Ministério da Saúde
Acesse o Portal do Governo Brasileiro
 




Genéricos na Imprensa
Notícias

 

31/01

O número

31/01

De genéricos e cabos eleitorais

31/01

BNDES vai financiar fábricas de genéricos

31/01

Falta ao populismo o charme poliglota

31/01

Genéricos

31/01

Mais um

31/01

Genéricos no mercado

O número
Fonte: Correio Braziliense - 31/01/2002

Medicamentos

305 remédios genéricos foram aprovados desde quando o Brasil instituiu a política de medicamentos sem marca e mais baratos no mercado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comemora no dia 3 de fevereiro o aniversário de dois anos da aprovação dos primeiros seis registros para a fabricação de genéricos. Os medicamentos disponíveis cobrem 53% das doenças mais freqüentes do país.
(Da Redação)

 

De genéricos e cabos eleitorais
Fonte: Folha de S.Paulo - 31/01/2002

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE

O deputado Nelson Marchezan e o economista Gesner de Oliveira contestaram, nesta Folha, dois artigos meus neste mesmo jornal publicados em 13 de dezembro e em 10 de janeiro.

Eu acusava o Ministério da Saúde de mentir por razões eleitoreiras ao afirmar que já havia uma disponibilidade de 550 genéricos. De acordo com observações minhas, esse número não seria de muito mais do que cem. Ambos contestadores cometem o mesmo erro técnico. O economista diz que "cada fármaco pode ser produzido por diferentes laboratórios. Cada um deles teria o seu genérico". Para começar, nenhum dos laboratórios que produzem genéricos produz o fármaco que utiliza. Os fármacos são importados. Por definição, um fármaco é uma substância química, uma molécula, que constitui o princípio ativo de um medicamento. Alguns medicamentos podem conter mais do que um fármaco. No Brasil, são 9 os genéricos, com 2 fármacos. O genérico é uma cópia idêntica de um medicamento de referência que já foi homologado e contém o mesmo princípio ativo, o mesmo fármaco, de um medicamento de referência. Ele, o genérico, de acordo com a legislação brasileira, deve também ser bioequivalente, ou seja, deve ser processado em excipiente de maneira que produza as mesmas respostas biológicas que o medicamento de referência.

E agora recorremos a um princípio elementar da lógica formal. Se A é igual a B e A é igual a C, então B e C são iguais. Chama-se propriedade transitiva. Assim, dois genéricos B e C de um mesmo medicamento de referência A são idênticos entre si, pois, pela própria definição de medicamento genérico, são idênticos ao medicamento de referência. Se são ou não produzidos pelo mesmo laboratório é irrelevante.

Quem diz isso não sou eu, mas a legislação de genéricos. Ou seja, os dois são o mesmo genérico. Um mesmo fármaco pode ser apresentado em diferentes quantidades e diluído em diferentes excipientes, substâncias neutras, sob diferentes formas: comprimido, xarope, creme, pomada, suspensão oral, cápsula gelatinosa, pó para suspensão e outros. A última lista de genéricos, de acordo com o "Diário Oficial da União", contém 448 formas (apresentações) e 166 fármacos (princípios ativos). Se admitirmos que diferentes excipientes determinam diferentes genéricos, embora com o mesmo princípio ativo, então teremos 209 diferentes genéricos.

Essa opção foi contestada recentemente em juízo pelo próprio Ministério de Saúde, que concedeu a um medicamento na forma de cápsulas gelatinosas o status de genérico de um medicamento de referência que era apresentado na forma de "suspensão oral". Se admitirmos que o que caracteriza, sob todos os aspectos químicos e físicos, o genérico é o fármaco e o excipiente, e não o fabricante ou a cor da embalagem, então existem hoje 209 genéricos, e não 550, como já afirmou o ministério.

Com paladinos como Marchezan, melhor seria Serra entregar o bastão do neoliberalismo logo à oligarquia maranhense

O ex-deputado da Arena, ex-líder e ex-porta-voz do governo militar, repescado pelo PSDB, refere-se à informação por mim avançada de que havia 70 genéricos "no final do ano passado". Eu devia ter dito, "ao final de 2000". Se tivesse o deputado entendido o argumento, teria percebido, como fez o economista, que o artigo foi escrito em fins de 2001 e publicado em começos de 2002. Mas a sua dificuldade para entender fica mais evidente ao me classificar como "conhecido detrator da política nacional de medicamentos genéricos".

