15.1.
São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem:
15.1.1.
Acima dos limites de tolerância previstos nos Anexos nºs 1, 2, 3, 5,
11 e 12;
15.1.2.
Revogado.
15.1.3.
Nas atividades mencionadas nos Anexos nºs 6, 13 e 14;
15.1.4.
Comprovadas através de laudo de inspeção do local de trabalho, constantes dos
Anexos nºs 7, 8, 9 e 10.
15.1.5.
Entende-se por "Limite de Tolerância", para os fins desta Norma, a concentração
ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição
ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.
15.2.
O exercício de trabalho em condições de insalubridade, de acordo com os subitens
do item anterior, assegura ao trabalhador a percepção de adicional, incidente
sobre o salário mínimo da região, equivalente a: (115.001-4 / I1)
15.2.1.
40 (quarenta) por cento, para insalubridade de grau máximo;
15.2.2.
20 (vinte) por cento, para insalubridade de grau médio;
15.2.3
.10 (dez) por cento, para insalubridade de grau mínimo.
15.3.
No caso de incidência de mais de um fator de insalubridade, será apenas considerado
o de grau mais elevado, para efeito de acréscimo salarial, sendo vedada a percepção
cumulativa.
15.4.
A eliminação ou neutralização da insalubridade determinará a cessação do pagamento
do adicional respectivo.
15.4.1.
A eliminação ou neutralização da insalubridade deverá ocorrer:
a)
com a adoção de medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro
dos limites de tolerância; (115.002-2 / I4)
b)
com a utilização de equipamento de proteção individual.
15.4.1.1.
Cabe à autoridade regional competente, em matéria de segurança e saúde do trabalhador,
comprovada a insalubridade por laudo técnico de engenheiro de segurança do trabalho
ou médico do trabalho, devidamente habilitado, fixar adicional devido aos empregados
expostos à insalubridade quando impraticável sua eliminação ou neutralização.
15.4.1.2.
A eliminação ou neutralização da insalubridade ficará caracterizada através de
avaliação pericial por órgão competente, que comprove a inexistência de risco
à saúde do trabalhador.
15.5.
É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas
requererem ao Ministério do Trabalho, através das DRTs, a realização de perícia
em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e classificar
ou determinar atividade insalubre.
15.5.1.
Nas perícias requeridas às Delegacias Regionais do Trabalho, desde que comprovada
a insalubridade, o perito do Ministério do Trabalho indicará o adicional devido.
15.6.
O perito descreverá no laudo a técnica e a aparelhagem utilizadas.
15.7.
O disposto no item 15.5. não prejudica a ação fiscalizadora do MTb nem a realização
ex officio da perícia, quando solicitado pela Justiça, nas localidades
onde não houver perito.
ANEXO
1
LIMITES
DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE
| Nível
de ruído
dB (A) | Máxima
exposição diária
PERMISSÍVEL |
| 85 | 8
horas |
| 86 | 7
horas |
| 87 | 6
horas |
| 88 | 5
horas |
| 89 | 4
horas e 30 minutos |
| 90 | 4
horas |
| 91 | 3
horas e trinta minutos |
| 92 | 3
horas |
| 93 | 2
horas e 40 minutos |
| 94 | 2
horas e 15 minutos |
| 95 | 2
horas |
| 96 | 1
hora e 45 minutos |
| 98 | 1
hora e 15 minutos |
| 100 | 1
hora |
| 102 | 45
minutos |
| 104 | 35
minutos |
| 105 | 30
minutos |
| 106 | 25
minutos |
| 108 | 20
minutos |
| 110 | 15
minutos |
| 112 | 10
minutos |
| 114 | 8
minutos |
| 115 | 7
minutos |
1. Entende-se por ruído contínuo ou intermitente, para os fins de aplicação de
limites de tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto.
2.
Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB)
com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação
"A" e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser feitas próximas
ao ouvido do trabalhador.
3.
Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância
fixados no Quadro deste Anexo. (115.003-0 / I4)
4.
Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário será considerada a
máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado.
5.
Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos
que não estejam adequadamente protegidos.
6.
Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição
a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados,
de forma que, se a soma das seguintes frações:
exceder
a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância.
Na
equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível
de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este
nível, segundo o Quadro deste Anexo.
7.
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo
ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco
grave e iminente.
ANEXO 2
LIMITES
DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS DE IMPACTO
1.
Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústica
de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo.
2.
Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com medidor de nível
de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para impacto.
As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite de tolerância
para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos,
o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo. (115.004-9 / I4)
3.
Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito de
resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida
(FAST) e circuito de compensação "C". Neste caso, o limite de tolerância
será de 120 dB(C). (115.005-7 / I4)
4.
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção adequada,
a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB(linear), medidos no circuito
de resposta para impacto, ou superiores a 130 dB(C), medidos no circuito de resposta
rápida (FAST), oferecerão risco grave e iminente.
ANEXO
3
LIMITES
DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR
1.
A exposição ao calor deve ser avaliada através do "Índice de Bulbo Úmido Termômetro
de Globo" - IBUTG definido pelas equações que se seguem:
Ambientes
internos ou externos sem carga solar:
IBUTG
= 0,7 tbn + 0,3 tg
Ambientes
externos com carga solar:
IBUTG
= 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0
,2
tg
onde:
tbn
= temperatura de bulbo úmido natural
tg
= temperatura de globo
tbs
= temperatura de bulbo seco.
2.
Os aparelhos que devem ser usados nesta avaliação são: termômetro de bulbo úmido
natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum.
3.
As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à altura
da região do corpo mais atingida.
Limites
de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com
períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço.
1. 1. Em
função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido no Quadro
1.
2. 2.
QUADRO
1 (115.0065
/ I4)
| Regime
de Trabalho Intermi- tente com Descanso no Próprio Local de Trabalho (por hora) | TIPO
DE ATIVIDADE |
| Leve | Moderada | Pesada |
| Trabalho
contínuo | até
30,0 | até
26,7 | até
25,0 |
| 45
minutos trabalho
15
minutos descanso | 30,1
a 30,6 | 26,8
a 28,0 | 25,1
a 25,9 |
| 30
minutos trabalho
30
minutos descanso | 30,7
a 31,4 | 28,1
a 29,4 | 26,0
a 27,9 |
| 15
minutos trabalho
45
minutos descanso | 31,5
a 32,2 | 29,5
a 31,1 | 28,0
a 30,0 |
| Não
é permitido o trabalho sem a adoção de medidas adequadas de controle | acima
de 32,2 | acima
de 31,1 | acima
de 30 |
2.
Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos
legais.
3.
A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita consultando-se
o Quadro 3.
Limites
de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com
período de descanso em outro local (local de descanso).
1.
Para os fins deste item, considera-se como local de descanso ambiente termicamente
mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo atividade leve.
2.
Os limites de tolerância são dados segundo o Quadro 2.
QUADRO
2
(115.007-D / I 4)
|
M (Kcal/h) | _Máximo
IBUTG |
| 175
200 250 300 350 400 450 500 | 30,5
30,0 28,5 27,5 26,5 26,0 25,5 25,0 |
_
Onde: M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora, determinada
pela seguinte fórmula:
| _
M= | Mt
x Tt + Md
x Td ————————————— |
| 60 |
sendo:
Mt
= taxa de metabolismo no local de trabalho.
Tt
= soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho.
Md
= taxa de metabolismo no local de descanso.
Td
= soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso.
_____
IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para uma hora, determinado pela seguinte
fórmula:
| ______
IBUTG = | IBUTGt
x Tt + IBUTGd x Td ————————————— |
| 60 |
sendo:
IBUTGt
= valor do IBUTG no local de trabalho.
IBUTGd
= valor do IBUTG no local de descanso.
Tt
e Td
= como anteriormente definidos.
Os
tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável
do ciclo de trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos.
