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Genéricos na Imprensa
Notícias
Brasil
tenta preservar o acordo na saúde pública
Fonte:
Folha de S.Paulo - 16/02/2003
Do enviado especial a Tóquio
O chanceler
Celso Amorim tinha, além da agricultura, um segundo motivo
para comemorar, embora de forma igualmente tímida: conseguiu
apresentar uma idéia que talvez evite um retrocesso na questão
do acesso dos países em desenvolvimento a remédios
mais baratos em crises de saúde pública.
Em Doha, fora essa a grande vitória do então ministro
José Serra (Saúde): uma declaração em
que fica claro que o respeito às patentes não pode
impedir o acesso aos medicamentos genéricos, mesmo quebrando
patentes.
Acontece que Doha deixou em aberto o que fazer nos casos de países
que não têm capacidade para produzir genéricos.
Importá-los seria a solução lógica,
no espírito da declaração de Doha.
Havia um prazo até o fim de 2002 para resolver essa questão.
Mas não houve acordo entre os países desenvolvidos,
nos quais ficam os grandes laboratórios farmacêuticos,
e os em desenvolvimento, que necessitam de remédios baratos.
Suspeitas
Os primeiros suspeitavam que Brasil e Índia, produtores de
genéricos, queriam apenas vender seus produtos, a pretexto
de cuidar da saúde dos pobres. Os países em desenvolvimento,
por sua vez, suspeitavam que os laboratórios, com apoio dos
respectivos governos, pretendiam manter seus formidáveis
lucros graças ao estrito respeito às patentes.
Ao notar que o ambiente de suspeição envenenava a
discussão e ameaçava derrubar toda a declaração
sobre patentes e saúde pública, Celso Amorim lançou
a sua proposta (cujos detalhes ele se comprometeu a não revelar).
Dá garantias de que o objetivo da declaração
"não é o de auferir lucros extraordinários
com a exportação de genéricos", ao mesmo
tempo em que evita que o tema dos países sem capacidade produtiva
contamine todo o resto do documento.
"A principal razão de minha vinda a Tóquio foi
exatamente garantir a integridade do acordo de Doha sobre saúde
pública e patentes", diz o ministro.
Elogios
Sua proposta foi elogiada pela União Européia e não
foi contestada pelos Estados Unidos. Como são, de longe,
os dois mais fortes parceiros econômicos e comerciais do planeta,
parece que o objetivo do ministro brasileiro foi alcançado.
Mas ele próprio admite: "Não sei se vai colar".
Brasil
propõe na OMC baixar preço de remédios
Fonte:
O Globo - 16/02/2003
O Brasil apresentou
uma proposta de compromisso para desbloquear as negociações
sobre o acesso a medicamentos a preços baixos para países
pobres. A informação foi dada ontem por fontes brasileiras
que participam da conferência ministerial da Organização
Mundial do Comércio (OMC), que termina hoje em Tóquio.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
confirmou a iniciativa, mas não deu detalhes da proposta
brasileira.
- As coisas ainda estão em negociação. Se der
detalhes, posso pôr em perigo todo o processo - afirmou Amorim.
Segundo uma fonte da missão européia, a proposta brasileira
agradou aos europeus. Com a proposta, a União Européia
espera fechar um acordo.
- A dificuldade está relacionada aos países onde o
mercado é muito pequeno ou cuja capacidade de produção
de medicamento é insuficiente. Buscamos encontrar uma fórmula
para superar este problema sem pôr em perigo o acordo, que
é uma preocupação para os brasileiros - disse
Amorim.
Este projeto de acordo, elaborado pelo presidente do grupo de trabalho,
o mexicano Eduardo Perez Motta, baseia-se no texto de dezembro passado,
aceito por todos os países com exceção dos
Estados Unidos. Trata-se de permitir que os países pobres
que não têm indústria farmacêutica importem
medicamentos genéricos a baixo custo, fabricados por países
como o Brasil ou a Índia, em caso de epidemia ou crise sanitária.
Ao acordo original Perez Motta agregou uma declaração
determinando a dimensão e as condições da aplicação
do acordo, com o objetivo de pôr fim às resistências
das indústrias farmacêuticas dos países industrializados.
A proposta brasileira, segundo Amorim, corrige problemas criados
com as modificações do representante mexicano.
Já a proposta da OMC de redução das tarifas
e subsídios dos produtos agrícolas foi rejeitada.
Os países participantes da conferência vão apresentar
uma nova proposta.
Do lado de fora da conferência, manifestantes protestaram
contra a OMC.
