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Genéricos na Imprensa
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Genéricos
forçam queda no preço de remédios
Fonte:
O Estado de S.Paulo - 13/05/2003
Tese de economista
comprova que custo para o consumidor caiu 7,93% em média
Três anos
depois de sua entrada no mercado, os medicamentos genéricos
ajudaram a diminuir sensivelmente o preço dos seus congêneres
de marca. De 1999 a 2001, os remédios que se tornaram referência
de genéricos tiveram uma queda real, já descontada
a inflação, de 7,93% em média. É o que
mostra a economista Marislei Nishijima, em sua tese de doutorado
A Análise Econômica dos Medicamentos Genéricos
no Brasil, apresentada na Faculdade de Economia, Administração
e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
Para chegar a esse índice, a economista se baseou nos preços
fornecidos pela Associação Brasileira de Comércio
Farmacêutico (ABCFarma) de uma amostra aleatória de
250 medicamentos de marca que passaram a enfrentar a concorrência
dos genéricos. Numa amostra maior, de cerca de 8 mil remédios,
ela também detectou queda de preços."Nesse caso,
o preço, em dólar, desses remédios caiu de
US$ 12,93 em 1999 para US$ 12,33 em 2001", explica Marislei.
"Em reais, eles passaram de R$ 22,98 para R$ 22,29 no mesmo
período."
Apesar de não ter realizado estudos a respeito, o presidente
da Associação Brasileira das Redes de Farmácias
e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Menna Barreto, confirma a
queda de preço dos remédios de referência. "Os
laboratórios não iriam ver seu segmento sendo atacado
pela concorrência e ficarem alheios", disse. "Eles
começaram a fazer promoções e reduzir preços.
É uma concorrência salutar, que ajudou uma parcela
da população. Antes dos genéricos, muita gente
não seguia o tratamento prescrito pelo médico porque
não tinha dinheiro."
Farmácia - Uma visita a uma farmácia permite constatar
que alguns medicamentos de referência realmente tiveram queda
de preço. É o caso, por exemplo, do Regaine, uma das
poucas drogas que têm efeito científico comprovado
contra a queda de cabelo. Antes do surgimento do seu genérico,
o minoxidil, ele era vendido por cerca de R$ 80,00 e agora custa
em torno de R$ 60,00, segundo Nilson Brandão, gerente de
um loja da rede Droga Raia, na Freguesia do Ó, na zona norte.
O mesmo ocorreu com a Novalgina. Antes de a dipirona, seu princípio
ativo, ser vendida como genérico, ela custava em torno de
R$ 8,00. Agora pode ser comprada por pouco mais de R$ 4,50.
Os consumidores, no entanto, ao que parece, não perceberam
a queda de preços dos remédios tradicionais. "Não
senti diferença nenhuma", diz a professora do ensino
fundamental Nilcéia Regina Ferreira Leite. "A diferença
de preço que vejo é entre os medicamentos de marca
e os genéricos."
A explicação para isso pode estar no fato de que,
embora haja consumidores fiéis a marcas, a maioria procura
o melhor preço. Assim, não compara quanto custavam
os medicamentos de referência antes e depois da chegada dos
genéricos. A comparação feita é entre
o preço desses com o dos de marca.
É o que faz, por exemplo, a dona de casa Fátima Lenira.
Ela compra o Regaine para o filho, que tem problema sério
de queda de cabelo. "Não sei se o preço desse
remédio caiu", diz. "O que sei é que ele
custa R$ 60,75 e o seu genérico, R$ 36,85. Então,
é claro que eu prefiro o mais barato."
Menor preço também é o que procura a assistente
de pessoal Eliana Buratin, que compra todos os meses para sua mãe
o medicamento Lasix, indicado para pressão alta. "A
caixa com 20 comprimidos dessa marca sai por cerca de R$ 17,00",
explica. "O seu genérico custa apenas R$ 0,20 mais barato,
mas a caixa vem com 30 comprimidos. É mais vantajoso comprar
este."
Embora não tenha sido objeto de sua pesquisa, Marislei acredita
que a chegada dos genéricos, que custam em média 60%
dos medicamentos de referência, diminuiu a despesa dos brasileiros
com tratamento de doenças.
"Mas é preciso mais dados para saber se a política
dos genéricos deu realmente certo", ressalva a economista.
"Ela só terá atingido seu objetivo quando ficar
demonstrado que população de baixa renda -- que antes
dos genéricos consumia apenas 16% dos remédios no
Brasil -- tem mais acesso aos medicamentos, o que de fato configuraria
melhora na sua condição de vida."
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