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Genérico
importado
Fonte:
Jornal do Comércio (PE)- 09/03/2003
Fernando Castilho
Genérico importado
O programa de medicamentos genéricos, considerado a maior
experiência mundial de produção, em massa, de
remédios livres de custos de royalties das patentes, está
cada vez mais nas mãos dos laboratórios multinacionais,
que voltaram a fabricar esses produtos em diversas filiais espalhadas
em vários países e vendê-los ao Brasil livre
do pagamento do imposto de importação.
Lançado em 1999, com o discurso de produzir remédios,
a preço baixo, por causa da isenção do pagamento
de patentes já consideradas de domínio público,
o programa precisou ser modificado em 2001, permitindo-se a importação,
por falta de condições dos laboratórios nacionais
de produzir e testar esses mesmos medicamentos de acordo com procedimentos
indústrias já adotados nos Estados Unidos e Europa.
Foi o suficiente para os laboratórios internacionais, com
filiais no Brasil, iniciarem a importação direta de
filiais no Exterior, enquanto o setor nacional correu contra o tempo
para se adaptar às regras internacionais e realizar os testes
de bioequivalência e biodisponibilidade, que custam pelo menos
R$ 150 mil por substância testada. A importação
direta de multinacionais acabou agravando o déficit na balança
comercial. Em 1997, o Brasil importou US$ 50 milhões em medicamentos
em geral. Ano passado, a conta subiu para quase U$ 1,9 bilhão.
Indústria nacional reclama falta de ajuda
A indústria nacional reclama, esperneia e chora a falta de
ajuda do Governo para entrar nesse negócio que, ano passado,
vendeu 75 milhões de unidades em 2.422 apresentações
produzidas por 37 empresas. E se queixa que não é
justo que o Brasil, que criou um referência internacional,
não transforme sua indústria nacional no maior produtor
do segmento, que não precisa pagar royalties. E já
foi ao ministro Humberto Costa pedir atenção invocando
o caráter nacionalista do setor.
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