas margens de lucro oferecidas pelos produtos do Eurofarma, eliminaram de suas farmácias os genéricos do laboratório. Um executivo do varejo diz que os preços do Eurofarma acabam com a rentabilidade não só das farmácias, mas também dos distribuidores. Para o laboratório, porém, trata-se de retaliação. "Estamos transferindo todas as nossas vantagens de custo e as margens de desconto para o consumidor", afirma Maria Del Pilar Muñoz, gerente de marketing do Eurofarma. "É a nossa estratégia de negócios." Com preços controlados, o laboratório não terá oportunidade de mudar suas tabelas de genéricos nos próximos meses.

A guerra de preços no mercado de genéricos era aguardada com ansiedade pelo governo. Não há inovação nesse segmento e todos os medicamentos passam por testes de bioequivalência e bioabsorção e, portanto, apresentam garantias de qualidade avalizadas pela agência de vigilância sanitária, a Anvisa. A disputa de mercado se resume ao preço. A rentabilidade dos produtos genéricos já é, normalmente, bastante inferior à dos produtos com marca. Mas preços mais baixos podem significar uma ampliação da base de consumo: um maior acesso de compradores de baixa renda aos medicamentos. O Eurofarma tem avançado no mercado. Seu faturamento com vendas para o varejo é de US$ 62 milhões e sua participação de mercado é de 1,26%.


 
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