 |
Genéricos na Imprensa
Notícias
21/05
 |
|
Genéricos:
eficácia garantida
Fonte:
Folha de Londrina - 21/05/2004
Folha da Sexta
Rosângela
Vale
Reportagem Local
Apesar de os medicamentos
genéricos já estarem no mercado brasileiro há cerca
de quatro anos, ainda é grande a confusão em torno deles.
Quem é que, na hora da compra, já não teve dúvidas
sobre o que levar para casa? Na falta do genérico, o similar faz
o mesmo efeito? E será que, por ser mais barato, o genérico
é mesmo tão eficaz quanto o medicamento de referência?
Para esclarecer essas questões, a Folha da Sexta conversou com
médico José Luis de Oliveira Camargo, membro do Conselho
Regional de Medicina do Paraná, presidente indicado do Sindicato
dos Médicos do Norte do Paraná e professor adjunto de ginecologia
e obstetrícia da UEL. Ele explica que o genérico, por definição,
é um equivalente terapêutico do medicamento de referência.
Isso significa que ambos apresentam a mesma biodisponilibidade no organismo,
a mesma eficácia clínica e o mesmo potencial de gerar efeitos
adversos. ''Eles são semelhantes em sua integralidade: na composição,
na forma de atuar e nas reações que eventualmente podem
provocar'', define.
Já os medicamentos similares possuem a mesma concentração,
forma farmacêutica, via de administração, posologia
e indicação terapêutica do medicamento de referência
(ou marca), mas não têm bioequivalência comprovada
em relação ao medicamento de referência.
Por que o medicamento genérico é mais barato?
José Luis - Exclusivamente por uma questão de ordem comercial.
Eles têm a mesma composição do medicamento convencional.
Mas para a sua produção existem alguns incentivos que os
tornam mais baratos. Eles têm uma outra forma de apresentação,
mais simples, o que também os barateia. E são veiculados
de uma forma diferente dos convencionais, o que também diminui
o preço.
Como se nortear para comprar um medicamento genérico?
José Luis - Existem duas formas de a pessoa ter acesso ao medicamento
genérico: primeiro, que ele seja receitado por um médico
que, quando formular o receituário, já indique o genérico.
Existem guias sobre medicamentos genéricos, então o médico
pode prescrever, referenciando especificamente o produto que ele quer.
A segunda maneira, que é uma forma mais prática e talvez
também a mais habitual, é o paciente, sendo portador da
receita do médico, dirigir-se à farmácia e pedir
para conversar com o farmacêutico responsável, porque a farmácia,
pela lei, obrigatoriamente tem que ter um farmacêutico presente,
e perguntar a ele se, entre os medicamentos prescritos, existem alguns
na forma genérica que possam ser usados no lugar daquele que foi
prescrito pelo médico.
E se não houver um farmacêutico responsável no momento
da compra?
José Luis - O farmacêutico tem a obrigação
de ficar na farmácia para prestar esse tipo de informação,
entre outras, para o cliente. Ele é o profissional habilitado para
fazer isso. Os profissionais que atuam em balcão não têm
a formação específica para conhecer a bioquímica
e a bioequivalência dos medicamentos e sugerir a sua troca.
Os grandes laboratórios têm versões genéricas
dos medicamentos?
José Luis - A maior parte tem. Tanto é que já existem
livretos publicados pelo Conselho Federal de Medicina e pelo Ministério
da Saúde fornecendo à classe médica toda a informação
referente aos medicamentos do tipo genérico que têm autorização
para serem comercializados no Brasil. Ainda existem alguns medicamentos
que não têm a sua bioequivalência definida e, portanto,
não estão autorizados para serem produzidos. Assim como
existem medicamentos, considerados de alto risco, como alguns quimioterápicos,
que não têm a possibilidade de ter versões genéricas.
Mas é ampla a gama de medicamentos genéricos disponíveis
no mercado.
É possível substituir um medicamento genérico por
um similar?
José Luis - O similar é aquele medicamento que, em tese,
ao final do tratamento, deveria prestar o mesmo benefício do medicamento
original. Mas, na maior parte das vezes, o similar é oferecido
por uma questão de estoque, quando a farmácia não
tem especificamente aquele prescrito; e também por uma questão
de preço existem medicamentos similares que têm o mesmo efeito
pretendido, com preços mais baixos, que são oferecidos como
alternativa. Infelizmente, alguns similares são oferecidos exclusivamente
por efeito comercial. As farmácias praticam a oferta da troca de
medicamento sob a argumentação de que se trata de um medicamento
similar. É o que no linguajar popular a gente chama de empurroterapia.
Principalmente em função de que medicamento tem vida útil,
então as farmácias têm que se desfazer do estoque.
Infelizmente, essa é uma prática que ainda resiste e que
nós da classe média achamos incompreensível.
Tem quem acredite que o genérico não vai fazer o mesmo efeito
do remédio convencional...
José Luis - Todo medicamento genérico, para obter o seu
registro, é submetido aos chamados testes de equivalência
farmacêutica ou bioequivalência, os quais garantem que os
efeitos são absolutamente iguais aos dos medicamentos de referência.
Estes testes fazem parte do processo de autorização de fabricação
dos medicamentos genéricos, de modo que eles são absolutamente
semelhantes aos medicamentos de referência existentes. Podem ser
utilizados sem qualquer receio.
|
|