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Genéricos na Imprensa
Notícias
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Lula
define hoje alvos do corte de R$ 8 bi
Fonte:
Jornal do Brasil - 10/2/2003
Encontro
definirá cortes
Ministros se reúnem hoje para avaliar planos de metas
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra
hoje, em Brasília, para uma reunião crucial. Enquanto
os ministros levam em suas pastas planos de metas que exigem investimentos
maiores que os realizados no ano passado, o ministro da Fazenda,
Antônio Palocci, caminha na contra-mão da expectativa
de todos. Exigirá um corte adicional de R$ 8 bilhões,
por conta da elevação da meta de superávit
primário, conforme anunciou na última sexta-feira.
Planos ambiciosos, como o do ministro da Educação,
Cristovam Buarque, de aumentar o valor e a distribuição
da Bolsa- Escola trombarão no duro recado da equipe econômica.
Lula e Palocci abrem a reunião com a notícia do corte.
Com exceção dos programas sociais, que devem continuar
com o mesmo orçamento, todos os demais setores do governo
irão sofrer cortes drásticos. Só assim será
possível cumprir a meta de superávit fiscal de 4,25%
deste ano.
O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, explica que passou o
mês fazendo levantamento das contas da pasta que está
sendo estruturada por ele, já que antes, o setor do turismo
estava anexado ao ministério dos Esportes. Hoje, Mares Guia
apresenta a estrutura do ministério, feita da maneira mais
enxuta possível. A pasta terá apenas cem servidores
para cuidar do setor em todo país.
- Nosso orçamento será o menor da República.
Um valor irrelevante se comparado ao cofre da União - afirma
o ministro.Mas, apesar de ser um órgão novo na Esplanada,
o Ministério do Turismo não ficou livre dos cortes.
A Embratur, a única estrutura da pasta com orçamento
definido, sofrerá um corte de dispêndios de 10%.
Outro que terá que apertar o cinto é o ministro da
Saúde, Humberto Costa. Hoje, o ministro deve ver cair por
terra o plano de aumentar o valor e a quantidade de beneficiários
do programa Bolsa-Alimentação. Atualmente, os R$ 15
por mês são distribuídos a quase um milhão
de pessoas. A idéia do ministro é aumentar o número
de beneficiários para até 3,7 milhões de famílias
cadastradas em todo o país.
Os ministros foram orientados pela Presidência da República
a não divulgar os planos de metas antes da reunião
com Lula. Não querem esvaziar a importância do evento.
Prevendo longas discussões, a reunião, que acontecerá
na Granja do Torto, está prevista para durar o dia inteiro.
Os ministros foram avisados para reservar espaço na agenda
das 10h às 17h. No meio da reunião, será oferecido
um almoço. - O presidente quer fazer reuniões assim
todo mês, para aumentar o espírito de equipe - contou
Walfrido Mares Guia.
Cartas
dos Leitores
Fonte:
Revista
IstoÉ - 10/2/2003
Cartas
Genéricos
Em relação à matéria publicada na edição
1.740 pela revista ISTOÉ, intitulada "Dúvida
no ar", a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
esclarece:
1) O registro para a produção e comercialização
de um medicamento genérico no Brasil só é liberado
depois que o laboratório farmacêutico comprova a realização
de testes de bioequivalência e equivalência farmacêutica,
pois são estes que garantem a mesma eficácia terapêutica
dos medicamentos de referência. Mesmo os importados precisam
da apresentação de um processo completo, que demonstre
como foram feitos os testes e os seus resultados, exatamente como
o exigido pela legislação brasileira para os medicamentos
genéricos nacionais. Portanto, não existem "facilidades
concedidas aos laboratórios estrangeiros para introduzirem
os medicamentos aqui", conforme afirma a reportagem.
2) Os testes de bioequivalência são feitos em lotes
e a garantia da continuidade da eficácia do medicamento se
dá pelo controle da qualidade do processo fabril. Antes da
concessão do registro, as indústrias, tanto no Brasil
como no Exterior, são inspecionadas por técnicos da
Anvisa, condição indispensável para que se
conceda o Certificado de Boas Práticas de Fabricação.
