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Genéricos na Imprensa
Notícias
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A
Semana
Fonte:
Revista IstoÉ - 29/05/2002
Números
O Ministério da Saúde vai aumentar de 426 para
771 os medicamentos genéricos nas farmácias do País
até o final desse ano. 86% do total de remédios comercializados
pode ter versão genérica.
33,7 milhões de telespectadores assistiram ao último
episódio da série Friends nos EUA. É a maior
audiência de 2002 na televisão americana.
Segundo a Associação dos Mensageiros Motociclistas,
existem hoje 160 mil motoboys no Estado de São Paulo que
recebem em méida R$ 460 por mês.
O salário de um motoboy em Londres é de R$
1.400 por semana.
O Conselho Federal de Medicina registrou um aumento de 140%
nas denúncias de erros médicos no País.
100 novas favelas surgiram no Rio de Janeiro entre 1996 e
2000, numa média de 25 a cada ano. Os dados são do
Instituto Pereira Passos.
Pesquisa do jornal The Sun mostrou que os ingleses em média
fazem sexo 6 minutos por semana. Isso em 2 vezes de 3 minutos. Mulheres
e homens perdem a virgindade geralmente aos 17 anos. E quando completam
35 anos já tiveram pelo menos 8 parceiros.
O
laboratório campeão de genéricos...
Fonte:
Revista IstoÉ - 29/05/2002
...adora pedir conselhos a "Jorginho", o polêmico
irmão do ministro da Saúde
Alexandre Oltramari
Ricardo Benichio
O mercado brasileiro de remédios genéricos, aqueles
que fazem o mesmo efeito e têm a vantagem de ser mais baratos
que os de marca, é uma promessa de potência. Desde
que o Ministério da Saúde começou a autorizar
sua circulação no país, em 2000, esse mercado
só cresceu. Hoje, já fatura 250 milhões de
dólares por ano, embora ainda responda por apenas 5% do comércio
global de medicamentos.
Estima-se que até 2003 a participação dos
genéricos chegue a um terço do mercado e, com isso,
seu faturamento salte para 1,6 bilhão de dólares.
Na disputa por esse filé, já existe um campeão:
o laboratório EMS, cuja sede fica em Hortolândia, no
interior paulista. Segundo dados oficiais do Ministério da
Saúde, dos 574 genéricos já autorizados a circular
nas farmácias brasileiras, o EMS é o fabricante de
95. Essas são as informações públicas
e oficiais sobre o assunto. O que quase ninguém sabe é
que nesse mercado circula um personagem polêmico. Chama-se
Jorge Negri, 43 anos. Ele é irmão do atual ministro
da Saúde, Barjas Negri.
Jorge Negri já teve vínculos com o laboratório
EMS, o campeão nacional do pedaço. Há três
anos, quando o EMS estava para inaugurar uma fábrica em Hortolândia,
Jorge Negri foi genericamente acionado para atrair autoridades tucanas
à festa. Nessa missão, ele levou o empresário
Carlos Sanchez, dono do EMS, para encontros importantes. Em São
Paulo, abriu as portas do gabinete do então governador Mário
Covas e de seu vice, Geraldo Alckmin. Em Brasília, foi com
Sanchez ao gabinete de seu irmão, Barjas Negri, na época
secretário executivo do Ministério da Saúde.
No auge de seu trabalho, Jorge Negri conseguiu marcar uma audiência
de Carlos Sanchez com o então ministro da Saúde José
Serra, hoje candidato à sucessão de Fernando Henrique
Cardoso. A festa de inauguração foi um sucesso. "Ele
abriu as portas. Eu nunca tinha feito uma festa de vulto. Não
tinha entrosamento político", conta Sanchez. "Não
fiz contrato. Foi informal. Eu dei um presente a ele na ocasião.
Um presente em dinheiro. Acho que foram uns 2 000 reais."
Jorge Negri tornou-se amigo do maior empresário de genéricos
do país. Nas freqüentes idas de Carlos Sanchez a Brasília,
Jorge Negri acompanhou-o em algumas oportunidades. O empresário
não se lembra de quantas viagens fizeram juntos. "Como
é que eu vou contar quantas vezes estive com ele em Brasília?
Estive uma p... de vezes. Não sei se foi uma, duas ou três!",
diz. O empresário faz questão de esclarecer, no entanto,
que as visitas a Brasília com o irmão do atual ministro
foram sempre para tratar, especificamente, da tal festa de inauguração
em Hortolândia, e não por quaisquer outros motivos
genéricos - mas até hoje o empresário telefona
para Jorge Negri pedindo conselhos. "Ele liga pra mim e diz
assim: 'Jorginho, você sabe como eu faço isso, como
eu faço para conseguir?'. Mais nada.
A gente só troca idéia por telefone. Não sou
funcionário dele", conta Jorge Negri. Barjas Negri lembra-se
de ter recebido o empresário, levado por seu irmão,
mas também diz que foi para falar da festa de Hortolândia.
"Não acredito que meu irmão faça lobby.
Não tenho conhecimento disso", afirma o ministro. Na
agência responsável pela aprovação de
genéricos, a Anvisa, há quem acredite.
Na semana passada, VEJA teve acesso ao conteúdo de uma fita
cassete em que se ouve um diálogo. De um lado da linha está
o diretor da Anvisa, Luiz Felipe Moreira Lima. A conversa ocorreu
há cerca de dez dias. Existem trechos curiosos. Num deles,
perguntado se Jorge Negri faz lobby para laboratórios, Moreira
Lima responde o seguinte: "É. Disso não há
dúvida. Ele vai lá, ciceroneia. Mas o que ele faz
na hora que entra na sala e vai conversar, isso eu não sei".
Em outro trecho, ao ser questionado sobre se o irmão do ministro
seria sócio do laboratório EMS, o diretor da Anvisa
é cuidadoso. "Não, atuar assim como dono, isso
eu não sei, não." E atuar como lobista? "Isso
é óbvio.
Ele vai lá na Vigilância (refere-se à Anvisa)
para reunião com empresário. Isso faz parte do trabalho
dele, entendeu? É um trabalho de intermediação,
né?" Que Jorge Negri gosta genericamente de intermediar,
não há dúvida. Em São Paulo, ele já
se apresentou como assessor do Ministério da Educação.
Tem até cartão de visita, com a função
impressa: "assessor do ministro". Consultado, o ministro
da Educação, Paulo Renato Souza, que se encontrava
em Washington, advertiu: Jorge Negri não trabalha nem nunca
trabalhou para ele.
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