Não obstante, fui eu que, com apoio desta Folha, lancei no Brasil a campanha para a adoção de genéricos. O deputado, como experimentado político, deve saber que a melhor estratégia para sabotar um projeto bom é aprovar um similar com o mesmo objetivo aparente, porém inviável.

Quando o projeto de Serra foi ao Congresso, contestei a exigência de provas de bioequivalência, que poderia, como aconteceu, atrasar a implantação do programa. Era uma legislação consentida pelo cartel de multinacionais do setor farmacêutico.

E o resultado é pífio. Três anos depois de adotado nos EUA, o genérico havia conquistado 30% do mercado. No Brasil, essa participação está ainda em 2%. Esta informação não consta do sítio da Anvisa na internet. A informação de que são 305 "pseudogenéricos" ou de que este ou aquele genérico teve sucesso é irrelevante, pois não terá consequência social se o genérico não aumentar significativamente o acesso da população carente aos medicamentos.

E, como bem entendeu o leitor Alexandre Naime Barbosa (Folha, "Painel do Leitor", 14/1), não critiquei o lançamento de um programa de genéricos, mas o seu uso propagandístico e a falsificação de dados desse programa com finalidade eleiçoeira. Não nos esqueçamos de que a propaganda do Ministério da Saúde afirmava que já havia uma disponibilidade de 550 genéricos. Só o deputado não entendeu a minha crítica. E isso não pode ter sido por escassez de neurônios. O seu caso é de desespero. Cabo eleitoral da malograda candidatura Paulo Renato, ele se agarra à candidatura Serra como tábua de salvação.

Minha crítica ao programa de apoio aos portadores do HIV só pode ser entendida no contexto geral das políticas de saúde do ministério, que se omitiu em casos de consequências muito mais abrangentes, como o combate à difteria, ao impaludismo, à esquistossomose, à tuberculose etc. A epidemia de dengue que vemos eclodir é uma consequência dessa escolha eleiçoeira.

Quanto aos encômios dirigidos pelo deputado aos resultados socioeconômicos do programa de genéricos, tais como investimentos e criação de empregos, creio que são prematuros, para dizer o menos, pois não houve aumento de consumo. Aumento de empregos e novos investimentos sem aumento de produção significa inflação e redução de produtividade. O deputado se maravilha com o fato de as empresas do setor de medicamentos genéricos terem investido R$ 400 milhões. Ora, o desenvolvimento de um único novo fármaco custa, em média, mais do que isso. Este valor corresponde ainda a menos do que 0,1% dos investimentos globais no Brasil, no mesmo período.

Quanto às elucubrações do economista Gesner para explicar a sua afirmativa de que a entrada de grandes companhias transnacionais no Brasil seria um estímulo para o capital nacional investir no mesmo setor, confesso que não entendi e que desisti de entender. Não conheço metafísica suficientemente.

Com paladinos como Marchezan, melhor seria Serra entregar o bastão do neoliberalismo Henriquenho à oligarquia maranhense desde já. Termino com uma citação do leitor acima mencionado: "A saúde do brasileiro virou artigo de marqueteiros e aduladores".

Rogério Cezar de Cerqueira Leite, 71, físico, é professor emérito da Unicamp e membro do Conselho Editorial da Folha.

 

BNDES vai financiar fábricas de genéricos
Fonte: O Estado de S.Paulo - 31/01/2002


Investimento é de R$ 63 milhões para instalação de duas empresas

LEONENCIO NOSSA

BRASÍLIA - A estratégia do governo federal de atrair empresas da área de medicamentos genéricos ultrapassa a apresentação de números sobre aumento de vendas no setor, que há um ano cresce 12% ao mês. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve aprovar, nas próximas semanas, financiamento total de R$ 63 milhões para instalação de duas empresas fabricantes de medicamentos genéricos no País.
Na mira dos empréstimos, outros 11 laboratórios de genéricos estão elaborando projetos, que totalizam R$ 60 milhões.

A empresa Medley foi a primeira a obter financiamento do governo. No ano passado, o BNDES aprovou o empréstimo de R$ 18,8 milhões para ampliação do laboratório no País, orçada em R$ 42 milhões. Os genéricos representam atualmente 38% do faturamento da empresa. A meta é aumentar esse porcentual para 45% até o final deste ano.

Dados apresentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que a participação dos genéricos no total de vendas passou de 1,73% em janeiro do ano passado para 4,37% em novembro.

Atualmente, os medicamentos são fabricados por 29 empresas; destas, nove são estrangeiras. Entre 2000 e 2001, os fabricantes de genéricos investiram R$ 371,2 milhões na produção. Os investimentos representaram a abertura de 3,8 mil empregos.