3.
As taxas de metabolismo Mt e Md serão obtidas consultando-se
o Quadro 3.
4.
Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos
legais.
QUADRO
3
TAXAS
DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE
| TIPO
DE ATIVIDADE | Kcal/h |
| Sentado
em Repouso | 100 |
| TRABALHO
LEVE Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia).
Sentado,
movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir).
De
pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços. |
125
150 150
|
| TRABALHO
MODERADO
Sentado,
movimentos vigorosos com braços e pernas.
De
pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
De
pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
Em
movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. |
180 175 220 300
|
| TRABALHO
PESADO Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.:
remoção com pá).
Trabalho
fatigante |
440 550
|
ANEXO
4
REVOGADO
PELA PORTARIA MTPS Nº 3.751, DE 23.11.90 (DOU 26.11.90)
ANEXO 5
RADIAÇÕES
IONIZANTES (115.009-0 / I4)
Nas
atividades ou operações onde trabalhadores possam ser expostos a radiações ionizantes,
os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controles básicos para
a proteção do homem e do seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos
causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE-3.01: "Diretrizes
Básicas de Radioproteção", de julho de 1988, aprovada, em caráter experimental,
pela Resolução CNEN nº 12/88, ou daquela que venha a substituí-la.
ANEXO 6
TRABALHO
SOB CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS (115.010-1 / I4)
Este
Anexo trata dos trabalhos sob ar comprimido e dos trabalhos submersos.
1.
Trabalhos sob ar comprimido
1.1.
Trabalhos sob ar comprimido são os efetuados em ambientes onde o trabalhador é
obrigado a suportar pressões maiores que a atmosférica e onde se exige cuidadosa
descompressão, de acordo com as tabelas anexas.
1.2.
Para fins de aplicação deste item, define-se:
a)
Câmara de Trabalho - é o espaço ou compartimento sob ar comprimido, no interior
da qual o trabalho está sendo realizado;
b)
Câmara de Recompressão - é uma câmara que, independentemente da câmara de trabalho,
é usada para tratamento de indivíduos que adquirem doença descompressiva ou embolia
e é diretamente supervisionada por médico qualificado;
c)
Campânula - é uma câmara através da qual o trabalhador passa do ar livre para
a câmara de trabalho do tubulão e vice-versa;
d)
Eclusa de Pessoal - é uma câmara através da qual o trabalhador passa do ar livre
para a câmara de trabalho do túnel e vice-versa;
e)
Encarregado de Ar Comprimido - é o profissional treinado e conhecedor das diversas
técnicas empregadas nos trabalhos sob ar comprimido, designado pelo empregador
como o responsável imediato pelos trabalhadores;
f)
Médico Qualificado - é o médico do trabalho com conhecimentos comprovados em Medicina
Hiperbárica, responsável pela supervisão e pelo programa médico;
g)
Operador de Eclusa ou de Campânula - é o indivíduo previamente treinado nas manobras
de compressão e descompressão das eclusas ou campânulas, responsável pelo controle
da pressão no seu interior;
h)
Período de Trabalho - é o tempo durante o qual o trabalhador fica submetido a
pressão maior que a do ar atmosférico excluindo-se o período de descompressão;
f)
Pressão de Trabalho - é a maior pressão de ar à qual é submetido o trabalhador
no tubulão ou túnel durante o período de trabalho;
j)
Túnel Pressurizado - é uma escavação, abaixo da superfície do solo, cujo maior
eixo faz um ângulo não-superior a 45º (quarenta e cinco graus) com a horizontal,
fechado nas duas extremidades, em cujo interior haja pressão superior a uma atmosfera;
l)
Tubulão de Ar Comprimido - é uma estrutura vertical que se estende abaixo da superfície
da água ou solo, através da qual os trabalhadores devem descer, entrando pela
campânula, para uma pressão maior que atmosférica. A atmosfera pressurizada opõe-se
à pressão da água e permite que os homens trabalhem em seu interior.