Brasil
surpreende com proposta sobre remédios
Fonte:
O Estado de S.Paulo- 16/02/2003
Amorim propõe na OMC sistema para romper impasse com os
EUA sobre genéricos
O Brasil apresentou
ontem, em Tóquio, uma proposta inovadora para tentar desbloquear
o impasse nas negociações da Organização
Mundial do Comércio (OMC) sobre o acesso a remédios
para os países pobres. O tema foi lançado na declaração
sobre propriedade intelectual e direito à saúde, assinada
por todos os membro da OMC em Doha, em 2002, na reunião que
lançou uma nova rodada de liberalização comercial.
A OMC deveria ter concluído um tratado há dois meses,
mas, diante da recusa dos Estados Unidos em aceitar um acordo que
pudesse prejudicar suas empresas farmacêuticas, as conversações
acabaram quase paralisadas.
Segundo a nova proposta do ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim, seria estabelecido um mecanismo para que os países
com capacidade de produção de genéricos não
se aproveitem do acordo para conseguir lucros exportando aqueles
medicamentos. A "Proposta Amorim" , como já está
sendo chamada a iniciativa, prevê que, caso um país
queira importar genéricos, a Organização Mundial
da Saúde (OMS) daria um atestado comprovando que o governo
não tem capacidade de produzi-los localmente.
Assim, os países pobres estariam assegurados de que poderão
importar remédios baratos. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos
poderiam também se assegurar de que o acordo não será
manipulado por países como o Brasil ou Índia para
exportar genéricos, por interesses exclusivamente comerciais.
Com a proposta brasileira, o Itamaraty espera que um acordo sobre
as relações entre saúde e comércio possa
ser assinado até o dia 21 em Genebra, quando os governos
voltam a se encontrar. Ontem mesmo, a União Européia
(UE) anunciou que apóia a iniciativa do Brasil. "Acreditamos
que essa proposta possibilitará um acordo em pouco tempo",
afirmou um alto funcionário de Bruxelas, ao deixar a reunião
que ocorre na capital japonesa e envolve 25 países para falar
das negociações da OMC.
O ponto que está bloqueando as negociações
sobre medicamentos refere-se à autorização
que países pobres teriam para importar remédios genéricos,
que em geral são 40% mais baratos do que os produtos patenteados.
A Casa Branca se opõe a esse ponto do acordo, querendo limitar
a autorização de importação apenas a
remédios para malária, aids e tuberculose. Nesse caso,
é o Brasil quem não concorda, acreditando que não
deveria haver qualquer impedimento para que um país garanta
saúde à sua população.
O temor dos Estados Unidos diante de uma ampla liberalização
é que os países com capacidade de produzir genéricos,
como o Brasil e a Índia, se aproveitem desse acordo para
aumentar suas vendas no exterior e prejudiquem as empresas farmacêuticas
norte-americanas. "Há um clima de desconfiança
e o que queríamos era restabelecer um clima positivo para
que as negociações sejam concluídas",
afirmou o chanceler Celso Amorim, que surpreendeu a todos ao anunciar
uma proposta sobre um tema que sequer estava na agenda da reunião
que termina hoje.
Por enquanto, o governo norte-americano não se pronunciou
oficialmente sobre a proposta. A iniciativa brasileira causou tanta
surpresa que o representante da Casa Branca para o Comércio,
Robert Zoellick, pediu que o tema fosse mantido em segredo absoluto
para que os norte-americanos pudessem consultar suas indústrias.
Amorim cumpriu o combinado, mas em menos de três horas a imprensa
internacional já havia descoberto a história e o chanceler
foi obrigado a reconhecer que havia tomado a iniciativa de tentar
desbloquear o impasse.
Brasil
leva proposta à OMC sobre remédios
Fonte:
Jornal de Brasília - 16/02/2003
O Brasil apresentou
uma nova proposta de compromisso para desbloquear a discussão
sobre o acesso a medicamentos a baixo preço para os países
em desenvolvimento, durante a conferência ministerial informal
da Organização Mundial do Comércio (OMC), que
está sendo realizada em Tóquio.
Embora tenha confirmado essa iniciativa surpresa anunciada durante
a sessão de trabalho dedicada a temas de desenvolvimento,
o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
se negou a precisar seu conteúdo. "As coisas estão
ainda em fase de conversação e, se der muitos detalhes,
isso poderia colocar em perigo esta solução",
disse Amorim ao término da reunião.
Uma fonte européia confirmou a iniciativa brasileira e assinalou
que "apoiamos e esperamos que isto permita obter resultados
positivos". O projeto de acordo, elaborado pelo presidente
do grupo de trabalho, o mexicano Eduardo Perez Motta, se baseia
no texto de dezembro passado, aceitado por todos os membros, com
exceção dos Estados Unidos.
Trata-se de permitir que os países pobres, que não
contam com indústria farmacêutica, importem medicamentos
genéricos a baixo custo, fabricados principalmente por certos
países grandes, como Índia ou Brasil, em caso de epidemia
ou de crise sanitária.
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