O governo pretende estimular a venda desses remédios até atingir um patamar de 30% do mercado farmacêutico até o final de 2003. A informação é da gerente-geral de Medicamentos Genéricos da Anvisa, Vera Valente.

Ao contrário da indústria farmacêutica tradicional, que registrou queda nas vendas no ano passado, o setor de medicamentos genéricos passou de 2 milhões para 5 milhões de remédios comercializados nos últimos 12 meses.

Aids - O governo conseguiu uma redução de 46% no preço do medicamento Kaletra, um dos 14 usados no coquetel anti-aids. Com isso, o Ministério da Saúde passa a comprar o remédio a US$ 1,60 o frasco, economizando anualmente US$ 30,1 milhões.

Além disso, segundo o ministro José Serra, o laboratório fabricante do medicamento vai fornecer ao governo gratuitamente o Kaletra para crianças portadoras do vírus HIV abaixo de 12 anos. Segundo o ministério, cerca de 7.900 pacientes fazem tratamento usando o Kaletra.

 

Falta ao populismo o charme poliglota
Fonte:Valor Econômico - 31/01/2002


Demanda por serviços públicos não é atendida

Em outra picaretada no espólio da era Vargas, o presidente Fernando Henrique envia ao Congresso projeto de lei regulamentando a profissão dos agentes comunitários de saúde, garantindo-lhes habilitação a direitos trabalhistas e previdenciários. Sim, sei, foi justamente Getúlio Vargas quem inventou a regulação da cidadania, lá pelos anos 30 do século passado, mas não é a primeira vez que o presidente atende à voz rouca das urnas, contrariando os princípios tucanos do bem governar. Recentemente, a criação do vale-gás veio somar-se a outros vales e bolsas, todos resumidos no que a propaganda denomina de rede de proteção social do governo. Bem ou mal, é mesmo, mantendo a vetusta tradição varguista (que fazer?) de fabricar políticas populares distributivas e compensatórias diante daquilo que, cito Chico e Milton, não é direito, nem nunca será. Conforme a crônica ligeira, tudo seria mero populismo, quando praticado por políticos monoglotas - o que, bom para ele, não é o caso do nosso presidente. Por enquanto, o máximo de sofisticação no mercado, digo-o bem, é a oferta de tradutor simultâneo capaz de distinguir uma política social poliglota de uma empulhação populista em bom português. Contudo, pondere.

Entre as décadas de 1940 e 1970, as taxas médias de crescimento populacional do Brasil alcançaram 3% ao ano, reduzindo-se gradativamente até aos cerca de 1,3% atuais. Mas, ao longo dos últimos 60 anos as taxas decenais de crescimento urbano foram ainda mais elevadas. Mesmo no Sudeste, região com velocidade decrescente desde os anos 80, a taxa de aumento da população urbana continua sendo superior à da população total. Nas demais, o universo urbanita continuou a se expandir a taxas acima de 2% ao ano. Excluindo os países petrolíferos do Oriente Médio, fenômeno de tal magnitude só se encontra na África, em alguns países da América do Sul (Bolívia, Brasil e Equador), na América Central (República Dominicana) e na heterodoxia européia que se chama Portugal, cuja população citadina passou de 26 a 63% do total, entre 1970 e 1999 (Banco Mundial, "World Development Indicators", 2001). Sem nada de extraordinário, as demandas por bens e serviços públicos -- luz, água, esgoto, saúde, educação, transporte, segurança - cresceram ano após ano em urgência e clamor.

O diabo é que, no Brasil, buscou-se a acumulação econômica com viés de alta, quer dizer, com favorecimento dos segmentos médios e altos da população, de notória inclinação à poupança e investimento, desde que devidamente protegidos pelo Estado contra qualquer ursada do mercado. No período, os déficits mais escandalosos não se produziram em nossas transações com o mundo exterior, mas no contrato básico entre governantes e governados, confinando-se os bens e serviços públicos a rubricas orçamentárias residuais. Na execução, a distribuição discriminatória por locais de residência: aos bairros nobres, tudo, aos populares, nem a lei.

Demandas insatisfeitas geram promessa de satisfação, e não deu outra. Em torno dos 50 era a esperança de um bica d'água, de um posto de saúde ou de um modesto poste de luz que servia de passaporte para o voto. Segurança nunca foi confundida com delegacia de polícia e, quanto a transporte, não é de hoje que a choldra, vez por outra, depreda trens e incendeia ônibus. Pudera.

