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Ministério criará rótulo único para os seus genéricos
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EUA ironizam "tirar patente do Viagra"
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UE aprova proposta sobre remédios
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OMC: reunião acaba em impasse na agricultura
17/2
Europa apóia proposta brasileira sobre remédios

 

Ministério criará rótulo único para os seus genéricos
Fonte: O Estado de S.Paulo - 17/02/2003

Rede oficial produzirá genéricos padronizados
Ministério quer adotar rótulo único para dificultar fraudes e facilitar identificação


O Ministério da Saúde vai rever a política de medicamentos produzidos pelos 17 laboratórios oficiais públicos. A partir deste ano, o ministério pretende criar um rótulo único com um selo do Sistema Único de Saúde (SUS) para todas as drogas e ainda padronizar os preços dos remédios genéricos fabricados pela rede.
O objetivo é reduzir a possibilidade de fraudes no sistema e ainda ajudar o paciente do SUS a identificar melhor os produtos.

A informação é do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, José Alberto Hermógenes. Segundo ele, a criação de um padrão para as drogas produzidas pelos 17 centros de medicamentos do País vai reduzir a possibilidade de desvios.

"Se todos forem obrigados a ter um rótulo padrão identificando o SUS, fica mais fácil para o ministério fiscalizar possíveis desvios ou fraudes", afirmou Hermógenes.
Na segunda-feira que vem, o secretário realiza uma reunião com os representantes dos 17 laboratórios para discutir as novas medidas. A intenção do ministério é fazer as fábricas oficiais distribuídas pelo País funcionarem como um sistema único, trocando experiências e tecnologia.

"Queremos, por exemplo, baratear os preços. Então, se um deles produz mais barato, vai ensinar ao outro como faz isso", explica. "O importante é que eles funcionem em conjunto e não isoladamente, como ocorre hoje." A reunião será no Laboratório Farmacêutico de Pernambuco, no Recife.

Outra preocupação do ministério é acabar com a capacidade ociosa de alguns laboratórios oficiais. "Estive conversando com o ministro do Exército e descobri que alguns de seus laboratórios estão ociosos. Então, discutimos como podemos fazer para aumentar a produção", exemplificou. "O que o ministério quer é fornecer mais medicamentos para a população e a saída para isso é a nossa produção porque é mais barata."

Antiaids - Um exemplo de economia dado pelo secretário é o que acontece com os medicamentos para aids. Desde 1997, o ministério produz alguns dos antiretrovirais que formam o coquetel antiaids. Hoje, Farmanguinhos, o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, consegue fabricar 7 dos 12 remédios do coquetel.
No fim deste ano, um novo medicamento será inserida na lista, o nelfinavir.O remédio é hoje responsável por 27% dos gastos do ministério com medicamentos para aids.
Com a produção feita em Farmanguinhos, a economia será grande. "Hoje, ela consome 27% dos R$ 516 milhões que são gastos com esses medicamentos todo o ano. Tenho certeza que, quando Famanguinhos começar a produzir, a economia será imensa."

EUA ironizam "tirar patente do Viagra"
Fonte: O Estado de S.Paulo - 17/02/2003
Do enviado especial a Tóquio

Robert Zoellick, responsável pelo comércio exterior dos EUA, usou o máximo de ironia para explicar a posição de seu país a respeito da possibilidade de ser quebrada a patente de medicamentos em casos de crise de saúde pública nos países pobres.
"Não se trata de questionar o licenciamento compulsório, mas não se pode expandi-lo para mais países e para mais doenças, até acabar chegando ao Viagra."
Licenciamento compulsório é exatamente o mecanismo que permite desrespeitar patentes para fabricar genéricos (mais baratos), quando necessário para enfrentar crises de saúde pública.

Esse mecanismo foi introduzido em Doha, por iniciativa de Brasil e Índia, mas ficou aberta uma brecha: o parágrafo 6 do acordo não define o que fazer com países que enfrentam crise, mas não têm capacidade para produzir genéricos.

A resposta da OMC deveria ser dada até 31 de dezembro passado, mas os EUA, isoladamente, bloquearam o consenso, como fez questão de repetir ontem, uma e outra vez, o comissário europeu de Comércio Pascal Lamy.

Ficou claro que os EUA (e outros países com laboratórios farmacêuticos importantes) temem que o mecanismo adotado em Doha seja usado por mais países e para mais doenças do que Aids, tuberculose, malária.

Por isso, o Brasil apresentou em Tóquio, pelo chanceler Celso Amorim, proposta para que a OMS (Organização Mundial de Saúde) determine, se for o caso, que países podem quebrar patentes e para quais doenças.

A União Européia apoiou a proposta, definindo-a como "construtiva". Já pelos EUA, Zoellick proferiu frase pouco esclarecedora: "Os brasileiros são bons parceiros em idéias e soluções". A chanceler japonesa Yuriko Kawaguchi, presidente da reunião de Tóquio, chegou a dizer no fim do encontro que "não houve proposta brasileira".

De fato, a proposta não teve uma versão escrita, mas tanto existe que foi considerada "construtiva" pela UE. Oficialmente, é uma sugestão, que será debatida em Genebra, a sede da OMC. Os países africanos, em tese os beneficiários praticamente únicos do mecanismo, deixaram claro que há "um sentido de urgência" em resolver a pendência, como afirmou Kawaguchi.


