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Genéricos na Imprensa
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29/07

Genérico alivia bolso do consumidor

29/07

A estratégia da EMS para crescer

Genérico alivia bolso do consumidor
Fonte: Jornal de Brasília - 29/07/2002


Economia

Apesar do preço salgado dos medicamentos, quem sofre de doenças crônicas economizou 40% .

Lívia Stábile

Os medicamentos tradicionais, no Brasil, tiveram uma elevação de preços de 125%, na média, desde a implantação do Plano Real, em 1994. Diabéticos e hipertensos, especialmente, sofreram uma sobrecarga em seus orçamentos. Mas a defasagem entre o preço inflacionado dos remédios e os rajustes salariais (cerca de 30% no mesmo período) pôde ser atenuada em 40%, desde que os medicamentos genéricos entraram no mercado, há dois anos.

O diabético que usou em seu tratamento o Daoneil, por exemplo, tinha um gasto anual de R$ 344,16 em 2000. Esse valor caiu para R$ 309,84, em 2001, e chegou a R$ 250, 56, em 2002.

Essa queda de preços tem relação direta com o surgimento dos genéricos, hoje com 620 tipos de medicamentos no mercado.

Os maiores beneficiados com a criação dos genéricos foram os idosos que sofrem de doenças crônicas como diabetes, colesterol alto e hipertensão, cujo tratamento é contínuo e requer a compra mensal de remédios. "Procuramos sempre alimentar as indústrias de genéricos com uma lista dos medicamentos mais requisitados e, certamente, os direcionados aos idosos têm grande importância: afinal, eles são os maiores consumidores", afirmou Vera Valente, gerente-geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em novembro e dezembro de 2001, revelou que 48% dos consumidores pedem os genéricos nas farmácias e 40% pedem para trocar o remédio de marca por um genérico. "É visível a maior aceitação dos genéricos, temos uma pesquisa que comprova a redução de 40% a 70% no custo de tratamentos para doenças crônicas, é impossível resistir. Quero lembrar que esses medicamentos passam por um teste de bioequivalência, ou seja, tem total garantia de qualidade", completou Vera.

O coordenador do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (IDUM), Antônio Barbosa, discorda da gerente da Anvisa. Ele acredita que os genéricos não aliviaram a renda de quem gasta com remédios. "O problema é que na hora de tabelar o genérico o governo faz um comparativo com o preço mais alto do remédio de marca em vez de fazer média com os remédios que têm o mesmo composto ativo. Dessa forma, o preço do genérico sairia mais baixo ainda."

Peso maior para idosos

Apesar de os medicamentos genéricos apresentarem preços mais acessíveis, parte dos idosos ainda sofre com alguns medicamentos que não têm genéricos. O aposentado Adão Meira Santos, de 70 anos, gasta 40% de sua renda em medicamentos.

"Ganho mil reais por mês e como coloquei duas pontes de safena e minha mulher sofre de colesterol alto, estou gastando quase metade do meu orçamento familiar com os remédios, pois nem todo medicamento que eu e ela tomamos tem o seu genérico".

Já a modelista Marlene Pereira Guimarães, de 64 anos, acredita que a solução é pesquisar. "Com os genéricos os preços estão melhores, mas ainda vale a pena pesquisar. Infelizmente, quando minha pressão sobe, gasto muito com um medicamento que não tem o seu correspondente genérico".

Para quem não encontrou problemas em achar o medicamento genérico correspondente ao remédio tradicional usado anteriormente no tratamento da sua doença, a diferença entre os preços assusta. O militar aposentado Edvar Rodrigues Vieira, de 53 anos, ficou impressionado com a variação. "Estou achando a diferença enorme, o que é muito positivo e felizmente estou encontrado tudo o que preciso em relação aos medicamentos genéricos".

O gerente da Droga Vison, que fica na rua das Farmácias, Augusto Xavier, contou que parte dos consumidores ainda tem receio de comprar o genérico. "Os hipertensos são os mais desconfiados, hoje temos cerca de 40% dos clientes comprando genéricos".

O aposentado Hugo Lauterjung, de 71 anos, é um dos desconfiados. " Não posso confirmar que eles não fazem efeito, mas sempre fico com o pé atrás".