Do total de benefícios pagos pela Previdência Social por acidentes (típicos, doenças de trabalho e trajeto do e para o trabalho), em 1986, 6% corresponderam a acidentes de trajeto; em 2000, esse total havia subido para 11,7%. Não vou desfiar estatísticas -- até o governo reconhece a porcaria em que se encontram o saneamento básico, a situação da energia, mesmo com cidades mal iluminadas e, agora, também deu-se conta de que a marginalidade tomou posse do pedaço --, mas é importante anotar que, em todas as cláusulas fundamentais do contrato, exceção feita à educação, os números vêm ruins desde muito longe, e pioraram em anos recentes. Não, a saúde não escapou porque, se é sem dúvida meritória a política de genéricos e em relação a AIDS, o número de leitos por 1 mil habitantes, que era de 3,2, já aquém dos 3,5 desejados pela Organização Mundial de Saúde, caiu na última década para 2,8 por cada 1 mil habitantes. Pelo acúmulo de déficits em bens públicos, apesar do aumento formidável do número de eleitores pobres, vai ver que o que houve, no duro, foi populismo vernacular de menos.

Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político e professor do Iuperj. Escreve às quintas-feiras
E-mail: leex@iis.com.br

 

Genéricos
Fonte:Jornal do Brasil - 31/01/2002


''Em relação às notícias publicadas na imprensa internacional sobre uma suposta exportação de anti-retrovirais de fabricação brasileira para a África do Sul, o Ministério da Saúde informa que o Brasil não tem por política a exportação de medicamentos genéricos para Aids. Os medicamentos recebidos pela ONG Médicos Sem Fronteira, seção Brasil, fazem parte de um acordo de cooperação técnica entre a Fiocruz, do Ministério da Saúde do Brasil, e a ONG MSF, seção Brasil. Nesse acordo estava previsto o fornecimento de pequenas quantidades de medicamentos anti-retrovirais produzidos no Brasil, para serem utilizados em projetos pilotos daquela ONG.''
Flávio Guilherme de Souza M. Pontes, assessor de imprensa do Ministério da Saúde, Brasília.

 

Mais um
Fonte:O Globo - 31/01/2002


Chegou ontem ao Brasil o ministro da Saúde da Guatemala, Mario Bolaños.
Veio pedir ajuda para iniciar a produção de genéricos para Aids em seu país.

 

Genéricos no mercado
Fonte:Jornal de Brasília - 31/01/2002

 

A partir da primeira semana de fevereiro, o Laboratórios Biosintética distribui nas farmácias de todo o País genérico exclusivo no combate à epilepsia e dor crônica: a Gabapentina, genérico do Neurontin (Parke-Davis), anticonvulsivante, que vende cerca de 116 mil unidades por ano no Brasil, movimentando aproximadamente US$ 2,5 milhões. Esse é o segundo genérico para epilepsia lançado pela Biosintética que, em meados do ano passado, colocou nas farmácias o Carbamazepina (Tegretol, da Geigy).

A Gabapentina também é indicado e muito utilizado no tratamento da dor crônica neuropática - alteração proveniente de lesão do sistema nervoso periférico ou central. Age diretamente nos neurônios, acalmando-os e, assim, evitando as crises. "No combate à epilepsia, o medicamento é indicado geralmente para crianças e idosos. Porém, o seu grande mercado é o de combate à dor crônica, uma vez que faltam remédios específicos para essa doença, que atinge principalmente a terceira idade", afirma o dr. Manoel Jacobsen, neurologista do Hospital das Clínicas.

Na apresentação de 300 mg, com caixa de 30 comprimidos, o novo medicamento terá preço, em média, 35% menor que o de referência. "Esperamos uma grande ascensão dos genéricos no mercado brasileiro. São mais baratos e o efeito é o mesmo dos remédios de referência.

Precisamos fazer com que toda a população finalmente entenda isso", afirma o dr. Jacobsen. "Os genéricos são necessários, sobretudo, para a população menos favorecida. Os pacientes, dependendo do caso, tomam esse remédio de duas a quatro vezes ao dia e preço do medicamento de marca é R$ 60,40", completa.

Segundo Maristela Costa, neurologista do Hospital São Paulo, o medicamento é bom e muito eficaz no tratamento da dor crônica neuropática. No caso da epilepsia, a Gabapentina é indicada quando o paciente não responde com os remédios mais utilizados no tratamento da doença, como a Carbamazepina.

 
Página Anterior Ínicio da página