Este certificado é válido por um ano e, depois de
vencido esse prazo, uma nova inspeção é realizada.
3) Além disso, a Agência tem um Programa de Monitoramento
da Qualidade dos Medicamentos Genéricos em Comercialização,
em conjunto com o Instituto Nacional de Controle da Qualidade em
Saúde (INCQS), ligado à Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), e com as vigilâncias sanitárias estaduais
e municipais. O programa consiste em recolher amostras do medicamento
de referência e do genérico, nas distribuidoras ou
redes de farmácias, e em refazer o teste de equivalência
farmacêutica.
4) No ato do registro, as indústrias também apresentam
estudos de estabilidade do medicamento em determinada temperatura
e umidade relativa do ar que garantem a qualidade dos medicamentos
naquelas condições. Entretanto, fatores externos,
como transporte e armazenamento inadequados, podem alterar as propriedades
físico-químicas do medicamento, prejudicando o efeito
terapêutico.
5) Os medicamentos similares também têm que ter sua
qualidade e segurança atestados por meio de testes físico-químicos
e estudos farmacológicos apresentados à Agência.
Estes testes devem simular as condições exigidas para
sua comercialização e administração.
Esta classe de medicamentos só recebe registro, como o próprio
nome diz, se tiver similaridade com um medicamento já previamente
registrado na Anvisa mediante a apresentação de estudos
que comprovaram a segurança de seu uso por seres humanos.
Além disso, os similares também são alvo de
monitoramento pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária,
tendo sido retirados de circulação sempre que algum
desvio de qualidade foi detectado pela fiscalização.
6) A entrada dos genéricos no mercado de medicamentos fez
com que vários produtos de marca perdessem espaço.
Nessa disputa, os laboratórios dos medicamentos de referência
muitas vezes se valem de artifícios pouco éticos para
lançar dúvidas sobre a qualidade dos genéricos,
como o uso de profissionais da área médica, que falam
frequentemente à imprensa em nome da pseudodefesa da população
brasileira.
7) A Agência espera da classe médica que as suspeitas
sobre a eficácia de qualquer medicamento sejam comunicadas
à Vigilância Sanitária, com informações
sobre os lotes consumidos, para que esta tome as providências
necessárias. Cabe ao Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária justamente zelar pela qualidade dos produtos consumidos
pela população.
Gonzalo Vecina Neto Diretor-presidente da Anvisa Brasília
- DF
Com referência à matéria "Dúvida
no ar", publicada na edição 1740 da revista ISTOÉ,
assinada pela jornalista Juliane Zaché e na qual colaboraram
Lena Castellón e Eliane Lobato, a Pró Genéricos
- Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos
Genéricos vem apresentar sua total discordância com
relação a alguns pontos abordados na reportagem.
A Pró Genéricos quer também apresentar os motivos
pelos quais considera inadequadas as críticas, extremamente
alarmistas, e ao mesmo tempo específicas, e que desmerecem
todos os esforços realizados nos últimos três
anos tanto pelo governo, como pelas indústrias, pelos profissionais
da saúde, e por representantes da sociedade organizada, para
inserir, acelerar e fortalecer o conceito do medicamento genérico
no Brasil. Além de buscar a expansão do mercado desta
nova categoria de medicamentos, em média 40% mais baratos
do que os de referência, nosso objetivo maior sempre foi e
sempre será levar ao maior número de brasileiros o
direito de ter acesso aos medicamentos e ao atendimento básico
da saúde, conforme prevê a Constituição
do nosso país.
Em todo o mundo, o medicamento genérico é hoje uma
realidade. A explicação é simples: apesar do
crescente avanço das pesquisas e do desenvolvimento de novos
fármacos, boa parte do arsenal terapêutico disponível
tem mais de 20 anos, o que possibilita que o medicamento seja copiado.