Os interessados em obter mais informações sobre os remédios genéricos, podem acessar o site www.anvisa.gov.br ou ligar para o disque-saúde no 0800-61-1997.

A estratégia da EMS para crescer
Fonte: Gazeta Mercantil - 29/07/2002

Indústria

São Paulo, Grupo investe em novas fábricas e amplia capacidade das antigas. O grupo EMS Sigma Pharma, composto pelas empresas EMS, Legrand, Novamed, Sigma Pharma e Nature's, segue à risca o lema de seu fundador, Emiliano Sanchez: " crescer ou crescer". Após investir, com recursos próprios, US$ 60 milhões nos últimos quatro anos para ampliar a produção de genéricos em seis vezes, o EMS acaba de fazer novo investimento, de R$ 60 milhões, para a instalação de duas fábricas. Uma em Bra sília, de antibióticos, penicilânicos e cefalosporínicos, e outra em Sergipe, de hormônios. Junto às fábricas serão construídos centros de distribuição.
Desta vez, metade do investimento virá de financiamentos do Programa de Desenvolvimento do Distrito Federal (Prodeef) e do Fundo Centro-Oeste (FCO). No caso de Sergipe, o projeto está inserido no Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI).
Padrões da FDA

O presidente do grupo - de capital 100% nacional -, Carlos Eduardo Sanchez, diz q ue a escolha dos locais, tão distantes um do outro, atende necessidades sanitárias e de logística. "Pelos padrões do órgão de vigilância sanitária dos EUA, o Food and Drug Administration (FDA), que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está adotando, as fábricas têm de estar separadas para evitar contaminação cruzada dos medicamentos."

As duas unidades, segundo Sanchez, exigem alto grau de sofisticação tanto na parte de construção civil quanto na de equipamentos, sistemas de ventilação e de água. "Na unidade de antibióticos, por exemplo, o ar de fora não pode entrar para evitar contaminação. E, na de hormônios, o ar não pode sair para não provocar alterações no meio ambiente ou no próprio homem."

Com o investimento, a expectativa é au mentar o faturamento atual do grupo em 40% em dois anos, quando as fábricas estarão produzindo quase à plena capacidade. Hoje, o faturamento anual do EMS equivale a 3% (US$ 210 milhões) da receita do mercado total de medicamentos no Brasil (US$ 7 bilhões ).

Na verdade, o investimento de R$ 60 milhões é o gasto previsto apenas para a primeira fase da produção, que deverá ser iniciada no final do primeiro semestre de 2003. A segunda fase deve ser completada em mais dois anos e a terceira em quatro. Os no vos investimentos necessários nas segunda e terceira fases, estimados em R$ 100 milhões, ainda não foram fechados pois dependerão do mercado, diz Sanchez.

Atualmente, a produção de hormônios da EMS em São Bernardo do Campo (SP) chega a 1 milhão de unid ades por mês e, a de antibióticos, a 2 milhões de unidades. A expectativa com as novas fábricas é que as produções dobrem na primeira fase, quadrupliquem na segunda e sextupliquem na terceira. As duas unidades de São Bernardo, que também produzem outros medicamentos (como cardiológicos e vitaminas), devem aumentar a produção desses medicamentos em 50%.

Consolidação em genéricos
O complexo de Hortolândia (SP), que embala a produção de São Bernardo, também terá a capacidade aumentada em 50%. Nas ampli ações das unidades já existentes, o EMS fez um investimento adicional de US$ 5,5 milhões. A área de embalagens será ampliada em 10 mil m² e terá novos equipamentos. Nas unidades antigas, o número de funcionários passará de 2 mil para 2,15 mil. As unidade s de Brasília e Sergipe terão 400 empregados.

O objetivo do grupo com os investimentos é consolidar a primeira posição em genéricos e aumentar a participação no mercado total de medicamentos. Hoje, o EMS tem aproximadamente 30% do mercado de genéricos em unidades vendidas e uma participação de 2,5% no mercado brasileiro de medicamentos.

Sanchez disse ainda que os investimentos contribuirão para atrair e reter recursos para o Brasil. Atualmente, o EMS exporta uma pequena quantidade de ciclosporina (i munosupressor para transplantados) para países da América do Sul e Leste asiático, mas as ampliações podem levar a novos mercados.

 
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