Rede
Sentinela: estratégia para vigilância de serviços
e produtos de saúde
pós-comercialização
A Anvisa, a partir do 2º semestre de 2001, começou a
investir sistematicamente na estruturação de Ações
de Vigilância Sanitária de Produtos de Saúde
Pós-Comercialização, como forma de obter informação
necessária para a retro alimentação dos processos
de revalidação de registros, publicação
de alertas, retiradas de produtos do mercado e inspeções
em empresas.
A estratégia adotada foi a constituição e capacitação
de uma rede de hospitais sentinela, denominada Rede Brasileira de
Hospitais Sentinela, composta, atualmente, por 208 hospitais de
ensino e/ou alta complexidade, para atuarem como observatório
ativo do desempenho e segurança de produtos de saúde
regularmente usados: medicamentos, kits para exames laboratoriais,
órteses, próteses, equipamentos e materiais médico-hospitalares,
saneantes, sangue e seus componentes.
O projeto
Em sua fase inicial, o projeto envolveu predominantemente a capacitação
de profissionais ligados às áreas de apoio à
assistência dos hospitais participantes, visando favorecer
a organização de gerências de risco sanitário
hospitalar. Sendo que nas fases seguintes foram implementados Planos
de Melhoria voltados para o Uso Racional de Medicamentos e Uso Racional
de Tecnologias. Para o biênio de 2008/2009 estão sendo
desenvolvidos Planos de Qualidade Hospitalar.
Além disso, as Gerências de Risco devem realizar diversas
atividades no seu dia-a-dia, entre elas a divulgação
do seu papel, a busca de informações de eventos adversos
e de queixas técnicas relacionados aos produtos de saúde,
bem como notificá-los no sistema on line, para a Anvisa,
por meio do Sistema de Notificações em Vigilância
Sanitária (NOTIVISA).
Para que essas atividades aconteçam, a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária – Anvisa, envia recursos
contra pagamento de produtos, mediante relatórios enviados
pelos Gerentes, registrando como está ocorrendo a implantação
da Gerência de Risco e quais os trabalhos desenvolvidos pela
equipe desta Gerência.
Os recursos enviados pela Anvisa são utilizados no pagamento
de ações desenvolvidas pela Gerência de Risco,
tais como: atividades de divulgação e confecção
de boletins informativo; capacitação, atualização
e treinamento de técnicos na Vigilância de Produtos
de Saúde e na utilização correta destes, nos
serviços hospitalares. Estas atividades visam a melhoria
do processo de gestão assistencial. Outros gastos incluem
assinatura anual de internet, pagamento de telefone, honorários,
pagamento de pró-labore, incluindo gratificação
para a gerência do projeto, pagamento de bolsistas, viagens
de intercâmbio e aquisição ou locação
de equipamentos imprescindíveis ao trabalho da equipe da
Gerência de Risco.
Na Anvisa, a área responsável pelo Projeto é
a Coordenação de Vigilância em Serviços
Sentinela (CVISS), que tem sob sua supervisão a análise
e aprovação do desenvolvimento das atividades da Rede,
o suporte aos Gerentes de Risco, bem como o planejamento de atividades
inovadoras a serem realizadas no futuro que propiciem a motivação
para o trabalho em rede.
Reconhecimento
A manutenção de uma rede hospitalar por tantos anos
não é tarefa fácil, visto que se baseia na
vontade e desprendimento de cada um dos participantes. Mas os resultados
são muito maiores que todas as dificuldades encontradas.
Coroando os esforços dessa rede, em 2006, a Anvisa e o Projeto
Sentinela foram premiados com o terceiro lugar no 11º Concurso
“Inovação na Gestão Pública”
da Escola Nacional de Administração Pública
(ENAP), como umas das mais importantes e inovadoras iniciativas
do Governo Federal.
A premiação e a visibilidade decorrente dela nos tornaram,
a todos: diretores e equipes da Anvisa; diretorias e gerências
de risco dos hospitais, ainda mais conscientes do papel central
da Rede Sentinela na construção da atenção
hospitalar eficiente, humanizada e segura em nosso país;
e reforça o nosso compromisso com a melhoria e a inovação.
O tamanho da rede sentinela e sua ampla distribuição
no território nacional transformam as imprescindíveis
ações educativas em verdadeiros desafios de logística
que exigem grandes volumes de recursos humanos e financeiros.
Novas formas de capacitação
Objetivando
sanar as dificuldades com a logistica, em maio de 2007, com a assinatura
do Termo de Cooperação entre a Anvisa e o Hospital
Sírio Libanês, foi possível dar início
a novas maneiras de comunicação e capacitação
na rede sentinela por meio de tecnologias da informação
à distância. Essas tecnologias representam uma importante
janela de oportunidades na capacitação em larga escala
e são instrumentos valiosos para a manutenção
e qualificação de redes.
O programa “Sentinelas em Ação”, e o curso
“Saúde Baseada em Evidências” são
as duas primeiras iniciativas de telemedicina na Rede Sentinela,
transmitidas para mais de 80 salas virtuais localizadas em todos
os estados brasileiros. Ambos têm alcançado resultados
positivos e despertado o interesse de serviços ainda não
pertencentes à rede, bem como de futuros parceiros para novas
atividades.
Como proposta de continuidade das atividades para os anos futuros,
estamos trabalhando os temas de Qualidade Hospitalar e Segurança
do Paciente. Com esta proposta objetivamos suscitar a discussão
sobre o assunto apontando as possibilidades de incentivo e fomento
a processos de acreditação em serviços públicos
e conveniados do Sistema Único de Saúde e do Sistema
de Saúde Suplementar, como estratégia para cumprir
a missão do Ministério da Saúde, da Anvisa
e da Agência Nacional de Saúde (ANS) por serviços
de saúde mais eficientes e seguros, acessíveis a toda
a população brasileira e, por conseguinte salvando
mais vidas.
Ao implementar e fomentar a existência e o fortalecimento
da Rede de Hospitais Sentinela, a Anvisa tem caminhado no sentido
de cumprir o que determina a sua missão junto a sociedade
brasileira, qual seja, “Proteger e promover a saúde
da população garantindo a segurança sanitária
de produtos e serviços e participando da construção
de seu acesso”, trabalhando com os valores que norteiam suas
ações, Conhecimento como fonte da ação
e Cooperação e, ainda, com a visão de “Ser
agente da transformação do sistema descentralizado
de vigilância sanitária em uma rede, ocupando um espaço
diferenciado e legitimado pela população, como reguladora
e promotora do bem-estar social". |