A grande aceitação pela população e
o aumento da oferta de medicamentos genéricos como o que
tem ocorrido no nosso país são inéditos na
história do mercado farmacêutico mundial.
O contínuo crescimento desse mercado no Brasil, que, em unidades,
cresceu de 1,5 % em janeiro de 2001 para 7% em janeiro de 2003,
é uma demonstração absolutamente clara de que
uma grande parcela do universo de consumidores está bastante
satisfeita. São sete milhões de pessoas que todos
os meses têm se beneficiado desses produtos, que passam por
rigorosos testes clínicos, imprescindíveis na avaliação
da qualidade e efeito de um medicamento. Como demonstra a própria
pesquisa online da ISTOÉ, os próprios internautas,
mesmo depois de terem sido impactados com uma matéria tão
negativa, ainda afirmam preferir os genéricos aos medicamentos
de referência.
Eventuais preferências de médicos que preferem prescrever
medicamentos de referência são de ordem pessoal e podem
não ter, como acreditamos não ter, uma relação
direta com a qualidade do medicamento genérico.
Também vale lembrar o resultado de recente pesquisa realizada
pela Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária
junto a 432 médicos de todo o País com o objetivo
de avaliar a percepção da classe com relação
aos medicamentos genéricos. O resultado da pesquisa indicou
que 86% dos médicos entrevistados aprovam a eficácia
terapêutica dos genéricos; 69% aprovam o controle de
qualidade na fabricação dos genéricos e praticamente
todos, ou seja, 95% dos médicos entrevistados sempre ou muitas
vezes levam em conta o preço do medicamento no momento da
prescrição.
Por tudo isso, consideramos que não se justifica qualquer
generalização com relação à qualidade
dos medicamentos genéricos nem o grande espaço reservado
na matéria para algumas questões pontuais, como as
que foram abordadas, que podem ocorrer, inclusive, com os medicamentos
de referência. Devemos lembrar ainda que, num país
como o nosso, está emergindo um profissional da saúde
com um novo perfil, que leva em consideração também
a viabilidade de seu paciente ter acesso ao medicamento por ele
receitado. Possibilitar a milhões de brasileiros o direito
de tratar seus males sem onerar o orçamento familiar, ou
mesmo conseguir fazer o tratamento, que antes não era possível
para muitos, é uma questão humanitária, mais
que política.
Temos absoluta certeza que, como em qualquer outra lei nova, ajustes
ainda devem e precisam ser feitos, tanto na legislação
relativa aos medicamentos genéricos como nos sistemas que
possam vir a garantir maior acesso da população a
estes e quaisquer outros tipos de medicamentos. Por tudo isso, entendemos
que matérias como esta, que optam por apontar como erros
e não como possíveis pontos a serem melhorados os
eventuais problemas de percurso deste gigantesco e árduo
trabalho realizado até agora, em nada contribuem para a correta
informação ao leitor. E sim, criam motivos para o
surgimento de uma infundada incerteza quanto à qualidade
dos mesmos. Algumas colocações feitas na matéria
não resultam positivas nem para o governo nem para a indústria
e nem para a própria população que, com certeza,
será a maior prejudicada.
Jairo Yamamoto Presidente Pró Genéricos - Associação
Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos
São Paulo - SP
ISTOÉ responde: A reportagem se baseia no relato de médicos
respeitados que tiveram problemas no tratamento de pacientes que
fizeram uso de genéricos e no depoimento de consumidores
que também sofreram complicações após
a utilização deste gênero de remédio.
De forma alguma a reportagem desmereceu o conceito que norteia a
política de distribuição desses medicamentos,
tanto é que logo no início do texto a revista afirma
que o oferecimento de remédios a preço mais acessível
é, obviamente, bem-vindo. Na reportagem, são descritas
brechas na lei dos genéricos, apontadas pelos especialistas,
que podem, na opinião dos entrevistados, prejudicar a qualidade
dessas drogas. A revista acredita que o debate sobre o tema só
contribui para aperfeiçoar o programa de genéricos
no Brasil.
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