UE aprova proposta sobre remédios
Fonte: Correio Braziliense - 17/02/2003

A reunião informal da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Tóquio, no Japão, terminou ontem sem um acordo sobre o acesso dos países pobres aos remédios para doenças epidêmicas. Mas a proposta brasileira sobre patentes de remédios, feita pelo chanceler Celso Amorim, obteve o apoio da União Européia (UE). Os Estados Unidos, por sua vez, permanecem contrários ao projeto.

No sábado, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, surprendeu a todos ao propor uma iniciativa que possibilite a assinatura de um acordo sobre o tema nesta semana. A ''Proposta Amorim'', como vem sendo chamada, prevê a implementação de um mecanismo que garanta que os países com capacidade de produção de genéricos, como o Brasil e a Índia, não se aproveitem de um acordo de patentes para conseguir lucros exportando genéricos, o que Estados Unidos temem. Segundo o projeto, caso um país queira importar genéricos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) daria um atestado comprovando que o governo não tem capacidade para produzi-lo e que, portanto, necessitaria importar o remédio genérico.

A proposta solucionaria o principal obstáculo das negociações, que se refere à autorização para países pobres de importar remédios genéricos, que em geral são 40% mais baratos que os produtos patenteados. Mas os Estados Unidos se opõem a esse ponto do acordo, querendo limitar a autorização de importação apenas a doenças como malária, Aids e tuberculose para não prejudicar suas empresas farmacêuticas.

Oposição dos EUA
Durante todo o final de semana, os Estados Unidos não mediram esforços para minimizar a proposta brasileira. ''Não foi exatamente uma proposta'', explicou o representante da Casa Branca para assuntos de comércio, Robert Zoellick, que acusa os demais países de estarem tentando ampliar o tema e tirar o foco dos debates de temas essenciais como o combate à Aids.

Por sua vez, os europeus afirmaram que irão procurar a Casa Branca para indicar que a proposta de Amorim ''é a mais adequada e deve ser aceita''. ''A UE apoiará a proposta, pois acreditamos que ajudará a dar uma solução ao caso'', afirmou o comissário da UE, Pascal Lamy.Os participantes do encontro em Tóquio também não conseguiram fechar nenhum acordo sobre a redução de tarifas agrícolas.

OMC: reunião acaba em impasse na agricultura
Fonte: O Globo - 17/02/2003

Após três dias de reuniões, a rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Tóquio terminou ontem sem avanços concretos. A proposta da OMC de fim dos subsídios e tarifas sobre produtos agrícolas foi rejeitada. Foi acertada uma reunião esta semana para elaborar uma proposta que agrade a Brasil, Austrália e Canadá, que pedem o fim das barreiras dos países ricos; e a Japão e União Européia, que tentam proteger os mercados.

Quanto aos remédios, a proposta brasileira surpreendeu e trouxe esperança de que a resistência americana ao acordo aprovado em dezembro seja quebrada. Segundo este acordo, os países pobres podem comprar medicamentos genéricos (mais baratos) de países como Brasil e Índia em caso de epidemia ou crise sanitária.

- Não há discordância quanto à necessidade de combater a Aids, malária, tuberculose ou outras epidemias. Não somos contra a África - disse o representante comercial dos EUA, Robert Zoellick.

No Panamá, representantes dos 34 países da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) começaram a discutir ontem suas propostas para o bloco. A imprensa foi proibida de participar da reunião, marcada por forte esquema de segurança.


Europa apóia proposta brasileira sobre remédios
Fonte: Jornal de Brasília - 17/02/2003

Autorização para exportar medicamentos genéricos aos países pobres tem veto dos EUA.

AUnião Européia (UE) afirmou ontem, em Tóquio, que irá tentar convencer o governo dos Estados Unidos a aceitar a proposta do Brasil, apresentada pelo chanceler Celso Amorim, para romper o impasse nas negociações sobre patentes de remédios na Organizacao Mundial do Comercio (OMC).

No sábado, o chanceler brasileiro surpreendeu a todos ao propor uma iniciativa que possibilite que, nesta semana, seja concluído um acordo em Genebra sobre o tema. O comissário da UE, Pascal Lamy, a qualificou como "construtiva". "A UE apoiará a proposta pois acreditamos que ajudará a dar uma solução ao caso", afirmou o comissário.

Segundo a proposta de Amorim, seria estabelecido um mecanismo que garanta que os países com capacidade de produção de genéricos, como o Brasil e a Índia, não se aproveitem de um acordo de patentes para conseguir lucros exportando genéricos, um dos temores dos Estados Unidos.

A chamada Proposta Amorim prevê que caso um país queira importar genéricos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) daria um atestado que comprovaria que o governo não tem capacidade de produzi-lo localmente e que, portanto, necessitaria importar o remédio genérico.

Assim, os países pobres estariam assegurados de que poderão importar remédios baratos. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos poderiam também se assegurar de que o acordo não será manipulado para exportar genérico.Os Estados Unidos tentaram de tudo para minimizar a proposta para evitar uma reação negativa por parte de suas empresas.

 
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