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Genéricos na Imprensa
Notícias

 

30/01

Brasil exporta combate à Aids

30/01

Briga com genéricos reduz receita da Novartis no Brasil

Brasil exporta combate à Aids
Fonte: Jornal do Brasil - 30/01/2002

JOHANNESBURGO - Ativistas da luta contra a Aids na África do Sul anunciaram ontem a chegada ao país da primeira remessa de medicamentos contra a doença importados do Brasil. A importação, autorizada pelo organismo do governo que controla a saúde, deve, no entanto, abrir caminho para uma batalha judicial entre as organizações de apoio aos doentes e fabricantes locais, que detém as patentes, como os laboratórios GlaxoSmithKline e Boehringer Ingelheim.

O coquetel de medicamentos genéricos, fabricado pelo laboratório Farmanguinhos, no Rio - ligado à Fundação Oswaldo Cruz - estão sendo distribuídos inicialmente para 50 pacientes que recebem um tratamento piloto na cidade de Khayelitsha, no oeste, ministrado por equipes da organização Médicos Sem Fronteiras.

Os voluntários sabem o que vem pela frente. ''Estamos preparados para enfrentar a luta pelo direito à vida da nossa gente porque entendemos que as leis são injustas. Vivemos uma grave epidemia de Aids'', declarou um representante da organização Treatment Action Campaign (TAC). A África do Sul tem o maior índice de portadores do vírus HIV no mundo, um cálculo estimado em 5 milhões de pessoas. A maior parte dos doentes não tem condição financeira de adquirir os remédios.

Segundo os Médicos Sem Fronteiras, os remédios brasileiros chegaram ao país custando US$ 1,55 por paciente. Os mesmos remédios, sem comprados de fabricantes locais, chega ao doente por US$ 3,20. No total, a diferença, dizem os responsáveis pelo programa piloto, sustentaria o tratamento de 80 pacientes por três meses.

A importação dos genéricos brasileiros também é uma alternativa diante do imobilismo que as entidades de apoio aos doentes apontam no governo. Uma posição que vem da presidência: o presidente Thabo Mbeki chegou a declarar que o coquetel anti-Aids é tão tóxico quanto a condição que ele trata.

Recentemente, dizem as organizações, uma decisão legal permitiu não só que as compras fossem feitas no exterior como a produção de genéricos e retrovirais em território sul-africano. Apesar disso, o tratamento da Aids nos hospitais públicos permaneceu limitado por falta de insumos. ''Precisamos que todas restrições sejam suspensas para assegurar a chegada desses remédios aos pacientes, comprados ou feitos aqui'', acrescentou o representante da TAC.

 

Briga com genéricos reduz receita da Novartis no Brasil
Fonte: Valor Econômico - 30/01/2002


Farmacêutica Companhia volta ao azul com ajuda do diferimento

Nelson Niero, De São Paulo

A briga com os medicamentos genéricos não tem feito bem à Novartis no Brasil. A filial do grupo suíço está projetando um crescimento de 6,5% na receita neste ano, depois de uma queda de 14% no ano passado. No entanto, a maior parte do aumento virá do reajuste de preço dado pelo governo. "Estamos prevendo uma queda entre 8% e 10% no volume de vendas", diz Nelson Mussolini, diretor da Novartis.

Na semana passada, a Câmara de Medicamentos autorizou um aumento de até 5,83%, que vale a partir de amanhã. Em outubro do ano passado, houve um reajuste extraordinário, de 1,67% em média, para compensar a valorização do dólar.

Se o aumento não foi suficiente para recompor as margens, a Novartis pelo menos pôde recorrer a um artifício contábil para voltar ao azul. A empresa fez o diferimento das perdas cambiais, uma concessão do governo às empresas endividadas que permitiu a diluição do impacto da variação da moeda, de 18,67%, em até quatro anos. A despesa financeira líquida da Novartis caiu 60% com a ajuda do diferimento.

No balanço publicado na semana passada, a empresa mostra um lucro líquido de R$ 12,2 milhões, comparado a um prejuízo de R$ 17,8 milhões no ano anterior, apesar de a receita líquida ter caído de R$ 731,5 milhões para R$ 631,3 milhões no período.
Mussolini não quis revelar qual seria o resultado sem o diferimento cambial, mas certamente o prejuízo ficaria bem acima da perda de 2000, quando a valorização do dólar foi de 9,30%. "O lucro é contábil", admite.

A queda na receita, segundo ele, veio em parte pela separação da área agrícola do grupo (que foi cindida e em janeiro de 2001 uniu-se à Zeneca, formando a Syngenta), mas o desempenho dos farmacêuticos não foi satisfatório. "Até março de 2000, ainda tínhamos o negócio de agro", diz o executivo. "Mas, se só considerarmos o setor farmacêutico, a queda de receita foi de 5% a 8%."

Genéricos e mercado "recessivo" são os fatores para a retração. Como as perspectivas para este ano não são muito melhores, a ordem é reestruturação. "Temos que nos adaptar, reduzir custos", diz Mussolini, sem dar detalhes. "Não vamos recuperar as margens de dois anos atrás, mas precisamos de uma lucratividade para manter os investimentos."

Grande parte desse esforço vai para enfrentar o ataque dos genéricos. A empresa já anunciou investimentos de R$ 52,6 milhões para entrar nesse mercado. Até o fim de 2003, a idéia é ter cem cópias nas farmácias, que darão uma participação de mercado entre 10% e 15%.

 
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